The King

1 Aniversário.


Notas iniciais
Olá pessoas! Quero apresentá-los à minha nova fanfic: The King. Eu sempre fui apaixonada por príncipes e princesas, então adoro escrever sobre esse tema.Mas The King não é um conto de fadas...Na verdade, é um drama que (pelo menos é o que eu pretendo) vai ser um pouco violento, bem diferente de Que Chegue Até Você, minha última fanfic. :)~ Quero dar os créditos a betagem (?) para o meu namorado, Rodrigo. Enquanto ele betava The King, eu betava Que Chegue Até Você. Obrigada, honey, honey. sz~ Espero que se divirtam, e que gostem tanto dessa história quanto gostaram de Que Chegue Até Você. :)~ Boa leitura!

Capítulo 01 – Aniversário.

Ele estava ansioso. Com uma flor escondida nas costas e o rosto avermelhado, praticava seu discurso pela décima terceira vez, e rezava para que ele enfim se fixasse em sua mente. Infelizmente, a memória de Naruto Uzumaki não era exatamente muito boa, nem sua inteligência. Então, enquanto murmurava repetidamente as mesmas palavras incansavelmente, foi surpreendido por uma mão gentil tocada em seu ombro.

Seu rosto borbulhou, e ele se virou instantaneamente, assustado. – S- Sakura! – Ele exclamou, fazendo a noviça rir.

– O que faz aqui, Naruto? Já é tarde, se a madre superior encontrá-lo... – Ele concordou instantaneamente, e nervoso como a rosada jamais havia visto antes, estendeu uma rosa vermelha em sua direção. – O que é isso?!

– É pra você! – Ele disse rápido. – S- Sakura! P- Por favor, vamos ver as estrelas no meu aniversário! – Ela corou um pouco, mais pela surpresa do que pelo fato do seu melhor amigo desde sempre estar se declarando descaradamente, e sem medo algum.

– Isso é muito...!

– Eu não aceito não como resposta! – Ele concluiu antes de fugir, correndo com velocidade anormal na direção da porta do hospital santo.

Sakura, entretanto, ficou paralisada no mesmo lugar em que ele havia a deixado. Estava chocada, não podia negar. Afinal, Naruto era sempre impulsivo... Mas também nunca faria nada sem a força do coração. – Sakura? – Ouviu a voz conhecida ecoar pelo corredor, e instintivamente escondeu a rosa ganhada.

– Senhora Tsunade! – Ela exclamou e fez uma reverência educada.

– O que faz aqui essa hora? – A madre loira parecia estranhamente desconfiada, o que fez a outra se sentir ainda mais nervosa.

– Eu só vim tomar um pouco de ar, já que não me senti muito bem. – Explicou.

– Entendo, mas é perigoso. Pensei ter avisado a todas que não queria ninguém perambulando pelos corredores, uma vez que terei uma reunião importante. – A noviça concordou, lembrando-se do aviso dado à tarde. – Vá, vou perdoá-la desta vez, mas na próxima será punida. – A mais jovem concordou, e com mais uma reverência respeitadora, Sakura refez o caminho em direção ao quarto.

Com um pesado e longo suspiro, Tsunade, madre superiora e também médica-chefe do local caminhou em passos cansados na direção da igreja pequena.

O local era simples e comum; com diversos bancos de madeira compridos, carpete de madeira escuro, longas paredes antigas e um portal arredondado que dava para o altar. As velas gordas neste eram a única iluminação disponível para os olhos dos quatro ali presentes.

– Jiraya. – Tsunade cumprimentou-o com um aceno educado, mas aos outros dois mais velhos, só ofereceu um olhar frio e sem cordialidades. A velha lhe ofereceu um sorriso provocador.

– Vejo que continua a mesma pessoa temperamental, princesa Tsunade. – Comentou com ironia, mas a médica não se deixou abalar.

– É uma pena que ainda não tenha morrido senhora conselheira. – Respondeu sem sentimentos, e o homem chamado Jiraya se levantou.

– Não é hora para isso. – Os olhos dele pediam que ela se acalmasse. – Estamos aqui para falar sobre algo muito maior que discórdias do passado.

– Do passado?! – Tsu apertou os punhos com fúria. – Esses dois malditos são os culpados por todas as desgraças da minha vida! – O de cabelos brancos se aproximou da loira, e segurou seus ombros de maneira firme, e ele a fitou de maneira profunda. -... O que vocês querem? – Quis saber, sem rodeios. Estava furiosa.

