Notas iniciais
Melanie Stryder. Qualquer erro desculpem mesmo! Eu estava ansiosa com esse capítulo... Boa leitura!
Tive de acordar mais cedo esta manhã para me desprender dos braços de Jared que dormia em um sono profundo, tentou me fazer mudar de ideia a noite passada e se não fosse pela raiva que estava de Tom, eu teria cedido. Jamie também dormia e graças ao sono pesado dos dois homens de minha vida, não foi difícil improvisar com uma bolsa achada, uma blusa de gola alta achada em algum canto e outras roupas limpas que eu nunca tive oportunidade de usar aqui dentro, era muito quente. A princípio, achei que ia sozinha com Tristan, o que poderia ser mais arriscado do que qualquer coisa, mas ao chegar na sala da cozinha, ele estava acompanhado por Nina e Thomas, todos conversando em sussurros. O que aquele idiota estava fazendo ali ? Revirei os olhos e segui em direção do pequeno grupo que eu esperava não ir comigo.
— Bom dia, Melanie! — Cumprimentou Tristan com um sorriso alegre e um aceno breve.
Nina e Tom se viraram para me olhar, ambos sorriram como se dissessem o mesmo que Tristan... Tirando Tom. Ele tinha um sorriso malicioso no rosto e os olhos abaixavam devagar, me analisando. Bufei e me aproximei do grupo, jogando a alça da bolsa no ombro e cruzando os braços para certas pessoas pararem de olhar o decote de minha blusa que nem era lá muito cavado.
— Oi. — Respondi por fim, de mau humor.
— Ham... — Tristan pigarreou. — Estávamos combinando uma estratégia caso um de nós seja descoberto...
— E qual é ? — Interrompo, mas ele não pareceu ligar.
— Como faz parte de seu... Ah... — Ele teve dificuldade em achar a palavra certa, franzindo a testa de maneira pensativa.
— Castigo? — Sugeriu Nina.
— Não... Ah! Sua penalidade. — Ele pareceu alegre em lembrar, mas seu rosto se tornou sombrio novamente. Pigarreou. — Como você que vai descer do carro e Tom insistiu de nos acompanhar, vou descer com você e os dois vão ficar no carro, de olho para caso nós formos descobertos... — Nas suas mãos haviam dois revolvers. — Eles atiram nas Almas e nós conseguimos fugir... Pegamos o que pudermos.
Assenti com a cabeça, mesmo não confiando muito em uma arma nas mãos de Tom. Ele podia usar isso para diminuir a frescura no seu ra...
— Nós vamos ter armas também, caso não conseguirmos fugir... — Levou a arma na têmpora e fez um estalo com a boca, imitando o som da arma. — Não queremos por em risco ninguém.
— Certo. — Engoli em seco.
Novamente estava naquela situação de ou consigo ou me suicido. E novamente, eu não me sinto mal por isso... Tenho mais medo de ver Jared, Peg, Jamie e Ian sofrendo do que da bala perfurando meu crânio.
— Alguma pergunta? — Tristan dirige seus olhos azuis para mim. Noto que eles são levemente verdes... O que me deixa confusa.
— Ah, não poderíamos chamar o Kyle ao invés dele? — Aponto para Tom sem encará-lo, com uma careta no rosto.
Ele grunhiu em resposta.
— Kyle está cuidado da Sunny, acabei de chamar ele... — Suspirou a garota loira, desapontada. Parecia tão aborrecida quanto eu em ter Tom no mesmo carro.
Jared iria me matar se soubesse disso, ou melhor, mataria o Tom. O que não seria uma má ideia... Balanço a cabeça de leve pros lados, jogando o pensamento para fora da cabeça. Era necessário ir, com ou sem o Tom para me encher.
— Vamos nessa, então.
[...]
Não tivemos problemas para sair da caverna, muito menos pessoas contra a nossa ida. A maioria tinha medo de acompanhar ou opinar contra então, deixem os jovens idiotas se matarem enquanto vivemos de pão e sopa de cebola. Chegar aos carros grandes tão semelhantes com os caminhões também não foi problema, exceto na hora de trocar de roupa, pude sentir os olhos de Tom, ansiava para que meu top não estivesse cobrindo meus seios, o que me deu motivos para sorrir, ou ao menos esconder um sorriso.
