The King
9 Capítulo IX – A Chegada do Inverno.
Notas iniciais

Capítulo IX – A Chegada do Inverno.
O bar fétido e pequeno era horrível: localizado em um dos piores bairros, com as piores instalações possíveis. A comida também não era lá essas coisas. Ainda assim, jovenzinho faltava enfiar as fuças dentro do prato de torta que o desconhecido à sua frente pedira.
Do outro lado da mesa, o senhor alto e ruivo observava com olhos analíticos cada movimento do esfomeado rapaz Sarutobi. – Eu me chamo Yahiko. – Disse quando achou prudente, mas o outro não parecia ouvir.
Yahiko bebeu de seu chá; parecia divertido com a visão. Ao perceber isso, Konohamaru tratou de se comportar. Sentou-se direito, limpou as mãos e os lábios e o fitou com os olhos suspeitos. – O que você quer comigo? – Questionou, sem nem mesmo se preocupar em agradecer pela comida. Por sorte, o homem pareceu também achar graça disso.
– Como você deve imaginar, eu não sou daqui. Sou do país vizinho, e pretendo... Conhecer seu povo. – Tornou a beber. – Eu vi seu desempenho, rapaz. Quando o príncipe foi apresentado a todos, você bancou o rebelde. – O Sarutobi recuou. – Eu não sei se deveria confiar e falar tão abertamente, mas... Eu pertenço a um grupo chamado Akatsuki. Nós, assim como você, não acreditamos na monarquia; procuramos o melhor governo para um mundo mais justo, e suas palavras me tocaram. Ainda que tenha tão pouca idade, é um rapaz decidido. – Mas o garoto riu, e bufou.
– Acha que me engana? Como você poderia apenas se interessar por meus ideais se já sabia meu nome quando me encontrou? Eu só vim aqui, senhor, para saber o porquê estava me seguindo. – O sorriso de Yahiko aumentou.
– Muito inteligente. – Ele ergueu o copo com chá como em brinde. – Está bem, vou te dizer o que queremos: você. Você, Konohamaru Sarutobi, neto do antigo conselheiro, Hiruzen Sarutobi, é um dos poucos que tem chances de se infiltrar na torre. E com os seus ideais... Creio que possamos chegar a um acordo. – A sobrancelha castanha do rapaz se estreitou.
– Eu não sou um assassino. – Pontuou.
– Não precisa ser um assassino. – O outro ponderou. – É só nos colocar dentro, nós faremos o resto. – Mas o garoto riu, ainda que estivesse nervoso.
– E o que te faz pensar que permitiriam que um garoto maltrapilho como eu teria a permissão de adentrar a Torre?
– Sua tutora, Kurenai Yuuhi, se tornará a professora particular da nova princesa do Fogo. Tudo o que tem que fazer é voltar para sua casa, para sua vidinha calma e tranquila, e esperar o nosso contato. – A expressão dele era tão tranquila que assustava. Como ele poderia ter tantas informações?!
– Eu posso muito bem denunciá-los. – Falou com a voz baixa, e os olhos castanhos do homem ficaram sérios.
Com muita calma, o ruivo pousou o copo sobre a mesa de madeira velha, e encarou o rapazinho. – Não fará, senhor Sarutobi. – Ele garantiu. – Pois se sonhar em fazer, todas as pessoas que você ama serão mortas. – Os olhos castanhos do garoto se arregalaram, ainda que ele evitasse transparecer fraquezas. – Exatamente... Sua amiga, e a mãe; sua tia e seu primo. Mesmo aquele soldado que se acha tão inteligente... Todos serão mortos; na sua frente, de preferência. – O rapazinho se levantou em um pulo, cambaleando com a ideia sinistra.
– O- O quê?! – Ele gaguejou assustado. O outro deu os ombros.
– Como você vê, não tem muitas escolhas.
O choro de bebê soou alto, e despertou Konohamaru da amarga lembrança daquela tarde de fim de novembro. É claro que ele não tinha escolhas... E, ainda que tivessem passado semanas desde a ameaça, ele ainda não sabia o que devia fazer.
