The Journey: Into the Darkside
34 Cap. XXXIV - "Até a Última Faísca"
Trenton, Nova Jersey. 28 de novembro, 1h10min da manhã. Agitação. Médicos e enfermeiros passavam quase todo momento por um corredor totalmente branco, nitidamente focados naquilo que estavam fazendo, visitando as várias salas dali para fazerem o seu serviço. Macas com pacientes em estado de emergência também trafegavam bastante por aquele estreito espaço, quase o tempo todo. Mesmo nos momentos mais serenos ali ainda dava para escutar a voz de desconhecidos conversando entre si. Um som fundo. Mesmo que naqueles bancos pretos não havia praticamente ninguém. Era uma madrugada comum em um plantão hospitalar rotineiro no Centro Médico Regional Capital Health.
Cabisbaixa, naquele corredor, estava Isabelle Reebirck, sozinha e perplexamente entretida pelos seus pensamentos, transparecendo pelo seu olhar como estava muito mais reflexiva do que era de seu costume. Seu rosto, habitualmente frágil e bem cuidado, ostentava dois hematomas de cada lado, na região das maçãs do rosto. Sinal este de quem teria acabado de sair de uma briga, mas não como derrotada. De repente, ao telefone, surge Karslie Imota explicando a situação para sua preocupada amiga, Elizabeth “Lizzie” Basherville, que de Los Angeles estava incrédula sobre como uma missão humanitária se transformou numa tentativa de assassinato. Ela queria expor aqueles que se nomearam como Hopeless Squad, os taxando de terroristas pela sua proposta de exterminar o Hope Squad pelos seus serviços de proteção e visibilidade aos mutantes.
Karslie pede para que não. Eles estavam buscando discrição, sabendo que seu status de celebridade poderia favorecer maior atenção da mídia, escândalos, e não queria fazer desse incidente algo maior que isso. Até mencionando como que o pai de Leonard Charlott, o namorado da Isa, Conrad, que trabalha naquele hospital, os ajudou a estarem nele sem serem sequer notados pelos demais clientes. Elizabeth estava estarrecida, especialmente pelo estado o qual Alecsandra Petrovich estava depois deste fatídico encontro. Seu namorado então esboça que estava mal por isso, que no fundo queria poder fazer justiça por ela, mas seus algozes escaparam depois do encontro que tiveram na Amazônia. “Torço que vocês consigam, todos, se recuperar disso”, diz Lizzie, lembrando como o próprio Karslie também estava machucado. Depois desligando.
O rapaz senta, então, ao lado de Isa. Ele alguém consideravelmente alto e forte, contratando com a delicadeza e estatura baixa da garota. Ele pergunta a ela como ela se sentia com tudo aquilo. Isabelle afirma que era um resultado esperado, mas estava feliz por terem ganhado a luta. Ele a lembra que os membros do Hopeless Squad fugiram e, agora, são até uma ameaça para eles. Sorrindo, ela brinca que justamente por isso não eram uma ameaça. Provavelmente, uma hora, voltariam para uma revanche, e aí teriam a chance de pegá-los e poderiam os entregar para alguém da Twelve, algo assim. Vendo a confiança da jovem, Karslie estranha. Com ela finalmente revelando que sua maior preocupação não era com este grupo de “nêmesis”, mas com quem claramente os pagou para serem isso: a Aliança.
Isabelle pontua que nas últimas semanas eles têm feitos muitas boas ações com o Hope Squad, mas infelizmente, o submundo do crime era muito mais profundo e estava praticamente intocado, com a Aliança tendo liberdade não só para executar seus planos, mas manter seu sistema de exploração dos mutantes. Karslie pergunta aonde ela queria chegar. Lendo o diário de anotações do dr. Henrich Petrovich, pai da Alecsandra, ela percebeu que um dos novos interesses desta associação informal de organizações criminosas era o de promover centros de pesquisa sobre o metágene, o gene que favorece os poderes aos mutantes. Havendo nove ao todo no mundo, apenas com um deles sendo descrito com detalhes suficientes para ser identificado: o Proyekt Koshmar.
Karslie questiona a amiga se ela havia desenvolvido um plano, e sim. Ela pretendia investigar, “a moda antiga”, tais instalações com Leonard em Dzerzhensk, na Rússia. Na sua visão, assim eles poderiam “nivelar o jogo” em uma proporção melhor do que enfrentando o Hopeless Squad e, arriscaria dizer, até como estavam fazendo até então, de uma forma mais heroica. Pensativo sobre o quê escutou, se lembrando do como sua namorada está, o jovem decide se dispor a ajudar também. Isa agradece, dizendo que iria lhe enviar melhores informações em seu e-mail. Neste momento, Leonard e seu pai, Conrad, chegam naquele corredor. Este cumprimenta Isabelle, sua nora, quem demonstra gratidão por estar os acompanhando e ajudando na presente situação. O sogro, médico, diz que é um prazer poder proporcionar isso, mas também admite ter estranhado que ela não tenha recorrido ao seu pai, um colega da profissão, que trabalha em um hospital muito melhor que o que estavam, em Nova York.
A moça alega que prefere não envolver seus pais nisso, antevendo reações exageradas ao perigo que enfrentaram. Conrad pede, então, que Karslie vá com ele até o quarto onde Alecsandra estava, pois tinha uma notícia importante para dar a ele. Estranhado, ele pergunta o quê. Apenas para ouvir que era melhor ela mesma contar para ele. Quando os dois se retiram, Leonard pergunta como Isa estava. Ela diz que estava bem, só cansada. Ele coloca sua mão sobre a bochecha da garota, onde estava o hematoma, alegando detestar vê-lo ali. “São ossos do ofício”, diz ela. Leonard sabia, nem por isso deixava de estar preocupado. Ele a lembra que agora não contavam mais com a proteção de uma agência tão ampla e poderosa como os Twelve para os proteger, e que ela deveria ser mais cuidadosa. Irritada, ela diz que já era e que ele não tinha nada com o que se preocupar.
Frente ao leito de Alecsandra, Karslie e Conrad cumprimentam o dr. Kevin Patel, que estava cuidando dela. A jovem, nitidamente grogue graças a medicação pesada de morfina que foi injetada em suas veias, um auxílio para imensa dor que sentia, o vê com os olhos lacrimosos. Sem saber o que pensar, o rapaz pergunta ao médico o quê estava acontecendo. “Karslie, eu estou grávida”, diz Alex. Três palavras, o suficiente para desconcertá-lo completamente. Kevin explica que Alex sofreu com uma explosão debaixo de seus pés e, posteriormente, uma queda. Algo que lhe provocou sérias lesões musculares, só que o impressionante foi que só ocorreu isso. Nenhuma fratura e, estranhamente, nenhum aborto. Qualquer mulher que passasse por isso sofreria um aborto espontâneo, mas ela estava lá. Firme e forte, mesmo que com uma gravidez de risco agora.
Karslie olha para ela totalmente incrédulo, sem ter palavras para aquilo, e ela parecia esboçar uma forte felicidade. “E agora?”, pergunta ele. “Eu não sei. Mas estou muito feliz em ter você como pai do meu filho... Ou da minha filha, né”, retruca Alex. Eles, então, se beijam apaixonadamente. Ficando próximos, um ao outro, em uma demonstração de carinho. Conrad comenta com Kevin como era bonito o romance juvenil.
