The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
25 Capítulo 21 - Deixando a Vila
Notas iniciais
Acordei com a primeira luz da manhã sentindo uma brisa gelada passar pela janela que estava meio aberta. Levantei com um leve sorriso no rosto, feliz que finalmente havia chegado o momento de explorar aquele mundo fantástico.
Fui até a janela, abrindo-a completamente e me debruçando no parapeito. Observei a manhã fria podendo ver, nas ruas logo abaixo, pessoas que acabavam de acordar e já se direcionavam para as suas tarefas diárias. Moças que varriam a calçada que rodeava suas moradas, homens que iam plantar...e é claro que pude notar a figura inconfundível de um anão encapuzado saindo da Pônei Saltitante.
O anão olhou para trás, me notando na janela. Óbvio que o anão era Thorin, que parou alguns segundos para me observar, como eu tinha parado para observar ele. Notando que ele me olhava, ligeiramente abaixei a cabeça.
Depois de mais alguns segundos, ele voltou ao seu caminho e eu levantei novamente a cabeça. Olhei mais um pouco (e também notei mais alguns vagabundos perdidos que se permitiam sair não tão sóbrios da taverna naquela hora da manhã) e depois saí do parapeito.
Abri a bolça (que, caso ainda não tenha mencionado, era a bolça mágica que mudava de tamanho) e procurei algo para vestir. Acabei encontrando a roupa que já havia usado antes naquele mesmo mundo.
Sim, eram as roupas que havia usado na Mata dos Trolls: calças cor de cobre, um sobre — tudo marrom fechado até a cintura com arabescos dourados e verdes na parte do peitoral. Uma camisa simples de manga comprida por baixo e botas verde musgo.
Assim, fiz uma trança embutida. Depois de fechar o sobre – tudo, prendi o cinto com a bainha onde estava a minha espada na cintura, os coldres com as adagas nas pernas, assim como a bolça (uma vez que estava em seu tamanho menor). Junto da aljava estavam as facas de arremesso e as flechas, os quais prendi no corpo, e transpassei o arco pelo meu corpo. Depois prendi em meu pescoço o cordão prata com a pedra. Peguei a bolça menor e a coloquei atravessada no meu corpo, já com seus itens dentro (como o anel, a bola de cristal, o mapa e o meu diário). E, por último, coloquei a luva de arqueira na mão direita e levantei o capuz cobrindo a minha cabeça.
Depois disso, peguei a esfera de cristal (que ainda não havia sido guardada) e chamei Kryn novamente.
–Kryn, estou pronta para sair.
–Você acordou bem cedo, hein.
–Mal consegui dormir...estava muito ansiosa.
–Entendo...só isso?
–Então, eu tenho uma pergunta.
–O que?
–Eu tenho que ir andando?
–Você pode alugar um cavalo.
–Mas eu não vou poder voltar com ele.
–É. Ah, não seja preguiçosa! Vá malhar estas pernas! Falando disso você me lembra de algo...
–O que?
–Olhe novamente na bolsa, na bolsa atravessada.
Abri a bolsa, notando um distinto colar dentro, que não estava lá antes. O cordão era de um bronze escuro, envelhecido pelo tempo. Parecia antigo, como aquelas relíquias de museu. Tinha uma pedra pesada, de tom avermelhado. Em cima da pedra, marcando o fim do cordão, estava esculpido, em preto com detalhes bronzes, a imagem de um cavalo, em alto relevo. Parecia que ele possuía asas, então deveria ser um Pégaso. Em volta da pedra, gravadas no mesmo bronze velho, haviam palavras mágicas.
De alguma forma aquele colar parecia muito com o do dragão que eu havia comprado em Camelot. Peguei o colar e tirei o pouco de poeira que ainda estava nele.
–Que colar é esse?
–É o colar do Pégaso, um dos colares divinos.
–Colares divinos?
–Sim, a muito tempo atrás, em um lugar que desconheço, vários colares foram feitos. Um deles é o de Pégaso.
–Ele tem algum poder?
–Sim, mas poucos podem usar. Acredito que você tenha poder o bastante para usar este.
–O que ele faz?
–Conjura um Pégaso, que, nesse caso, é o cavalo que você já viu e nomeou ano passado, Fênix.
–É Fênix?
–Sim.
–Mas ela não tem asas.
–Não aparentes, ele só as mostra quando precisa voar.
–Claro. Mais algum poder?
–Talvez. Alguns dos colares divinos podem absorver almas, como gemas de almas (soul gem). Essas almas dão poder para o colar, mas você só pode absorver a alma de uma pessoa se fizer o feitiço antes do momento que ela morrer. E nem sempre você poderá chamar seu Pégaso.
–Por que?
–Porque ele é um espírito, não é livre mas não é seu escravo. Você pode chamá-lo mas nem sempre ele virá.
–Tá. Alguma outra coisa?