Se os conselheiros descobrissem, ele e a tia seriam acusados de traição e mortos a sangue frio na frente de qualquer um que quisesse ver; mas se ele contasse, todos os que ele amava minimamente seriam mortos de um modo que, francamente, ele não queria nem imaginar.
Kurenai correu apressada até seu filho, que dormia em um cesto na sala de estar, ao lado do primo, e tratou de acalmá-lo o mais rápido possível. Não queria que os estudos do sobrinho fossem interrompidos, ainda que o rapaz não estivesse, de fato, prestando atenção naqueles montes de livros que ela fizera questão de pegar da biblioteca.
Sim... A Torre. Assim como aquele estranho havia imaginado, ele e Kurenai estavam instalados na maior residência do país do Fogo. Eles tinham uma pequena casa separada do palácio, mas dentro dos muros; era simples, se comparasse à residência principal, mas muito mais confortável que a última.
A senhorita Yuuhi, de desencaminhada do reino, se tornou a respeitada tutora da futura princesa. E embora os murmúrios de que “uma mãe solteira seria um péssimo exemplo para a futura mãe da nação”, ninguém tinha coragem suficiente para questionar, em publico, as decisões do conselho. – Você já terminou seu dever? – A mulher perguntou, aproximando-se com o bebê do garoto, que corou.
– Q- Quase! – Ele mentiu, e pela expressão dela, tinha percebido. Ainda assim, preferiu dar os ombros.
– Feche os livros e apague a luz. Durma, pode continuar amanhã. – O mais jovem concordou timidamente; a tia sorriu e depois de murmurar “boa noite” seguiu para seu próprio quarto, levando a criança consigo.
O Sarutobi respirou fundo; fechou o livro de história que estava aberto para o ar e obedeceu à sua tutora, a quem ele tinha, sinceramente, decidido respeitar. Ele não gostava muito de Kurenai, pois desde que o tio havia morrido, todos falavam dele graças a ela e seu filho bastardo, mas também não queria que eles fossem machucados, não podia nem conceber a ideia do pequeno primo ferido.
Ele não soube como conseguiu pregar os olhos àquela noite, atormentado pela dúvida de como diabos aquele estranho faria contato. Embora fosse impossível entrar e sair da Torre com total liberdade, ele tinha a impressão de que o tal Yahiko conseguiria, com muita perfeição até, levar nem que fosse somente um recado para o jovem com as instruções do que fazer.
Quando enfim conseguiu dormir, sonhou com sua mãe. Ela sorria, e dizia que tudo ficaria bem.
~
Dezembro enfim havia chegado, e com ele, a pesada neve que vez ou outra tomava conta de todas as ruas da cidade. Os pobres passavam frio, e os mendigos sem amigos dormiam nas ruas cobertas de gelo. Ainda assim, a maior parte da população parecia alegre com a notícia de que, assim que a senhorita Hyuuga completasse dezesseis anos – que seria logo após o natal – a cerimônia de casamento com o príncipe seria enfim realizada, e ela se tornaria, oficialmente, a princesa do Fogo.
Ainda que os cidadãos se alegrassem de seu casamento, a própria Hinata não estava satisfeita. Ela mal via o príncipe, sabia tudo o que a professora fora instruída a ensinar e não tinha liberdade para sair dos muros daquela prisão, conhecida por Torre.
Mesmo que tivesse tantos problemas, entretanto, sua maior preocupação eram os pobres alienados que ficavam tão felizes, mesmo que não ganhassem nada. Ela começava a pensar que nada mudaria, ainda que se tornasse rainha, e temia não ter poder suficiente, nem coragem, para ajudar as pobres crianças que tanto adorava.
Na primeira manhã da segunda semana de dezembro, ela não pôde conter sua ansiedade. O céu anunciava uma nevasca ainda mais forte que as últimas, e Hinata informou ao primo o temor de que algum pobre coitado morresse de frio. – Muitos estão doentes. – Neji confirmou com pesar, preferiu omitir a notícia de que tinham, de fato, alguns mortos. – E o hospital já anunciou que não há mais leitos.
