Notas iniciais
Meus amores, me desculpem pela demora...
Estou muito feliz com os comentários, espero que continuem acompanhando!
Boa leitura! :D

Renesmee Cullen’s POV

Jacob estava próximo o suficiente para me segurar pela cintura. Em minha cabeça, eu estava mesmo caindo, cada vez mais próxima da morte. Flashes dos rostos da minha mãe e de Jake piscavam sob minhas pálpebras cerradas, e um turbilhão de imaginações negativas me quebravam por dentro, cortando tudo em pedaços de lembranças perdidas.

Eu tinha certeza da realidade, que Jacob havia me segurado e estávamos em terra firme, mais afastados do abismo, mas meu coração pulava com tanta força em meu peito que chegava a doer, e alfinetava minha mente me dando a mesma certeza do sonho, que eu algo de ruim estava acontecendo com aquela que quase morrera para me dar a vida, e com aquele que fazia os meus dias terem sentido.

Permaneci de olhos fechados, apertando-os com força ao tentar afastar as imagens da minha cabeça, mas era impossível. Aquilo estava mais parecendo uma visão de Alice. Perguntei-me se ela também sentia-se assim ao prever alguma coisa – confusa, assustada e com o cérebro chacoalhando de um lado para o outro.

Jake me segurava com firmeza, mas minhas pernas recusavam-se a me permitir ficar de pé. Caí sentada no chão, ainda com os braços de Jacob à minha volta. Senti que ele me observava, sem entender minha reação, mas eu não conseguia falar, completamente entorpecida pelo sentimento terrível.

- Nessie – Jake me chamou com uma certa urgência. Afastou meus cabelos da nuca, afagando minha pele. – Está tudo bem, abra os olhos.

Sua voz rouca acalmou um pouco as marteladas em meu peito, mas minha respiração ainda estava ofegante, completamente irregular. Pensei que não conseguiria emitir som algum, mas mesmo embargada, minha voz conseguiu sair como um sussurro.

- Jake...

Abri os olhos e encontrei os seus, que dançavam sem ritmo algum de um lado para o outro, correndo pelo meu rosto ao tentar decifrar minha expressão.

- Nessie, o que aconteceu? – Perguntou ele – Você nunca teve medo de altura, o que... o que há com você?

- Eu pensei... – eu disse, ainda ofegante – Eu pensei que...

Toquei seu rosto, logo na base do maxilar, e passei-lhe todas as lembranças – do pesadelo e do que sentira há pouco à beira do penhasco.

O turbilhão atravessou meus poros da mão, e vi que Jacob ficou atordoado com as imagens. Meu corpo relaxou um pouco, parecendo reagir ao saber que agora Jacob sabia do que eu sentia.

Ele tirou minha mão e a apertou com força, me olhando nos olhos profundamente.

- Pelo visto você não vai esquecer esse sonho tão fácil – disse.

Jake soltou minha mão e olhou para longe, fitando as estrelas que decoravam o céu agora escuro, como se o lindo pôr-do-sol nunca tivesse existido. Reprimiu os lábios e cerrou a mão direita, a expressão parecendo culpada e irritada.

- Eu sou mesmo um idiota! – Rosnou, e depois as palavras saíram de uma só vez: — Eu não devia ter trazido você aqui, se você tivesse... Como eu pude permitir outra vez? Se eu não tivesse chegado à tempo Bella teria...

- Espere – interrompi. – Minha mãe? Minha mãe já...

Jacob sacudiu a cabeça, e pude notar que estava arrependido de ter tocado no assunto.

- Sim – respondeu. – Há muito tempo.

- Mas como assim? Como...

- Ela... caiu. E eu a tirei da água – Jake não olhava para mim, e continuava a fitar o céu.

Fiquei em silêncio, arquejando ao tentar me recuperar do susto. Tentei imaginar Bella se afogando, totalmente humana e desprotegida... Eu sabia que Jacob já havia salvado sua vida, mas não numa ocasião como essa. E onde Edward entrava nessa história? Fora ele sempre o seu protetor, sim?

Jacob percebeu que eu olhava para o chão, sentindo-me desnorteada, me puxou pelo braço e me abraçou com força.

- Desculpe, Nessie. Não foi uma boa ideia.

Afastei-me um pouco e deixei minhas mãos sobre seus ombros, deslizando-as para seu peito. Encostei meus lábios levemente no canto da sua boca e sussurrei.