– É dia dez de outubro, o príncipe completará dezesseis anos. – O outro velho os lembrou, como se fosse necessário. – A maioridade foi atingida, e o país precisa dele mais do que nunca. – Foi a vez de Jiraya cerrar os punhos.

– “Maioridade”?! Besteira! Criei esse menino e o vi crescer... Ele não passa de um idiota! Vocês querem que ele controle tudo com apenas dezesseis anos?!

– Se ele é assim, o culpado é o senhor. – A velha insinuou com uma expressão de deboche, mas logo voltou ao rosto sério e irritadiço. – Não temos mais tempo! Ele será levado daqui, com ou sem maturidade para isso! O país do Fogo necessita de um Rei! E não há ninguém melhor que o filho de Minato para dar confiança ao povo.

– Está avisado, Jiraya. Apronte o garoto. Amanhã, todos nós, da corte imperial, partiremos destino à Konoha. – O outro conselheiro advertiu, e com uma reverência obrigatória de despedida retribuída pelos mais jovens, eles se retiraram da igreja pequena.

A médica caiu sentada na cadeira, exausta pela conversa, mesmo que ela tivesse sido tão estupidamente curta. O outro se sentou ao lado dela, e segurou uma de suas mãos. – Você está bem com isso? – Ela perguntou depois de um tempo, deitando sua cabeça no ombro do companheiro de sempre.

– Eu não tenho escolha, certo? – Os olhos castanhos dela foram até o teto, e fitou o luar refletido nas vidraças coloridas.

– Ele é forte. Pode lidar com isso. – Tentou confortá-lo, mas era inútil... Assim como há dez anos, palavras não eram suficientes para acalmar o coração daquele homem. E nem seriam... Então, como qualquer velha amiga, ela o envolveu com um abraço confortador, caloroso e mais do que qualquer coisa, gentil.

Ele tirou os sapatos com ansiedade, assim que chegou a casa. Correu pela sala chamando pelo avô, mas nenhuma resposta foi ouvida. – Ei, velho! – Ele continuava tentando chamá-lo, mas não havia nenhum sinal do seu tutor. – Ah, maldito pervertido, deve estar paquerando por aí... – Murmurou frustrado. – Bem quando eu tinha uma supernovidade sobre a Sakura-chan... – E suspirou com tristeza enquanto caminhava para o seu quarto.

O quarto de Naruto era pequeno e simples, assim como a casa em que vivera por toda sua vida. Ele continha um armário de madeira que cabiam quinze peças de roupas no máximo – embora não estivesse cheio. Uma cama com colchão molenga e um criado-mudo, sobre este apenas um despertador laranja quebrado e um porta-retratos com uma foto dele mais jovem ao lado de Jiraya, seu avô e tutor.

Tirou a jaqueta e as meias, sem se importar em jogar tudo para o ar. Não era segredo para ninguém que o loiro era um bagunceiro de primeira. E com um suspirar apaixonado, encarou o teto de madeira, sonhando com a noite que estava por vir... Imaginou o rosto da noviça envergonhado, e estendeu a mão como se pudesse tocar uma imagem feita pela cabeça. Apertou os punhos, e com um olhar decidido, exclamou: — Yosh! Amanhã será o melhor aniversário da minha vida, dattebayo!

Sakura estava deitada há horas, mas o sono não queria vir de forma nenhuma... E como poderia depois da tão surpreendente declaração do amigo? Estava extremamente tristonha, porque não sabia como dizer a ele o que sabia que tinha que dizer. Para começo de conversa, ela era uma noviça. Não que quisesse mesmo ser freira, na verdade só estava ali por ter o sonho de se tornar médica, e de aquele ser o único modo de conseguir a guia de Tsunade. Mas mesmo assim, ela não podia ficar se encontrando com qualquer rapaz às escondidas por aí, muito menos à noite!

E além daquilo... Ela não poderia aceitar os sentimentos de Naruto porque tinha sentimentos por outra pessoa, uma pessoa que ela sequer conhecia realmente. Um belo soldado que chegara muito ferido de uma batalha com um país vizinho e seu primeiro paciente.