– Não podemos fazer nada? – Eles estavam em seu aposento particular; uma saleta ao lado da biblioteca, que lhe servia de sala de visitas. O mais velho suspirou.
– Como quer fazer alguma coisa, quando nem pode sair deste lugar? – Ela se jogou na cadeira e bufou com os braços cruzados. – Entenda, é para o seu próprio bem, Hinata. – Mas ela não pareceu convencida, pois continuava com a mesma expressão irritadiça.
– “Para o seu bem” – Ela repetiu. – Grande coisa, o meu bem! Eu estou aqui dentro, quentinha e com uma dúzia de pessoas dispostas a me socorrer. São com eles que deviam se preocupar! – E se levantou. – São eles que pagam impostos, não são?! São eles que sustentam a monarquia, então deviam ser priorizados. – O rapaz sorriu, e deu os ombros.
– Fico feliz que a futura mãe da pátria pense assim, mas lembre-se que seu pai não gostaria que você expressasse esses sentimentos em publico; é possível que os conselheiros comecem a pensar mal. – Ela estava a ponto de retrucar, quando alguém, após bater na porta, adentrou.
Era Sasuke; ele trazia consigo um xale de crochê branco, a favor de Tenten, que nesse momento, estava ocupada demais arrumando o quarto de Hanabi. Ele pôde identificar os olhares tensos quase imediatamente. – O que houve? – Quis saber após fechar a porta; se aproximava cautelosamente, com os olhos negros sempre desconfiados. – Algum problema? – Neji negou, mas Hinata suspirou. Diferente do primo, ela confiava plenamente no silêncio do Uchiha.
– Estou preocupada. Acho que hoje vai ser ainda mais frio do que ontem. – Respondeu enquanto o rapaz ajeitava a veste sobre seus ombros. – E se alguém morrer?!
– Bom, é normal que as pessoas morram no inverno, Hinata. Não pense tanto nisso, só vai acabar ficando mais e mais preocupada. – Mas ela ainda não tinha se convencido; puxando o cavalheiro pelas vestes pesadas, insistiu:
– Por favor, Sasuke! Pense em algo! Nós precisamos ajudar de alguma forma. – Mas ele suspirou.
– E como planeja ajudá-los? Por acaso quer acomodá-los na Torre? Por Deus, Hinata! – Exclamou. – Iríamos acordar sem uma peça de valor.
– E se trouxéssemos só as crianças?! – Os olhos negros se reviraram.
– Besteira; são tão perigosos quanto os adultos. Talvez até mais, pois não levantam tantas dúvidas. – As sobrancelhas azuladas se estreitaram.
– Não vou aceitar isso! – Exclamou decidida. – Eu vou fazer alguma coisa, nem que seja só levar cobertores aos sem teto. – O moreno suspirou novamente, mas acabou por dar os ombros.
– Bem, eu também estou proibido de deixar a Torre sem segundas ordens, mas tenho um jeito. – E olhou para Neji. – Nós dois vamos lá; arranjaremos abrigo aos sem teto e levaremos recursos para que os pobres se aqueçam. Mas você. – Olhou ameaçadoramente para a princesa. – Você. Fica. Aqui. – Sibilou, apontando para o chão. – Eu não vou deixar a futura princesa correr perigo, então vai ficar aqui, sentadinha, quietinha. Ouviu? – Ela não estava disposta a tal coisa, mas temendo que ele voltasse atrás na sua decisão, acabou por assentir.
Depois de conversarem sobre os últimos detalhes do plano, ambos os rapazes despediram-se educadamente, despreocupando parcialmente a futura princesa e prometendo que fariam tudo que estivesse ao seu alcance para ajudar o máximo de pessoas possíveis.