Apenas um carro lotado com bolsas, quatro revolvers e quatro pessoas. Duas se odiavam. O que poderia dar errado? As armas ficaram com Tristan, só por precausão já que quem se sentou no banco de passageiro ao lado do motorista Thomas, fui eu. Nina se recusou a ficar perto dele, disse que precisava listar os presentes de casamento e as coisas que pediram. Acho que foi a desculpa mais inteligente do mundo e ao mesmo tempo a mais óbvia.
— Vamos parar em que lugar? — Perguntou o homem que usava óculos escuros por conta do Sol nascendo, assim como eu.
— Vamos para um supermercado no final da próxima cidade...
— E por que não o dessa? — Fiz uma careta, virando-me para olhar Tristan.
— Foi saqueado pelos humanos... — Ele murmurou empolgado e não pude evitar de sorrir para ele.
— Esse é um bom motivo. — Comentei baixo, virando-me para frente e encarando o lado de fora que não via a tanto tempo.
Demorou mais ou menos uma hora para avistarmos indícios de que ainda havia civilização naquela área: sem placas destruídas ou pichadas e haviam carros mais a frente. Tom dirigia de maneira segura e seguindo as regras de trânsito, não querendo nos expor aos radares escondidos ou imaginários. Pouco importava, não íamos arriscar.
— Você vai querer um vestido, Mel? — Nina parecia realmente empolgada com aquilo, me dirigindo um olhar amigável.
A mão de Tom apoiou-se em minha perna, acariciando de leve e indo em direção a pequena faixa que dividia minhas pernas.
— Claro, o que seria uma noiva sem vestidos... Poderia ser curto já que é calor. — Comentou ele enquanto sua mão deslisava.
Dei um tapa na mesma antes que conseguisse o percurso inteiro, empurrando seu braço para perto de seu corpo.
— ESTÁ MALUCO?!
Tristan e Nina inclinaram-se entre nossos acentos, encarando a cena sem entender.
— Você é que está maluca! — Retrucou Nina, pasma. — Não pode bater no motorista, quer nossa morte?
Por um momento parei para pensar e então notei que era uma pergunta retórica. Cruzei os braços e as pernas, virando-me como podia para o lado da janela, onde não havia riscos de um idiota fazer qualquer coisa comigo. Só por precausão coloquei minha bolsa em frente a minha bunda levemente virada para caso dê a louca no motorista.
Mais alguns minutos e as placas sobre o super mercado nos avisando que estávamos próximos me animou, poderia sair do carro e sentir o ar fresco sem o bafo nojento de Tom. Todos deviam estar com esse bafo... Até mesmo eu, ninguém tomara café da manhã e pelo visto todos tinham experiências que os faziam ser resistentes a fome.
— Você precisa se virar... — Falou Tom em uma voz calma, tocando meu ombro. — Se um carro passar e ver sua carranca vão nos questionar.
Odeio quando as pessoas têem razão. Inclusive as que eu detesto. Antes de me virar, sua mão percorreu por baixo de meus cabelos, abaixando e chegando exatamente onde estava o top. Virei rapidamente e encostei as costas com força no banco, afastando em seguida.
— AI AI! — Gemeu ele aproximando as mãos novamente no volante com uma carranca.
— O que aconteceu? — Tristan entrou no meio de nós.
— Nada... Você devia mudar essa careta, vão desconfiar de nós. — Minha voz sai de maneira delicada e ao mesmo tempo ácida, atingindo exatamente onde eu queria.
Tom pragrejou algumas coisas baixas e seu rosto mudou novamente quando viu ao longe o surper mercado. Acredito que sorriu por causa da provável chance de eu morrer e pior, fazer Jared sofrer. Só de imaginar novamente aquela expressão fria em Jared me fez revirar o estômago vazio. Respiro fundo antes do carro parar, preciso me concentrar, imitar a Peg.
— Me perdoe por isso, Peg. — Sussurrei baixo, como se ela pudesse me ouvir.
Tristan me entregou a arma, para cada um discretamente. Deixei a minha no cócxi, o resto eu nem vi onde deixaram... Provavelmente Tom deixou no cavalo do jeans para parecer que tem alguma coisa ali. Sarcasmo, uma coisa que preciso controlar nesses minutos.