- Foi a coisa mais linda que já vi – eu disse. – Eu amei. De verdade.

Jake sorriu, mas ainda parecia desapontado. Segurou-me mais uma vez e me ergueu, pondo-me de pé junto com ele. Pegou minhas mãos e as envolveu com o calor ardente.

- Você ainda está tremendo – disse. – Quer que eu a leve para casa?

- Não. – Respondi rapidamente – Não, eu estou bem.

Jake suspirou e me conduziu para a floresta novamente. Andávamos em silêncio em direção à reserva, e mesmo no escuro, pude ver os olhos distantes dele. Pássaros noturnos cantavam nas mais altas árvores, acompanhadas do farfalhar do vento ao balançar as folhas de um modo um tanto violento. Logo abaixo, onde estávamos, mais escondidos do frio, tudo o que eu ouvia eram minha respiração já tranquila e a mais pesada de Jacob a soprar em meu pescoço. Nossos pés mexiam as primeiras folhas de outono no chão, fazendo com que todos os sons da calada da noite formassem uma música compassada, mas não tocada corretamente, como se houvesse algo desafinado ou em um tom acima.

- Jake – resolvi falar para quebrar o clima tenso. -, chegue mais perto. Estou com frio.

Mas ele não respondeu. Na verdade, não parecia me ouvir. Seus olhos se estendiam ao longo da trilha, acompanhando algo que eu não conseguia ver.

- Jacob. – Chamei em um tom mais alto.

Ele sobressaltou, virando pata mim e piscando. Percebeu que eu esfregava a mão em meu braço, e subitamente envolveu-me pela cintura e me apertou contra seu corpo, cessando o frio como o fogo de uma lareira.

- Desculpe-me – falou.

- Minha quase queda o deixou irritado. – Afirmei.

Ele suspirou, e vi que estávamos próximos às casinhas da reserva. Eu já podia ver a fumaça subindo para o céu escuro, formando uma coluna branca ao deixar opacas algumas estrelas enfileiradas.

- Não, não é isso... – ele parecia inquieto. – Eu só estava lembrando...

- Da mamãe? De quando ela caiu?

- Sim.

Pensei por um segundo. Haviam muitas coisas que aconteceram antes de eu nascer que eu desconhecia. Algo me dizia que foram coisas ruins, coisas que Jacob evitava me contar.

- Foram tempos difíceis? – perguntei, agora inclinando a cabeça para ver seu rosto, que parecia vazio e sem brilho algum, perdido em pensamentos.

Estávamos agora a poucos metros da fogueira no meio de um espaço aberto, um pouco longe das casas. Por um momento pensei que Jacob não fosse responder, mas ele entreabriu a aboca e moveu os lábios em uma meia sílaba.

- Ei, Nessie! – Ele foi interrompido, e logo vi Seth à nossa frente, mais animado do que nunca – Jake, que bom que a trouxe! Por que não me disse antes?

- Porque por acaso um mecânico irresponsável não apareceu para trabalhar hoje – disse Jacob em um tom de repreensão. – Sabia que eu consertei aquela lata velha dos Stoner sozinho hoje à tarde, moleque?

- Ah, desculpe Jake! – Seth ergueu as mãos na defensiva. Depois coçou a nuca, olhando para o lado – Eu tive que resolver um... assunto.

- Você e a And brigaram? – Perguntei – Quer dizer, brigaram de verdade?

- Sim, mas já resolvemos – Seth esfregou as mãos, sorrindo. – Sou um cara romântico, você sabe!

Jake e eu rimos, e fiquei feliz ao vê-lo relaxar. Ele bagunçou o cabelo de Seth e brincou:

- Vamos, vá pegar os churrascos, eu estou com fome. E não me apronte mais uma dessas.

- Ou o quê?

- Ou eu vou despedir você.

- Rá-rá! – Seth jogou a cabeça para trás – Não pode fazer isso. Você não vive sem mim, Jake.

- Convencido... – Andressa chegou e enlaçou a mão no braço de Seth – Faça o que Jake disse, precisamos abastecer todos esses lobos.

Andressa parecia um pouco mais alta desde a última vez que eu a vira, embora só houvesse passado duas semanas. Ela estava na casa de Emily, pois como se transformava todos os dias, precisava ficar em contato com a matilha. Diferente de Leah, And tem espírito aventureiro e leva a transformação para o lado positivo, embora sendo uma menina.