Bastou que a porta se fechasse para que Hanabi, que até então estava aparentemente absorta na leitura de um livro que parecia muito interessante, fechou o exemplar em menos de um minuto, e se aproximou da irmã às pressas. – O que está fazendo?! – Ela questionou quando viu Hina se sentar.
– Sou eu que pergunto. – A mais velha não pôde evitar uma risada, e a mais jovem revirou os olhos.
– Nós não vamos ficar mesmo sentadas enquanto eles salvam o dia, vamos?! Irmã, nós devíamos segui-los, nem que seja para termos certeza se vão mesmo cumprir o que disseram fazer. – Hinata não queria escutá-la; embora quisesse muito colaborar por si mesma com a ideia que ela própria havia dado, não podia permitir-se duvidar da palavra de Sasuke ou Neji.
Ainda assim, quando Hanabi saiu cautelosa da sala de visitas, ela não pôde se conter, e acabou por seguir a irmã.
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Sakura não era exatamente a pessoa mais bondosa do universo, mas também não tinha uma paciência de ferro ou sangue frio, como aqueles benditos conselheiros pareciam querer que ela, e qualquer outro médico dentro dos prédios da Torre, tivessem.
O fato era que havia muitos doentes, por todos os cantos da cidade imperial. Crianças e adultos, soldados e civis; eles precisavam de atendimento médico e rápido, mas ninguém parecia realmente se importar, pois os mais competentes, que mais entendiam do assunto, estavam trancafiados a sete chaves dentro do palácio.
A notícia de que uma garotinha, parente de uma das garotas da cozinha estava doente foi à gota d’água para a paciência da jovem estudante, que sem hesitar, acabou por fugir pela mesma passagem secreta que Naruto havia lhe apresentado pouco depois de eles chegarem a Torre.
A menina Moegi era sobrinha de uma das cozinheiras, e foi esta quem implorou para que a senhorita Haruno fizesse qualquer coisa para ajudá-la. Não foi difícil, para a mulher, levar Sak até a residência da irmã, e foi ainda menos difícil para Sakura, descobrir que a garotinha necessitava, e rápido, de um lugar quente e aconchegante para que pudesse ficar em observação.
Claro que ela hesitou; hesitou até demais, para falar a verdade. Desde que voltara a pôr os pés dentro da Torre, havia decidido pedir ao príncipe que recebesse a menina em qualquer aposento que fosse, para que ela pudesse cuidá-la; ela não tinha dificuldades em imaginar a aceitação do amigo, mas ainda estava assustada. Fazia semanas que ela o evitava o máximo possível, e temia que ele estivesse muito magoado com sua recusa tão recente, e o constrangimento era tanto que ela levou até a manhã do dia seguinte para decidir que estava sendo idiota, e que a doença de uma garotinha era muito mais importante do que qualquer vergonha que pudesse ser sentida. – É besteira. – Ela murmurou para si mesma, em frente à porta do quarto do herdeiro. – Ele vai te ouvir... – E como se ouvisse, a porta foi aberta, e um homem vestindo negro dos pés à cabeça se revelou.
Sak teve seu corpo paralisado por segundos, até que Naruto se identificasse com um “Sakura-chan?!” muito surpreso.
– Naruto...?! – Ele tapou sua boca com as mãos e imediatamente a puxou para dentro do quarto. – Mas que droga?! – Ela exclamou quando foi solta; o rapaz suspirou pesadamente.
– Eu quero ir até a cidade, quero ver se precisam de algo... – Confessou. – Eu não consigo ficar aqui parado! Ouvi o Itachi e o Sasuke conversando sobre um número pequeno de mortos... – E bufou. – “Pequeno”; ainda que fosse um, eu iria querer me envolver! – Exclamou com os olhos azuis tremendo de frustração. – Se eu não tivesse ouvido por acaso... Dificilmente saberia. – A Haruno pousou a mão sobre o antebraço do herdeiro, que a olhou angustiado.
– Eles possivelmente não querem te preocupar. – Consolou-o, e o loiro deu os ombros e coçou a nuca.