Eles não tinham conversado muito... Na verdade, quando o encontrou, ele estava inconsciente, mas mesmo assim conseguiu chamar sua atenção. Com o passar dos dias, tratando de suas feridas e lendo histórias para que ele pudesse se sentir confortável e bem vindo, se apegou muito aquele estranho, inexplicavelmente. Quando ele acordou, porém, não disse muita coisa. Ele insistiu para que fosse liberado, alegando estar preocupado com sua família, e a deixou apenas com um “Obrigado” sincero. – Família... – Sakura murmurou ao se lembrar. – E se ele for casado...? – Sussurrou para si mesma, pensativa. Bem, mas aquilo não importava. Sendo ou não casado, ela jamais o encontraria de novo mesmo.

Fechou os olhos, sorridente, e sem a mínima lembrança da existência de Naruto. Com o coração acelerado, lembrou-se... Daqueles olhos escuros e gélidos que a faziam sonhar.

A noite passou muito demorada para Tsunade e Jiraya. Eles passaram-na juntos, na casa do homem, bebendo saquê forte e discutindo sobre o passado.

Não conseguiram pregar os olhos, mas também não se surpreenderam quando as carruagens chegaram ao amanhecer. Os anciões foram convidados a entrar, e vinham acompanhados com um guarda, um cocheiro e uma freira, a sobrinha e confidente de Tsunade, Shizune. – Você não vai entrar? – O dono da casa questionou ao guarda que se sentou no degrau da carruagem. Ele negou.

– Não se preocupe com ele, Jiraya. – A velha disse. – Ele é um Uchiha, não se cansa facilmente. – O velho Jiraya gostaria de ter respondido: “Ele é um Uchiha, mas não uma máquina.”, mas estava tão bêbado que seu raciocínio foi lento demais, e quando pôde perceber a velha já estava dentro da casa.

Assim que adentrou na pequena e modesta sala que pertencia à Naruto e Jiraya, o velho senhor conselheiro pôde enxergar os pequenos copos que fediam à bebida. Tsunade estava mais jogada do que sentada na cadeira, e sua coragem advinda do saquê era tão grande que ela sequer fez menção em se levantar ou cumprimentar os mais velhos. Mesmo que ela estivesse tão rebelde para sua idade, os conselheiros ignoraram o fato. A mulher, a propósito, sentou-se ao lado dela, claramente para irritá-la. A madre superiora, que agora não parecia tão santa como suas noviças acreditavam, se ajeitou na cadeira. – Onde está o príncipe? – Perguntou o velho quando o silêncio perdurou por tempo suficiente.

– Dormindo, claro. – Jiraya respondeu coçando os olhos. – Assim como qualquer pessoa normal nessa vila. – A velha riu sem humor nenhum.

– Infelizmente, sabemos que ele não é uma pessoa normal. Espero que ao menos as malas dele estejam feitas. – O avô de Naruto revirou os olhos.

– Para quê malas? Ele não vai usar nenhuma dessas roupas, certo?

– Suponho que antes da noite juvenil... – Desdenhou ao olhar para os copos. – Tenha contado sobre a longa viagem.

– Não. – Ele negou com um sorriso claramente provocativo no rosto. – Eu não contei. Ele estava dormindo como um bebê, então preferi deixar essa surpresa desagradável para de manhã, depois que ele sonhasse.

– Então creio que seja hora de acordar. – A velha se levantou lentamente; Jiraya apertou os punhos.

– Eu vou acordá-lo. – Murmurou irritado.

– O seu trabalho, senhor, era fazer dele um Rei. – A voz da conselheira soou mais alto do que deveria. – Coisa que, se bem me lembro, o senhor confirmou que não fez.

– Ele é só um garoto... – Jiraya suspirou, mas calou-se ao ouvir o bater da bengala no chão de madeira.

– Ele não é um garoto comum. – Tornou a afirmar. – Nós precisamos desse garoto, Jiraya! O país precisa dele!

– Que país?! – A voz de Tsunade exclamou frustrada. – Um país traidor! Um país que não respeita seus governantes! – Ela havia se levantado de repente, e seus punhos estavam cerrados. – MINHA FILHA FOI UMA BOA RAINHA! – Berrou. – E o que fizeram em agradecimento?! Atacaram-na pelas costas!

– O que está acontecendo aqui?! – Todos levaram sua atenção até o dono da voz. O avô se calou de imediato, e teve que esconder a boca com a mão para conter as lágrimas que sempre vinham à tona ao falar da filha falecida. Tsunade desviou o olhar. – Quem são eles, velho safado? – Diante do silêncio e do clima tenso, ele tentou ser engraçado com a pergunta.

