The Island of Bird
20 Capitulo - A step beyond my Views
Notas iniciais
Christie permaneceu debruçada sobre o balcão da cozinha olhando para Charlie, percebeu que tinha um olhar distante enquanto terminava de cortar os legumes. Sentiu seu coração ficar apertado, precisava finalizar as contas do mês.
– Charlie por que tem tanto rancor do Roman? — perguntou.
Não houve uma resposta rápida, parou de cortar os legumes e depositou a faca sobre o mármore frio da pia e virouse para encará-la com uma leve expressão de: "Como ousa?". Cruzando os braços, ela deliberadamente, não estava afim de tocar naquele assunto. Chris pensou por um instante que tinha sido um erro perguntar.
– Tem perguntas que nunca conseguirá uma resposta. — respondeu áspera, virou-se novamente para terminar de cortar os legumes. — E essa será uma delas.
Chris bufou enquanto se endireitava sobre o banquinho.
– Talvez por que ele se parecia muito com o velho Stuart Brookstein, era o que o Garret me disse uma vez. — deixou escapar.
Os olhos castanhos dela se arregalaram quando Charlie a encarou. Sentiu o estômago se revirar, sabia que tinha feito merda ao deixar aquelas palavras escaparem. Chris tapou a boca e desviou os olhos para um canto. A afirmação foi tão descarada que Charlie ficou muda por um instante. Rapidamente colocou as mãos trêmulas dentro do bolso do avental.
– Não sei do que está falando. E Garret nunca diria essa bobagem, isso é tudo culpa daquele marginal do Roman.
Christie se remexeu sobre o banco. Se realmente fosse mentira, a reação dela teria sido completamente diferente. De uma coisa ela tinha razão: Garret nunca teria suspeitado. E a culpa estava estampada no rosto dela. Chris se perguntou se os sentimentos dela eram sempre tão transparentes.
– Ele não tem nada haver com nossa conversa. — respondeu referindo-se a Roman. Encarou-a nos olhos, a deixando desconsertada — É que encontrei uma carta romântica endereçada a ele em uma das caixas que estavam na garagem e pude notar as iniciais de seus nomes nela.
Charlie suspirou.
– Pelo amor de Deus! Não plante chifre em cabeça de cavalo. Stuart era o marido de minha irmã e jamais teria sentido algo por ele. Apenas não gosto de Roman por ser um marginal que sempre esteve presente em nossas vidas. — grunhiu.
Vários pensamentos invadiram de uma só vez a mente de Chris, mas um se sobressaiu: A tão certinha Charlie Morgan estava escondendo algo... Sua expressão ficou sombria e sabia que ela era inflexível e não iria entregar o jogo.
– Não é errado amar alguém. Já parou para pensar nisso? Então me diga, o que o Roman lhe fez de tão ruim para odiá-lo?. — quis saber.
– Aonde quer chegar com essas pergunta? — rebateu.
A velha Morgan parecia tão nervosa que ao se virar de volta para pia acabou batendo o braço sobre o copo, ouviu o barulho do vidro se partindo em mil pedaços enquanto se chocava contra o chão. Rapidamente ela se abaixou para limpar os cacos, com os olhos rasos de lágrimas, porém as disfarçou.
Chris balançou a cabeça, ela tinha razão, não tinha motivos para aquela conversa. Rapidamente abaixou-se para ajudá-la.
– Não é da minha conta de quem a senhora gosta ou gostou. — disse Chris erguendo-se para ir pegar uma vassoura.
Rangendo os dentes, Morgan esplodiu:
– Não sabe o quando amei aquele desgraçado! — respondeu Charlie ainda encurvada, pegando Chris de surpresa — Desde o primeiro dia que o conheci, era tão adorável e prestativo, trabalhávamos juntos em uma livraria. — pausou enquanto se sentava, mas logo prosseguiu — Ele sempre me trazia flores, mais depois de tanto tempo ele me disse que sua doce Clarisse estava grávida. Não sabe o quanto meu mundo desabou. Nunca tive coragem de dizer a ele o que sentia, continuamos sendo bons amigos. — pausou como se estivesse procurando as palavras certas — Depois da morte dela no parto ele ficou diferente, eu estava compromissada e apresentei-o à minha irmã, meu pior erro.
Chris permaneceu calada escutando-a. A velha fungou enquanto passava a mão pelos cabelos, a jovem aproximou-se dela e estendeu a mão em sua direção, porém Charlie recusou e se levantou sozinha, sem dizer nem uma palavra a mais afastou-se em direção do corretor.
O barulho da porta se abrindo a pegara de surpresa, o rosto empalidecido de Chris ficou muito mais branco ao ver Roman parado na porta com uma expressão fechada. Piscou se recuperando do susto, ele não disse nada.
Ela teve vontade de abraçá-lo e enchê-lo de beijos, mas se conteve. Chris pegou seu casaco e terminou de beber seu chá gelado, houve um instante de tensão, ela preferiu desviar seus olhos para o canto. Roman lançou-lhe um de seus olhares implacáveis e, surpreendentemente, ela virou-se e caminhou em direção da porta dos fundos.
Sentindo-se como um balão murcho, ela quase desmontou ao ver que ele não a impedira de sair ou a questionou onde iria. Depois daquela conversa com Charlie não estava se sentindo bem para ir jantar com James. Soltou um longo suspiro e sentou-se no velho banco de madeira que ficava na varanda.
Encostou a cabeça contra a parede fria e fechou os olhos por um instante enquanto lembranças a invadiram.
Ele soltou um longo suspiro, Chris ajeitou-se sobre o abdômen dele estava praticamente anestesiada pelo prazer. Roman depositou um beijo sobre o topo da cabeça dela, enquanto afagava-lhe os cabelos ainda molhados devido a chuva.
– Não sabe o quando desejei esse momento. — sussurrou Roman ainda ofegante. Chris se apoiou sobre seu abdômen e o encarou — Deus! Se isso for errado, quero repetir muitas vezes.
Chris mostrou lhe um largo sorriso, esticou-se e beijou de leve os lábios dele.
O som de uma buzina a fez voltar à realidade, Christie suspirou. Se ao menos ele tivesse coragem de agarrar seus braços e forçá-la olhar dentro de seus olhos e dizer o quanto a desejava. Relutante ela se levantou e caminhou na direção do carro de James. Sentia muito cansada de todos esses joguinhos do amor.

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