– Eu sei que os conselheiros estão manipulando informações. Eles só se preocupam com esse maldito casamento... Francamente, é muita estupidez para pessoas que supostamente deveriam estar cuidando de aldeões. – A rosada não pôde deixar de concordar, mesmo que “casamento” fosse definitivamente um assunto perigoso para se tratar com Naruto depois de rejeitá-lo. – Eu não sou idiota, Sakura-chan. Sei que tem mais coisa do que “ela é uma boa garota” por trás disso, mas ninguém me conta nada nessa droga de lugar... – Suspirou. – E se ninguém quer me contar nada do meu povo, eu vou ver com os meus próprios olhos. – E se voltou à porta.
– Espere! – Sak se apressou em para-lo, segurando-o pelo capuz; corou e se afastou assim que sentiu os grandes orbes azuis sobre seu rosto. – Eu tenho um pedido.
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– Vamos, irmã! – Hanabi murmurou baixinho, apenas para a irmã ouvir, e puxou a futura princesa, sem cerimônias, para dentro de um guardador de casacos; elas estavam muito acostumadas a se esconderem em coisas semelhantes, desde pequenas, graças às suas antigas brincadeiras.
Aquele era um dos muitos aposentos espalhados pela Torre; ele era grande, cheio de estantes, livros e poltronas, mas pouco frequentado. Era um lugar perfeito para fazer uma sala de visitas, exceto pelo fato de não possuir lareira. No lugar disso, entretanto, um grande quadro com a imagem de Mito Uzumaki e Hashirama Senju, os antigos governantes enfeitava a ala.
Estavam ali porque os rapazes haviam combinado, como ponto de encontro, àquela mesma saleta; de lá, eles iriam arrumar algum jeito de escapar do palácio e das vistas dos demais soldados.
Demorou alguns minutos, e elas já estavam ficando incomodadas com a falta de espaço quando a porta pareceu se abrir; elas dividiram a fresta e espiaram Sasuke, Neji e, para sua surpresa, Itachi adentrando o local. – Nunca pensei que se disporia a algo assim, Neji. – O mais velho dos irmãos Uchiha comentou com um sorriso.
– Isso se chama “manipulação feminina”. – Itachi riu e Hina sentiu o rosto enrubescer ao notar que ela fazia parte da piada.
– Eu também nunca pensei que fosse me chamar, irmãozinho. – O mais velho envolveu os braços nos ombros do mais jovem, que suspirou.
– Você é mais manipulador do que nós dois juntos, então achei que seria mais fácil, para convencer àquela bruxa.
– Sempre tão calculista... – Itachi lamentou, mas ainda sorria. Sasuke revirou os olhos e empurrou o mais velho. – Tudo bem, podemos ir. Mas eu não sabia que você conhecia esse lugar, Sasuke. – O irmão deu os ombros enquanto abria, de alguma forma, o quadro dos antigos governantes do país do Fogo. Itachi assobiou com surpresa. – E não fazia nem ideia de que sabia disso.
– Eu e Naruto costumávamos te seguir, quando éramos pequenos. – Sasuke comentou enquanto ajeitava a trouxa de roupas que tinha presa nas costas. – Quando você não nos via, descobríamos coisas interessantes. – O mais velho riu, e seguiu o mais jovem pela passagem, sendo posteriormente seguido por Neji.
As irmãs Hyuuga não conseguiram sair imediatamente do lugar, pois estavam um pouco surpresas com a entrada secreta; só depois de Hanabi murmurar: “Bem, vamos lá!”, Hinata conseguiu empurrar a porta do guardador.
Elas esticaram os membros rígidos antes de caminhar para o quadro; os olhos da mais jovem brilhavam em ansiedade; ela jamais havia feito algo tão fora das regras quanto o que estava prestes a fazer.
Hinata, por outro lado, estava temerosa. Não por si mesma, pois já havia passeado escondida milhares e milhares de vezes pela cidade, mas pela irmã, que desde que nascera poucas vezes teve a oportunidade de deixar a residência dos Hyuuga, e em todas essas vezes estava acompanhada pelo primo.