–Mesmo ela sendo o espírito eu já a preparei. Ela estará perto dos estábulos com cela e mantimentos. É somente falar as palavras mágicas que ela virá ao seu encontro.
–Obrigada, acho melhor eu ir logo. – disse, olhando para a janela.
–Então vá, o desconhecido aguarda. – ele sorriu, sumindo na esfera, a qual guardei em seguida.
Conferindo se não havia mais nada no ambiente, saí do quarto e desci as escadas me deparando com uma taverna silenciosa. No ambiente pude notar vários corpos jogados, adormecidos, muitos com canecas de cerveja na mão e alguns ainda com o cachimbo jogado na boca.
Silenciosamente, passei pelos corpos e me deparei com a única pessoa que deveria estar tão acordada como eu: o homem do bar. O homem do bar, que tecnicamente era o dono da estalaria e da taverna, estava um tanto jogado no balcão, mas ao sentir que eu me aproximava, ele levantou a cabeça levemente, me analisando.
Por alguma razão, ele ficou vários minutos me olhando, sem reação. Ele deveria estar ainda um tanto adormecido. Então só o olhei e fiz um sinal de silêncio aproximando o dedo da boca e o homem simplesmente se tacou novamente no balcão, como se nada estivesse acontecendo.
Nesse momento, passei pela porta, me encontrando do lado de fora da taverna. Fui para perto dos estábulos e, sem que ninguém me notasse, disse as palavras gravadas no colar.
De repente, de algum lugar, uma égua se aproximou de mim.
–Fênix. – disse, acariciando a crina dela. – Sua menina linda.
Junto a Fênix estava uma cela já montada, discreta, marrom escura e com alguns mantimentos.
–Parece que Kryn realmente preparou você. É melhor irmos logo! Não posso esperar.
Já andando, peguei o mapa e analisei o ambiente, procurando descobrir para que direção ir, acompanhada de Fênix.
“Deve ser por lá”, pensei, olhando para o lado. “Mas também poderia ser por lá”, pensei, olhando na direção oposta. Sem saber o que fazer, me aproximei de uma das mulheres que ainda varriam o chão e perguntei, gentilmente:
–Senhora, você poderia por favor me dizer para que lado fica o Topo do Vento?
–Por que uma garota como você iria querer se aproximar de um lugar como aquele? O Topo do Vento não é lugar para crianças, ele é muito perto daquela mata estranha.
–Bem, eu preciso chegar lá, devendo ou não, então você poderia por favor me apontar a direção? – a mulher fez uma cara feia para mim.
–Não consegue ver que estou fazendo uma limpeza aqui? Vá incomodar outra pessoa!
–Eu nunca quis incomodar!
–É? Mas você está incomodando, então vá para outro lugar!
–Tá certo, eu vou perguntar para alguém que possa me ajudar. – disse, já me virando.
–O Topo do Vento é por ali. – disse uma voz aleatória.
–Obrigada. – respondi estressada, sem nem perceber quem era.
Continuei andando, seguindo a direção indicada, sem nem ligar para a pessoa que tinha me falado.
–O que uma mulher faz armada indo se aventurar no Ermo? – eu parei.
–Por que exatamente eu deveria responder isso? – me virei.
–Não é todo dia que se vê algo assim.
Finalmente, percebi a figura inconfundível e baixa: era Thorin Oakenshield.
–Não, não é. Mas uma coisa que eu pareço ver toda hora é o preconceito que vocês têm. Qual é o problema que vocês têm com mulheres? Hein?
–Nenhum, é só que-
–Aff. – me virei, andando. – Passar bem.
Continuei o meu caminho a pé até me aproximar do muro que cercava Bree.
–Parece que é agora. – murmurei comigo mesma.
Ao chegar perto da saída, o porteiro abriu o portão me deixando sair sem nem falar nada.
Depois de algumas tentativas falhas, consegui finalmente subir no animal. Me ajeitei no local e peguei o mapa.
A direção era mesmo aquela, mas era bom analisar mesmo exatamente que caminho levar.
–Que caminho você- comecei, procurando falar com o porteiro, mas ele me ignorou completamente, já fechando o portão. – Tá bom, né.
Tive que me virar com o meu um-tanto-péssimo senso de direção e decidi seguir a estrada que estava na frente mesmo, que a sorte me levasse!
Depois de alguns minutos, quase uma hora, estava um silêncio agoniante. Estar sozinha era tão...chato.
O bom é que eu não continuei assim por tanto tempo. Depois de alguns minutos, ainda seguindo a estrada, ouvi um barulho.
A partir daí, continuei o caminho lentamente. Depois de algum tempo, ouvi novamente um barulho, parando novamente. Parecia que alguém cavalgava por perto. Desci do cavalo e armei o arco, andando lentamente na direção do barulho.
De repente, no meio das árvores e na luz da manhã, notei mais uma vez aquela pessoa.
–Thorin. – murmurei comigo mesma.
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