The Horror of Our Love

2 Old lies, they die harder


Notas iniciais
Olá, pessoal. Mais um capítulo! Espero que gostem. Fiquei triste ao escrevê-lo. Sei lá, esse casal me passa uma melancolia imensa. Boa leitura. :)

***

Evidentemente, o sono de Naraku não durou mais do que uma hora. Afinal, mesmo com o coração humano, ele era, de fato, um youkai.

Ainda um pouco sonolento, de olhos fechados, o perverso se remexeu em seu leito. Tivera um sonho incrível, fascinante e perigoso. Baixara a guarda perante a única pessoa que poderia destruí-lo. Deu uma risadinha amargurada.

“Esse coração humano me faz de tolo. Como se eu pudesse ter esperanças com Kik-...”

Então Naraku despertou completamente, assustado — havia um corpo de mulher ao seu lado. O hanyou se pôs de joelhos e seu queixo caiu quando vislumbrou o rosto daquela pessoa, dormindo serenamente em seu leito.

— Kikyou...?! Mas... Não é possível — balbuciou ele, olhando para o próprio corpo nu. Havia umas poucas gotas de sangue no tecido claro do futon. O coração de Naraku ribombava; tudo aquilo fora verdade, então?!

O hanyou se sentou cautelosamente sobre os calcanhares, olhando fixamente para o belo corpo da sacerdotisa. O desejo nublou seus sentidos mais uma vez e logo ele apresentava uma ereção vigorosa. Porém, algo fazia Naraku se sentir absurdamente incomodado. Vendo que não se acalmaria tão facilmente, o moreno se inclinou em direção a ela, beijando candidamente o seu rosto. Então se afastou dela, caminhando para fora do quarto, levando consigo sua veste de babuíno. Dirigiu-se para um cômodo distante para se aliviar sozinho daquele tesão incontido.

Horas mais tarde, os primeiros raios de sol brilhavam no céu e Kikyou, então despertava. Levou um susto ao ver que estava no castelo de Naraku, deitada nua no leito dele, no quarto dele...! Ela levou as mãos ao rosto, chocada. Entregou-se para o ser mais maligno do mundo, o sangue no futon denunciava seu pecado.

— Meu Kami-sama... O que foi que eu fiz?! — gemeu ela, nervosa. — Inuyasha... Ele jamais me perdoará...

Respirando fundo, a moça tentou não chorar e pegava apressada suas roupas, quando notou que havia algo acima da cabeceira do futon: um maço de campânulas brancas. Kikyou franziu o cenho, irritada.

— Ora... O que ele está pensando?!

Assim, ela se vestiu apressadamente e saiu às pressas do castelo. Aparentemente, Naraku não estava ali, sua presença não era perceptível.

Kikyou foi em direção à fonte onde havia se banhado na noite anterior. Ficava a pouco mais de dois quilômetros. Ela estava nervosa, já não continha o pranto. Felizmente seus shinidamachuu a auxiliaram a chegar mais depressa naquele lugar um tanto deserto. As pessoas daquela região não se aproximavam dali, crendo que haviam youkais perigosos na área. Para Kikyou, tanto melhor: tinha uma fonte para se banhar à vontade a qualquer hora do dia.

O belo regato era rodeado de touceiras de campânulas e era um local muito agradável. A sacerdotisa se despiu e saltou n’água, deslizando pela fonte e procurando organizar seus pensamentos. Tarefa nada fácil, pois as lembranças dos momentos incríveis que tivera com seu arqui-inimigo não a abandonavam. Os delicados bicos de seus seios se eriçaram; Kikyou sentiu falta dos lábios de Naraku sobre eles e, a contragosto, ficou excitada. Corou e enxugou as lágrimas.

— Será que ele me enfeitiçou e eu não percebi?

Kikyou não entendia que aquilo fazia parte de sua própria humanidade, reprimida por todo o tempo em que estivera viva, cinquenta anos atrás.