-- // --
Dzerzhensk, oblast de Nínji Novgorod. 30 de novembro, 22h45min. Calma e tranquilamente, em uma rica floresta de bétulas e pinheiros silvestres na zona rural da cidade, área restrita e monitorada pelo governo, a neve cai... Quase que inocentemente, sobre o vasto chão branco que fazia parte daquela paisagem. Uma imagem linda de se apreciar, porém não tão gostosa assim de se vivenciar graças a temperatura negativa que fazia naquela região. Uma fábrica de produtos químicos abandonada, outrora muito importante para a economia local, que mobilizou muitos alojamentos de trabalhadores a se estabelecerem nas redondezas. Uma instalação histórica, hoje esquecida, com os muros e paredes apresentando partes destruídas, buracos, vidros quebrados. Nem parecia que havia uma equipe de agentes do próprio Serviço Federal de Segurança (FSB) designada exclusivamente para cuidar daquele espaço. Todo um zelo suspeito que cidadão nenhum questionava, ou sequer entendia.
Dois soldados jogavam pôquer em um posto de controle que guardava a única entrada, considerando que toda a fábrica era cercada por altas grades com arame farpado. Eles escutavam um singelo rádio, claramente entediados, trocando comentários sobre variados temas, desde automóveis até atrizes populares na televisão russa. Até que, para infelicidade deles, o sinal fraqueja os obrigando a procurar sintonizar em outros canais apenas para não terem sucesso. Um deles reclama disso, enquanto o outro culpa o mal tempo por essa moléstia. A distração é suficiente para permitir que sejam surpreendidos por dardos que atravessam a janela a frente deles, os atinge no pescoço e dispersa eletricidade em seus corpos, os levando a contorcerem e desmaiarem. A autora do disparo? Isabelle, trajada com sua clássica armadura tecnológica metálica de aparência futurista.
Graças aos seus poderes mutantes, que a tornavam basicamente uma tecnopata, Isa consegue acessar com a mente as câmaras de segurança, as forçando a entrarem em um looping infinito baseado em suas gravações pretéritas. Ninguém sabia que estavam ali. Pelo seu comunicador, ela avisa Leonard que entraram na fábrica, este acompanhando toda a missão diligentemente a partir da casa do casal, em Trenton. Karslie aparece com óculos escuros, rapidamente desnudando um dos soldados e vestindo seu uniforme, pretendendo se passar por um deles se aproveitando de sua etnia eslava. Eles invadem a fábrica, estranhando que estava completamente vazia, a exceção de alguns tonéis enferrujados, começando a explorá-la. O rapaz seguia na frente, intencionalmente para chamar a atenção dos agentes de segurança tempo suficiente para Isa ter a abertura de os desacordar com seus dardos. A estratégia estava dando certo.
Chegando a um depósito antigo, a jovem encontra um interruptor e o liga, imediatamente estranhando que um lugar como aquele ainda recebia fornecimento de energia. Karslie comenta que ela estava certa, era estranho, e que achava que os russos estavam escondendo alguma coisa ali. Tendo poderes relacionados a geocinese, ele podia sentir a terra e o que havia embaixo dela através de seus pés, mesmo estando isolados por conta das botas que calçava. E, através dessa visão ampliada, ele via que haviam andares no subsolo não tão óbvios. Só não sabia como os acessar. A dupla continua vasculhando todo aquele espaço, abrindo caixas antigas na esperança de ver algo de útil, apenas para verem insumos de validade vencida, quando não ratos e baratas.
Isa, então, tem uma ideia: a de utilizar sua natural conexão com a tecnologia para localizar a parede cujo em seu interior passava os cabos de ethernet que serviam a instalação, quebrá-la com um soco, se beneficiando da blindagem de sua armadura, e os conectar diretamente ao seu computador portátil no antebraço direito de seu traje. Permitindo, através de adaptações que este conseguia fazer, dar a ela um acesso inusitado a rede interna de computadores usada nos agora descobertos três andares subterrâneos que compõem a estrutura física do Proyekt Koshmar. Após alguns minutos realizando essa proeza, e mais alguns outros fazendo uma cópia dos arquivos que tinha acesso, lendo aqueles que são mais importantes, ela decide compartilhar com Karslie alguma das informações que teve acesso.
Em resumo, o Proyekt Koshmar era uma iniciativa que começou a ser desenvolvida há dois anos por uma equipe de 57 cientistas contratados pelo governo da Rússia, divididos em três frentes diferentes de pesquisa, como uma maneira de acompanhar o interesse global na população mutante e seu uso como armas. Chefiado principalmente pelo dr. Mikail Seergevich Antonov, eles buscavam, como sabido, estudar o metágene e maneiras de dominá-lo, havendo até um programa dedicado propriamente a encontrar maneiras de dar a soldados a mesma capacidade de poderes sobre-humanos que os mutantes. Mesma proposta do soro Evergreen. Só que, aparentemente, os russos não foram bem sucedidos. Cada andar era designado a uma repartição desta iniciativa, com o último sendo usado também como uma prisão para a fonte de material genético o qual todo o projeto dependia: um jovem apelidado apenas de “Koshmar”, palavra russa para “Pesadelo”.
Isabelle, após isso, mostra a Karslie algumas fotos de um acidente que ocorreu em uma rodovia em Novosibirsk, na Sibéria, que parece ter sido onde o FSB identificou e capturou tal mutante. Que envolvia a morte de muitas pessoas por congelamento. O rapaz, após ouvir toda essa história, afirma que não poderiam deixá-lo nessa situação, portanto, deveriam transformar a missão em uma operação resgate. Algo que a garota concorda. Subitamente, a luz do depósito se apaga. Eles são pegos de surpresa, no que Isa acaba percebendo que cometeu um desleixo ao notar que as câmaras de monitoramento haviam sido reiniciadas. Quando invadiu a rede da instalação acessando arquivos confidenciais, sem perceber, enviou um aviso desse acesso para Lubianka, a sede do FSB em Moscou. O que despertou neles interesse para averiguar o que estava acontecendo.
Percebendo que eles não tinham mais muito tempo, Isabelle projeta um holograma que continha o mapa daquele lugar, mostrando a Karslie que não muito distante de onde estavam havia um escritório e, sob um piso falso, num canto específico, havia um elevador que dava acesso ao subsolo. Eles deveriam ir para lá. Assim determinado, correm em direção a tal sala até que, no caminho, em um grande salão repleto de maquinários pertencentes a antiga fábrica que funcionava lá, Karslie pede para sua amiga ter cautela porque estava sentindo através do chão muitos passos, cada vez mais próximos deles. Isa opta por ativar a visão noturna da NIA apenas para perceber soldados do FSB se aproximando armados com rifles, eles próprios também utilizando um equipamento especial para enxergarem no escuro. Buscando tirar vantagem disso, ela lança uma granada de luz que faz todos ficarem imediatamente cegos.
Bem preparado e instruído com boas táticas de luta, Karslie encara os agentes do FSB com bravura os desarmando e empurrando para trás, apenas para serem nocauteados com os dardos da Isabelle. Puxando a areia por dentro do concreto com seus poderes, ele constrói muralhas e se defende dos muitos tiros, fomentando um bom embate com vários dos homens ao mesmo tempo e até vencendo a luta. Isa afirma, porém, que estavam perdendo tempo e exclama para o colega a seguir até o escritório. Ele faz um leve terremoto começar sob o chão, derrubando muitos dos soldados, e os dois fogem em direção ao elevador e conseguem entrar nele a caminho do terceiro andar. Quando os russos chegam, eles reportam ao seu comandante, o sargento Yoroslav Nikitch Scholov, o quê aconteceu. Ele então ri e pede para seus homens deixarem eles em paz já que agora o assunto deles era diretamente com o “Pesadelo”.
