The Journey: Into the Darkside
30 Cap. XXX - "Reparação Histórica"
Notas iniciais
Kõtõ, Shin-Kiba. 1h42min da madrugada. O ambiente era um praticamente quieto e supostamente inabitado parque industrial localizado bem no centro da região metropolitana de Tóquio, quase próximo a orla que dava acesso a baía de mesmo nome. Um lugar movimentado paralelo a muitas instalações que de dia abrigam dezenas, senão centenas, de trabalhadores ligados a indústrias de diversos ramos, aqui todos operando funções geralmente relacionadas a transporte ou armazenamento de cargas. A frente, uma via expressa tão larga e agitada que mais parecia uma rodovia, sempre percorrida por inúmeros caminhões que seguiam inúmeros trajetos, quando não eram carros ou demais tipos de veículos. O armazém, num espaço tão aberto quanto óbvio, nunca geraria suspeitas de que era usado para fins criminosos. É aqui que dois mestres do clã terrorista japonês conhecido como Nihan no Keishõ-sha (NIKEI) estavam hospedados com seus discípulos, aguardando o sinal para um dos momentos mais importantes de sua história recente.
Uma sala em específico dali destoava dos outros cômodos graças a sua brilhante engenhosidade, embora seus propósitos sempre foram consideravelmente sombrios e eticamente duvidosos. Fora a porta, sempre trancada, havia uma pequena janela transparente feita de um vidro altamente resistente. Basicamente, único contato com o exterior já que não havia boa iluminação e as paredes eram fortificados, revestidas com metais, quase não passava som. A higiene era precária, haviam ratos e baratas andando pelo chão e até mesmo a presença de urina humana indicando que alguém estava sendo mantido preso ali. Um cativeiro. Seus braços e pernas estavam atados a correntes, ele não podia se mexer. Já estava lá há dois dias, vigilante, sem dormir ou comer. Um olhar cansado, porém ainda valente, quase escondia uma cicatriz de queimadura vinda de um raio no olho direito. Seu corpo estava despido de roupas. Um gesto não só de segurança, para garantir sua vulnerabilidade, mas também de humilhação.
Aquele era Satochi Koboyoshi, o lendário Daxam, completamente disposto aos cuidados torturantes de seus maiores inimigos. Uma luz se acende, alguém aparece por detrás do vidro para ver o estado de seu hóspede. Ryu Takahashi, 61 anos, era um homem sério e prudente ligado ao mais alto escalão de seu clã, sendo ele mesmo o senhor responsável por um dojo nas áreas remotas de Matsue. Sua postura era controlada, inspirava respeito entre todos, ainda assim não era muito misericordioso. Ao tocar em um painel no lado de fora, o truque perverso da sala é revelado: ela estava conectada diretamente a fiação e, no caso de falta de energia, um gerador que ficava aos fundos. Quando desejado, liberava uma carga elétrica gerenciável quanto a dosagem em seu prisioneiro. Não havia para onde fugir, toda a sala ficava eletrificada. Dessa forma que Satochi grita de dor.
Ryu começa a discursar, mostrando proficiência na arte da oratória, comentando como a natureza era irônica ao fazer com que um mutante capaz de produzir milagrosamente energia elétrica seja tão suscetível como qualquer outro às adversidades dela. Ele pede para que ele use seus poderes, pois apenas serviriam para aumentar sua dor ali dentro. Rindo de como, dentre tantas mutações, a dele propriamente era uma das mais comuns ao ponto de já terem precisado lidar com outros como ele. Satoxhi, cabisbaixo, pergunta porque ele não simplesmente o mata. Ryu diz que seria um desperdício porque vê potencial no jovem. Daxam alega que nunca vai servir aos NIKEI. Seu algoz diz que ele não tem escolha. Afinal, eles tem condições para mantê-lo ali para sempre, até morrer da forma mais angustiante e agonizante possível. Todavia, poderia se poupar disso se responder algumas perguntas relacionadas a sua missão.
Satochi, então, resolve debochar sobre o provável fato de Ryu ainda guardar rancor do encontro que tiveram há seis meses em Matsue, quando ele tentou literalmente exterminar todos os seus. Com o detalhe de ter quase conseguido, obrigando-os a fugir pelo lago Sheiji. Alterado, ele ativa o choque apenas para ouvir os gritos sucederam essa insinuação, quando depois em um tom mais grave mencionar que 14 dos seus alunos morreram naquele dia. Logo então questiona o propósito de Daxam, que queria matar todos os NIKEI existentes em solo japonês e, de fato, fez muitas empreitadas para isso. Nunca esperando ser pego ou morto. Satochi diz que está fazendo um favor ao mundo em os matar, mas Ryu pontua que, na verdade, eles tem muito a oferecer. Que o Japão irá conhecer, em breve, toda a sabedoria do seu clã. Insatisfeito, ele se retira alegando que ainda fará o rapaz cooperar. A resposta, para seu descontento, foi um cuspe no vidro.
Saindo dali, Ryu se encontra com Ryonõsuke Takahashi, o outro mestre que estava presente naquelas instalações, que questiona a dita estupidez de não ter matado ainda em Osaka o Daxam. Ryu acreditava que poderia, através da tortura, obter informações chave sobre o funcionamento interno do governo, da Defesa japonesa, assim como de possíveis delatores que influenciaram de forma desfavorável o curso das últimas ações realizadas. Ryonõsuke, cuja luz evidenciava que o raio que aguentou disparado pelo Satochi deformou seu corpo, com várias cicatrizes avermelhadas sobre sua pele, estava furioso com isso porque sabia que ele só trazia problemas. Os obrigando a “se apartar do que realmente importa”. Seu colega pede paciência, mas que estava certo e sabia que teria que defender o cativeiro de uma eventual tentativa de resgate. Saindo, ele diz que irá dormir porque o próximo dia será longo.
