The Kidnapping Of A God

4 Eu Tenho Um Sonho Após O Jantar


Os Stolls me levaram para fora de arsenal. Eles disseram que já estava quase na hora do jantar e eles não poderiam se atrasar. Eles me levaram de volta para o chalé, onde eu consegui tomar um banho rápido e colocar uma roupa descente (dentro do banheiro com a porta fechada, claro), uma calça jeans comum, meus tênis e uma camiseta laranja do acampamento que os meninos me conseguiram.

Fui até os Stolls, e bem nesse momento tocou um som ao longe, como um chifre de boi.

- Estou pronta.

- Ótimo! – disse os dois – Vamos, vamos...

Eles me empurraram pelo acampamento até o refeitório, onde me sentei com eles e alguns outros integrantes do chalé de Hermes.

Vi, em outra mesa, Alexander de costas para mim, ele ria e zuava com seus “irmãos”. Quis ir até ele, então comecei a me levantar, mais os Stolls me puxaram.

- Onde pensa que vai? – perguntou Connor

- Com meu amigo...

- Não pode cada um deve ficar na sua mesa. Na mesa representante de seu chalé – disse Travis.

Não entendi mais não argumentei. Na mesa a frente, a mesa dos “diretores” vi o Sr. D, ele bebia Diet Coke.

- Não encara... – me cutucou Travis

- O que?!

- O Sr. D é o diretor do acampamento. – disse Connor – Ele é Dionísio, melhor não irritá-lo.

- Porque chamam de Senhor D em vez de Dionísio?

- As palavras têm poder... – respondeu simplesmente Travis

Assenti com a cabeça. Olhei novamente para a mesa e vi um Cara branquinho de cabelos encaracolados e... Chifres?! Sim, chifres. Um par de chifres crescia em ambos os lados de sua cabeça, aparecendo às pontas através dos cabelos. Ele comia as latas do Sr. D e ninfas o servia como se ele fosse um deus. Uma garota ruiva se sentava ao seu lado, vestia uma camiseta azul e calças rabiscadas com cores múltiplas, ela sorria a alguns campistas.

Quíron apareceu no pavilhão e foi ao seu lugar, onde ficou em pé. Espera, em pé?! Sim, em pé. Quíron não estava em uma cadeira de rodas, ele estava em forma de centauro. Sua parte de cima era de humano, como o que eu tinha visto na casa grande, mais sua parte inferior era de cavalo, uma grande bunda de pangaré branco. Ele bateu os cascos no chão e todos pararam de conversar prestando atenção.

- Heróis... Para quem não me conhece sou Quíron, Diretor de Atividades do acampamento. – ele parou dando uma pequena olhada para todos – Hoje começamos mais um ano de atividades, campistas chegam todos os dias e o acampamento nunca esteve em tanta paz e harmonia.

Algumas pessoas começaram a cochichar em resposta com sins e és.

- Bem, quero desejar Boas-Vindas aos campistas novos, e aos antigos também. – ele olhou para o Senhor D – Sr. D...

O Senhor D se levantou e olhou de mau humor a todos.

- Sejam Bem-Vindos, blábláblá... Lembre-se de não irem à floresta sozinhos pra não serem mortos. Bom apetite! – foi sua resposta, logo se sentando.

Todos pegaram seus pratos e começaram a se servir, Travis me falou que eu tinha que dar uma parte de minha refeição aos deuses, na fogueira, não entendi, mais não reclamei.

Nós fomos em direção a fogueiro, onde Clarisse estava jogando uma parte da comida no fogo.

- Olá idiota! – ela disse, se virando para ir sentar-se à mesa de Ares.

- Não vou com a cara dela – disse a Travis

- Ela é assim mesmo. Chata e rude, mais bem no fundo é gente boa – disse ele a mim.

Ele deu uma risadinha e jogou um pouco de sua comida na chama

- Vou me sentar te espero na mesa.

Assenti e ele saiu. Joguei um pouco de minha comida nas chamas e... “para quem eu falo, não entendi isso direito...” pensei, dando um suspiro. Olhei para o fogo que trepidava e fiz uma reza silenciosa: “Pai. Mãe. Seja você quem for. Se eu não estou sozinha no mundo como sempre achei, me mostra quem é você, por favor. Fale comigo, um sinal. Qual quer coisa que me mostra que você ainda liga pra mim.”

Assim, fui sentar-me à mesa de Hermes, terminar meu jantar.

* * *

Após o jantar eu me dirige até o chalé de Hermes, onde deitei na cama, falei boa noite para os Stolls, e sem trocar de roupa, rapidamente dormi.

E eu sonhei. Mais esse não era um sonho comum, meus sonhos normalmente eram em preto e branco e raras vezes tinham som, isso quando eu sonhava o que era um evento raro. Mais esse me surpreendeu, ele era colorido, tinha som, nitidez.

Eu não estava no acampamento, estava em algum lugar alto e ventava, ventava muito. Parecia que chovia e raios e trovões caiam do lado de fora. Eu estava em um palácio, pelo menos foi como defini, e mais a frente eu vi uma mulher, uma mulher bela. Suas roupas eram feitas de fios de ouro, ela tinha os cabelos castanhos e uma tiara na cabeça. Seus olhos estavam vermelhos de chorar.

Fui até ela em silencio, me ajoelhando ao seu lado. Ela chorava com as mãos no chão.

- O que aconteceu? – perguntei

Ela me olhou, mais não sorriu, não respondeu a pergunta. Então eu a abracei de lado.

- Esta tudo bem. – tentei confortá-la – Me diga o que aconteceu. Eu posso ajudar.

Ela me olhou de novo e fez o que eu não imaginava, ela me abraçou.

- Não minha jovem. Você não pode ajudar. – disse ela. Sua voz era calma e confortadora.

- Mais...

Ela desfez o abraço e olhou para mim. Passei minhas mãos sobre seu rosto, secando suas lagrimas. Mais, por que eu fazia isso?! Eu nem mesmo a conhecia.

- Meu marido sumiu... Mais ele à de aparecer. – disse ela com um sorriso no rosto, de confiança.

Então, meu sonho mudou. Eu estava agora em cima de um penhasco. Ventava ainda mais ali e os raios eram mais intensos. Eu estava em uma tempestade de neve. Olhei para os lados, mais nada via.

Então, a sombra de um homem apareceu ao longe.

- Estou te vendo, pequena semideusa. – disse ele. Sua voz era forte e firme e ecoou por toda a extensão do local.

- Quem é você? – perguntei mais minha voz era baixa e fraca

- Você logo descobrirá. – foi à resposta.

Então ele riu, riu alto. Sua risada não me fazia sentido, mais entrou nos meus ouvidos, quase me deixando surda.

Acordei rapidamente sentando na cama. Olhei para os lados e esfreguei os olhos esperando descobrir onde estava. Ainda estava no acampamento e, pelo o que eu via, não tinha ninguém no chalé.