Ao contrário de meses atrás, quando chegou aqui, ela parecia bastante feliz. Rosalie e Emmet a tratavam realmente como uma filha, e embora ela vivesse a maior parte do tempo em La Push, sentia que tinha uma família e não mais falava da morte dos pais com tanta frequência.

- Vamos, moleque – Jake deu um soco “leve” no ombro de Seth e os dois correram para casa mais próxima, a de Sam.

- Se você tivesse chegado cinco minutos antes ainda teríamos Cheetos – disse And acenando com a cabeça para a roda em volta da fogueira.

Estavam todos lá – Leah, Embry, Quil, Jared, Kim, Paul, Rachel, Brady, Collin, a pequena Claire — que agora deveria ter mais ou menos nove anos — e claro, o pai de todos, Billy. Sam e Emily deveriam estar em casa, aprontando a comida para tantos lobos famintos.

- Rosalie e Emmet já chegaram? – Perguntou And com um sorriso.

- Sim, hoje à tarde.

- Ótimo. Quando for embora me avise, vou com você.

Fomos nos juntar à eles, sentamos em um tronco velho descascado, entre Leah e Embry, dando espaço para quando Jacob e Seth voltassem.

Todos conversavam com descontração, alguns riam loucamente ao contarem piadas, enquanto Billy apenas observava, com a expressão séria e os olhos concentrados. Percebi que ele estava esperando os outros para começar.

Do outro lado, um pouco mais próximo à fogueira, estava Quil sentado no chão, observando Claire lhe contar uma história de “uma amiga fofoqueira da escola”. A garota estava encostada em suas pernas, falando e gesticulando com as mãos ao entusiasmar-se a cada fato que contava. Quil escutava sorrindo, concordando e fazendo comentários exagerados sobre a tal menina que ela falava. Como se a conhecesse, dava razão à Claire em tudo.

Lembrei-me de quando eu era menor, quando Jacob me tratava daquele jeito, como se fosse meu irmão mais velho. Sorri ao perceber que ao contrário de Claire, demorei bem menos tempo para ver Jacob de outra forma, com o amor mais sólido que pudesse existir.

- Acha que isso vai dar certo? – Perguntou-me Andressa, percebendo o que eu observava.

- Bom, é provável que sim – respondi. – Comigo deu certo.

Andressa pensou por um momento.

- É, mas você cresceu um tanto... rápido. Para você só existe Jacob e mais ninguém. Quero dizer, não houve tempo para você conhecer... outras pessoas.

- Não preciso – eu disse rapidamente. – E mesmo se eu conhecesse, sempre seria Jacob.

- Eu sei, Nessie. Não se ofenda, não foi minha intenção. Mas eu me pergunto se com Claire vai ser assim, se ela vai aceitar o imprinting de Quil e não se interessar por mais ninguém.

- Claire é uma garota de sorte. Aposto que, quando saber do imprinting, vai se sentir a pessoa mais feliz do mundo, assim como eu.

And concordou com a cabeça.

- Uma ideia perfeita de felicidade.

Eu sorri, e assustei-me quando Seth sentou-se de uma vez entre nós duas, estremecendo o tronco.

- Conversa de garotas, sim? – Brincou, com um sorriso travesso – Contou à ela sobre as lindas flores, não foi, And?

- Flores!? – Admirei-me, olhando para os olhos cerrados de And ao fitar Seth. Ela não é do tipo amante do romantismo, muito menos de flores.

- Tanto tempo e você ainda não sabe agradar a garota – disse Jacob, praticamente empurrando Seth para sentar ao meu lado. – Devia pedir algumas dicas com o seu vampiro favorito.

- Tem razão. – Afirmou Seth – Esse é um tipo de coisa que eu devo recorrer à Edward e não a você. Diga, Nessie, esse cara não é nada romântico. Ou é?

Abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo som de um bastão de madeira ao bater no chão três vezes – Billy estava chamando a atenção de todos. Sam e Emily chegaram e sentaram-se próximos a ele.

- Boa noite a todos – iniciou Billy, olhando para o rosto de cada um presente – Em nome de todos, dou boas-vindas à convidada de Jacob, Renesmee Cullen – ele olhou para mim e piscou discretamente, desfazendo a expressão séria. Depois voltou a concentrar-se no ar superior de antes.

Conforme os minutos se passavam, Billy contava histórias incríveis da tribo – guerreiros quileutes, lobos caçadores que se sacrificaram pela tribo, histórias de amor com finais felizes, imprintings mal resolvidos...