Após Ryu se retirar, Ryonõsuke se aproxima do vidro que dá para Satochi. Os olhos dele, outrora pretos, brilham num azul neon ao ver sua presença. Notando, ele o eletrocuta com suas ferramentas disponíveis. Ao parar, em tom austero, admite não estar feliz que ele continue vivo. Que possui agora pendências com ele, exibindo suas cicatrizes, e que faria de tudo para garantir que sua estadia ali seja um “inferno”. Então, ele retoma a dor para Daxam, que grita mesmo sendo resiliente, com Ryonõsuke sorrindo enquanto o vê se contorcer como podia. Assim se sucedia as numerosas tentativas de quebrar o espírito daquele guerreiro.
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Chiyoda, Kasumigaseki. Era ainda as primeiras horas daquela manhã de terça-feira, olhando pela janela ainda se podia ver apenas uma fraca luz raiando sobre os numerosos arranha-céus construídos sobre aquela moderna cidade. Mesmo tão cedo, todos os agentes da Agência de Inteligência e Segurança Pública do Japão (PSIA, a sigla em inglês) já estavam em seus postos, a todo vapor, prontos para realizar o monitoramento de cada centímetro da imensa Tóquio. No sétimo andar daquele prédio havia um departamento próprio de uma equipe que, mais capacitada do que as demais, disponham de um maior número de instrumentos úteis para realizarem a vigilância que lhes é exigida. No centro de uma enorme sala, o telão de um computador exibe imagens vindas diretamente do Optical-8, um satélite japonês em órbita, recurso normalmente usado somente pelo Gabinete de Inteligência e Pesquisa (NAICHO), mas cedido pela sabida crise de segurança que o país estava enfrentando.
O chefe do departamento era Toshiro Suzuki, que desde o começo já estava colaborando com a operação Kontarõru o torimodosu (de previsão e combate as ações do NIKEI). Um homem franzino não muito velho, mal parecia ter algum tipo de treinamento militar, porém muito habilidoso na arte de gerenciar múltiplas informações e investigar até onde muitos nem sequer tinham acesso. Em um dos computadores, de frente a todo o seu pessoal, uma convidada: Isabelle Reebirck. Ela usava uma mescla de sua própria tecnologia mais seus poderes mutantes de controle remoto de dispositivos eletrônicos para analisar o cenário que estavam lidando. Antes de ser capturado, em Osaka, Satochi plantou rastreadores na parte de baixo da carroceria de caminhões que os NIKEI estavam usando para transporte. Sinal que continuava enviado a ela, revelando que todos estavam se movendo em um mesmo território: a região metropolitana de Tóquio.
Certo de que se tratava de uma ostensiva em andamento, Suzuki avisou seu superior, Masaki Wada, e já estavam planejando formas de os interceptar antes que algo realmente acontecesse. Todos, seja das Forças de Autodefesa do Japão ou do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio, já estavam prontos para algo e diversos pontos importantes da região reforçaram sua segurança e patrulha para um aguardado ataque. Era a primeira vez que eles ousaram agir tão próximos da capital, algo que preocupava a todos. Porém, uma peça deste quebra-cabeças ainda não se encaixava. O comunicador de Satochi havia sido destruído deixando apenas um rastro de seu sinal que também estava em Tóquio, mas Isa não conseguia precisar onde. Entre a rota dos caminhões usados pela NIKEI e possíveis caminhos seguidos além do ponto onde o comunicador de Daxam deixou de existir havia muitas possibilidades. Nada conclusivo, e no fundo isso abalava a garota que sabia que deixá-lo ser levado havia sido uma decisão estratégica dela.
Suzuki, então, surge com uma proposta: ele estava listando todas as propriedades de membros da yakuza Taigazu fū-yuri, que sabidamente colaborava com os NIKEI, nas redondezas. Muito provavelmente poderiam servir como lugares onde eles parariam para se abastecer, comer ou se preparar para o quê estão planejando. Ao atualizar o mapa com estes novos pontos, Isa reconhece que a ideia do colega poderia estar certa. Só que ainda era muito pouco conclusivo dizer, a partir disso, onde Satochi estava. Toshiro pergunta a ela, diante de todas as possibilidades, qual era a mais próxima e provável de terem sido escolhida para servir como abrigo a partir de onde o sinal de GPS do comunicador do agente japonês parou de funcionar. Isa lança duas alternativas. Toshiro, então, pede para usarem o satélite para examinarem como andava a atividade destes dois espaços. Se havia pessoas ali, os usando, ou estavam fechados. Um deles, de fato, estava abandonado. Mas, o outro, contava com uma equipe de segurança para o proteger sem nenhum sinal de uso industrial. Era o armazém em Shin-Kiba, ou seja, um palpite certo.
Isa diz que já era o suficiente e que poderiam ir até lá, contando com Karslie Imota e Rodney Accotach, para confirmar ou negar suas suspeitas. Ela agradece a Toshiro sua ajuda, porque não conseguiria isso sozinha. Ele diz que eles que são gratos pelo auxílio voluntário dela, assim como elogia sua incrível habilidade neste assunto. Algo que ela apenas diz ser fácil diante de uma tecnologia tão de ponta como a que usavam. Enquanto isso, em Shinjuku. Mais precisamente a sede do Ministério da Defesa. Havia uma espaço, bem em nível térreo daquele edifício, que servia como uma sala de espera na qual Karslie e Rodney estavam há horas esperando, no caso, sua amiga alcançar seu pretendido objetivo de localizar o Daxam. Claramente, entre os muitos bonsais decorativos, era possível ver pelo olhar de Karslie o quanto ele estava reflexivo quanto a tudo o que acabará de acontecer. Olhos que transpareciam uma profundeza, quase um oceano, enquanto também denunciavam sua natural estabilidade. Azuis como o céu.
O comandante Tsuyoshi Uerugi abre a porta de vidro e acende logo um cigarro, como forma de aliviar a tensão que estava vivendo naquele momento. Ele pergunta aos dois se fumavam, e Karslie fala mais fortemente que não. Afinal, Rodney não era de muita sociabilização. Tsuyoshi queria saber se seus subordinados os ofereceram um bom tratamento quando os receberam ali, para logo depois também os agradecer por estarem colaborando com o Japão nessa guerra interna. Para um homem que já havia lidado em sua carreira com muitas situações difíceis, desde terremotos até a própria calamidade que assolou o país durante os eventos do apocalipse dois anos antes, essa era uma das emergências mais desgastantes. Afinal, além de quase nunca conseguirem antever os próximos passos de seus inimigos, raramente uma pessoa os enfrentava e saía com vida para contar a história. Por conta disso, ele vai os NIKEI como seres anárquicos que parecem querer testar o quanto são ineficientes. Karslie suspira, revelando que também anda abatido justamente por se sentir insuficiente diante desse cenário.
