The Invasive.
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Melanie narrando.
A situação não poderia ter piorado, se só com a presença de Almas as pessoas ficavam de cara feia, imagine agora que foi aberta o massacre contra as mesmas. Mesmo com Peregrina provando que Almas podem ficar do nosso lado, os humanos teimosos como minha tia e minha prima não se conformam... Aposto que foi ideia delas a "fuga" de Canção da Noite. De qualquer forma, precisava parar aquela situação.
Peregrina depois de descobrir sobre sua colega de planeta, resolveu ir a sala do Doc, visitar a pequena Hanna que em minha opinião, estava tentando se matar por causa da perda. É um pensamento pesado contudo, não se dá para acreditar que uma garota de 12 anos faça um corte desses de maneira não proposital. Enquanto uma ia ajudar um lado a outra precisava controlar o outro. Caminhava apressada pelos túneis escuros, levantando a poeira por onde passava mas sem deixar um som grave, eram tão baixo que pareciam raspões, era o lado bom de ser leve e rápida. O quarto de tio Jeb servia como sala de reuniões, o que eu não entendia já que os quartos eram pequenos demais e toda aquela gente não ia caber no espaço, a não ser que se espremessem. Ou que nem todos estejam presentes. Ignoro o pensamento e chegando ao corredor de quartos, escuto os murmuros de todos os cantos, tendo destaque o quarto em que Ian estava praticamente do lado de fora, esticando o pescoço para poder enxergar o que se passava ali dentro. Pela sua expressão, algo não tão bom. Aproximo do mesmo, ficando ao seu lado e erguendo nos calcanhares para enxergar por cima de tantas cabeças e tão próximas. — Oi pra você também, Melanie. — Murmurou Ian de maneira calma, como sempre. — Oi Ian... O que estão falando? — Dou de ombros, lançando uma pergunta que tinha certeza que iria responder. Ele hesitou antes de responder, o que não me agradou. — Estão querendo separar um grupo para sair da caverna... Ajudar nas "Tropas Humanas" para a Missão de resgatar o planeta novamente. Viro o rosto, deixando meus pés sobre o solo. Sinto uma confusão se formar em minha cabeça e não preciso perguntar, ele responde exatamente o que eu queria. — Está sendo liderada por Jared. Não precisei pedir licença ou dizer uma única palavra, o sangue subia em minhas veias fervendo de raiva, usava os braços para afastar as pessoas de meu caminho, tendo facilidade para isto graças ao discurso que meu namorado estava fazendo, todos estavam tão concentrados que nem ligaram para os meus empurrões. — ...E vamos acabar com eles. Quem está comigo?! — A voz dele ergueu assim como o seu peitoral se encheu de ar. Todos urraram, erguendo seus braços com punho. Pareciam até terem se esquecido que tínhamos hospedes não-humanos. Não pude deixar de notar como Jared estava com os olhos brilhantes ao soltar seu ar devagar, deixando um sorriso vitorioso no rosto. Ele será um lider nato. — Acabar com quem, querido? -Proferi em som alto para que todos pudessem ouvir, inclusive a quem eu estava me referindo a pergunta, com os braços cruzados e um sorriso falso no rosto. O rosto dele virou pedra, perdendo sua cor e toda sua liderança, como se eu sulgasse aquilo. Como se estivesse sido pego fazendo algo errado. — Mel... Eu posso explicar... — Explicar? Já não está obvio demais?! — Deixei a raiva dominar minha voz, erguendo-a e fazendo todos se calarem. Aproximei do mesmo com passos longos, deixando meus olhos fixos nos dele. — Até parece que esqueceu né? Da Peregrina! Nossa amiga! Ele fica parado, fechando a cara em uma carranca. — Você não entende... — Você esqueceu? Acha que me recuperou e pode agora matar todas as Almas do mundo? — Nesse instante meus braços já tinham se descruzados e estavam sendo segurados por Jared, que os abaixava. — Melanie, fique calma... — Sua voz estava cautelosa assim como seus olhos, provavelmente preocupado com a imagem que estava transpondo, um homem subordinado a mulher. — Ficar calma? Como vou ficar calma se minha melhor amiga esta correndo perigo por causa do idiota do meu namorado? — O sentimento de raiva