The Kenway Chronicles.
1 Vampiros destroem parte do refeitório.
Notas iniciais
Kyle
Eu odeio quando me atravessam com uma tonfa enfeitiçada no peito, e vocês?
Bem, isso deve tê-los pego de surpresa, uma pergunta logo no começo, mas antes de eu poder seguir com a história, vou recapitular os fatos para que possamos chegar até o momento atual. Quem eu sou? Kyle Kenway, um mero estudante de dezessete anos. Moro em Manhattan e gostaria muito de viajar para a Inglaterra, simplesmente porque acho lá um lugar legal, mas só iria a passeio. Não tenho exatamente muitos amigos... Uns quatro no máximo. E junto nós somos os Power Rangers! Não, estou brincando, o mais próximo que já cheguei de um Power Ranger foi com fantasia e morfador com luzes e sons. Mas de volta ao ponto importante, já faz algum tempo que meus amigos estão meio afastados de mim. Ou eu deles, não sei ao certo. Mas de qualquer forma, o importante é que estamos meio afastados por causa de um garoto. Michael Hedler, um garoto de dezesseis anos que insiste em flertar a todo momento de maneira inocente com uma amiga minha, Lizbeth Thompson. Não que eu me importe com isso, este é o tipo de coisa pra qual não dou a mínima... Se o Michael não fosse tão estranho, digamos assim.
Afinal, uma pessoa que não sai antes do pôr-do-Sol, vive dormindo, só sabe praticar esportes, é péssimo estudando, faz as garotas se encantarem por ele em um piscar de olhos e tem um hábito alimentar horrível que se baseia num líquido suspeito que tem em sua garrafa que serve pra pôr água dentro, mas ele a usa pra colocar o tal líquido. Aliás, já ouvi falar que quando tentaram assaltar Michael, ele simplesmente ficou fora de si e seus olhos brilharam em vermelho enquanto ele atacava os ladrões. Tudo bem, ele era maior que os ladrões e tinha vantagem, mas o brilho sempre me preocupou, pois eu já o vi algumas vezes também. Como não sou de deixar passar quase nada, volta e meia fico provocando Michael, e às vezes seus olhos brilham vermelhos por uns instantes. E sua expressão se torna de raiva, com presas para fora, mas é tudo por instantes tão curtos que provavelmente só eu e Misty, outra amiga minha e de Lizbeth, notamos.
Eu não estava querendo falar sobre esse assunto tão cedo, mas vejo que serei obrigado por causa dessa tremenda crise que está acontecendo. Eu não sou exatamente um humano. É claro, nasci e cresci sendo humano, mas as coisas começam a ficar diferentes aí. Não conheci meu pai, e sou criado por minha mãe até hoje, mas alguns anos atrás, quando eu tinha mais ou menos uns 6 anos, os deuses receberam um presságio e se borraram com ele. Isso mesmo, eles ficaram insanos de tanto medo, e não estou falando de “deuses” como pouca bosta, como só uns três olimpianos. Não, estou falando dos deuses gregos, egípcios, nórdicos e seja lá qual outro ser místico é tão forte pra ser considerado um deus e foi avisado do que ocorreria com o sucessor de um certo feiticeiro. Nunca me contaram muito sobre o presságio, mas tem algo relacionado a minha morte, algo como “Se Kyle Kenway morrer, este será o estopim para o começo de uma nova era”, ou algo desse tipo. Esses adultos nunca me contam as coisas completas. E com medo disso, os deuses firmaram um acordo: "Para que Kyle Kenway não morra, vamos torná-lo imortal!" E assim fizeram. Desde meus seis anos de idade não adoeço, não fico de joelho ralado por mais de três segundos, não quebro ossos por mais de três minutos e sou completamente incapaz de morrer por suicídio ou homicídios. E por isso, fui apelidado de “Exceed”.
“ Wow, Kyle, você é imortal, que fantástico! “
Não é legal. Primeiro que não dá pra mentir que tá doente pra faltar a escola. Segundo que se tu se machucar na escola, como vai explicar essa sua cura? E terceiro: Se eu não envelheço, verei todos em meu entorno morrer. Minha mãe, meu tio e mestre Edward, Lizbeth, Misty, Max. Até Will, meu gato, vai morrer antes de mim! Isso não é legal. Por isso treinei desde meus 7 até meus 13 anos com meu tio Edward. Ele me ensinou quase tudo que sabia sobre feitiçaria, e disse que o resto eu tinha que aprender e fazer sozinho, e disse que por causa do sangue do meu pai, eu poderia ser um feiticeiro muito habilidoso. Mas, eu não sou cem por cento imortal. Eu realmente, não posso morrer de forma alguma. Mas, qualquer deus que tenha participado do pacto pode, usando de uma arma que ele mesmo tenha abençoado, perfurar meu coração e, com isso, cancelar minha imortalidade.
