The Island of Bird
31 Epilogo
Notas iniciais
Três meses depois Primavera de 2007....
Com um ar de admiração, ele a encarou em silêncio enquanto Chris falava de forma empolgada. Estava linda com aquele vestido de veraneio e seus cabelos negros presos em uma fita vermelha. Ao contrario dele que estava com a barba por fazer, e seus cabelos estavam uma bagunça, por causa das leves brisas daquela manhã de sábado — cabelos castanhos em um tom mais claro que suas sobrancelhas grossas e escuras -, um brilho divertido pairava em seu olhar.
Mantendo o contato visual, enquanto ela terminava de ajeitar-se sobre a toalha que forrava o chão — não era bem um pinique -, pois em pleno seculo vinte e um quase ninguém fazia aquelas coisas. Christie se virou na direção dele e o encarou.
– Por que está me olhando dessa forma? — quis saber. Ron soltou um longo suspiro e envolveu os delicados ombros de Chris, fazendo com que a jovem se aconchegasse em seu peito. Aquela visão do mar era magnifica. Tudo era incrível na Ilha dos Pássaros, era como um oásis perdido em plena Grand Island, apenas os moradores locais sabiam da existência daquele lugar aos pés do solitário farol do estado de Michigan. Em meados do verão e da primavera o local ficava repleto de crianças que corriam de um lado para o outro nas praias de areias branca.
– Sabe, há exatos vinte anos, fugi para esse lugar tentando me esconder da realidade. — disse Ron fitando o oceano de forma perdida — Tudo parecia tão distante, mais quando chegava nesse lugar era como se tivesse outra vida, uma felicidade ímpar. — Chris se afastou e encarou o enquanto falava de forma nostálgica. — Ainda me lembro dos verões quando eu e Garret fugíamos para cá e passávamos o dia todo em nosso próprio mundo. Eram dias felizes que nunca deveriam acabar. – Ao concluir se virou na direção de Chris que o observava em contemplação, afagou-lhe a face.
– Meu pai nunca me deixou ir para esse lado da ilha, sempre me dizia que era assombrado pelos espíritos do piratas. — sorriu. — Quando era criança sempre desejei ver um pirata. Sabe aqueles das histórias infantis? Com pernas de pau e tapa olho, assim... — interrompeu Ron colocando a mão sobre o olho direito. Chris caiu na risada e deu um leve tapa no braço dele, em um impulso ele se levantou e estendeu a mão para ela, mesmo confusa a aceitou.
– Quero que veja um lugar que poucos tem o privilégio. Quem sabe não possa ver um fantasma de um velho lobo do mar? — brincou.
– Eu falei que queria ver um pirata e não um fantasma, está ficando maluco? — respondeu Chris. Roman caiu na gargalhada da expressão dela e pegou sua mão a fezendo segui-lo. A grama estava verde e colorida pelas pequenas florzinhas da primavera — pequenas estrelas de várias cores — assim que chegaram na linha onde terminava o gramado.
Chris quase afundou o pé na quente areia, mas se sentia segura ao lado dele. Caminharam pela faixa de areia em direção ao velho farol do século XIX, as leves brisas trazidas pelo mar pareciam salpicar em seu rosto. Gaivotas pousavam na terra próximas do farol. A pequena escada de acesso ao lugar era estreia e antiga, subiram por ela e lá estava o caminho das pedras a sua frente dando acesso a entrada do lugar. Subiram outra escada e lá estavam eles na porta do Farol, era um lugar antigo — cheio de madeiras soltas — as paredes brancas estavam descascando devido a ação do tempo.
Chris ergueu a cabeça para cima e pode ver a escada em caracol que dava acesso a sala onde ficava o imenso farol que toda noite iluminava as águas revoltas do oceano, trazendo muitos marujos para o porto seguro.
Ele lhe ofereceu a mão, para que a ajudasse a subir os íngremes degraus da escada, sem pestanejar ela aceitou e ambos subiram, os tacos soltos rangiam, Chris apertava a mão de Ron com receio de cair. Ela sentiu um grade alivio ao pisar no ultimo degrau, seus olhos se encheram de curiosidade ao ver o belo farol. De um lado vermelho e de outro branco, sentiu-se como uma criança frente aos portões da Disney.
– Vem. — pediu Ron enquanto se aproximava das pequenas janelas, sem demora ela se aproximou.