Karslie e Isabelle, então, chegando ao seu objetivo, se apressam em tentar se localizar aonde o mutante estava sendo mantido preso. A jovem puxa o mapa da instalação novamente para examiná-lo enquanto seu parceiro, no intuito de explorar a área, abre a porta de algumas das salas daquele imenso corredor azul. Tudo muito bem higienizado e moderno, contrastando de uma forma bem instigante com o tom decadente que eles perceberam no térreo. Por trás delas, muitos armários e mesas, um freezer com conteúdo suspeito, todavia, nenhuma delas dava para o cativeiro. Isa, então, orienta a eles seguirem reto até a sala 13-A, e chegando lá, encontram no fim de um outro corredor um denso portão de aço reforçado. O rapaz se prepara para tentar a abrir, até que sua amiga sorri e diz que não seria necessário transformando um de seus antebraços em um canhão e disparando plasma nele, o derretendo.
Uma fumaça sombra sai do buraco que se formou, mas eles ignoram e continuam. Dentro de uma estreita e fria câmara, a dupla encontra um homem jogado entre urina e sujeira, uma condição deplorável, amarrado em uma camisa de força e com os pés descalços. Sua constituição era fraca como alguém que não comia há muitos meses, seus olhos azuis ostentavam muitas veias vermelhas, seu cabelo era raspado e ele usava uma máscara na boca que mais parecia uma focinheira. Aquilo era desumano. Os vendo, ele se levanta com um olhar apático, mostrando estar com os braços desamarrados. Karslie os apresenta, diz que veio o libertar, mas Isa já nota algo estranho. “Pesadelo” caminha calmamente na direção deles e, casa vez mais, a parede metálica ao redor deles começa a embaçar. A garota, rapidamente, ativa o teletransporte e manda seu parceiro de volta para sua casa, advertindo que era para sua sobrevivência.
Puxando seu canhão de plasma, ela derrete uma das paredes do seu lado e corre na direção dele. Se jogando no chão enquanto ele tenta tocá-la, com muita fumaça saindo de suas mãos, ela rola por detrás dele, mira num ponto específico do teto, e atira. Com um abrir de uma de suas mãos, “Pesadelo” faz três linhas de fumaça surgirem no chão e perseguirem Isa, que começa também a soltar fumaça através sua respiração. A temperatura daquela sala estava caindo num ritmo acelerado. Ela ativa seu jetpack e se joga na direção do mutante, caindo detrás dele e atirando em outro ponto do teto. Assustada, percebendo que estava ficando pálida, ela torce que sua aposta esteja certa. Então, ela corre na direção de “Pesadelo”, agora parado, e cai por detrás dele atirando em sua nuca onde estava instalado um chip de controle! Quando isso acontece, em Lubianka, Yoroslav – que o controlava – faz uma expressão de raiva.
Agora libertado, o mutante olhava Isa impressionado. Segundo ele, toda vez que algum espião chegava até a sua cela era morto por ele, perguntando como ela sobreviveu a esse confronto. Seguindo as informações disponibilizadas pela sua armadura, precisamente o sensor térmico, ela notou que ele parecia um buraco negro de todo o calor ao seu redor e supôs que seu poder seja induzir a tudo ao zero absoluto. Algo que ele confirma. Isa pergunta seu nome, e ele se apresenta como Maksim Dominikovich Smirnov. Para sua surpresa, ele não queria ir embora e pede para ela sair de lá. Ela pergunta o porquê e ele não responde, expressando pânico, até que revela que se ele sair de lá o FSB iria assassinar seus pais. Isa pergunta onde eles estão, mas Maksim não sabia e começa a chorar. Através de seus comunicador, Leonard pergunta o que estava acontecendo, mas ela o ignora e diz a Maksim que faria o possível para não deixar isso acontecer. Só que não podia o deixar ali.
Ele parecia indeciso, como quem não parecia ter escolha, e hesitante acaba concordando em ir com ela. A garota pede para ele lhe dar as mãos e os dois se teletransportam dali.
-- // --
Moscou, Rússia. 1 de dezembro, 9h55min da manhã. Nas dependências do Lubianka, um edifício histórico e imponente ligado a história da KGB e, agora, da liderança do FSB, os recentes acontecimentos repercutiram entre o alto escalão. O suficiente para colocar Isabelle e Karslie sob um holofote para o Kremlin. A invasão foi considerada uma falha de segurança da agência de segurança estatal e, através do cenário que dispõem, deveria ser remediada com uma resposta a altura. O tenente Sergei Ivanovitch Morozov, que era o superior responsável originalmente por manter o Proyekt Koshmar em segredo, estava deixando suas obrigações atuais na guerra na Ucrânia, um especialista na arte de torturar presos, para retornar a Moscou para poderem resolver essa questão.
Uma reunião já estava marcada com ele, às 10h da manhã. Para ela, uma mulher jovem com um corpo chamativo e esguio, coberto com roupas reforçadas contra o frio, o aguardava. Ela tinha cabelos loiros curtos em um corte moderno e assimétrico. Uma presença intensa, com um estilo quase blasé, naquele momento mexendo em seu celular como quem esquecia do mundo. Mas, seu olhar não o ignorava. Parecia ser de alguém que conhecia todas as malícias. Esta era Samantha Elise Novak, uma mercenária a mando da Aliança. Dois minutos atrasada, surge também Stefanie Fernanda Borges. Outra, conhecida por todo o submundo, brasileira natural do Rio de Janeiro. Alguém cujo currículo fala mais do que sua aparência. Modesta, prática. Cheia de cortes espalhados pelo corpo, cicatrizes de operações mais desafiadoras que viveu. Usava um colete de couro preto, o cabelo castanho amarrado em um rabo de cavalo desleixado. Armada até os dentes, como se estivesse carregando um arsenal.
As duas se cumprimentam carinhosamente, com Samantha perguntando para sua namorada se ela estava pronta para lidar com mais um homem poderoso da hierarquia militar da Rússia. Stefanie sorri, pegando os seus dois revólveres silenciosos OTs-38 Stechkin e, os exibindo, alega ter sido essa a melhor coisa que ganhou em seu trabalho para os russos. A parceira diz, então, que deveriam entrar. Uma vez no escritório do tenente Morozov, elas veem ele próprio sentado de maneira triunfante em sua cadeira de couro, tão logo perguntando se estavam atualizadas sobre o caso. Samantha, com sua típica clareza, já diz que sim. Todavia, não sabia quais contra-medidas pretendiam tomar. Stefanie faz questão de pontuar que as duas já conhecem os invasores, Isabelle e Karslie, de outras missões. Incluindo uma que ocorreu há alguns meses atrás em Vladivostok, na Sibéria. Dia em que a Rússia perdeu seu “nobre” comandante Olaf Gordeevich Tredov graças a interferência justamente da equipe deles. Em uma época que trabalhavam para a Twelve.
Sergei, ainda olhando para a janela e o limpo e raro dia de Sol que se formou, mostra conhecer que agora eles fazem parte de um grupo que se autodenomina Hope Squad, que buscam fazer jus aos mutantes do planeta. Sobre as mercenárias, ele acreditava que elas eram a escolha certa para não só recuperar “Pesadelo” aos ativos do país, mas, vingar aqueles que o retirou das fronteiras da Rússia. Samantha reforça que sim, que ligaria para seus superiores para começaram uma caça nos Estados Unidos. “Não, não há necessidade de terceirizar isso dessa maneira. Nossos convidados irão voltar para nosso território em breve, por livre e espontânea vontade”, responde enigmaticamente Morozov. Intrigadas, Stefanie pergunta como ele tinha certeza disso. Finalmente virando a cadeira e as olhando nos olhos profundamente, mostrando um olhar assustador, ainda cego de um olho, ele diz: “eu apenas sei”.