“A impotência é uma experiência dolorosa”, exclama ele. Tsuyoshi concorda, embora alegue que nem por isso devam desistir. Neste momento, ele pergunta se tiveram notícias do Satochi. Rodney o atualiza que não, algo que assusta por provavelmente eles poderem não o ver mais com vida. Neste ponto, o comandante estava cético. Já havia trabalhado muito tempo com ele para saber que o rapaz saberia se virar em todo o tipo de situação. O mais intrigante era que os NIKEI não o mataram na hora, porque eles não fazem reféns. Esse era o “verdadeiro pulo do gato”. Neste minuto, um telefonema obriga Tsuyoshi a se retirar da conversa. Em um clarão de luz ciano, Isa se teletransporta para lá e os avisa que tem uma pista de onde Satochi poderia estar. Querendo rapidamente compensar o fracasso que levou sua captura, Karslie se levanta e diz que deveriam ir para lá. Neste instante, Tsuyoshi retorna ao trio para avisar o inimaginável: a sede do Ministério da Defesa estava sob ataque. Eles ficam estarrecidos, e usando um acesso forjado através de seus poderes para as câmaras de segurança, Isa consegue ver como estava acontecendo.
Uma invasão impressionante liderada pela Kanako Takahashi, que ainda estava ferida em sua coxa direita. Isa mostra as imagens através de um holograma vindo de seu bracelete-computador para todos, e imediatamente a prioridade muda para refrear essa ostensiva que estava acontecendo no agora. Reebirck, mesmo acreditando que deveriam fazer algo, o lembra que quanto mais tempo demoravam, mais certo era que Satochi havia morrido. Assim, deveriam ir averiguar se realmente ele estava no lugar presumido. Tsuyoshi, ao entender o dilema, concorda, alegando que o seu pessoal era o suficiente para lidar com isso. Karslie, então, consente, e os três partem para Kõtõ.
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Poucos metros de distância do alvo, já em Shin-Kiba, aparentemente do nada uma luz ciano se levanta do chão parecendo quase que mágica. O trio, usando seu equipamento próprio da agência Twelve, se teletransporta para o lugar suspeitado e imediatamente buscam um canto detrás de um latão de lixo onde não podiam ser vistos. Os olhos habitualmente verde escuro de Isabelle mudam para um tom azulado, mais claro, sinalizando que ela estava usando os seus poderes. O bracelete que usavam, que possui conectado um computador portátil, exibe agora imagens das câmaras de vigilância dos arredores. Ela, assertivamente, procura entre os vários ângulos obtidos um que pudesse denunciar tanto a presença dos NIKEI como do Satochi. Karslie se perguntava como eles poderiam aprisionar uma pessoa com a capacidade de gerar literalmente raios com as mãos, uma força da natureza tão destrutiva. Isa diz que não sabia, acreditava que ele estava sendo mantido sedado. Rodney, então, questiona qual a utilidade dele assim.
Finalmente, ela identifica o armazém certo e nota que, de fato, há terroristas ali escondidos. Deduzindo pela característica mais óbvia deles: a preferência de lutarem usando armas tradicionais japonesas. Porém, não consegue identificar onde Daxam está. Com uma sala escapando de seu olhar, que estranhamente está consumindo mais eletricidade do que as demais gerando um campo eletromagnético leve que pode ser sentido por ela. Sua aposta era que, se ele estiver lá, estaria naquele alojamento. Ela queria desligar a energia do armazém para tornar acessível aquele espaço, mas a segurança de sete guardas não a permitiria. Seu plano era que Karslie e Rodney os distraísse para que ela conseguisse fazer isso. Há uma concordância quanto aos procedimentos, mas Accotach os lembra que há algum tempo os NIKEI haviam se aprimorado com o soro Evergreen. Estando mais fortes, mais velozes, mais rápidos. Já eles estão em desvantagem, já que seu colega, sabidamente, ainda não se recuperou do corte no ombro direito.
Karslie era confiante de si mesmo, mas o amigo sugere que lhe daria cobertura. Dilatando a pílula, sua musculatura se desenvolve severamente até que sua pele se reforce, ganhando escamas e guelras nasçam em seu pescoço. Sua mandíbula se projeta, dentes crescem e barbatanas nascem detrás de seu antebraço e panturrilha. Rodney, agora transformado em sua forma de monstro, orienta que está pronto. Imediatamente, a dupla parte para cima dos soldados do NIKEI que estavam zelando pelo portão frontal, dando-lhes socos que os deixam inconscientes. Karslie já apelando para os seus punhos revestidos com rochas. O barulho atrai os outros para briga e, nessa brecha, Isa faz seu caminho para a parte de trás do armazém para desativar a caixa de força. Os guerreiros japoneses levantam suas katanas, embora não demore muito para Rodney, usando sua proficiente agilidade, avance sobre eles e os derrube puxando seus pés com os seus. O colega, claro, se prepara para um combate corpo-a-corpo com os desavisado, assustados com o olhar assustador de Rodney, os golpeando várias vezes até que Rodney os finaliza.
Eventualmente, Isa consegue cumprir seu objetivo. Notando a invasão, Ryu diz a Ryonõsuke que irá com os seus discípulos resolver a situação, pedindo para ele evitar a fuga de Satochi. Sem que nenhum deles perceba, o próprio Daxam notou que sua prisão estava diferente. Agora, dependia unicamente do gerador reserva para fornecer a eletricidade necessária para o torturar. Infortunadamente, ainda estava em sua capacidade máxima. Ou não. Usando todos a energia que ainda tinha guardada, todo o seu fôlego, ele gera uma corrente elétrica de grande voltagem sobre seu corpo que corre pelas suas correntes e paredes até o gerador. Era doloroso, só que estava dando certo. Poucos segundos são necessários para o gerador explodir, gerando um buraco em uma das paredes. As correntes, aquecidas, estavam mais frágeis e usando da força ele escapa de seu cativeiro. Uma vez no chão, Satochi decide respirar ofegante e cansado. Não muito depois, podia escutar a voz dura de Ryonõsuke o ameaçando.