– Este lugar é um paraíso. — Chris observou as águas revoltas do mar ao longe sobre um céu azul turquesa sem muitas nuvens, ficou maravilhada com aquela visão.
– Incrível. — sussurrou encantada. Ron sorriu e segurou de leve os ombros dela. Permaneceram no mesmo lugar por alguns minutos e logo voltaram para a terra firme perto das pequenas estrelinhas que crescia entre os gramados.
Chris continuava a falar sobre suas histórias quando criança, enquanto Roman a observava admirado, aquela era a mulher de sua vida e de hipótese alguma poderia perdê-la. Antes que ela pudesse terminar de falar, os lábios de Ron a calaram, se uniram em um beijo suave, e depois ela murmurou com voz embargada:
– Preciso te mostrar algo. — mantinha os olhos ainda fechados, rapidamente se virou e retirou algo da bolsa — Aqui está. — disse entregando o manuscrito para ele — Tomei a decisão de terminá-lo e o encaminhei para a editora do Sr. Gordon, precisava muito dar um fim para ambos.
Ron encarou o manuscrito que segurava entre as mãos e notou o título "A Ilha dos Pássaros" um sorriso curvou lhe os lábios e encarou-a.
– Creio que esse personagem tem muitas coisas em comum com você. — apontou — Quando o li notei que Garret estava se espelhando em seu herói de personalidade rude e orgulhosa, mais que continha um coração tão mole como uma gelatina. — disse encarando-o — Pois dentro de cada homem que expressão sombria e distante existe um gentleman esperando para ser liberto.
– Esperando que a mulher certa apareça. — concluiu Ron tocando de leve o rosto de Chris — Acho que achei a minha. Mas espera... os papeis estão invertidos, não deveria ser o mocinho que a resgata das garras do mau? — questionou com um tom brincalhão na voz. Chris fez uma careta.
– E não posso ser o mocinho? Afinal, estamos em pleno seculo XXI e creio que não exista mais príncipes em cavalos brancos por aí, então deve me agradecer por essa difícil missão. — respondeu enquanto cruzava os braços. Roman sorriu e assentiu.
– Tudo bem, irei me conformar que a senhorita tenha me resgatado sem um cavalo ou uma espada, mais tenho algo pra te dar. — disse enquanto gesticulava para que ela esperasse, mas virou-se novamente e a encarou por alguns minutos, estava radiante — Tem que fechar os olhos e se levantar. — disse, sem delongas Chris obedeceu. — Pode abrir.
Ao abrir se surpreendeu ao vê-lo ajoelhado segurando uma pequena caixinha azul escura.
– Chris quer ser minha heroína todos os dias até ficarmos velhinhos sentados naquelas cadeiras de balanço? Espera... — interveio antes que ela falasse — Quer casar comigo?
Chris não conseguiu conter as lágrimas de alegria, uma pequena plateia se formava próximo deles, mulheres, crianças e idosos. Ela respirou fundo e encarou dentro dos olhos.
– É tudo que desejei desde quando o beijei pela primeira vez. — respondeu — Eu aceito.
Roman se ergueu e a abraçou levantando-a do chão enquanto a beijava de forma ardente, a pequena plateia explodiu em aplausos.
–Agradeço por ter me abrigado em sua casa e em seu coração. — murmurou em seu ouvido — Eu te amo.
–Também te amo, e temi perdê-lo. — respondeu Chris encarando-o com lágrimas nos olhos.
Roman a rodopiou arrancando pequenas risadas dela.
Enfim encontrara o caminho para a casa e só então poderá ser feliz, os dias, semanas e horas passam de forma tão apressada que nos impede de desfrutar dos pequenos e simples momentos. Ser feliz é amar e ser amado, encontrar a luz no final do túnel e poder sorrir sem ter um motivo.
[...]
Semanas depois os noticiários anunciavam sobre a prisão declarada de James Norton, pegara sete anos — curta, mas talvez aprendesse algo. Enquanto a velha Charlie Morgan encontrou um bom homem do estado da Califórnia que era voluntário nas obras da igreja, se mudara para a cidade quente de Should no sul do estado. Christie e Roman decidiram adotar uma criança pequena e mudaram-se para a cidade de Greenville no estado de Montana, mas todos os verões visitam a velha Morgan no ensolarado estado da Califórnia. A vida tem um estranho modo de nos ensinar como devemos seguir, lembre-se: "cair sete e levantar oito".
"Posso sentir seu coração batendo"
....The End

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