Elas podiam ser assaltadas – pois na cabeça da Hyuuga, que nunca havia passado por nada que fosse pior que um assalto, além da ameaça da qual foi salva por Naruto, essa era a única possibilidade pensada – e a moça duvidava que a mais espirituosa dos Hyuuga fosse ver suas joias levadas sem revidar ao menos com palavras.
Elas também traziam uma trouxa com mantimentos, não tão grande quanto a dos homens, mas grande o suficiente para seu propósito: elas desejavam distribuir ao menos uma xícara de sopa quente para cada uma das crianças necessitadas de Konoha.
Pretendiam prepará-la dentro da padaria que pertencia a um antigo trabalhador dos Hyuuga, um velho senhor que sempre fora gentil com todos, e que certamente não se oporia, se elas repusessem as despesas. O dinheiro para isso estava escondido nas meias de Hanabi. – Pronta? – Hinata perguntou com gentileza, e a irmã concordou, mas elas não deram dois passos a caminho da passagem, agora fechada, antes que a porta se abrisse.
Corações palpitaram, tremores pelo corpo ocorreram e as Hyuuga foram surpreendidas com a entrada da enfermeira Haruno e do herdeiro; ela usava um capuz longo; ele vestia preto dos pés à cabeça, e carregava um baú grande e suspeito.
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– Para quê preciso aprender latim? Vou acabar indo para o exército, de qualquer jeito. – Konohamaru murmurou com um beicinho irritado, e Kurenai suspirou pesadamente.
– Nós todos precisamos saber ao menos o básico em latim, querido. – A Yuuhi ponderou. – Nosso país se tornou adepto à Igreja, lembra-se? – O garoto fez uma careta e tornou a ler o grande livro, enquanto sua tutora tornava a ninar o bebê Sarutobi com uma melodia calma e gentil.
– Pode cantar outra música? – O garoto pediu depois de um tempo, deixando a outra surpresa e confusa. – Minha mãe costumava me cantar isso para dormir. – Explicou com a voz baixa; os olhos estavam nas páginas, mas ele não lia nada.
– Desculpe. – Ela pediu envergonhada, e o garoto suspirou.
– Eu não costumava gostar de você, Kurenai. – Confessou enquanto fechava o grande livro. Virou a cadeira e fitou os olhos avermelhados da tutora. – Na realidade, não gostava nadinha de você, porque desde que o seu bebê nasceu, todos começaram a falar do meu tio como se ele tivesse cometido um grande pecado. Eu vivi nas ruas, você sabe... E conheci o sexo; não parecia nada demais, para aquelas pessoas, mas de alguma forma, condenou vocês dois... – A mulher quase não conseguia piscar, pois Konohamaru dificilmente começava uma conversa. – Eu acabei condenando você, sem nem me dar conta que era a mais prejudicada... – Ele refletiu com pesar. – Por isso, quero que saiba... Eu realmente gosto de você, agora. Não importa o que as pessoas digam... Para mim, você é a última senhora Sarutobi. – Ela, entretanto, não teve tempo de chorar emocionada, nem abraçar, nem agradecer ao menino, pois ambos foram interrompidos pela entrada abrupta de Shikamaru, que ofegava. Ele estava coberto de flocos de neve.
– Konohamaru! – Ele exclamou apressado. – Venha comigo!
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Uma fuga. Não parecia haver outra explicação além daquela para a cena de Sakura e Naruto do que uma fuga planejada e aquilo, de alguma maneira, havia quebrado o coração da futura princesa, pois ela não podia acreditar que ele havia mudado tanto, a ponto não levar em consideração as suas responsabilidades como herdeiro do trono.
A decepção era tão grande que, por volta de três minutos, ela não conseguiu formar nenhuma frase inteligível suficiente para ser dita. – Senhorita Hyuuga! – Sak foi a primeira a se pronunciar; ela não sabia se estava mais desconfortável pela situação ou irritada pelo atraso.