chegou no seu limite e as lágrimas começaram a se formar. Tive de me concentrar para não chorar. Infelizmente, ele consegue notar a transformação dos sentimentos, a mudança de raiva para mágoa. Suas sobrancelhas se curvaram para baixo e sua boca caiu de leve, ficando totalmente desajeitado com aquela cena. — Melanie... — Ele pigarreou, sacundido sua cabeça de leve e voltando a sua expressão séria. — Depois conversamos sobre isso. Limpo a garganta com o objetivo de engolir o choro e poder encarar diretamente em seus olhos, soltando meus pulsos de suas mãos quentes. — Se mais alguma alma "fugir", considere-se um homem livre. E com essas palavras eu sai, dessa vez não tendo que empurrar ninguém ou coisa do gênero, todos me deram espaço para passar e todos tendo expressões diferentes. Segure o choro, mostre ser forte. Antes que eu me afastasse do quarto, Ian segurou meu braço. — Você está bem? — Sussurrou a pergunta. — O que você acha?! — Retruquei de maneira nervosa, não conseguindo controlar a voz falhada. — Eu só queria agradecer por defender a Peregrina... Só você para fazer esse cabeça dura ouvir alguma coisa. — Ele suspirou, soltando meu braço. — Depois eu conto o que aconteceu em seguida. Terminada a frase, o irmão O'Shea mais novo adentrou mais na sala para escutar a conversa baixa que se começava. Não pensei muito no que fazer, apenas sai correndo do lugar e procurei o lugar mais escuro da caverna onde não me achariam chorando e eu poderia aliviar toda a minha mágoa. Meu Jared virando um dos humanos que eu tanto critico. Passo as mãos de maneira desajeitada pelos olhos, enxugando os pontos mais molhados do rosto para caso alguém me encontrasse no meio do caminho. Não demorou muito para eu parar de prestar atenção no que se passava ao meu redor e só correr, perdida em tantos pensamentos que eu tinha, o pessimísmo tomando conta de mim. E se ele ficasse quisesse ser um homem livre? Poderia me trocar por outras garotas de outras colônias. Que ridículo, ele me ama! Por que me largaria agora? Depois de todo aquele sofrimento? Tudo o que se passava na minha cabeça é cortado quando trombo meu rosto em um peitoral forte e largo. Eu quis me afastar de quem quer que fosse, mas os braços me envolveram de maneira protetora, com um abraço carinhoso. Eu estava ansiando por um apoio e depois de minutos me rendi ao abraço, retribuindo ao mesmo, soluçava baixo por conta do choro.
— Achei que fosse mais forte, Stryder. — Murmurou o homem. Respiro fundo, ignorando a voz que falava comigo. — Mas esse pode ser nosso segundo segredinho. Segundo segredinho? Meus olhos se arregalam e encaram a blusa preta e devagar ergo meu rosto, reconhecendo o homem que tinha me acolhido. Como eu pude ser tão burra em me render a alguém sabendo que poderia ser ele? Encarei os olhos de Tom, sentindo a ardência neles. — Pode contar, vai ser melhor se o Jared saber... — Solto meus braços de seu corpo, retirando seus braços de mim sem nenhuma delicadeza. — Saber que você me agarrou no corredor? Eu realmente vou adorar contar isso, ainda mais depois da sua cena. — Esboçou um sorriso malicioso, levando sua mão ao meu cabelo, exatamente nos fios que insistiam em tapar minha visão. — Eu adoro seu cabelo comprido, te deixa tão jovem... — Então se eu parecesse mais velha, não seria tão atraente... Certo? — Dou um passo para trás, observando-o com a pouca luz do local. Tom concordou com a cabeça, aproximando suas mãos novamente de mim, mas me esquivo antes disso. — Ainda sou do Jared, independente se ele me quiser ainda ou não. — Disse de maneira firme virando para o lado oposto e voltando a andar, noto que meus pés estão ficando cansados. — Ainda... Por mais irritante e asqueroso aquela homem fosse, sua palavra insignificante ficou em minha mente martelando como se fosse possível alguém mexer comigo. Esse ainda seria para Jared? Porque eu nunca deixaria de amá-lo.
Notas finais
O que estão achando? Meio dramático ein ? hahaha. Comentem o que estão achando e como sempre, muito obrigada você que ainda está lendo! s2
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