E como eu disse, deuses existem. Feiticeiros também. E não só isso, todo tipo de ser místico e mágico também existe. Anjos, demônios, vampiros, lobisomens, Sacis, e todo o resto. Somente alguns humanos normais podem vê-los. Esses humanos são os Exceptions. Humanos que se destacam dentre os humanos, que tem capacidades psíquicas maiores que os humanos comuns e são capazes de ver o Sobrenatural e seus seres, e até mesmo interagir, como ter um filho com um deus ou um lobisomem.
Mas a pior parte é o número de suspeitas e esquisitices que já vi Michael fazer. Como ficar insanamente vermelho ao beijar uma garota da sua turma, e parecer até excitado demais por causa de um simples beijo. E também, ele parece mexer com a memória das pessoas, e já faz um certo tempo que eu percebi isso. Desde que Max disse que tinha ido jogar videogame na casa de Michael há um mês, mas nesse dia me lembro plenamente que eu e ele ficamos jogando basquete durante a tarde toda. E isso só aumentava minhas suspeitas com o tempo.
Mas chega de introdução, vamos ao que interessa, agora irei narrar os acontecimentos pouco antes da minha morte.
. . .
Isso é um saco.
Pensei enquanto calmamente suspirava, se sentir como se tivesse sido substituto não era uma coisa boa. Tudo bem, as pessoas mudam e conhecem outras pessoas, mas a maneira como eu me sentia excluído dentre meus amigos mais antigos não parecia ser algo “comum”. Nos últimos três meses, a forma como eles se distanciaram (Ou talvez eu tenho me distanciado, não faz diferença) me surpreendeu. Tudo bem que eu não sou o tipo de pessoa que se abre fácil para os outros, sou fechado demais e dificilmente faço amigos, mas é ainda mais difícil as pessoas se distanciarem de mim... Ao menos era o que eu pensava, já que agora eles me querem tanto por perto, que nem sobre os mesmos assuntos falamos. Por isso hoje resolvi vir para este lugar, ler... Ou tentar, ao menos. Acabei somente me deitando e colocando o livro em meu rosto, para que a luz do Sol não ficasse tão forte em minha cara. Resolvi vir aqui para cima em fuga à conversa chata dos meus amigos, não para tomar Sol. Aliás, estamos de período livre pois a professora de matemática faltou, milagrosamente, pela primeira vez em três anos.
— Ei! Kyle~~ — a voz feminina familiar acordou-me dos devaneios. — Então é aqui pra onde você resolveu fugir!
— Não estou fugindo, Lizbeth — disse sem me mover, a voz abafada pelo livro em meu rosto.
— Ai, você nunca me chama de Lizbeth — disse em um tom 20% composto com mágoa, 80% com birra. — Está fazendo o quê então?
— Tentando dormir.
— Idiota, você não gosta de dormir de dia, vive falando que se sente desperdiçando o dia. — disse Lizbeth em tom de desdém. — E também, você não consegue por causa desse seu relógio biológico que só descansa se você estiver muito cansado, e como a aula de educação física vai começar depois deste período livre, você ainda nem começou a cansar.
— Ah, lembre-me de dar graças pelo período livre. Sério, que professora falta no dia da prova? Bem, por mim tanto faz, mas eu não gosto dela. Me trata como um delinquente.
— Talvez porque pra todos você pareça um delinquente. Um delinquente com excelentes notas, mas ainda um delinquente.
— Tá, tá. — tirei o livro do rosto. — O que veio fazer aqui além de atrapalhar meu descanso?
— Você não se cansa de reler esse livro? — reclamou. — Vim te falar para ir lá para baixo conosco, estamos falando sobre o Mortal Kombat X.
— Mas é claro que não, este livro é lindo! — sacudi o livro na direção dela, com a capa de As Vantagens de Ser Invisível voltada para ela.— Que saco, você sabe que não gosto da franquia de Mortal Kombat. — disse de maneira áspera. — E que não gosto de nenhum jogo em que a história não seja nada além de pancadaria e vídeos que você não consegue passar e tem que ficar assistindo eles por vários minutos até perder a vontade de jogar.