– O que vocês fazem aqui?! – Foi Hanabi quem questionou, os olhos perolados estavam cheios de desconfiança que não agradava em nada os fugitivos; o olhar era tão acusativo que Naruto teve que pigarrear.
– Não estamos fazendo nada, oras. – Ele disse simplesmente, abrindo seu lindo sorriso brilhante que não ajudou em nada a amenizar o clima.
– Para aonde vocês vão? – Hinata não pôde deixar de questionar; seu rosto estava pálido. Ela não podia perder o noivo!
Diante a falta de resposta de Naruto, ela se aproximou cautelosamente. Respirou fundo e olhando fixamente nos orbes azuis. – Para aonde vocês pretendem ir, senhor?
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Não era do perfil da família Uchiha fazer caridades em pleno inverno, então quando o senhor Itachi começou a juntar mendigos de todos os cantos da modesta cidade imperial na calada da noite, podiam jurar que estavam caminhando para a morte.
Quando foram escoltados até o hospital, entretanto, eles começaram a imaginar que seriam usados como cobaias para algum experimento sinistro; pensaram tudo, exceto que estavam sendo ajudados.
A conversa de Itachi para com a madre que tomava conta do lugar foi longe de ser santa, uma vez que ele teve que dar-lhe um tanto considerável de moedas de ouro para que ela achasse um lugarzinho qualquer onde pudesse abrigar os sem teto; nada cristão da parte dela, mas extremamente humano, na opinião dos irmãos.
Os mais jovens, Sasuke e Neji, não fizeram muito além de ajudar o mais velho a escoltar os desabrigados; eles sequer puderam saber da conversa na íntegra, apenas a base necessária de Itachi que havia dito: “havia dado um jeito; os escoltados seriam abrigados e que eles não seriam descobertos pelos conselheiros, portanto não havia por que se preocupar.”. O Uchiha mais jovem confiava plenamente nas cartas que Itachi geralmente usava para manipular qualquer pessoa que fosse importante ou não, então acreditou em suas palavras piamente. Já Neji, que era o que menos tinha a se preocupar caso fosse descoberto ajudando mendigos, não conseguiu evitar o sentimento de dúvida.
Foi sabido que os sem-teto ficariam hospedados até o final da nevasca em apenas dois quartos que deveria ser o suficiente para dormirem grudados. – Mas nós temos que trazer mantimentos. Ela deixou claro que não pretende dividir comida com eles. – Itachi avisou com um suspiro. – Como não podemos sair da Torre até o aniversário de Hinata, conto com você, Neji. – O Hyuuga concordou imediatamente, feliz por ser capaz de fazer algo que certamente faria a prima se orgulhar.
Eles estavam caminhando para fora do hospital quando uma imagem peculiar chamou a atenção dos Uchiha: uma mulher, que eles conheciam muito bem, estava sentada ao lado de um leito de uma garotinha, lendo uma história qualquer.
Itachi, esquecendo-se dos outros, adentrou ao quarto, fazendo imediatamente os olhos castanhos se erguerem em sua direção. Kasumi, entretanto, não cessou as palavras: continuava proferindo o conto com uma delicadeza extrema, como se fosse a mãe da garotinha adoentada, ainda que fosse uma desconhecida.
Kasumi, desde antes de se tornar a senhora Itachi Uchiha, costumava fazer visitas periódicas às crianças perdidas no hospital. Ela não sentia estar fazendo uma caridade, longe disso: sentia estar cumprindo seu dever, uma vez que ela mesma já fora uma dessas crianças, num passado um pouco distante; mesmo depois que fora sabido que ela se tratava da filha perdida dos falecidos Nohara, o triste sentimento de vazio, que continuou a atormentar seu peito até o nascimento da filha.
O marido suspirou, balançou a cabeça com censura, mas se aproximou; puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da esposa, que continuava lendo com uma alegria palpável na voz, pois imaginava que, assim, a felicidade poderia chegar ao espírito da acamada. Entretanto, quando a princesa da história enfim alcançou o seu "Felizes para Sempre", a criança não mais respirava.
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