O FSB, naquele momento, estava se preparando para ir até Novosibirsk, onde moram Dominik Smirnov e Natalya Smirnova, pais do sujeito conhecido como “Pesadelo”, prontos para tomar custódia deles e os transferir para um complexo de edifícios residenciais na cidade fechada de Seversk. Algo que, nas palavras de Morozov, favorecerá que sirvam de isca para um plano maior. Stefanie pede transparência quanto a ele, mas Sergei ri, afirmando que elas eram o plano. Que devia assassiná-los enquanto recuperam Maksim, antes deles recuperarem seus pais. Elas se entreolham, contentes, afinal Samantha guardava muito ressentimento de Karslie por eventos que ocorreram em um passado em comum, em Las Vegas. O tenente faz questão de dizer que, despeito seu imenso desprazer em deixar duas mercenárias do ocidente desimpedidas em uma área protegida russa, ele estava confiando nelas toda uma equipe de agentes da FSB, embora, subordinados ao comandante Ruslan L. Khrabrov, quem irá taticamente os orientar durante a operação.
Samantha agradece a oportunidade e promete que não iriam o decepcionar. Enquanto ambas se preparam para sair, já de costas para ele, Sergei resolve fazer um comentário incômodo: “é melhor mesmo fazerem isso bem-feito, ao invés de só fazerem tesouradas debaixo de nossos cobertores”. Irritada, Stefanie o questiona pelo o quê disse. Já ele, debochando, apenas revela como a vida sexual das duas já era comentada por todos dentro do Lubianka, as constrangendo. Indignadas, elas se calam e vão embora. Antes cruzando com o sargento Yoroslav Scholov, sempre imponente, segurando alguns papéis e cumprimentando seu superior. Amigavelmente, ele pergunta se ele “matou muitos separatistas rebeldes” em Donesk, com Sergei fazendo um sorriso macabro e dizendo que “foi como ir a um circo quando se é criança”.
Scholov, então, pergunta a Morozov se ele delegou a operação de recapturar o “Pesadelo” para as “mercenárias norte-americanas” como o planejado, mostrando desconhecer a nacionalidade da Stefanie, e um profundo desprezo pelos Estados Unidos, quase uma intolerância. Sergei, como sempre, ri. “Claro que não, embora fiz questão de as fazer questão de pensarem que sua missão era essa. Eu nunca colocaria algo tão importante para nossa segurança nacional, a preservação de nossos segredos, nas mãos de estrangeiros Infelizmente, fazia parte do protocolo estabelecido que qualquer problema com agentes (ou ex-agentes) da Twelve seria um assunto com obrigatória colaboração da Aliança. Porém, seu interesse verdadeiro estava em transformar essa oportunidade em um experimento. Para ver o potencial de um “presentinho que os ingleses de Hawes deram aos russos”, além de também verem o próprio Maksim em ação. Em um ambiente real, onde ele luta por sua sobrevivência.
Quanto ao “Pesadelo” em si, Morozov estava bem seguro de que poderia encontrar vários meios de o assassinar, mesmo asilado em outros países. Yoroslav estranha esse desejo de o matar, já que poderia servir como um triunfo para o exército russo, só que Sergei se justifica dizendo que o programa de clonagem do dr. Yuri Andreevicb Karpov já havia chegado a resultados satisfatórios, o suficiente para não dependerem tanto assim do original. Pegando um copo de vodka que estava pela metade, sobre sua mesa, Morozov o bebe em um gole, o oferecendo ao colega. Então, diz: “agora tudo é uma questão de tempo”.
-- // --
Trenton, Nova Jersey. 1 de dezembro, 12h06min. Um almoço bem farto e saboroso estava sendo servido na cozinha do casal Leonard e Isabelle, na casa de propriedade dos dois na região leste dos Estados Unidos. Foi ali que, pela primeira vez em muito tempo, Maksim Smirnov pôde encontrar um restaurador descanso, dormindo em um colchonete confortável e improvisado no quarto de hóspedes, outrora transformado em uma sala de monitoramento de missões. Também tendo tomado banho, estando finalmente em excelentes condições de higiene, usando uma camiseta preta e uma calça jeans dignas de Leonard, ele se prepara para sentar a mesa com a companhia do próprio. Que, tão logo, o oferece frango frito, comprado da rede de restaurantes KFC, admitindo que os anfitriões não tinham muita habilidade na cozinha.
Maksim agradece, se servindo e, ao começar a comer, revela que não estava muito acostumado a ingerir alimentos sólidos. Leonard, curioso, pergunta como era então sua dieta enquanto estava cativo em Dzerzhensk, e ele desabafa que, assim que seus mantenedores notaram que ele era capaz de absorver a energia térmica do ambiente e a transformar em sustento para seu corpo, como em uma espécie de fotossíntese, optaram por economizar custos para o projeto fazendo do calor seu meio principal de alimentação. Sem acreditar, o jovem norte-americano pergunta para o russo quanto tempo ele estava sem comer absolutamente nada, com este dizendo: “acho que uns seis meses”. O clima, automaticamente, acaba pesando entre os dois, até que Leonard brinca que em seu país comida nunca seria um problema, referenciando a quantidade da porções que a maioria dos estabelecimentos alimentícios tendem a vender por preços em conta.
Maksim compartilha que nunca esperou sair da Rússia, muito menos estar em uma nação que tão a prejudicou como a que estava. Leonard, procurando puxar conversa, pergunta o quê aconteceu para ele ter sido pego e mantido preso pelo Proyekt Koshmar. Para sua surpresa, o russo revela que ele se entregou voluntariamente. Explicando, ele conta que antes de descobrir os seus poderes havia se formado em Medicina pela Universidade Estadual de Tomsk, tendo feito residência em Pneumologia, e atuava em um hospital privado em Novosibirsk. Uma informação que choca o seu ouvinte, pois nunca imaginaria apenas o olhando. Ele, então, conta que se envolveu em um acidente com seu carro em uma rodovia em Novosibirsk, momento que pelo estresse acabou experimentando pela primeira vez suas habilidades, congelando e matando todos os demais motoristas no entorno. Maksim procurou ajuda médica, mas eles não sabiam como ajudá-lo, até que o FSB o procurou e ofereceu uma cura para “sua doença”.
Neste instante, Leonard começa a ficar reflexivo, se identificando com o desejo de se curar dos seus poderes do jovem russo. Smirnov continua contando que, em dois meses, esteve sob os cuidados de um biomédico renomado, Mikail Antonov, que o estudava procurando um meio para entender seu metágene, até o transferirem para uma instalação em Dzerzhensk, a que o resgataram. Mikail sempre foi muito amigável com ele, assim como sua equipe de cientistas. Ele não vivia uma cela, mas era tratado como um igual. Até que uma pesquisadora, Tatyana M. Orlova, desenvolveu uma substância capaz de bloquear os seus poderes em 24h. Que passou a ser fabricada em ritmo industrial, com ele nutrindo expectativas de que finalmente poderiam ir embora. Temendo que isso acontecesse, o governo mandou “o diabo” para quebrá-lo: o tenente Sergei I. Morozov.
De repente, todos passaram a o tratar simplesmente como um objeto de pesquisa e, privado de seus poderes, ficou indefeso e suscetível a inúmeras experiências indizíveis promovidas pelo Morozov que, pouco a pouco, foram o quebrando. Falar sobre isso já era o suficiente para exibir sintomas de ansiedade, como palpitação e desconforto, como se revivesse suas memórias traumatizantes. Num ponto, Sergei ameaçou matar a família de Maksim se ele tentasse fugir, o colocou em uma câmara isolada, o desumanização. Sua opinião sobre o tenente era que ele era “um verdadeiro monstro”. Sem saber o quê dizer, Leonard compartilha que “sentia muito por ele ter passado por aquilo”, revelando sua própria relação conflituosa com os seus poderes pirocinéticos e o como que, provavelmente, faria a mesma coisa que ele se tivesse que fazer esta escolha.