– “Velho safado”... – O conselheiro balançou a cabeça, como se lamentasse tamanha infantilidade. Ele se levantou, e seguiu até o lado de sua companheira. – Nós viemos buscá-lo, Naruto Namikaze. – Ele ergueu a sobrancelha loira, cético.

– Desculpe, eu realmente não sei do que vocês...

– Sente-se, garoto. Vamos contar-lhe algo que há tempos deveria ter sabido. – Olhou com uma expressão severa para os responsáveis pelo rapaz. Tsunade e Jiraya desviaram do olhar irritante da senhora.

Confuso, Naruto obedeceu, sentando-se em um dos encostos do sofá velho. – O assunto é delicado, então peço que não me interrompa até que eu termine. – Lentamente, a de cabelos cinzentos foi se aproximando. – Você virá até Konoha conosco. – Surpreso, ele olhou para o tutor como se implorasse para não obrigá-lo.

– Mas hoje é meu aniversário! – Ele tentou argumentar.

– Sei disso.

– E eu tenho compromissos! – Ela ergueu uma das sobrancelhas finas.

– Infelizmente, terá que cancelá-los. Em Konoha, mais que um compromisso, você tem um dever. – Ela caminhou com lentidão pela sala pequena. – Um dever para o País do Fogo e seu povo. – Ele riu como se fosse uma piada, mas diante do silêncio quase mortal dos outros, se calou.

–... O que quer dizer com isso? – Ele coçou a nuca, ainda não tinha conseguido entender o porquê de tanta seriedade numa óbvia piadinha de aniversário.

– O que eu quero dizer é que você, Naruto Namikaze, é o príncipe do País do Fogo, o futuro rei. – Ele não respondeu. – Está fadado desde o seu nascimento a herdar o trono de seu pai, o Magnífico Rei Minato.

– Ei, ei... – Ele se levantou, erguendo as mãos para que parassem com tudo aquilo. – Eu já estou ficando zonzo! – Confessou. – Isso é uma piada, não é? Só pode. – Olhou para o avô com cara de irritação. – Para tudo tem um limite, velho. – Tsunade suspirou.

– Infelizmente, isso não é nenhuma piada. – Esclareceu. – Nós todos somos de Konoha, garoto. Meu nome é Tsunade Senjuu; há mais de seis décadas a minha família está no poder. – O loiro não se pronunciou, e ela inspirou tensa. – Você é filho único dos antigos rei e rainha, Minato Namikaze e Kushina Uzumaki.

– Você também está fazendo piada com a minha cara, vovó Tsunade?! – Agora ele parecia irritado. Levantou-se. – Meu pai era um guerreiro, sei bem disso! Um guerreiro forte, que perdeu sua vida lutando pelos pobres! Meu avô me disse isso! – Mas Jiraya baixou a cabeça, e não concordou com aquilo. – Eu não vou. – Ele disse de repente, ao notar que estava realmente perdido em meio àqueles loucos. – Eu não vou a lugar nenhum! Eu vou ficar aqui, e passar o dia mais importante do meu ano do lado das pessoas que eu amo! – Bateu o pé como se aquele fosse o ponto final.

– Infelizmente, nós já viemos prontos para caso vossa alteza declinasse. – O sorriso do velho foi um pouco assustador, e Tsunade cerrou os olhos. – Senhor Uchiha, entre. – E foi só pronunciar a ordem, que o rapaz já estava lá.

Ele era jovem; devia ser apenas alguns anos a mais que Naruto. Tinha cabelos longos e extremamente lisos, negros como ébano. Uma pele pálida e olhos negros decididos, quase frios. Aproximou-se do suposto príncipe sem hesitar e desferiu-lhe um doloroso soco no estômago, que o fez cair desacordado nos ombros do jovem guerreiro. – Isso não era necessário! – Tsunade exclamou alterada.

– Sabe bem que era. – O velho bufou. – Vamos, Jiraya. Pegue o que acha que deve ser útil e vamos. – E lentamente, seguiu para a porta, acompanhado pela outra conselheira. O jovem Uchiha seguiu logo atrás, com o príncipe desmaiado nos ombros. E Jiraya e Tsunade, sem opção nenhuma, fizeram o que lhes foi mandado.