Indo até o depósito do armazém, no breu do escuro, Daxam estava de frente ao senhor do dojo das redondezas do monte Tsurugi, Tokushima. Um homem já idoso, na faixa dos 70 anos, de cabelos grisalhos espetados, um semblante fechado e um físico magro. Armado com uma katana, ele se mostra admirado com o feito tão célere quanto esperto. Agradecendo-lhe por o dar uma justificativa para o matar. Ryonõsuke pergunta como ele esperava ganhar esse duelo, estando fraco e machucado. Satochi o responde revelando que aguardava anos por esse momento. “Quem diria que guardava privilégios dentre aqueles que o grande Daxam pretendia assassinar”, é o que o NIKEI lhe diz ao ouvir isso. Referenciando até ao como o rapaz era visto como uma lenda entre os seus. Satochi pergunta se ele se lembra quem ele era, mas não. Apenas sabia que ele “era alguém que sempre pedia para ser morto”
Um raio irrompe das mãos de Satochi, mas é desviado por Ryonõsuke que, usando de sua velocidade aumentada, segue com um leve rastro vermelho – a cor do seu quimono – até seu inimigo, tentando lhe fatiar com sua espada. Ele consegue se proteger, se esquivando, e retorna mais raios que também conseguem ser evitados. Quando finalmente a katana atinge Daxam, ele a segura com as mãos criando uma corrente elétrica que eletrocuta o ancião, fazendo-o se jogar para trás. Um embate físico se inicia, com ambos sendo muito habilidosos nas artes marciais. Até que Ryonõsuke consegue dar um golpe em seu adversário, o fazendo cair. Ele diz que sempre professa aos seus alunos de que o ódio é um sentimento destrutivo, avassalador, que pode ser dominado e usado como uma arma. Exigiria, contudo, um autocontrole que não vê ali com o jovem. Frase que faz seus olhos brilharem neon novamente. Satochi diz que ele não deveria fazer isso, porque já o ensinou sobre como odiar tão bem que ele mesmo poderia ser um mestre. Ryonõsuke, então, estranha saber que ele já foi um dos seus alunos. Mas, não. Ele estava se referindo ao massacre de Awa, em setembro de 2009, orquestrado por ele e do qual Daxam foi o único sobrevivente.
Finalmente entendendo, o NIKEI para a fim de processar a novidade. “Então fui eu o responsável por esse problema?” ele exclama. Logo depois, admite não ter arrependimentos, pensava que seus aprendizes não haviam deixado ninguém vivo quando retornaram ao dojo após o incêndio, e que via agora como uma obrigação o matar para “fazer como deveria ter sido”. A fúria toma conta das emoções de Satochi e, como reação, seus olhos brilham em muito maior intensidade. Assim que Ryonõsuke se aproxima, um enorme trovão podia ser ouvido e, em consequência, um grande raio o atinge no peito o matando na hora. Antes de ser atingido, percebendo o que aconteceria, ele sorri e diz ao inimigo: “de todo o meio, eu venci. Pois meu estrago em sua vida lhe durará até a morte”. Por irônico que pareça, esse golpe lhe atingiu mais que a rajada elétrica. O fazendo permanecer em silêncio em luto pelo o que aconteceu.
Enquanto isso acontecia, no pátio do lado de fora, Ryu e pelo menos quinze dos seus discípulos abriam o portão e caminhavam para confrontar Rodney e Karslie. O mestre chegava imponente com as mãos detrás das costas, surpreso por não estar diante de um esquadrão das Forças de Autodefesa do Japão. Ele os questiona sobre sua visita, com Karslie lhe exigindo saber se Satochi estava sendo mantido ali. Ryu reflete que os dois eram estrangeiros em terras japonesas e que não tinham interesses reais ali. “Por que vocês se importam?”, coloca ele. Imota, com uma voz sóbria e firme, diz que reconhece que a atividade dos NIKEI no Japão estava apenas trazendo morte e caos para todos e era uma atitude humanitária intervir. Ryu, porém, discordava, já que em sua visão o seu clã traria uma ordem que o país nunca conseguiu desfrutar. Ele dá a oportunidade para os dois irem embora, que é negada. Com isso, ele ordena que seus alunos os atacassem.
Nitidamente minoria, Rodney se esforçava para afastar ao máximo seus agressores de perto de Karslie, que usava seus punhos de pedra para os espancar sempre que estavam próximos demais. Não por acaso, a atenção deles estava todas sobre o enorme monstro cinzento, similar a um peixe anfíbio, que era resistente o suficiente para não ser perfurado a suas lâminas, também rápido o bastante para se defender de seus ataques. Ryu, distante, apenas dava conselhos aos seus de como deveriam se portar naquela luta e os observava de longe, atento. Isa estava escondida detrás de várias caixas de madeira assistindo a luta, mas analisando com sensores de calor o interior do armazém, onde percebe que Satochi estava sim ali, naquele momento ainda duelando com Ryonõsuke. De repente, algo a pega de surpresa: dois dos guerreiros do NIKEI a encontram e, sem hesitar, avançam sobre ela com suas katanas. Ela consegue se segurar só primeiro, mas não do segundo, que consegue a atingir em seu collant verde lima, na cintura.