Maksim desejava do “fundo de seu coração” poder salvar seus pais, momento em que Isabelle se revela, na porta daquele cômodo, de braços cruzados, como quem havia escutado boa parte da conversa. Ela disse que havia entrado em contato com Karslie, e que assim que a madrugada se aproximar na Rússia, iriam para lá imediatamente realizar esse salvamento. Porém, sem saber as palavras certas para usar, ela pede para ele tentar ser otimista porque, durante a manhã, ela trabalhou exaustivamente para superar a criptografia que protegia o sistema digital do FSB e, tendo conseguido o acessar, descobriu que eles anteviram que fariam isso e mandaram um esquadrão levar Dominik e Natalya, seus pais, para a cidade fechada de Seversk. O jovem russo, ao ouvir isso, inevitavelmente começa a imaginar o pior, apenas para ela dizer que o governo não iria fazer nada com eles porque o objetivo óbvio era fazer eles irem até lá e, então, recapturar ele.
Preocupado com este contexto, Leonard pergunta se ela ligou para Rodney Accotach a fim de obterem reforço para essa missão, tendo a resposta de que ele estava ocupado com um evento beneficente da Ontario’s Samaritans em Toronto. Então, ele expressa seu receio de que sua namorada não estava sendo, por demais, audaciosa em querer ludibriar agentes treinados russos agora preparados para conseguir fazer esse resgate. Isa questiona se os deixariam inseguros sob a custódia do governo, pedindo ao seu namorado que tenha confiança nela e em sua competência. Leonard afirma que confiava nela, mas também queria sentir que ela está segura, olhando para seus hematomas em seu rosto enquanto desabafa que seus ideais a empurravam justamente para o perigo. Maksim promete que a deixaria segura enquanto impõe a condição de que iria junto, apenas para Isa dizer que já contava com isso.
Ela, então, abre a geladeira e pergunta o quê Leonard comprou para o almoço, com ele ajeitando os óculos, a respondendo, mas se mantendo refletindo sobre como prosseguirá o confronto planejado.
-- // --
Seversk, oblast de Tomsk. 1 de dezembro, 22h54min. Ao longo do dia, os agentes do FSB haviam trabalhado esforçadamente para reforçar a segurança de um já bem fortificado condomínio de três prédios residenciais completamente desabitado. Habitualmente usado de fachada como uma base de operações para eles quando necessitavam desenrolar alguma ação estratégica na cidade. Não somente muitas câmaras de monitoramento foram instaladas, como também sensores de movimento, além do posicionamento de muitos soldados guardando cada metro quadrado daquele espaço. Tornando substancialmente impossível que alguém consiga entrar ali sem ser notado. Uma equipe de técnicos de informática foi especialmente designada, também, para montar a própria tecnologia utilizada, sabendo do potencial de Isabelle para invadi-la.
Em um destes apartamentos mobiliado para a ocasião, sob forte escolta, o casal Smirnov havia sido deixado aguardando sob a promessa de que seu filho, há dois anos desaparecido, foi encontrado. Segundo o quê os agentes russos lhes disseram, ele estava infectado por um vírus altamente letal, sendo que sua doença exigia um tratamento severo e, somente após ele, poderia regressar a sociedade. Motivo para precisarem se deslocar até lá, “num lugar mais próximo de onde ele era tratado”, e também era tão morosa essa espera para os reencontrar. Natalya, uma mulher esbelta de cabelos intensamente pretos, mesmo em seus 62 anos, estava desconfiada de tudo aquilo. Talvez emocionada, feliz, já que achava que seu filho estava morto, só que não tinha como não desconfiar das condições que permeavam essa boa notícia. Seu marido, Dominik, um homem robusto com uma personalidade forte, já em sua sétima década de vida, não via estranheza nisso.
Na verdade, ele tentava amenizar a desconfiança da esposa pedindo para ela “não encher sua cabeça de minhocas”. Em determinado momento, o comandante Ruslan Khrabrov se apresenta aos dois. Ele mesmo um homem elegante e vaidoso, mesmo para sua patente militar, que procurava ser educado com eles buscando saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Dominik parecia se simpatizar com ele, enquanto o militar se desculpava pelo transtorno de terem de esperar, reconhecendo o trabalho de engenheiro do civil russo como não só exaustivo, mas também importante para Novosibirsk – cidade onde os dois moram. Natalya pede uma foto dele para ver como estava, mas Ruslan admite não dispor de nenhuma. Apenas pedindo a eles compreensão até que tudo se resolva.
Um soldado, então, se aproxima e pede ao comandante sua atenção. Eles vão até o apartamento do lado, um centro de controle com acesso a toda a vigilância em Seversk, onde os técnicos revelam que identificaram uma incursão dos alvos a leste da cidade. Ruslan esboça uma risada e, com seu rádio, orienta todas as unidades para irem até a localização deles “os receber adequadamente”. Ele próprio ficando diante dos muitos televisores assistindo o rosto de Karslie e Isabelle caminhando calma e despreocupadamente pela neve, acreditando não serem vistos. Minutos depois, o sinal do rádio começa a demonstrar interferência, algo que os especialistas tentam consertar acreditando ser uma ação realizada pela Isa. Então, tiros puderam ser ouvidos do lado de fora vindo dos muitos snippers escondidos nos muitos apartamentos dos prédios, até serem atingidos pelos dardos carregados com eletricidade da Isa, sendo postos fora de cena.
Ruslan olha pela janela para tentar entender o quê estava acontecendo, imediatamente vendo seus homens em um embate físico com Karslie que, por sua boa habilidade de combate, consegue domá-los e abrir caminho para sua parceira passar e os finalizar com artifícios de sua armadura. Então, o militar puxa seu revólver e pede para os soldados presentes ao seu lado o acompanhar até lá, com eles finalmente percebendo que as imagens projetadas no sistema de monitoramento eram falsas. Mesmo assim, em poucos minutos, Karslie chega até eles com os punhos envoltos em rochas e, com sua coragem característica e uma precisão cirúrgica, consegue também os derrubar. Enfrentando Ruslan, agora desarmado, até que Isa o nocauteia com um de seus dardos. Escutando aquele barulho da luta, assustados, Dominik e Natalya ficam apreensivos até quando, finalmente, a dupla de agentes norte-americanos chega até eles. Com o casal os julgando como terroristas.
Karslie imediatamente tenta se explicar, mas não precisava. Isa estava preparada e libera terreno para Maksim se teletransportar ali, para grande espanto e alegria dos Smirnov, os abraçando de uma forma verdadeiramente comovente. Sem tempo para explicar, ele pede para eles confiarem em seus novos amigos, pedindo para que todos se deem as mãos para poderem se teletransportar dali. Isabelle ativa o teletransporte, esboçando uma expressão de desconcerto quando nada acontece. Ela estranha e pede a inteligência artificial da NIA um diagnóstico, até descobrir que um bloqueador de sinais interferia no acesso ao do satélite necessário para para o bom funcionamento daquele dispositivo. Basicamente, impedindo uma evacuação. Essa situação inesperada era como um balde de água fria para os planos elaborados pela moça que, sem saber o quê fazer, para em silêncio tentando refletir uma solução.