— Ah, como você é chato! — Lizbeth sacudiu os braços exasperada. — Então desça ao menos para nos fazer companhia.
— Você sabe melhor do que ninguém o que acontece quando eu estou em um lugar onde falam sobre algo que eu não gosto. — disse pondo o marcador de página no livro e o fechando.
— Então venha por mim! — finalmente, Lizbeth jogou sua carta trunfo.
— Você já tem o Michael pra flertar, eu só vou atrapalhar o garoto. — sorri malicioso me voltando para Lizbeth. Ela insistia em usar o uniforme da escola, mesmo que não fossemos obrigados a usá-lo. Tenho meus motivos para não vesti-lo: Primeiro que são feios, são uma camisa com o logo da escola do lado esquerdo do peito, só isso. Segundo que eu não consigo usar a mesma cor de roupa por dois dias seguidos; por exemplo, você nunca me veria hoje com uma camisa do Lanterna Verde e amanhã com uma do Bulbasaur, pois ambas são verdes, e eu não gosto de repetir cores de roupas. A única parte interessante do uniforme dessa escola é que a camisa dos garotos são laranjas com o logo da escola em roxo e preto, e a das garotas são roxas com o logo preto e laranja. Lizbeth vestia a camisa da escola, e ela ficava levemente justa em seu corpo sinuoso; da cintura pra baixo estava de calça jeans azul claro inteiras, a única calça dela que não tem rasgões ou cortes por sua extensão; um par de all stars estava nos pés e o casaco branco de moletom estava amarrado na cintura. Seus cabelos loiros caíam soltos em suas costas, e os olhos cor de esmeralda me fitavam surpresos.
— E-eu e M-Michael flertando? D-de onde tirou essa ideia? — ela disse enrubescendo um pouco.
— Ah, não finja que não percebe que ele paga um pau pra ti, até parece que não tem dezessete anos! — reclamei estralando os ossos dos dedos, falange por falange, lentamente enquanto ela retomava a postura, pondo as mãos na cintura sobre os braços do casaco.
— Cale a boca! Você não sabe nada sobre Michael! Ele não é só gentil comigo! Nesse sábado fomos ao cinema e ele tratou outra amiga dele muito bem também! — o fato de eles terem saído esse sábado me surpreendeu e intrigou, cutucando a ferida, mas resolvi dizer outra coisa, para enrolar enquanto uma ideia, há muito tempo pensada, era discutida em minha mente.
— Mas sei sobre o olhar dele, é igual o que Max e Misty trocam de vez em quando, um olhar de admiração e paixão. — falei olhando o céu, ocultando qualquer comentário sobre a saída deles ao cinema. O céu estava quase todo nublado, com muito poucos raios de Sol escapando pelas pequenas brechas entre a muralha de nuvens.
— Disse o homem que nunca se apaixonou!
— Não preciso me apaixonar para reconhecer os olhos de quem ama, pois já os vi muito em minha vida.
— E tem provas, além de um estúpido olhar, de que Michael gosta de mim? — disse Lizbeth, ainda me fitando com seus olhos verdes.
— Quer que eu liste em ordem alfabética ou na ordem que eu percebi? — disse em tom sarcástico, dando de ombros quando não tive nenhuma resposta além do olhar irritado de Lizbeth. — Um cara de 2,10 metros, no auge de seus dezesseis anos, musculoso e atlético, mas burro como uma porta sendo gentil e carinhoso com somente uma pessoa totalmente oposta a ele, especialmente no sexo, significa que ou ele quer te usar pra se dar bem em provas, ou está apaixonado.
— Sua lógica é um lixo.
— Eu não dou a mínima pra opiniões negativas sem fundamento. — sorri travesso e fiquei de pé, estávamos no telhado do refeitório, daqui para ver a quadra aberta e o telhado da quadra coberta, fora quase toda a extensão da escola e seus cinco prédios: Três de alas divididas entre um prédio para o primeiro ao quinto ano, outro para o sexto ao nono ano e um terceiro para os colegiais, o prédio que tem um aglomerado de salas, que variam desde a direção até a biblioteca.
— Você é um idiota! Se não vai descer não desça, mas não fale assim do Michael!