***

Por outro lado, no castelo, Naraku andava a esmo pela propriedade, sendo seguido de longe pelos saimyosho¹. O corpo, a alma e o coração palpitavam por Kikyou; ele sabia onde ela estava, mas, estranhamente, o hanyou estava inseguro, principalmente depois de ouvi-la dizer que Inuyasha jamais a perdoaria e ter propositadamente deixado as campânulas para trás.

Ele não conseguia entender com clareza o que levou Kikyou a ir até seu quarto e simplesmente se deixar ser deflorada. As cicatrizes antigas daquela paixão não-correspondida estavam se abrindo, uma a uma, no interior de Naraku. Não conseguia se concentrar em seus planos maus de exterminar Inuyasha, nem de conseguir um corpo mais forte, nem mesmo de obter os fragmentos da Joia. Sacudiu a cabeça cacheada, com raiva.

— Não. Não, não. Isso é tolice. São cinquenta anos lutando para ser poderoso... E é esse o meu intuito. Não preciso dela... Não preciso de ninguém.

No entanto... A lembrança daqueles lábios chamando por ele, daquele corpo sensual que o envolvera, das mãos que o acariciaram e a ideia de que ele, Naraku, fora o primeiro daquela mulher que ele matara há meio século por motivos torpes, o estavam enlouquecendo.

E não somente de desejo.

— Não acredito que ainda tenho esses sentimentos por essa miko... Ela só quis obter prazer comigo por estar desiludida com o outro. É uma frágil humana, tem fraquezas humanas... Pois bem, eu darei prazer a ela. Vou fazê-la desejar ardentemente minha companhia, já que nunca terei seu amor.

Ele agora havia se abaixado diante de um pequeno canteiro, no quintal. Parece que o antigo proprietário do castelo Kagewaki gostava de cultivar flores. Curioso, o hanyou levou a mão a um cravo vermelho e o retirou do solo.

— Belo, sim, mas ela estava com cheiro de campânulas ontem. Será que ela gosta de cravos também? — ponderou Naraku. Então, ele teve uma ideia inusitada e se foi para dentro da residência.

Em um cômodo menor do castelo, estavam os livros do falecido Kagewaki, bem como papeis e penas de ganso que eram usadas para escrever. O hanyou pegou em um papel limpo e se pôs a olhá-lo, imaginando se sua ideia teria sucesso.

***

A quilômetros dali, a jovem sacerdotisa passeava por uma densa floresta, no intuito de pensar em outra coisa que não fosse Naraku quando, de repente, ouviu um zumbido acima de si.

— Um inseto dele — murmurou ela. O bicho, do tamanho de um pardal e semelhante a uma abelha, se pôs a rodear a moça. Havia um tsuru de papel anexado entre suas patinhas. Kikyou estendeu a mão e retirou o tsuru, percebendo que havia tinta em seu interior. Sem demora, a jovem desdobrou o origami e viu letras.

Atônita, ela chegou a pôr a mão no peito. Um recado dele! Meneando a cabeça, Kikyou achou graça da simplicidade do hanyou no afã de chamar-lhe a atenção. Era um trecho de um verso do poeta Kabir².

De que me servem as palavras, se...

— Naraku, você não se cansa de me surpreender... — murmurou ela, lendo e relendo avidamente as curiosas palavras com aquelas reticências. Em êxtase, Kikyou deu meia-volta e começou a andar, depois a correr, depois a flutuar com seus insetos em plena luz do dia.

Ela ansiava por Naraku, apesar de duvidar totalmente da veracidade do dito amor dele, dados os fatos desastrosos do passado de ambos.

Enfim, ela entra na deserta propriedade feudal, cujos funcionários também foram mortos com a simples presença do hanyou venenoso ali. O coração da jovem palpitava; sentia que surpreendida mais uma vez. Ao abrir a porta principal do salão do castelo, a voz grave e serena do seu inimigo soou, ecoando na alma da moça.