Acompanhando remotamente o revesse, Leonard demonstra estar ficando apavorado ao observar o risco que eles estavam correndo por permanecerem ali, observando que nessa condição teriam que sair de Seversk por métodos mais convencionais. O quê Karslie sabia que implica em ter de enfrentar, diretamente, centenas de soldados do FSB espalhados pela cidade até chegarem ao posto de controle, a noroeste, única saída. Uma aventura suicida, simplesmente. Maksim compartilha que, pelo bem de todos, inclusive seus pais, ele estava disposto a se entregar para as autoridades russas. Natalya, sua mãe, estranha essa colocação, não entendendo o porquê eles teriam de fugir do FSB. Seu filho, então, diz que era uma história muito complexa e, quando estiverem com maior tranquilidade, explicaria melhor. Incomodada com todos falando enquanto pensava, Isabelle pede para pararem de a pressionar.
Leonard, tendo acesso as câmaras da cidade fechada graças a sua namorada, observa que os inimigos já perceberam o imbróglio. Percebendo que teria que assumir o controle, Karslie pede a todos que o seguissem até o estacionamento. Isa pergunta se ele tem um plano: “quase isso”, ele retruca. Descendo apressadamente as escadas, o quinteto se depara com um caminhão de suprimentos que carregava um contêiner blindado. “Esse é o seu plano?”, Isa questiona com deboche. “Não é perfeito, mas é melhor que irmos a pé. Podemos usar o caminhão como aríete para passar pelo posto de controle e, se sermos sorte, passarmos despercebidos pelos guardas”, Karslie argumenta. Dominik dizia que “aquilo era loucura”, que queria ficar e confiar tão somente em seu país. Até que Maksim revela que, sem motivos para os manter vivos, não era prudente confiar no FSB.
Mesmo descrentes, eles entram no caminhão. A família se estabelece no contêiner enquanto, na cabine, Isa e Karslie se ajeitavam. Ela se oferece para o fazer ligar sem as chaves, mas seu parceiro a dispensa ao se exibir dizendo que fazer ligação direta tinha sido uma das poucas coisas que aprendeu com seu pai. Dali, eles seguem para as ruas e observam como, em minutos, vários pelotões chegavam ao condomínio onde estavam. Infelizmente, no meio do caminho, são parados por alguns soldados que exclamam, em russo, que não tinham autorização para trafegar por ali. Colocando seus óculos escuros, abrindo a janela e contando que sua parceira estivesse escondida, o rapaz tenta os ludibriar afirmando que tinha uma autorização extraoficial. Se aproveitando do tradutor universal que contava acoplado em seu comunicador. Por incrível que pareça, eles acreditam o suficiente para checar no sistema essa informação, com Isa a falseando e, então, são liberados.
Isso permite que cheguem até a saída de Seversk sem perturbações, mas certamente não passariam pelos guardas de lá. Karslie até pensava em tentar os enganar também, até descobrir que não teria como: nessa altura eles já haviam deduzido o plano deles e os receberam com tiros. Usando seus poderes de domínio sobre a terra, ele a induz a um terremoto forte o suficiente para assustar os soldados permitindo que eles avancem sobre a estrutura a sua frente e a destruam. Fugindo em alta velocidade, os agentes emitem um alerta do quê aconteceu. Isa repreende o colega, o lembrando que ele poderia ter causado um desastre nuclear ao trazer instabilidade às usinas da cidade. Ele diz que tinha controle da situação, elevando uma muralha de rocha por detrás deles para evitar serem seguidos. Missão cumprida, aparentemente.
Tudo parecia que ia bem, Leonard é avisado da situação e que apenas estavam esperando a conexão com o teletransportador voltar para irem embora. Contudo, em meio ao silêncio, o retrovisor do caminhão repentinamente é quebrado por uma bala. Várias outras atingem sua carroceria passando de raspão que pareciam ser de uma submetralhadora. Karslie abre a janela e olha para trás, apenas para ver um jipe Lada Niva em seu encalço. “Encosta aí, ô filho da puta!”, exclamava uma voz feminina conhecida. Ao olhar mais atentamente, ele a reconhece como Stefanie Borges. Ela, então, volta a atirar enquanto se aproximava do contêiner do caminhão, o suficiente para sua carona conseguir subir nele. Isa percebe e isso, pedindo a seu colega que se esforçasse para os manter firmes na estrada porque iria “cuidar da visita”. Neste instante, enquanto isso, Maksim e seus pais tem a atenção desviada para o teto de onde estava, que começa a derreter pela ação de algo que parecia um ácido.
Sorrindo de uma forma intimidadora, Samantha Novak se revela: “espero que não tenha chegado muito tarde para a festa”. Encima do caminhão, Isa chega até ela a chamando pelo nome e comentando que, para uma norte-americana como ela, a adversária estava “muito longe de casa”. “Pelo menos eu ainda voltarei para minha casa”, Samantha ameaça. Sem titubear, usando de sua impressionante e sobre-humana flexibilidade, a mercenária ataca Isabelle a dando inúmeros socos e chutes. Ela tenta desviar, até que Samantha passa dois de seus dedos em seu peitoral blindado. Aí é vista sua habilidade mutante de gerar fluidos ácidos pela pele, quando este começa a derreter por conta disso. Ela então sorri e chuta Isa para fora do caminhão, se convencendo de que saiu vitoriosa. É assim que ela é surpreendida por um vigoroso soco de sua oponente, que a derruba enquanto se fixa novamente ao veículo graças as botas magnéticas de sua armadura.
Stefanie continua atirando de seu jipe, destruindo todos os vidros do veículo inimigo. Karslie tenta a despistar levantando construções de pedra sobre a estrada, mas ela desvia. Então, sendo mais ostensivo, ele joga o caminhão nela para a fazer derrapar, justo quando Samantha se levantava, a fazendo cair novamente. Se aproveitando da situação, Isa a pega pelos ombros e voa com ela com seu jetpack até ela se orientar, momento que a joga de uma considerável altura no chão. A queda e o sequente impacto, potencializados pelo frio de uma madrugada siberiana, foram dolorosos para a mercenária, que jura vingança por isso. Isa debocha dela, saindo rapidamente dali para desviar de uma rajada de ácido que corrói ainda mais a jaqueta de Samantha (já que sai pelos seus braços).
Karslie continua seu embate com Stefanie, até que ela se aproxima do caminhão o suficiente para armar um explosivo plástico nele e, com um detonador, o explode, fazendo seu alvo tombar. Ela para o jipe na frente daquele evento, puxa seu revólver do coldre e sai de seu veículo com presença pronta para um assassinato. Neste instante, Isa aterriza perto de algumas bétulas não muito distantes de lá e tenta contatar o seu colega, percebendo pelo comunicador que havia ocorrido tal desolador acidente. Desviando sua atenção para seu computador portátil no antebraço, a jovem resolve parar e avaliar a situação. Então, Samantha a alcança e pulveriza uma nuvem densa do seu ácido nela. “Eu te tentei avisar, boneca, mas as garotas se derretem quando eu apareço”, a mercenária se gaba. Com o corpo em uma postura relaxada de uma forma excêntrica, consequência de seus poderes que tornam seus ossos excessivamente flexíveis.
Um clarão de luz ciano esverdeada surge por detrás dela e, antes que possa reagir, Samantha é eletrocutada por Isabelle, quem havia restabelecido a função de seu teletransporte. Esta desmaia. De volta ao acidente, Karslie abre a porta do caminhão ferido, com a testa sangrando, em decorrência de um corte, ainda tonto pelo o quê acabou de acontecer. Sua nuca sente o contato gelado do cano do revólver silencioso OTs 38 Stechkin de Stefanie, com ela dizendo em tom rancoroso: “vou ter o prazer de te mandar pro inferno, canalha. Morra sabendo que minha Samantha foi vingada”. Antes que ela possa disparar, o rapaz reage, se levantando e a empurrando contra o contêiner. Eles têm um breve embate físico, mas a mercenária o subjuga com um taiser e se prepara para matá-lo. É aí que Maksim o salva sugando o calor do corpo da assassina como um vampiro, em segundos a induzindo a um quadro de hipotermia severa e a perda da consciência.