— Falar de mim? Bem ou mal? — a voz nasal e rouca de Michael pode se ser ouvida da porta do telhado, por onde ele entrava e olhava para nós. — Sabe, não gosto que falem de mim pelas costas.
— Ótimo, pois estamos na sua frente, não às suas costas. — disse me voltando para ele. Usava o uniforme do time de basquete: Um calção e camisa pretos com listras e o nome da escola em roxo, junto do número da camisa. E usava tênis esportivos de uma marca ruim, possivelmente pirateados, nos pés.
— Kyle, você não está ajudando. — disse Lizbeth. — Olhe, Michael, eu e o Kyle estávamos discutindo sobre-...
— Sobre você gostar da Liz, mas ter medo de admitir por pensar que ela gosta de mim, né? — disse interrompendo Lizbeth, que me olhou surpresa. Michael enrubesceu fortemente, a cabeça pendeu para frente e seus cabelos cacheados de tom castanho-escuro esconderam seus olhos. — E também, seus olhos não podem me enganar. Finalmente consigo ver você de verdade.
— N-não! Michael! Calma... — Dizia Lizbeth apressada.
— Então finalmente alguém percebeu? — disse Michael, ignorando Lizbeth.
— Não sou só eu, mais da metade da minha turma percebeu sozinha, o mesmo para alguns outros alunos da sua turma e dos outros anos colegiais. — falei limpando minhas unhas na minha própria camisa. — Mas se está falando do outro assunto, tenho meus palpites. É intrigante o fato de que algum feiticeiro tenha feito um feitiço capaz de anular minha habilidade de ler as pessoas. Isso explica porque eu nunca fui com a sua cara. Pois eu não podia vê-la de verdade.
— É... Eu não esperava que ficasse despercebido por muito tempo... Mas foi mais rápido que eu esperava... — sua voz oscilou um pouco enquanto falava, o tom estava mais fraco, mas um claro ódio ascendia a cada palavra.
— Não subestime a velocidade com que eu posso espalhar uma fofoca. — sorri desafiador olhando o resultado da limpeza de minhas unhas. — Nem que eu descubro identidades secretas, vampirinho.
— Feitiço? Identidade secreta? — disse Lizbeth, alarmada. — Vampiro? — se voltou para Kyle, que ainda estava na mesma posição.
— Sim, você é bom em descobrir sobre acabar com as pessoas. Mas agora é você quem irá ser pisoteado, assim como fez com meu irmão! — por reflexo, saltei pra direita no momento em que o punho de Michael surgiu em minha frente. Mesmo daquele tamanho, ele era incrivelmente rápido. Os anos jogando basquete devem ter feito seu grande corpo muito forte e rápido. Mas eu tinha sentidos melhores, e seu golpe passou lentamente pelo meu flanco esquerdo.
— Se você vai me bater, acho que aqui em cima não é o melhor lugar. Mesmo para um vampiro, uma queda de cabeça até o chão é uma queda de cabeça até o chão. — disse correndo para as escadas e começando a descê-las. — E se vai fazer disso um combate em vingança pelo seu irmão, ao menos vamos lutar em um lugar justo para os dois, certo? — como não seria fácil para Michael daquele tamanho me perseguir em um local pequeno como uma escadaria, resolvi aumentar a vantagem descendo deslizando pelo corrimão em direção ao refeitório. Não sabia o que estava acontecendo com Lizbeth, mas escapar de alguém de dois metros me perseguindo era minha prioridade agora.
Por sorte, o pavilhão do refeitório estava vazio àquela hora. Corri pelo pavilhão do refeitório como um furacão, procurando o melhor local para me esconder. O refeitório era amplo e bem iluminado, deveria ter o tamanho de quatro salas juntas, e era sustentado por pilastras divididas a cada cinco metros. Tinha quatro janelas nas paredes com portas, e oito nas sem. Parecia que tinha despistado Michael, mas resolvi ficar em guarda, sentado sobre uma mesa do refeitório enquanto olhava em volta. Como se tivesse sido invocado, Michael simplesmente caiu do céu, arregaçando o telhado e quebrando a mesa que ele atingiu na queda, com uma coisa em seus braços. Um corpo. Uma mulher. Lizbeth!
Ele correu até o centro do refeitório e gritou:
— Pode vir, Exceed! Não viemos atrás da garota loura, e sim de você!
Exceed.