A carruagem trotava mais do que normalmente fazia.

Eu estava sentado, abraçando a cintura da mamãe para não sentir-me ainda mais indisposto do que já me sentia. A mamãe estava cantando uma musica bonita... Tranquilizadora. Ela estava alisando os meus cabelos, e então, a carruagem seguiu mais rápida. Nos olhos da mamãe, eu vi que ela estava confusa, assim como meu pai, que abriu as cortinas, creio eu que para falar com o cocheiro. Mas não havia cocheiro. Nem cavalos. Só uma longa e estreita descida sob as duas rodas da carruagem real.

Os olhos azuis se abriram imediatamente, e o tronco do rapaz se ergueu arfante. O trotar da carruagem o deixou enjoado, e após abrir a porta negra de madeira, jogou todo o jantar da noite anterior para fora. – Ora, ora. Parece que o príncipe tem um estômago fraco. – O velho conselheiro zombou, e foi respondido com um gélido fitar dos olhos azuis.

Shizune tocou o braço do rapaz e lhe ofereceu um gole de água. Naruto gargarejou e cuspiu, e só então pôde beber com gosto da água fresca que ele podia sentir vir do pequeno vilarejo em que ele fora criado desde os seis anos de idade. – Eu não gosto de carruagem. – Embora não precisasse ser explicado, ele achou melhor esclarecer. Não queria ficar com fama de fraco, afinal de contas. Os velhos se entreolharam por um instante, e assentiram compreensivos. O olhar deles parecia de... Desculpas?

– Você se sente melhor? – A sobrinha de Tsunade questionou preocupada.

– No momento, estou pensando em uma resposta para eu estar aqui. – Ele foi quase grosso. Encarava os conselheiros como se pudesse matá-los com o olhar.

– Estamos te levando de volta às raízes. – O velho falou.

– Entenda, garoto. – A velha disse. – O povo está confuso... O povo está perdido sem um Rei, e eles têm um Rei. Você: Naruto Uzumaki Namikaze, filho do herói do povo. Filho do Rei Corajoso e da Rainha Bondosa... Você é a única esperança de todos.

– Sequer reconheço o nome “Konoha”, como poderia aceitar tal título?! – Ele bufou. – Seria injusto com o povo. Seria injusto comigo! Escutem meus senhores... Eu nunca, jamais fui treinado para ser um líder. Perguntem ao meu avô! Eu sempre fui um garoto cabeça dura, teimoso, mas nunca um líder!

– Para começo de história, chame o senhor Jiraya de “professor”, a partir de agora. – A velha esclareceu. – Ele nunca foi seu avô, para início de conversa. – O rapaz empalideceu.

–... Ele não é meu avô?!

– Mais ou menos! – Shizune se apressou em explicar. – N- Na verdade, querido... O senhor Jiraya foi tutor do seu falecido pai. Eles eram como “pai e filho”, então não tema. – Ela deu um sorriso gentil, e tocou o ombro do loiro que se sentia visivelmente perdido. Como se lembrasse de algo extremamente importante, os olhos safira percorreram a pequena carruagem.

– Onde ele está?! – Perguntou ansioso, pois jamais havia ficado muito tempo longe do velho safado.

– Oh. Eles? Foram pegar o necessário para que possa se sentir em casa.

~

Sakura sentiu-se tensa em frente à porta do quarto da madre superiora. Ela havia sido convocada há minutos atrás, por uma das freiras, que disse que a madre queria conversar com extrema urgência. Como não era do feitio da senhora Tsunade aumentar as coisas, ela estava muito tensa.

Respirou fundo, e quase trêmula, ergueu o punho para bater na porta. Tsu respondeu com “Entre”, alto o suficiente para que ela ouvisse.

Sak obedeceu e abriu a porta, quase tropeçando em seus próprios pés ao ver a inédita imagem da diretora do convento em vestes casuais. Os olhos cor de uísque da mulher olharam em sua direção, e por sorte ela não pareceu perceber a surpresa estampada no rosto de Sak. – Eu quero conversar com você. Feche a porta. – A rosada obedeceu imediatamente; aproximou-se da senhora loira, que se sentou sobre a cama. – Irá comigo até a capital do País do Fogo, a vila de Konoha. – Os olhos esverdeados se arregalaram.