— “De que me servem as palavras...”

— N-Naraku — balbuciou Kikyou, ligeiramente assustada. Ele continuou declamando, pausadamente:

— “... se o amor embebedou-me o coração?”...

— Onde você está? — chamou ela, correndo pelos cômodos, abrindo todas as portas. Até que chegou a um cômodo pequeno, não muito iluminado. De perfil, se via a silhueta alta e de fartos cabelos, com um tsuru nas mãos.

A moça estacou de chofre, ao ver Naraku levando a dobradura aos lábios. Viu-o soprar o pequeno objeto e uma pequena ilusão se descortinou perante seus olhos: uma chuva de pétalas vermelhas de cravos.

— ... — Kikyou estacou, emudecida, diante daquilo. Lentamente, o hanyou se aproximou dela, sem contudo tocá-la.

Apesar da postura orgulhosa e altiva, o íntimo dele estava em frenesi total. Desejo, raiva, amor, ódio, culpa, alegria. Ter um coração humano era muito ruim, pensava Naraku. Agora ele se sentia compelido a agradar uma mulher que amava outro.

Contudo, os olhinhos brilhantes dela fizeram dissipar parte das emoções negativas que ele sentia. Tudo o que realmente importava era que aquela jovem mulher tão bela estivesse tão interessada em dividir seu tempo consigo.

— Nos vimos poucas vezes durante o dia — começou a dizer Naraku, fitando intensamente a sacerdotisa. — Você é ainda mais linda sob a luz do sol. Quando fica vermelhinha de vergonha, então... — concluiu ele, sorrindo ao ver Kikyou enrubescendo.

— Por que está acontecendo isso conosco? — indagou ela, diretamente. O hanyou continuou inerte, olhando para ela. Ele estava vestido com um quimono azul claro e hakama preto. Sua fisionomia parecia calma como sempre, apesar daquele ‘quê’ de melancolia em seu olhar.

— “Isso” o quê?

— Ora... Essa... Essa aproximação, Naraku. Somos inimigos. Eu quero que você morra. Eu o odeio profundamente.

Como se estivesse ouvindo um comentário sobre o clima do dia, ele sorriu de novo, exibindo os dentes perfeitos:

— Ontem à noite, ao seu lado, eu vivi os melhores momentos de toda a minha existência.

— Não fuja do assunto... — a moça fez cara de brava. — Naraku, não brinque. Eu...

— Kikyou.

Aquele timbre sensual, de novo. As pernas da sacerdotisa tremeram levemente perante a força daquele olhar tão devastador. A mão de Naraku tocou delicadamente os cabelos negros sobre a têmpora de Kikyou, que engoliu seco.

Agora, não — murmurou ele, se aproximando. — Não é disso que você e eu precisamos agora...

Os dedos longos do homem desceram, acariciando o rosto dela — nariz, lábios, bochechas, queixo, lateral do pescoço. Kikyou fechou os olhos, ansiando por um beijo. As carícias continuaram, lentas, torturantes. Impaciente, ela levou as mãos à nuca do hanyou, puxando-o para si e deslizando os lábios pelos dele, que ficou surpreso com a ousadia.

A jovem procurava agradar Naraku da melhor forma possível com aquele beijo cálido. Contornou com a pontinha da língua os lábios finos dele, capturou-lhe o lábio inferior e começou a sugá-lo. Um único gemido baixo dele foi o suficiente para reverberar no corpo da moça um desejo incontestável. Envolvido, o hanyou deslizou devagar os dedos pelo mamilo empinado da jovem, que deu um pequeno pulinho. Não satisfeito, Naraku comprimiu-o entre os dedos, sem cessar o beijo, já que era deleitoso ouvi-la gemer em sua boca. Ofegantes, acabaram se apartando, ele com a mão no seio dela, que se retorcia de tesão.