A palavra me perturbou por um instante mas depois fui andando até ele com calma, elegância e graça. Olhava sério para Michael, e quando ele me viu, notei seus olhos vermelhos e os dentes pontudos saindo da boca. Lizbeth estava sendo carregada em suas costas como se fosse um saco de batatas.
— Faz tempo que não me chamam de Exceed, e não sei por qual motivo você me chamou assim, mas se entende o que isso significa de verdade, acho melhor soltar Liz no chão antes de continuarmos a conversa. — falei quando estava próximo o suficiente para que Michael me visse. Ele sorriu e da porta do refeitório outros caras altos, novos na escola, traziam Max e Misty nos braços. — Cara, eu me afasto quinze minutos e vocês são capturados por vampiros? Eu tenho que fazer tudo sozinho mesmo.
— Seus amigos não foram nem páreos para meus seguidores — disse Michael. — e mesmo que tivessem algumas chances, nós venceríamos por número.
— Tá, tanto faz, já tá na hora de você me contar seu plano maligno pra mim poder te bater pra valer, sacou? — disse começando a bater a ponta do pé no chão, apressado.
— Quando você descobriu que sou um vampiro? — ele perguntou sem se mover do local onde estava e nem soltar Lizbeth.
— Você ainda pergunta, depois de tantas vezes que você alterou a memória dos meus amigos bem na minha cara e achou que eu não iria perceber? Não se ache tanto. No mundo das ilusões e jogos mentais, eu tenho muito mais experiências, tá ligado? — disse me lembrando da conversa no telhado, e um sorriso travesso se formou em meus lábios. — Você pode ser um vampiro, e ter o charme e outras habilidades para confundir e hipnotizar suas vítimas, mas em alguém como eu isso não funciona, então você resolveu apelar para os meus amigos, e enrolou por três meses para não rolar nenhum imprevisto, certo? Mas, qual seu objetivo, ou é só a minha cabeça mesmo que você quer?
— Você continua o mesmo monstro arrogante que falam. Ent- — Michael não conseguiu terminar de falar, pois eu já estava em sua frente. Meu joelho estava em seu nariz, em meus braços estava o corpo inconsciente de Lizbeth, e em meu rosto estava um olhar de um assassino, algo que já fui há muitos séculos. Em um movimento rápido, joguei o grande Michael para trás, que voou de costas até atingir a parede do refeitório, quebrá-la e cair para fora do prédio.
Os outros vampiros que entraram no refeitório eram cinco caras grandes e musculosos, e que fariam qualquer garota se encantar por eles sem muitas palavras. Só uma exibição atlética seria o suficiente para que elas caíssem aos pés dos garotos. Um deles, o que possuía uma tatuagem tribal no pescoço, carregando Max, foi até Michael, que o chutou para longe em um único movimento de perna. O vampiro com Max acabou voando para outra parede e o soltou, que foi pego por uma única mão de Michael. O vampiro foi acudido por outro, que o segurou antes dele atingir a parede.
Me voltei para uma das mesas e puis Lizbeth sobre ela, olhei-a por um tempo antes de me virar para os vampiros.
— Vou acabar com eles. — prometi silenciosamente e fiquei encarando Michael, que me olhava com um sorriso insano.
— HÁ! Você parece continuar com a mesma força absurda! Que chute foi esse?! Você me chutou, parou no ar para resgatar sua princesa e só depois colocou força no chute! Isso é impossível para uma pessoa comum.
— Você sabe que de comum só tenho minhas roupas. — abri os braços em um sorriso desafiador. Vestia hoje uma camiseta cinza grafite com dois sabres de luz cruzados em meu peito, um verde e um vermelho, e nas costas somente as baionetas se cruzando, uma calça jeans cinza claro solta presa por um cinto de couro, e um tênis esportivo com detalhes em laranja em meus pés. — E você também não pode falar muito, vampiro.
— Ah, mas ao menos eu tenho uma imortalidade verdadeira. Ao contrário de você e seus amigos, estou errado? — o sorriso sádico de Michael pareceu aumentar para expor melhor suas presas salientes.
— O único imortal aqui sou eu, deixe-os em paz! — disse com um olhar mais imparcial, então sorri desafiador , e um sorriso malicioso surgiu em meu rosto. — Eu te darei três segundos para que você largue Max. Não o fira, não o moleste, não pense nele. Somente o solte. O mesmo vale para o vampiro que está com Misty. Se não os soltar antes do fim da minha contagem, vou acabar com todos vocês sem deixar nada de vocês sobrando.