– Para a capital?! – Ela mal podia conter o sorriso. – É uma operação importante? Eu deveria levar material, caneta... – Murmurava para si mesmo, contando nos dedos as instruções para que, mais tarde, pudesse relembrá-las. – Mas não vou poder fazer anotações enquanto a senhora faz uma operação! – Ela bateu na própria testa com a mão.

– Não é isso. – Tsunade se apressou a explicar.

– Então... – O rosto da jovem se iluminou. – Eu vou fazer a operação?! – Ela sequer esperou uma confirmação para puxar as mãos da senhora e beijá-las, agradecida. – Eu não vou decepcioná-la, madre superiora! Vou fazer exatamente o que me mandou! Serei uma pupila exemplar, vai ver! – Tsunade suspirou, e a garota tentou controlar a ansiedade.

– Não é nada disso. – A Senjuu pousou uma das mãos na cabeça para suspirar, cansada de tudo, de todos. Mas tinha que fazer isso, pelo seu neto.

Tomando coragem, ergueu novamente os olhos para aquela menina ignorante, desta vez ainda mais séria. – Sakura, eu quero levá-la para a Konoha, a capital do país do fogo, porque estou me mudando para lá. – Explicou cuidadosa, e o rosto da noviça empalideceu.

– Mas... O convento... – Tsunade bufou.

– Por Deus, menina. Está mais claro do que água que não pensa em seguir como freira. Só está aqui porque é apaixonada por medicina, mas pobre. – Ela baixou os olhos ao chão. – De qualquer forma... – A senhora sorriu, e puxou as mãos finas da mocinha. – Você é uma ótima pupila. – Não era mentira. – Sei que se tornará uma grande médica, e quero ajudá-la. Eu levar-lhe-ei até o império, e lá, você seguirá como a médica do palácio. – Os olhos verdes ergueram-se milimetricamente, e ela sorriu à mestra sem sinceridade. Tsu alisou o rosto alvo. – Não fique triste, menina. O que você mais deseja, afinal? – Sakura assentiu.

– Eu serei uma grande médica, madre. E assim, alcançarei meu objetivo. – Disse convicta. A loira sorriu-lhe, e se levantou.

– Sim, é isso o que uma mulher independente deve dizer. Agora erga a cabeça, menina, pois não há como os outros criticarem-na. Vá até aquele quarto, faça suas malas e, em duas horas, me encontre nos portões. – A rosada concordou. Após uma educada reverência, retirou-se do quarto da antiga princesa, que riu ao imaginar a cara de Naruto ao encontrar sua grande amiga tão repentinamente.

Sim... Levar Sakura Haruno até o palácio era uma boa ideia. – Ele já perdeu demais, não vou deixar que perca a amizade. – Murmurou para si mesma antes de tornar a fazer as malas.

Os passos de Sakura até seu quarto foram os mais longos que havia dado naquele casarão até hoje. Ela estava triste, confusa e melancólica. Não por si mesma, é claro... Ser médica na capital era o primeiro passo para que seu sonho se tornasse realidade. Afinal, ela queria ser uma grande médica, boa o suficiente para ter a liberdade de atender os pobres e necessitados sem ter o medo de passar fome.

Ela não estava triste por si... Mas por Naruto. O seu alegre amigo, que mesmo que fosse sempre tão divertido, tão feliz... Não tinha muitos companheiros além dela.

Suspirou tristemente, e lamentou por não poder despedir-se do melhor amigo. Enquanto fazia as malas, pensou na possibilidade de escrever uma carta longa e emocionante, descrevendo todas as alegrias que haviam tido lado a lado e como ela gostaria que não se separassem. No fim das contas, por medo de que ele pudesse interpretar mal suas palavras, escreveu apenas um bilhete curto, que dizia que “tinha voado em direção ao seu maior sonho, mas que nunca, jamais, esqueceria o seu adorado bobo da corte”.

~

Quando o velho conselheiro anunciou que eles haviam enfim alcançado a maldita “Torre do Fogo”, Naruto deu graças por finalmente poder sair daquela carruagem estúpida. Para o seu azar, eles demoraram vinte minutos até que os cavalos parassem.

A porta foi aberta pelo mesmo idiota que o havia socado. Ele sorriu como se pedisse desculpas, mas Naruto não estava disposto a fazer amizades naquele lugar, então ignorou quando ele estendeu a mão para ajudá-lo a descer.