Karslie, impressionado, pergunta a ele se a matou, algo que Smirnov adverte que não. Confessando sentir-se mal quando usava seus poderes. “Mesmo sabendo quem ela é, não podemos a deixar nessas condições. Deve estar uns -20° C, ela não irá aguentar”, ele lhe responde. Dominik e Natalya se aproximam, em estado de choque por tudo aquilo, desconfortáveis. O patriarca da família exigia ter uma explicação, momento quando Isabelle aparece através de seu teletransporte dizendo que “colocarão o papo em dia” na sua casa. Intrigantemente, quando tenta os tirar dali não consegue. Isso a deixa consternada, e indignado, Dominik ainda a confronta sobre o quê pretendia fazer. O ignorando, ela pede um diagnóstico da situação para a NIA, finalmente descobrindo que interferência era causada por algo dentro do corpo dos Smirnov. Dominik, então, reage com mais irritação sem entender como isso era possível, achando que aquilo tudo era um absurdo. Karslie pergunta ao casal se os agentes do FSB injetaram neles algo enquanto os encontraram, e Natalya confessa que tomaram uma vacina para a suposta doença do filho.
Isa deduz corretamente o que aconteceu. Maksim a questiona se existe alguma uma forma de limparem a corrente sanguínea de seus pais, retirando os microdispositivos que os impediam de fugir. Um pulso eletromagnético, ela acreditava, algo arriscado se não desse certo, pois entregaria a localização deles ao inimigos. Ela julgava seguro colher uma amostra de sangue de um dos dois e avaliar os bloqueadores que encontrar. Dominik a questiona se iria fazer isso no meio do nada em uma noite gelada. Karslie sugere usarem o jipe da Stefanie para procurarem abrigo. Natalya pontua que Tomsk era a cidade mais próxima, mas se eram fugitivos, o FSB com certeza já teria a fechado. O rapaz conclui que deveriam vagar em busca de um lugar intermediário. Do outro lado do globo, Leonard acompanhava toda a discussão descontente com o andamento das coisas, reconhecendo, no entanto, que não tinham escolha.
-- // --
Tomsk, Rússia. 2 de dezembro, 1h29min da madrugada. Ilhados em território russo, o grupo tomou posse do jipe usado pelas mercenárias e seguiu viagem pela estrada de terra em que estavam até a rodovia próxima. Não as abandonando, contudo. Karslie fez questão de também as levar, enroladas em cobertores que estavam dentro caminhão para acolchoarem as cargas. Embora, trancadas dentro do porta-malas sem nenhuma arma de fogo disponível. Quando perceberam que estavam se aproximando dos limites urbanos de Tomsk, decidiram mudar sua rota invadindo uma floresta de árvores coníferas da típica taiga, enfrentando a densa camada de neve que cobria o solo, permanecendo na zona rural. Após algum tempo atentamente procurando por algum lugar que pudesse lhes fornecer abrigo, eis que encontram uma datcha – uma cabana confortável naturalmente utilizada por pessoas que querem tirar férias da cidade grande no verão, quando o clima é mais ameno – que estava vazia.
Resolvendo então explorá-la, Karslie estaciona o veículo em sua entrada e desce, com Isabelle, avisando os demais que iriam na frente para assegurar se era seguro. Quando eles saem, Maksim, pela primeira vez em dois anos, fica sozinho com seus pais. Estarrecido, Dominik repete seu questionamento há muito repetido do quê estava acontecendo e qual era a razão pela qual ele estava dando tanta confiança a estrangeiros do ocidente. Natalya, já mais preocupada com a saúde do filho, comenta que ele estava muito magro e o pergunta o quê aconteceu com ele. Maksim compartilha com eles sua história, desde o acidente de trânsito que se envolveu em Novosibirsk até quando procurou ajuda do FSB, acabando se tornando objeto de pesquisa do Proyekt Koshmar. Se abrindo, também, sobre a tortura que viveu nas mãos de Morozov e seu medo de perde-los diante de suas ameaças.
Ouvir isso faz os olhos azuis da mulher encherem de lágrimas como um oceano, com ela tentando confortá-lo. Dominik, sempre turrão, estava sem reação. Até que ele pergunta ao filho o quê seria deles agora. Maksim diz que teriam de se asilar nos Estados Unidos, ideia que parecia lhe encher de desgosto. Natalya diz que não podia abandonar sua vida, que era arteterapeuta e seus pacientes dependiam do seu trabalho. Infelizmente, não era algo que podia ser negociado. Uma informação que os coloca numa posição de descontentamento. A mãe, então, compartilha que desde que seu filho desapareceu esteve procurando ativamente por respostas. Sempre encontrando um “não sabemos o quê aconteceu” vindo de delegacias e do governo local. Apenas sabendo que ele passou pelo Hospital Clínico Municipal n° 1 antes de desaparecer. Amigos e colegas de trabalho de Maksim sentiam sua falta, ela não suportava viver sem saber o quê aconteceu com ele entrando até em depressão por conta dessa constante dúvida, apenas encontrando forças quando descobriu que não era a única que passava por isso.
Aquela era uma novidade sombria, mas saber que estavam juntos de novo era o suficiente para saber que valeria a pena. Então, ela estava disposta a começar uma nova vida por ele, revelando que mesmo não admitindo, seu pai pensava o mesmo. Pressionando Dominik, que admite que o relacionamento dos dois sempre teve suas tensões, o último encontro deles tinha sido para brigar sobre o financiamento de um carro. Ainda assim, era verdade que o amava e faria tudo para estar com ele em sua vida de novo. Um sorriso sincero, que parecia não aparecer no rosto de Maksim desde muito tempo, foi enfim esboçando. Karslie surge, então, e pede para eles entrarem porque “estava tudo limpo”. Ele iria ficar vigiando o carro, já que as mulheres em seu porta-malas poderiam acordar e facilmente tentar os matar de novo.
Uma vez dentro da datcha, Isa pediu a Maksim que a ajudasse a colher uma amostra do sangue dos pais. Ela o dá uma seringa que encontrou no banheiro, mas ele se recusa a usar até a esterilizar. Literalmente ascendendo uma fogueira sob um caldeirão com água para o esquentar e, uma vez esterilizada, realizar procedimento requisitado. Natalya se ofereceu, dando o ombro para o filho colher seu sangue. Isabelle recolhe um pouco para o avaliar e, assim que a NIA processa os dados, pergunta a ela se ela tinha algum problema cardíaco. “Não, graças ao bom Deus não todo nenhum remédio”, responde ela. A jovem, então, revela que seu sangue continha uma quantidade muito alta de betabloqueadores, que são um medicamento que tende a reduzir a atividade da adrenalina. Não só isso, mas os microdispositivos que o FSB lhe implantou não só bloqueavam a frequência de seu teletransporte, como pareciam servir como uma minúscula bolsa para uma substância que ela não conhecia.
Assim que ela tenta usar seus poderes para fazer uma leitura ampliada destes dispositivos, ela percebe que estavam enviando a localização deles para um satélite russo que os vigiava. Mais do que isso, ele também emitiu um aviso e, instantaneamente, o casal Smirnov sente uma dor estranha acontecendo em todas as partes de seus corpos. Crescente, pungente, que os faz se jogarem no chão e começarem a se contorcer apesar da idade avançada de ambos. Desesperado, Maksim olha imediatamente para Isabelle e implora saber o que ela fez. Antes que pudesse responder, eles percebem algo inesperado: a musculatura dos dois estava se desenvolvendo rapidamente, de uma forma abrupta, rasgando suas peles e roupas. Natalya parecia estar mudando de uma forma mais marcante, com suas orelhas se tornando pontiagudas, olhos avermelhados, unhas se transformando em garras estranhamente molhadas, e seus braços se unindo a cintura como se formassem uma asa parecida com a de morcegos e arraias.