— Somos casados, temos dois filhos. — Tristan narrava nosso roteiro. — Meu nome é Duncan e você é...
— Flor de Mel? — Arrisco uma piada, mas ninguém ri.
Ele pigarreia e continua.
— Você é Daisy. Nosso filhos chamam Harry e Beatrice. E você está grávida do nossa terceira filha ou filho, não sabemos.
Coloco a mão sobre a barriga com um sorriso meigo, acariciando de leve.
— É, assim mesmo! — O irmão de Henry parecia empolgado e desceu do carro, seguido por Nina.
Estava abrindo minha porta e um bafo balançou de leve meus cabelos, fazendo-os taparem levemente meu rosto com os fios.
— Podemos fazer esse roteiro virar real, Daisy? — Tom sussurrou provocando.
Ele nunca se cansa? Preciso me concentrar. Saio devagar do carro e Tristan me ajuda, entrando no seu papel de pai. Tom era o pai dele e Nina nossa filha Beatrice. Harry estava abrigado na casa de Tom vulgo Jeremy, sendo cuidado pela esposa de Jeremy. Era só preciso incorporar a história e tudo sairía perfeitamente bem.
Entramos no super mercado semi fantasma com as mãos unidas e os dedos entrelaçados, tinha bolsas nos ombros e fomos direto a seção de comida, o resto poderia esperar. Pegamos todas as latas grandes cujo alimentos eram essenciais para a alimentação humana, mesmo que não fossem os mais saborosos como brócolis, meu paladar não aprova. Fazia de conta que estava tomando cuidado quando o que mais queria era jogar tudo nas bolsas de Tristan e minha, correndo para o carro em seguida.
— Posso ajudá-los? — O caixa perguntou de longe quando chegamos a seção de roupas, que não eram lá muito bonitas porém não discuti.
— Só estamos reabastecendo nossa casa. — Sorriu Tristan.
A Alma parecia mesmo um humano, como Peg descrevera. Usava gola alta como eu e tinha as expressões bondosas como a de todos naquele novo regime, entretanto, no momento estava tenso.
— Podem ficar a vontade, temos buscadores na saída da loja. — Retribuiu ao sorriso mas nem isso pode me deixar mais tranquila com a palavra que pronunciara.
— Ok, muito obrigada... Estava me sentindo insegura... — Comentei de maneira dramática, mas com um sorriso gentil ao final.
— Não precisa mais! A propósito... Meu nome é Randy.
— É um prazer conhecê-lo.
— Querida... Podemos nos concentrar nas comprar? Harry deve estar acordando... E não podemos decepcioná-lo no aniversário dele né? — Tristan dizia isso segurando meu braço cuidadosamente e me distanciando da conversa com Randy, encarando meus olhos com certa tensão. Ele era um bom ator.
— Está certo, desculpe. — Sussurrei, voltando a atenção as peças de roupas.
[...]
Tudo funcionou perfeitamente bem só era necessário descarregar as coisas no nosso carro e poderíamos ir embora. Randy ficou interessado por nossa história e caiu direitinho em todos os mínimos detalhes que inventamos de improviso. Enquanto isso do lado de fora, Nina e Tom ficaram olhando de longe e trocando poucas palavras, fico pensando se ele é tão asqueroso com ela quanto comigo. Tínhamos descarregado e apenas chutando, deveria ser quase hora do almoço. Nossos estômagos roncavam em uma sinfonia assustadora e Nina deu a sugestão de irmos comprar alguma barra de cereal antes de partir.
Ok. Voltamos, eu e Tristan, para o caixa e pedimos a Randy quatro barrinhas de mel para a viagem, dizendo que meu bebê não poderia ficar desnutrido e a Alma bondosa e inocente concordou. Estava tudo indo bem... Até demais.
— Senhorita Daisy ? — Chamou uma voz nova.
Me virei com as barrinhas na mão e encarei o homem vestido inteiro de branco com algo prateado em suas mãos, seu rosto moreno estranhamente familiar tinha uma frieza que me lembrou de Kyle quando atacou Peg. Meu corpo inteiro arrepiou.
— Você esqueceu disso. — O buscador sorriu e me entregou uma pequena sacola.