Assim que alcançou terra firme, sentiu-se renovado. Ele esticou os braços e as pernas, e olhou em volta; a imagem era surpreendentemente nostálgica, desde o jardim enorme, os muros altos e o palácio gigantesco pintado de vermelho. Um vermelho bonito... Que lhe lembrava algo que ele amava.

O loiro riu de si mesmo, pois ele dificilmente tinha momentos de reflexão. Estava se julgando um idiota, quando sentiu uma sensação estranha no braço. Confuso, os olhos azuis olharam para a flecha surpreendentemente grande transpassada no lugar dolorido, e arregalou os olhos ao perceber o atentado. – ENTRE! – O tal Uchiha exclamou, mas Naruto estava confuso demais para qualquer reação.

Os velhos correram para a segurança, mas o príncipe estava atordoado. – PROTEJA O HERDEIRO! – A conselheira berrou em alto som, e Itachi imediatamente se colocou como escudo.

– Entre! – Ele ordenou novamente, e o rapaz concordou; apressou-se atordoado, tentando firmemente ignorar a latejante dor no braço. Mas assim que estava em segurança, caiu de joelhos.

Os conselheiros e mais um grupo grande de pessoas que Naruto nunca tinha visto na vida o rodearam com olhos preocupados, ansiosos. – Ele está bem? – Eles se perguntavam, mas ninguém se aproximou para ajudar.

– PEGUE O TRAIDOR! – Os conselheiros gritavam.

Shizune berrava para que todos saíssem do caminho, mas Naruto não podia compreender o que ela dizia, embora entendesse o sentido, pois um zunido incômodo soou no ouvido. Ele fez uma careta ao sentir a cabeça latejar e quando menos esperava, desmaiou.

– Naruto, me escute... Você vai ser forte. – A mulher que falava estava sorrindo, mas também chorando. Por que ela estava chorando tanto?

A carruagem continuava trotando de maneira incômoda, e eu estava assustado, confuso. – Você vai ser forte... O mais forte de todos, ouviu? – Ela fungou, mas ao invés de limpar suas próprias lágrimas, limpou as minhas.

Os braços dela me envolveram, cheios de carinho. – Por favor... – Ela murmurou chorosa. – Por favor, meu menino... Fique bem...

– KUSHINA! – A voz do meu pai gritou autoritária, e a porta ao meu lado se abriu.

Os olhos azuis se abriram imediatamente. Com a respiração ofegante e a mente vazia, Naruto não conseguiu sequer sentir a dor da flecha que estava, aos poucos, sendo retirada de seu braço. – Fique quieto! – Shizune comandou, e só então o rapaz pôde perceber que, de fato, estava mesmo acordado.

As duas safiras grandes e assustadas vagaram por todo o quarto que deveria ser maior do que sua casa. Ele estava cheio de mobília esnobe desnecessária.

A cama onde estava deitado era grande e realmente muito mais confortável do que o antigo colchão forrado com feno. Ele encarou o dossel alto, que prendia nos quatro cantos da cama; nunca tinha visto nada parecido, e não conseguia compreender a utilidade daquilo.

Só quando a flecha foi repentinamente – e dolorosamente – arrancada ele pôde realmente voltar a si. O grito de dor foi estridente, mas Shizune não foi gentil. – Deite-se! – Ela comandou, empurrando-o.

– ISSO DÓI! – Ele exclamou; ainda sentia a carne perfurada pulsar.

– Cale-se! É necessário! Ou prefere ficar com essa flecha para enfeite?

– Eu quero saber por que diabos me acertaram com uma maldita flecha! – Ele praticamente gritou com a médica, como se ela tivesse alguma culpa de qualquer uma das desgraças que estava acontecendo em sua vida.

– Traidores. – Não foi Shizune quem respondeu, mas foi uma voz familiar.

Naruto tentou se levantar para ver o avô, mas Shizune impediu, mais uma vez lhe empurrando contra a cama. – Eu já pedi para que fique quieto! – Definitivamente, ela não conseguia pensar em como conseguiria ser respeitosa com aquele moleque depois de ele se tornar Rei.

O som do riso de Jiraya soou pelo quarto e Naruto praguejou baixo. – Venha aqui agora e me explique toda essa merda, velho tarado! – O avô riu mais alto, mas não apareceu.