“Nem tudo são flores”, dissera Billy. Busquei o olhar de Jacob, mas ele pareceu não se importar com o que o pai dissera, apenas sorriu para mim e segurou minha mão.

Após as histórias e o churrasco, os que estavam em casais se dispersaram. Seth e Andressa se transformaram e correram para a floresta. Os dois gostavam de uma noite à luz do luar, mas com uma dose de aventura ao correrem pela escuridão do bosque.

Jacob e eu ficamos sozinhos, nos aquecendo com o calor da fogueira – como se ele precisasse!

Enlacei meu braço no dele e encostei minha cabeça em seu ombro, já sentindo meus olhos pesarem.

O movimento das chamas da fogueira dançavam em meu campo de visão em uma harmonia lenta e confortável.

- Jake – sussurrei.

- Sim?

- Só temos duas semanas.

Jacob subiu os ombros, suspirando profundamente. O movimento embalou ainda mais meus sono, parecia que eu ia apagar a qualquer momento.

Ele ficou em silêncio, afinal, não havia mesmo nada a dizer. Em duas semanas estaríamos no Canadá e não poderíamos mais ter momentos como este.

Jacob me puxou mais para perto e me abraçou pelos ombros, encostando o queixo em minha tesa.

- Cansada? – Perguntou.

- Não.

Rocei o nariz em seu pescoço e contornei uma linha invisível até seu queixo. Com a mão no braço esquerdo de Jake, senti seus pelos se eriçarem.

- Nessie... – ele sussurrou.

Levantei a cabeça e beijei seus lábios, deixando-o guiar os movimentos. Meus batimentos cardíacos aceleravam à medida que eu seguia minhas mãos para seu peito, parando ao abraçar seu pescoço. As mãos de Jacob afagavam minhas costas, acompanhando a velocidade dos nossos lábios, que se encaixavam de uma forma perfeita.

Eu estava tão sonolenta que perdi o ritmo, pendendo a cabeça e a deixando cair em seu ombro.

- Hora da criança dormir – disse Jacob.

Revirei os olhos, mas não queria discutir. O dia fora longo, e eu precisava me recuperar do pesadelo que quase acontecera.

- Que horas são? – Perguntei.

Jake olhou o relógio de pulso imaginário. Ele não precisava de ponteiros e números, tinha a base certa dos horários da noite, assim como as pessoas experientes tinham do dia ao observar o sol.

- Já passa de uma e meia.

Afastei-me em um sobressalto. Papai me dissera para voltar antes da meia noite. Como as horas se passaram tão rápido?

- Ah não... – murmurei. – Preciso ir.

- Medo da bronca do papai?

Semicerrei os olhos e o encarei.

- Alguém aqui ainda vai fazer sete anos, sabia?

Jake riu e levantou-me junto com ele.

- Ainda bem que não literalmente.

Ele pegou seu Rabbit na garagem e dirigiu em direção à mansão Cullen – enquanto Reneé estivesse presente, não voltaríamos ao chalé.

Desabei no banco do carona e em segundos estava dormindo.

Quando acordei, estava sendo carregada por Jacob no colo enquanto ele subia as escadas. Meu pai nos acompanhava, murmurando algo quase como uma reclamação.

- ... como pôde levá-la para aquele lugar? – Dizia ele. O som parecia longe, como ecos de uma enorme caverna.

- Ela está bem – Jake estava sussurrando. – Não faça barulho.

Pisquei só uma vez e já estava na minha cama, Jacob me ajeitando embaixo dos cobertores.

- Papai... – eu disse, sonolenta. – Papai está bravo com você.

- Não. – Jake disse baixinho — Ele só leu os pensamentos errados. Agora durma.

- Fique um pouco – pedi.

Jake sentou-se e demorou um beijo em minha testa.

Fechei os olhos e ouvi as últimas palavras.

- Boa noite.

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É realmente incrível como o tempo passa rápido quando queremos que ele demore só mais um pouco. Em um piscar de olhos uma tarde perfeita anoitece, em um suspiro uma noite estrelada acaba... e o futuro chega depressa, lançando sua vida para frente sem perguntar se você está pronto ou não.

Apenas vinte e quatro horas, e seríamos apenas Jacob e Renesmee, dois melhores amigos e nada mais.

Notas finais
Estou ansiosa pelos reviews...
Beijinhos! ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.