Michael estremeceu, ele parecia ter ficado abalado com minhas palavras, mas somente atirou Max contra a parede à sua esquerda. Corri com velocidade máxima que poderia alcançar, e salvei Max por pouco. Mas os vampiros com Misty sumiram, e Michael também. Ao menos Max e Lizbeth estavam em paz. Larguei Max ao lado de Lizbeth e saí do refeitório pela porta. Os vampiros devem ter se espalhado pela cidade, e agora que revelaram sua real identidade devem estar invisíveis aos humanos comuns. Não posso pegar leve.
— Eu não gosto de fazer isso, mas vejo que é minha única escolha. — disse fechando os olhos e me concentrando. Após dez segundos, saltei em direção ao portão da escola, e parti em perseguição dos vampiros, procurando por seu cheiro no ar poluído da cidade. Se eu fosse um vampiro, para onde iria com um refém? Me perguntava enquanto corria. Espera, era lógico o local para onde fugiriam. Aumentei a velocidade do passo e dobrei a esquina à direita, saltei por um poodle, deslizei por baixo de uma janela de vidro que estava sendo carregada e atravessei ziguezagueando por adolescentes em direção ao velho prédio abandonado no meio da cidade.
Como esperado, sombras saltavam por debaixo da sombra das árvores e dos prédios, como se fugindo dos finos raios de Sol que escapavam pelas nuvens que fechavam o céu das 10:45 da manhã. Alcancei o primeiro vulto em um salto e o golpeei nas costas com o cotovelo, o derrubando de cara no asfalto e surfei sobre seu corpo até ele deslizar até um hidrante e atingi-lo com a cabeça.
— Mais sorte na próxima, colega. — continuei seguindo até o segundo vulto, este que era o vampiro com a tatuagem no pescoço, e tinha agora um par de tonfas consigo. Quando me viu, ele mesmo fez questão de se aproximar. — Gentil de sua parte se aproximar de mim para que eu possa abatê-lo com mais facilidade. — Disse enquanto corria ao lado do vampiro.
— Agora irei me redimir com Mestre Michael te levando para ele, morto! — gritou o vampiro tentando me atacar com sua tonfa, que por sorte eu consegui abaixar a tempo. Percebi que a tonfa possuía lâminas em suas extremidades. Tonfas feitas para decepar pescoços não eram tão amigáveis. Saltei para cima de um poste antes que o vampiro tentasse me atingir novamente.
— Não estou com cabeça pra me meter em brigas de vampiros. — disse com desdém. — Então, Tatoo, que tal você se render para que eu possa ir atrás do vampiro que está com minha amiga?
— Tatoo? Com quem você pensa que está falando? — gritou Tatoo pulando para me atingir no poste. Saltei do poste para cima de um prédio, e ele cortou o local onde antes eu estava com a lâmina da tonfa.
— Vou te chamar assim porque não sei seu nome. E não é legal usar armas enfeitiçadas para cortar coisas mundanas. O encantamento é fraco e precário na sua lâmina, aparentemente feito por um péssimo feiticeiro, ou foi feito de má vontade, o que pode causar um dano bem ruim no mundo humano. Tipo, dar vida ao poste e fazer ele caçar pessoas para usá-las como fonte de energia de sua lâmpada, algo nesse estilo, sacou? — disse desviando de sua finta e o jogando longe com um chute. Fiquei de pé sobre o prédio observando o poste, esperando que ele criasse vida e saísse matando pessoas aleatoriamente. — É, vejo que o feiticeiro que encantou sua tonfa até que servia pra não fazer postes criarem vida ao serem cortados.
Senti um frio no peito, algo me atravessando na altura das omoplatas. Olhei para baixo, e vi uma lâmina brilhando em carmesim despontar em meu peito. Respirar era difícil, parecia que eu estava com água na boca. Tinha um líquido sim em minha boca, mas este era meu próprio sangue. Engasguei e cuspi, sujando o chão lá em baixo e o telhado onde estava pisando de vermelho. Observei meu sangue escorrer pela minha camisa grafite, passando em meio os sabres de luz cruzados. Me sentia fraco, como se estivesse sendo puxado pelo chão e empurrado pelo céu em direção ao solo. Minhas pernas não se moviam, nem nenhuma outra parte do meu corpo, então somente me entreguei à escuridão e caí.
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