Pegando sua pistola de plasma, ela consegue atingir um deles no peito que, se contorcendo, cai inconsciente. O outro salta de uma forma incrível, numa posição pronto para lhe decapitar. Sua má sorte foi que ela ativou seu escudo de energia, remanescente de sua armadura, segurando sua katana nele até que ela o acertasse com um tiro de plasma o derrotando. Caído, ela examina o seu corpo e nota que ele usava um comunicador que em tese deveria ser compartilhado com todos os outros. Uma ideia bate em sua cabeça. Ela chama Karslie através do seu, percebendo que ele nitidamente está com dificuldade em lidar com os NIKEI, e lhe instrui sobre os passos de seu plano mirabolante. Pegando o comunicador do inimigo com as mãos e usando seus poderes ela cria uma frequência sonora tão alta que atordoa todos os seus adversários. Nessa oportunidade, Karslie usa seus poderes para os envolver em um invólucro de rocha, os prendendo. Eles não precisavam ganhar, só encontrar Satochi. Nesse momento, o trovão da morte de Ryonõsuke é ouvido.
Ryu, mais forte, prometia se soltar de sua prisão de pedra para vingar a derrota dos seus aprendizes e os enfrentar. Estes, aliás, até tentavam também se soltar, mas não conseguiam. Karslie, já exausto pelo confronto, toma um ar enquanto, finalmente, um trovão chama a atenção de todos. O mestre do NIKEI, receptáculo do raio, cai desacordado enquanto alguém caminhava até eles. Finalmente, Daxam se revela usando o chamuscado quimono de seu finado adversário para se cobrir. Seu estado, porém, não era dos melhores. Mesmo assim, ele agradece por eles terem lhe dado a chance de escapar. Vendo que o caminho até lá estava seguro, Isabelle se junta aos outros e cumprimenta Satochi. Quando ela avisa Tsuyoshi que conseguiram resgatá-lo, no entanto, é quando começa a ficar apreensiva. Ninguém responde. Karslie também tenta e é atendido por outro funcionário do governo que os alerta: naquele instante, algo grande estava acontecendo.
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Chiyoda, Nagatachõ. O prédio da Dieta Nacional é, basicamente, um importante centro para a política do Japão sendo um símbolo consagrado da democracia no país, aonde duas classes de políticos se reúnem diariamente para debaterem, em meio às suas diferenças ideológicas, questões pertinentes ao futuro da nação. Uma enorme torre com formato arquitetônico moderno, estilo Art Déco, se fazia majestosa no centro com uma estrutura que se assemelha a uma pirâmide, ficando cada vez mais fina até a ponta onde há um observatório hoje inacessível. Duas adjacências se estendiam pelos lados, “asas”, sendo que a esquerda pertence aos representantes. Políticos eleitos pelo povo, de todas as prefeituras japonesas, para os representarem os seus interesses mais diretamente neste espaço. Já o direito era próprio dos conselheiros, estes que assumiam o cargo a partir das indicação de instâncias superiores. A frente do prédio já esbanja um amplo jardim com muitas árvores verdejantes que, geralmente, favorecem um clima de serenidade para todos os que frequentam ali.
Habitualmente, apenas quem realmente precisa estar no prédio da Dieta tem a autorização necessária da segurança para poder fazer sua presença. Todavia, algo inédito estava acontecendo. Um grupo organizado de pessoas, quase que militarizadas pela postura, usando todos um traje reforçado, quase que uma armadura, na cor preta com um chamativo kanji “yuu” vermelho pintado no peito. Certamente, aquela era uma pequena tropa de membros dos NIKEI que abria caminho entre os numerosos policiais do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio, que defendiam astutamente o seu território. A desproporção era absurda. Haviam mais de centenas de policiais armados com revólveres do mais alto calibre, de bom treinamento atirando contra apenas 35 rebeldes. Em situações normais, seria uma invasão fácil de controlar. Porém, os NIKEI são impiedosos. A velocidade dos seus era surpreendente, ao ponto de sempre desviarem dos disparos recebidos. Sua resistência era impressionante, ao ponto de não se ferirem tão facilmente quando acertados. Infelizmente, sua destreza era mortal. Com todos dizimando os policiais rapidamente com um corte preciso de suas katanas.
Quem os liderava era Hayato Takahashi. Um homem de estatura forte, não muito alto, porém intimidador justamente por sua imprevisibilidade. Demorou pouco para ele, com sua estratégia aplicada a sua tropa, conseguir massacrar toda a força que havia sido montada em frente a entrada para os impedir de acessar o prédio. Para trás, apenas deixam uma grande quantidade de corpos ensanguentados enquanto matam agora os policiais que estão atirando por dentro, algo que apenas faz cair um dos NIKEI em compensação as todas as vidas que ceifaram. Eles estavam entrando não na torre principal, mas não ala destinada aos conselheiros. O motivo era que naquele momento um plenário estava acontecendo, a casa estava lotada. O oficial de polícia Akihiro Matsuda estava entre os conselheiros buscando os tranquilizar, orientando que helicópteros de emergência estavam se aproximando e iriam os resgatar no telhado. Masakazu Sekigucho, um conselheiro de maior proeminência, pontua que não seria o suficiente para todos. Akihiro reconhece, embora seja o que é possível.
Tiros puderam ser ouvidos então até pararem, o pescoço do atirador ser nitidamente cortado e sangue escorrer por debaixo da porta. É assim que Hayato chega ao segundo andar, diante de todos os conselheiros. Mais policiais preparam para atirar neles, mas da janela shurikens os atingem por trás, matando-os. Outra tropa dos NIKEI, esta liderada por Isamu Takahashi, invade aquele enorme salão e exige a atenção do oficial do departamento de polícia. Segundo Isamu, seu pessoal estava pessoalmente vigiando sua equipe que se preparavam para entrar no prédio do lado de fora e, se algo fosse tentado, também não hesitaria em os executar. O guerreiro caminha até um dos funcionários do prédio que filmava a sessão e a transmitia para todo o país, que havia encerrado as filmagens no primeiro sinal de pânico e emergência, e com sua katana exige que ele reiniciei a transmissão. Afinal, tinham um pronunciamento. Temendo por sua vida ele obedece, e neste instante passos bem barulhentos começavam a ser possíveis de serem ouvidos. Alguém estava marchando para lá.