Os dois haviam se transformado em criaturas mutantes exageradamente agressivas, perdendo a razão e se preparando para avançar nos dois. Dominik, tremendamente mais forte, investe contra Isa até ser empurrado contra parede da datcha e a destruir, caindo no lado de fora. Karslie se assusta, principalmente quando vê Natalya saindo de lá e voando pelos céus. “Algo deu errado, muito errado”, diz Isa. Quando Dominik se levanta e tenta atacar a garota, seu parceiro reveste seus braços com rocha e a defende, ficando em um impasse com ele até ser vencido. Maksim parecia paralisado, não conseguindo acreditar no que estava acontecendo. Leonard também não, pedindo uma atualização para sua namorada, que se negava em lhe dar se sentindo incomodada com toda sua preocupação.
Natalya, com suas garras, avança sobre Isa, que transforma seus braços em metralhadoras com balas de energia, mirando na direção dela e não conseguindo a atingir. Olhando para Dominik, seu corpo deformado, ela comenta com Karslie como os efeitos daquela mutação eram parecidos com o da fórmula do dr. Lukasto e da droga “veneno de tarántula”. Com uma ideia em mente, ela pede ao colega abertura para chegar até o pai de Maksim e prender cinco cabos em seu peito, vindos de sua armadura, dispensando um poderoso choque que supostamente lhe induziria a um infarto. Para sua surpresa, o ataque não tem efeito e ela é arremessada para perto da marquise na entrada da cabana. Maksim exclama para que não os machuquem, mas Karslie admite que não via como fazer isso enquanto é atacado por Dominik. Eles, mais uma vez, entram em um impasse, mas o rapaz sai rapidamente de sua frente e o faz cair pela força aplicada.
Natalya, voando, retorna ao campo de batalha e arranha as costas de Karslie, com ele percebendo que suas garras pareciam conter uma espécie de veneno. Ele usa seus poderes para levantar pedregulhos do chão e tentar a acertar, errando. Quando ele é atacado novamente por Dominik, Isa intervém e o protege com um escudo de energia. Ela, então, o acerta no peito com sua arma mais poderosa: seu canhão de plasma. Apenas para se impressionar como que ele resistia a ela. Voltando a uma posição ofensiva, completamente apartado de sua racionalidade, o patriarca soca agressivamente o escudo de Isabelle a deixando acuada, até quebrá-lo. Ele então a espanca sem comedimento. Karslie, do outro lado, começa a sucumbir a uma fraqueza anormal, ficando vulnerável a mais arranhões das garras de Natalya. Leonard ouvia os gritos de sua amada pelo comunicador e sente que já perdê-la.
Ele saí da frente do monitor do notebook e vai até o closet do casal, que era onde ficava a máquina de teletransporte, cogitando ir até lá oferecer ajuda. Apenas para se segurar, com medo, vivendo então um conflito de querer fazer algo e sentir não conseguir. Esse momento o faz, sem perceber, mudar a cor de seus olhos de castanho para vermelho, aumentando levemente a temperatura da casa. De volta a luta, Dominik continuava esmurrando Isa em seu rosto até que, para a salvar, Maksim joga uma pedra nele chamando sua atenção. Selvagem, ele se vira o encara, então indo até a direção do filho que implora para que ele pare. O jovem pergunta a Isa se existia alguma forma de reverter isso, com ela se levantando e olhando para ele com tristeza admitindo que não conhecia. Em profunda melancolia, “Pesadelo” ergue o peito e usa seus poderes para roubar o calor do corpo de seus pais, os fazendo congelar e, definitivamente, os matar.
Ele cai de joelhos na neve lamentando o quê acabou de fazer. De longe, tendo acordado e fugido do porta-malas do jipe, Samantha e Stefanie estavam escondidas assistindo aquela luta. Optando por permanecer como expectadoras, sem fazer nada. Isa se levanta, cambaleando, completamente perplexa e desnorteada, e vai na direção de seu novo amigo. Ela não podia fazer nada, então apenas abraça Maksim em seu choro inconsolável.
-- // --
Moscou, Rússia. 2 de dezembro, 17h04min. No edifício Lubianka, dentro de sua sala, o tenente Sergei I. Morozov já estava a par de todos os desdobramentos que ocorreram na invasão de Seversk na noite anterior. Orgulhosamente satisfeito com os resultados, ele segurava um pomposo copo de vodka com uma das mãos enquanto contemplava a paisagem de sua janela, dos muitos prédios modernos construídos sobre o solo da capital. Sua atenção para seus próprios pensamentos é interrompida quando alguém bate a sua porta, com ele, então, autorizando a entrada. Já esperando que elas viessem, o militar nem se dá ao trabalho de virar para receber as duas mercenárias, Stefanie Borges e Samantha Novak, que vieram até ele cobrar explicações sobre quais eram suas verdadeiras intenções na operação para a qual foram escaladas.
Cinicamente, Morozov as questiona se já não eram óbvias. As duas permanecem em silêncio, com clima de tensão pesando naquele ambiente. Decidindo se virar para as olhar nos olhos, Sergei diz que o objetivo da Rússia era averiguar a eficiência de uma droga comprada em lotes, pelo intermédio da Aliança, de um laboratório na Inglaterra. “Berseker Potion”, que foi injetada em Dominik, e a recriação feita pelos russos, “Formula monstra”, que correu pelo sangue de Natalya. Eles queriam colher dados de campo para determinarem sua utilidade para o exército russo. Stefanie, rancorosa, pergunta se então eles estavam apenas as “fazendo de bobas” dentro desse planejamento. “Eu acredito veementemente que sim”, ele retruca, a olhando com deboche e desrespeito. “Vocês serão pagas de qualquer forma, se é isso que vocês querem saber. Mas, a Rússia sempre vai ser quem resolve seus próprios problemas”, ele conclui.
Suas palavras parecem apenas atiçar ainda mais a irritação da mercenária, até que ela subitamente se acalma. Samantha se aproxima do tenente e pede para ele não reportar a derrota que passaram para seus superiores, o que faz Morozov rir em silêncio. Ela, amolecendo o tom de sua voz, diz que faria “qualquer coisa” para ele para garantir esse sigilo. O militar percebe que estava sendo seduzido, com ele brincando como seus desejos poderiam ser assustadores. A mercenária diz que não se importava, que fazia o que ele quisesse, porque no fundo ele tinha razão sobre ela e tudo o que ela mais se importava em sua vida era sexo. Chegando a sentar em sua mesa com suas pernas abertas. Com tamanho atrevimento, o tenente faz um sorriso malicioso e perverso, dá uma risada, até que, rapidamente, abre uma gaveta de sua escrivaninha que estava... Vazia. “Procurando por isso?”, pergunta Stefanie, segurando seu revólver e o mirando em sua testa.
Sergei, de uma forma monstruosa, diz que ela “não sabia como quem estava mexendo”. “Ninguém nos faz de bobas. Ninguém”, é sua resposta. Então, ela puxa o gatilho e o mata a sangue frio. As duas mulheres se entreolham, sorrindo. Usando o telefone do próprio tenente, Stefanie avisa o FSB que “o Hope Squad havia invadido o Lubianka em busca de vingança pela morte dos pais do Pesadelo”. Em meio a todo aquele caos, sentindo aquilo como uma vitória, as duas se debruçam sobre o cadáver de Morozov e compartilham um fogoso beijo.
Fale com o autor