– Acho que os cidadãos queriam lhe entregar um presente de aniversário. – Shizune levou um olhar de repreensão para o velho, e se surpreendeu ao ver que ele, na verdade, estava cabisbaixo, encostado melancolicamente ao lado da porta.

–... Você não é meu avô? – A mulher preferiu prestar o máximo de atenção no ferimento, e fingir que não estava ali, nem ouvindo, para que eles se sentissem confortáveis.

– Eu te criei, garoto. – O sorriso de Jiraya foi tristonho. – Eu sou o único avô que você conheceu. – O silêncio voltou por alguns instantes.

– Por que fizeram isso comigo? – O velho suspirou.

– Os conselheiros acham que pode ter algum traidor infiltrado na Torre. Ninguém além da corte e do exercito real sabia que você estaria aqui hoje. – Naruto riu sem humor.

– Parece que sabiam. – Mais quietude. Tudo o que podiam ouvir era o torturante barulho que Shizune fazia enquanto trabalhava com a agulha para recosturar a pele do rapaz. – Isso não é verdade, não é? Alguma coisa está errada, avô... – Finalmente, ele pôde ver o velho homem. Os braços de Jiraya estavam cruzados e seus olhos nunca haviam sido tão sérios.

– Você é o príncipe do País do Fogo, Naruto. O legado de Minato Namikaze; o filho único da princesa Kushina Uzumaki. Você... É o único herdeiro.

– O que acontece se eu não quiser? – A voz dele estava um pouco alterada. – O que acontece se eu fugir agora mesmo?! Hein?! – A expressão de Jiraya não havia mudado.

– Se você sair daqui, ou se renegar ao seu nome e renunciar o seu trono, uma guerra vai se formar.

– EU NÃO QUERO ESTAR AQUI! – Ele gritou.

– MAS OUTRAS PESSOAS QUEREM! – O avô respondeu com a mesma altura. – E ELAS QUEREM TANTO QUE ESTÃO DISPOSTAS A MATAR POR ESSE MALDITO TRONO! – O neto podia enxergar uma veia nervosa pulsando na testa do avô. – VOCÊ ACHA QUE LEVAR UMA FLECHADA É DOLOROSO?! ENVERGONHE-SE! MEUS HOMENS FORAM ATINGIDOS E CONTINUARAM A LUTAR! TEM IDEIA DE COM QUANTAS FLECHAS ESPALHADAS PELO CORPO O SEU PAI LUTOU?! – Os lábios de Shizune se comprimiram. – VOCÊ FAZ IDEIA DO QUANTO SEU PAI SE ESFORÇOU PARA FAZER UM PAÍS JUSTO?! – Os pontos que a morena haviam acabado de fazer estouraram, e ela se levantou.

– Chega! – Exclamou, e Jiraya pareceu despertar. – Saia daqui! – Ela apontou para a porta. – Saia daqui agora! Ele não é um guerreiro como Minato, ele é um menino! – Ela estava a ponto de explodir de raiva. – Você sabe que ele não está pronto, então antes de gritar como se ele tivesse que engolir esse maldito dever, explique o que deve ser explicado! Antes de compará-lo ao pai, conte quem foi o pai dele! – O velho desviou o olhar. – Saia! – Ela ordenou mais uma vez, e foi enfim obedecida.

Quando a porta se fechou, ela se sentou aliviada. – Acalme-se. – Pediu ao rapaz que ainda estava em choque. – O senhor Jiraya não queria que você tivesse sido trazido... Mas ele não teve escolha.

–... Se o meu pai era mesmo um grande homem...

– O seu pai foi o maior Líder que esse Reino já sonhou em ter. – Ela o interrompeu; estava tirando os pontos desfeitos antes de começar a refazê-los. – Sua mãe foi a Rainha mais bondosa... – Ela sorriu ao se lembrar da sempre sorridente Kushina.

–... Então porque eu não me lembro? – A mulher hesitou um pouco em responder.

– Só você pode responder isso. – Ele suspirou; ergueu os olhos azulados até o teto desenhado e observou cada gravura, tentando lembrar-se amargamente do terrível pesadelo de minutos atrás.

Ele ainda podia se lembrar da voz grave gritando o nome de sua mãe.

Notas finais
Eu me esforcei muito. Espero que pessoas acompanhem. Por agora, não vou falar mais. :)~ Dúvidas? Críticas? Comentários? Por favor, fiquem a vontade!