Roubando todos os olhares, entre muitos que estavam anestesiados pelo medo e a confusão do momento, o ilustre líder de todo o clã NIKEI se apresenta: Takeshi Takahashi. Um olhar cerrado, confiante, é exibido nas telas das televisões do Japão todo a partir do canal DietTV, de um homem maduro e sério. Takeshi faz questão de subir até o púlpito e, com o microfone, começa a discursar. Ele se apresenta formalmente como aquele quem desenvolveu toda uma série de ataques coordenados pelo país nós últimos meses, o rosto que não poderiam mais esquecer. Para ele, foi suficientemente “fácil” desarticular e eliminar todos os agentes da segurança nacional porque tudo o quê “aprenderam com o ocidente sobre guerra e conflito” os tornaram “fracos” para qualquer demonstração de força. “Dependentes do subterfúgio das armas de fogo, tão poderosas quanto incapacitantes”. Sua linhagem, na contramão, era de guerreiros obstinados descendentes daqueles que realmente poderiam ter levado o Japão a uma supremacia se não tivessem sido traídos pelos aristocratas.
A missão dos NIKEI, sua missão, era corrigir a história do país dando-lhes as lições necessárias para não se tornarem mais meros “capachos” do estrangeiro. Citando o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki como algo imperdoável e que merecia retaliação, algo que o país conseguiria fazer se não estivesse tão preocupado com o jogo econômico da geopolítica global. Para cumprir seu objetivo, iria tomar o poder daqueles que, segundo ele, estavam “atrasando” aquela nação. O oficial de polícia pergunta o quê ele queria dizer com isso. Num tom sombrio, Takeshi diz que irão matar todos os políticos presentes naquele plenário, que é quando todos os NIKEI levantam suas katanas. Subitamente, Haruka Takahashi, a única filha de Takeshi, surge pela porta. Ainda estava machucada de seu embate recente com Connor, o chefe da agência de segurança mundial Twelve, mas guardava essa informação para si para não parecer frágil. Vendo Haruka, seu pai automaticamente sorri e pergunta a ela se “estava feito”. Suas ordens eram de, não muito distante dali, assassinar o primeiro-ministro Shigeru Ishiba. Uma tensão começa quando ela diz “não”.
Sem acreditar no quê estava escutando, ele pede para que a jovem lhe reporte o quê aconteceu. Haruka admite que Shigeru fugiu de seu escritório não porque ela não conseguiu o alcançar, mas porque ela não quis fazer isso. Takeshi, então, começa a perceber que estava sendo desafiado e questiona a menina por questionar, se divergir, de sua tarefa. É aqui que ela finalmente tem coragem de expressar que não acreditava que aquilo que seu pai desejava fazer era o certo. Em sua visão, Takeshi estava determinado em derrubar o governo japonês para estabelecer o clã como seus governantes, numa perspectiva de que estariam levando o Japão para um “caminho correto“. O problema era que essa nova regência jamais seria reconhecida em contexto internacional, levaria a intervenções que a longo prazo teria o efeito oposto: a perda da soberania japonesa para o estrangeiro. Seu propósito levaria, graças as ações que realizará naquele dia, a ruína do clã. Todos um dia seriam mortos, assim como incontáveis civis e inocentes, que não concordariam com isso. Era previsível, ela não podia adiar mais para revelar que seu objetivo agora era pará-lo.
Sua declaração gera muitos murmúrios entre os seus do clã Takahashi, admirados e perplexos. Takeshi chama a visão se sua filha de “fraquejo”, temor diante da inevitável conquista que terão e a dá uma oportunidade para repensar. Ela estava convicta. Decepcionado, ele afirma que foi avisado muitas vezes sobre a natureza “traiçoeira” de sua filha, preferindo não acreditar até ver ele mesmo seus resultados. “Não vou deixar que você leve isso adiante” Haruka exclama. “Então, você é obrigada a me impedir”, ele retruca. Ambos puxam suas katanas. Sabidamente, Takeshi era habilidoso na arte de manejar duas ao mesmo tempo, o quê poderia servir como uma desvantagem para ela neste duelo. Ambos se referenciam respeitosamente por alguns segundos, enquanto os demais apenas assistiam curiosos sobre o desvencilhar deste enfrentamento. Num instalo, os dois começam a se atacar ferozmente. Com Takeshi proferindo um maior número de golpes com suas espadas, considerando sua velocidade sobre-humana. Os seus olhos brilhavam um negro profundo e intimidador, um sinal de que estava usando os seus novos poderes.
Não importava o como tentava, Haruka conseguia se defender usando sua katana como um escudo mesmo que o pai avançasse sobre ela por todos os lados, deixando apenas um rastro ao redor de onde passava na mesma cor de sua armadura preta. Num momento de descuido, a jovem consegue lhe dar um soco sob o queixo que, graças a sua própria força descomunal, é suficiente para lhe fazer sangrar pelo nariz. É aqui que ele percebe que terá que se esforçar. Novamente avançando, Takeshi força Haruka a destruir várias mesas atrás dela para ganhar espaço. Saltando sobre uma parede feita de uma pedra dura como mármore, ele engana sua filha para usar seus poderes geocinéticos para puxar um bloco dela para sua direção, querendo o derrubar, e depois o impulsionando ainda mais contra ela. Atingida, Haruka deixa cair sua katana e é arremessada para a parede do outro lado, abrindo um buraco com o impacto, e Takeshi surge para tentar a enforcar. Até que um chute se mostre o suficiente para o empurrar.
Haruka agora avança sobre Takeshi com os punhos, o quê se prova ser uma péssima ideia já que ela soca sem querer a parede e isso destrói o teto de vidro acima, fazendo cair estilhaços sobre os presentes. Distraída com o erro, ela é então derrubada, mas consegue afastar novamente o pai com um soco. Sentido com mais um sangramento. Cansado de perder o domínio desta luta, o guerreiro revolucionário decide tentar uma tática nova. Mais uma vez se apoiando na sua velocidade, ele decide guardar suas katanas e a golpear por todos os lados até a desnortear. Enquanto fazia isso, desabafava: “Muito bem, Haruka. Eu sempre sonhei para você algo grande. Sempre sonhei que você seria especial. Para você escolher ser para mim, no final, uma decepção”. É aqui que ele consegue penetrar a armadura da filha com sua katana, chegando a rasgar seu ombro bem sobre sua tatuagem do kanji “yuu”, que sempre a associou ao clã. Sentindo essa dor, ela coloca a mão sobre o corte e alega que não seria mais o quê ele esperava que ela fosse. Logo então, diz que: “ele não estava entendendo o quê ela estava dizendo por estar cego graças aos seus ideais”.