— Ah. — Arfei aliviada, segurando a sacola. — Que burrice a minha... — Dei meu melhor, passando por ele com um aceno de leve.
— Ou eu deveria te chamar de humana?
Assim que disse, me virei e deixando a sacola cair, saquei a arma para fora como Tristan fez, apontando para o Buscador que nos desmascarou. Pela sua expressão, ele conhecia nossos rostos de algum lugar.
— Como eu iria esquecer você, Melanie? — Ele soava sarcástico. — Tobias insiste em sobreviver dentro de mim, inspirado na sua história e sabe? Por uma sorte danada ele não se lembra onde e como se encontraram. Ou não me deixa ver.
Tobias. O homem que saiu das cavernas poucos dias depois de sua chegada, acompanhado de Beatrice. Meu rosto inteiro congelou como o de Jared, com as sobrancelhas unidas.
— Vai atirar em mim? Tobias ainda existe aqui dentro.
— É mentira! — Berrou Tristan.
Demos passos para trás, mas em um estalo de dedos, vários outros homens vestidos como Tobias se aproximaram rapidamente e pude notar que o que tinham em mãos não era como o "pacificador" que usavam quando me caçaram, eram armas como as nossas. Dos humanos. Não dava tempo para pensar em um plano, então puxei o gatilho, mirando na cabeça de Tobias. O tranco da arma fez a bala desviar para o ombro dele e um urro de dor saiu por seus lábios carnudos, dando tempo para eu me virar e sair correndo em meio de um tiroteio que se começou. Não sei como, mas uma única bala me acertou de raspão no ombro, Nina e Tom conseguiram me tirar da mira e me proteger no carro, por sorte blindado.
— TRISTAN! — Berrei, levantando o rosto para uma das janelas estoradas.
Ele tinha levado um tiro na coxa e estava se arrastando no chão, atirava nas Almas impedindo-as de avançarem mais perto dele e então se virou para mim.
— VÃO EMBORA! — Ordenou o garoto de cabelos cacheados com um berro que me fez travar.
— Não podemos deixá-lo. E não vamos... — Praticamente estou andando novamente em direção a morte, determinada a acabar com todos os idiotas que estavam atirando em nós, provavelmente baixo para não danificar o cérebro e incapacitar a "hospedagem".
— Não vai mesmo! Estamos de partida! — Dizendo isso, Tom agarrou meu pulso e puxou, mas me soltei rapidamente e apontei a arma em sua direção.
— Me dê um bom motivo para não atirar em você AGORA. — Encaro friamente os olhos de Tom, que tem a arma afastada demais para se arriscar a pegar.
Os tiros tinham parado por um momento e eu apenas ouvia minha respiração. Adrenalina, suponho é a causadora disso. Um tiro sozinho se destaca e um grito de horror me faz sair da posição perante Tom, virando o rosto para ver o que acontecera do lado de fora. Queria tanto não ter virado.
Meus joelhos tremeram com a cena e tive de me apoiar nas sacolas junto com Nina, sem expressão no rosto. Via a cena em minha mente sempre que piscava, a cabeça estourada e o corpo ensanguentado no chão. Tristan se matou para nos salvar, chocar os buscadores que se aproximavam demais. Tristan era o alvo maior porque eu sou uma hospedeira resistente, eles iam me matar e talvez Nina e Tom também. Tristan, o cara que julguei ser tarado e no final nos ajudou.
Demorei alguns minutos para perceber que estávamos em movimento novamente, todos em silêncio mortal. Eu não sabia se chorava pela perda , se agradecia pelas coisas que conseguimos, se me xingava por não ter olhado para trás e ajudado-o, se deveria ter matado logo Tom, se deveria ter me sacrificado, se... Se... E todas as possibilidades passaram por minha cabeça. Mas a mensagem final foi clara: Os humanos conseguiram forças e as Almas dobraram as suas.
Notas finais
O que acharam? Desculpem se ficou muito corrido ou confuso... Deixem um comentário para caso não tenha ficado claro, assim explico no próximo capítulo melhor o que aconteceu. Enfim... Obrigada a todos que estão lendo, e MUITO obrigada a Cupcake Blue! Você realmente mudou meu dia!
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