Takeshi se aproxima dela alegando que sabia, desde quando ele era criança, que esse era o “certo”. Haruka responde que o problema era geracional, e que cada antepassado seu foi ensinado a acreditar nisso sem nem saber se era realmente o certo. Em desaprovação, o pai diz que acreditava que os pensamentos de sua filha se corromperam quando ela esteve no ocidente, que sentia muito por isso e que, no fundo, não queria matá-la. Apontando para a câmara, ele afirma que acorda é obrigado a fazer isso para mostrar ao mundo seu compromisso com sua causa, a culpando por a obrigar. Neste momento alguns dos expectadores daquela luta são revelados: Connor, Ado Takashi e Mistério! Haruka diz que ele não era obrigado, só para escutar ele falar que “não queria pensar a respeito”. Takeshi recorre a mesma tática de antes, avançar nela por todos os lados em alta velocidade. Só que, dessa vez, ela desvia e quebra uma das katanas com seu braço. Vendo isso, tomado pela coragem, o NIKEI pega a outra e corre para um ataque decisivo: cortar o pescoço de Haruka.
Sua outra katana se despedaça ao entrar em contato com sua pele dura, não antes de conseguir abrir um corte em sua veia jugular. O reflexo de Haruka, no entanto, foi mais mortífero: ela perfurou o peito de seu pai, mesmo com a armadura, fazendo seu braço chegar ao outro lado. A vencedora estava definida e todos ficaram surpresos. Um arrependimento forte assolou aquela mulher naquele instante, ela não queria matar o seu pai. Takeshi, porém, admite que queria morrer porque não poderia viver com a vergonha de ter falhado. Haruka se desculpa, mas o pai a elogia dizendo que ela lutou bem, demonstrou firmeza de caráter por o desafiar pelo o quê acreditava. Isso o enchia de orgulho, mesmo que não concordasse com ela. Ele deseja a filha sorte em sua vida e, como último desejo, que cuidasse de seu clã como sua verdadeira família. Takeshi morre. Todos os NIKEI, todos os que estavam a vendo, não acreditavam naquilo. Haruka se levanta com a mão no pescoço, pás interromper o fluxo de sangue, e se oficializa a nova líder dos NIKEI.
Sua primeira ordem é que os planos de seu pai sejam desfeitos, que os ataques se cessem. Hayato, indignado, diz que não toleraria que ela simplesmente desmontasse o clã. Isamu, por outro lado, o lembra que agora ela era a chefe deles e sua palavra valia muito. Querendo angariar simpatia entre os seus, ela os lembra do quanto havia até então uma pressão para que conseguissem depor a república no Japão, instaurando sua ditadura. Algo que era prometido como “a solução de tudo”, ignorando as necessidades individuais de cada membro dos NIKEI para consegui-la. Haruka diz que sabe o quê era abdicar dos seus sonhos por uma causa maior que, com o passar do tempo, se descobre ser equivocada. A diferença dela com os demais era que ela esteve fora do núcleo do clã para perceber isso, eles não. Ela não pretendia os abandonar, só não queria que eles vivessem mais a margem da sociedade esperando uma oportunidade de a subjugar. Seu interesse estava em os integrar, os permitir viverem vidas mais plenas, formarem uma família, não só serem “peões em um jogo que nem entendem”.
Haruka, então, pede para que eles se entreguem para possibilitar que ela consiga isso, confiando que ela os dê uma chance para poderem ser livres. Hayato ainda estava irredutível, mas, para sua surpresa a maioria obedece. Antevendo o que estava por acontecer, ele e mais alguns decidem fugir. Com ele jurando vingança a ela em nome de Takeshi. O oficial Akihiro, boquiaberto, permite a entrada de seus homens que até então aguardavam do lado de fora o desenrolar da luta. Ele vai até Haruka e declara que ela, assim como os outros de seu clã, seriam presos pelos atos terroristas. Claro, com medo, já que viu que indiscutivelmente se ela não quiser permitir isso, não conseguirão prendê-los. Mostrando sua mão ensanguentada, ela revela ao policial de que precisava de atendimento médico. Akihiro solicita seu socorro, logo então conduzindo a prisão dos outros.
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Minato, Toranomon. Um dia se passou desde o incidente no prédio da Dieta e, em consequência de sua luta, Haruka precisou passar por um procedimento cirúrgico de emergência para fechar sua veia aberta e realizar a sutura do corte. Uma sequela inevitável era a dificuldade dela movimentar livremente, agora, o pescoço para a esquerda. Ela repousava em um leito de hospital algemada a cabeceira, algo que verdadeiramente não a restringia, já que poderia facilmente quebrar as algemas com sua força. Apenas não fazendo porque queria cooperar com as autoridades para, enfim, “consertar” sua vida. O comandante Tsuyoshi Uerugi, um tanto quanto resignado e relutante, entra em seu quarto desejando falar com ela. Imediatamente intrigado pelo enigmático olhar esverdeado dela, uma mestiça japonesa e inglesa com traços únicos, que passava a impressão de ser tudo... Menos boba.
Haruka lhe saúda e pergunta se ele estava ali, reparando no seu uniforme, para movê-la para um presídio. Ele diz que não, já que ela não recebeu uma alta do médico responsável. Tsuyoshi a comunica que, como a nova líder dos NIKEI, deveria saber que sua iniciativa de impedir seu pai não garantiu que seu clã promovesse um massacre. Muitos simplesmente não ficaram sabendo de suas ordens para que se rendessem, alguns pontos-chave de Tóquio acabaram sendo momentaneamente tomados e, até em decorrência disso, muitos tiveram a oportunidade de escapar. Ou seja, foi uma minoria que a reconheceu como a sucessora de Takeshi. Haruka diz que seu pai sempre forneceu a direção a sua família e, agora que ele se foi e todos se revelaram ao mundo, estão perdidos. O ressentimento é mais pessoal com ela do que pelo Japão, um fardo que ela aceita carregar. Lamentando ter matado o próprio pai. Só então ela percebe um enorme corte no braço do comandante e nota que ele não era muito favorável aos Takahashi.
Tsuyoshi diz que recebeu uma ligação do chefe do Estado-Maior Conjunto, Yoshihide Yoshida, tratando de como o Estado traria com a prisão de Haruka e seus seguidores. Ele havia conversado com “um certo Howard Dutchmann”, especialista na área da segurança, que ele até então desconhecia, e que falou muito bem dela. Eles chegaram a um acordo de comutar sua pena em um serviço compulsivo nas Forças de Autodefesa do Japão. Basicamente, ele queria integrar os NIKEI como um esquadrão secreto que serviria no caso, justamente, de crises como essa. Citando até mesmo a histórica tensão do Japão com a Coreia do Norte como um exemplo de seu uso. O comandante admite que seu clã acabou sendo muito impactante para o povo japonês nós últimos meses e, bem, seriam profundamente úteis para impor medo como aliados. Haruka, perplexa, aceita de prontidão a proposta. Ele então revela que sua primeira missão, contudo, seria encontrar aqueles que se revelaram a sua liderança para os dar uma justiça adequada.
É aqui que ele revela que ela tinha visitas. Karslie, Isabelle e Rodney entram naquele quarto. Claro, criando uma tensão esperada entre eles. Karslie pergunta se Haruka estava bem, algo que ela responde que sim contando detalhes da cirurgia. Só então ele se expressa: “por que você nunca nos contou, me contou, sobre a existência dos NIKEI?”. Haruka, que já tinha tido um passado amoroso com ele, revela que não queria admitir nem para ela mesma suas origens. Revelando que já viveu muito para seus 30 anos, passou por muitos lugares e, em um momento de sua vida, percebeu que nunca teve oportunidades para poder ser uma pessoa melhor. Conhecer os Twelve, conhecê-lo, foi sua primeira oportunidade e não queria perdê-la. Por isso, simplesmente fingiu que tudo isso não existia para poder ter a chance de ser alguém diferente, alguém que tinha mais haver com ela. Karslie diz que sempre foram um time, que ela poderia ter se aberto e, talvez, isso teria feito com que Arthur Luczien não tivesse morrido.
Haruka era incrédula quanto a isso, mas no fundo sempre os quis afastar deste mundo e lidar com seus problemas sozinha. Algo que eles deveriam ter feito, porque correram perigo o tempo todo. Isa afirma que ela os subestimou e que, através disso, aprendeu a reconhecer seu verdadeiro potencial. A moça de etnia parcialmente japonesa insistiu que apenas agiu assim para os proteger. Karslie reconhece as boas intenções da amiga, mas que também ela estava errada e que deveria ter sido mais verdadeira com eles. Haruka concorda, embora se defenda que era assim que ela acostumou viver. Tornando o seu passado um segredo. Só então, eles oferecem suas condolências ao seu pai. Demonstrando que, apesar de tudo, ainda mantinham uma boa amizade. Isabelle pergunta qual seria seu futuro agora, e ela responde que “pagaria pelos pecados de seus antepassados para possibilitar a sua família liberdade”. Mesmo que sob custódia do Estado japonês. Isa comenta, talvez como uma alfinetada, que ela poderia não passar por isso se tivesse confiado neles.
Neste instante, Satochi surge – já em melhores condições – alegando que estava cansado de esperar do lado de fora. Tsuyoshi o apresenta como o Daxam, quem Haruka já havia ouvido falar, e que seria o superior responsável pela supervisão de sua colaboração com o governo japonês na prisão. Eles se cumprimentam, com Satochi reconhecendo que a decisão e a postura que a jovem tomou diante daquela situação com seu pai foi difícil, dura, e admirável. Ainda assim, reconhecia sua dor por ter precisado fazer o quê fez. Haruka agradece, e que será um prazer trabalhar com ele. Isso o faz responder que “há um tempo atrás sentiria repulsa com essa ideia, de trabalhar com os NIKEI, mas algo o inspirava a tentar agir diferente”. Sua atenção se volta, então, ao trio, revelando que eles estavam finalmente indo embora do Japão. Ele os convida a voltarem sempre que quiserem, e que deveriam ser condecorados pela sua ajuda. Isa afirma que preferem a discrição, o anonimato.
Virando seu rosto para o de Karslie, ela pergunta o quê seria agora para eles. Foi uma experiência significativa, não iria passar em branco em suas histórias. O rapaz a lembra sobre como os NIKEI se aprimoraram, um assunto que merecia ser investigado. Haruka nomeia o aprimoramento como através do soro Evergreen, revelando que não sabia quem era o fornecedor. Só era de fora do Japão, provavelmente associado a Aliança. Essa informação chama a atenção deles, com Isa dizendo: “já sabemos por onde começar”.
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Uma sala escura, apenas um computador com uma enorme tela e uma videoconferência com sete pessoas desconhecidas, cuja câmara nem estava habilitada para revelar seus rostos e os nomes eram enigmáticos. Conversando com eles, Mistério. Usando seu icônico traje negro com um capacete espelhado que, ao invés de revelar seu rosto, apenas mostrava o reflexo do que estava vendo. Uma voz ecoa do monitor alegando que a experiência no Japão foi um fracasso com a morte de Takeshi. Mistério, então, revela que o domínio do Japão nunca esteve na agenda da Aliança. Eles queriam vender um produto e conseguiram. Os NIKEI só foram parados porque se renderam, não porque algo mais forte os parou. O soro era um sucesso e atraiu todo um mercado consumidor. Além disso, agora sob a tutela do Estado japonês, Haruka não era mais um obstáculo aos seus negócios.
“Nossa vontade ainda prevalece e, em essência, ainda dominamos o mundo”, outra voz diz. Todos pareciam satisfeitos. Por debaixo do capacete, Mistério sorri.
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