— Vai me oferecer o seio hoje, Kikyou? — indagou ele, malicioso, encarando a face vermelha da sacerdotisa.

— V-vou...

— Isso é bom, muito bom. E de mim, o que quer?

A resposta dela foi erguer a perna e roçá-la nas partes íntimas do homem, que soltou um “oh” e riu, para disfarçar que ficara desconcertado. Kikyou não conteve uma risadinha; apesar de tanto querer demonstrar desenvoltura naquele instante, Naraku se traía e revelava sua parcela de inexperiência e um pouco de vergonha daquilo. Como agora, que seu rosto estava tão corado quanto o dela.

— Você não se cansa de me surpreender — disse ele, enlaçando a cintura da jovem com as mãos e encostando a ereção à intimidade dela, que respondeu:

— Ei, essa frase é minha...

Ambos riram juntos, voltando a se beijar. Num repente, porém, Naraku tomou Kikyou nos braços e a carregou para fora da pequena biblioteca.

— Para onde está me levando?

— Espere e verá.

O hanyou entrou em um cômodo de banhos. Assim que foi colocada no chão, a moça dirigiu a ele um olhar incrédulo, que riu de um jeito safado e a abraçou por trás, agarrando seus dois seios com as mãos. Kikyou se arrepiou.

— Banhe-se comigo — pediu ele, beijando o lóbulo da orelha da sacerdotisa e afagando os seus bicos rijos.

— Ahh...

— Você é tão linda...

Os lábios dele descobriam agora a nuca e a lateral do pescoço da jovem, enquanto tentava abrir a túnica branca. Ela enfim foi desatando a calça, ansiosa e trêmula; ao retirar a túnica, Naraku não reteve um gemido de satisfação ao afastar os longos cabelos dela para o lado e dar pequenas mordidas e chupões naquela pele macia.

Então Kikyou se virou para o hanyou, ainda cheia de timidez por estar nua, e o olhou fixamente. Sorrindo, ela levou a pequena mão ao laço que sustentava o hakama dele. Com alguma ajuda, já que as vestes deles eram pesadas e grandes, a sacerdotisa baixou a calça e se agachou para retirá-la, quase enlouquecendo Naraku que via Kikyou abaixada ali como uma promessa de, talvez, realizar um desejo inconfessado que ele nutria. Contudo, nada foi dito. Ele não saberia pedir aquilo.

A jovem endireitou o corpo, olhando para a nudez do hanyou à sua frente. Lindo, sensual e entregue a Kikyou. O ser diabólico mais odiável do mundo se revelando à sacerdotisa como um homem que, como ela, também desejava apenas ser comum e viver momentos íntimos e inesquecíveis. Naraku ficava ainda mais belo daquele jeito, livre de intentos perversos.

— Você é mais lindo ainda — disparou ela, fascinada. Os olhos do hanyou cresceram ligeiramente e ele olhou para os lados. Mais uma vez, as maçãs do rosto de Naraku estavam rubras.

Finalmente o casal estava livre de suas roupas. Kikyou voltou a beijar o hanyou, enquanto se enchia de coragem e o abraçava, permitindo que seu ventre colasse ao dele, pressionando o membro duro em sua barriga. As línguas de ambos se envolviam, os dois exprimiam ruídos de luxúria. Logo, Naraku apartou-se do beijo e convidou Kikyou para ir à água.

Os dois entraram e sentaram-se dentro da tina. De alguma forma, a jovem se sentiu um pouco mais solta e imergiu, antes de voltar a beijar o homem, se sentando sobre suas longas coxas. Naraku imergiu na água fria como a sacerdotisa e logo devorava os lábios dela num beijo voraz. Sem demora, a moça enlaçou seu quadril com as pernas, numa posição sugestiva. Ele a encarou.

— Quer que eu...

— Quero — respondeu ela.

— Não sei se dentro da água será tão agradável para você, mas vamos descobrir.

Sem pressa, Naraku tomou o falo e começou a tocar a vulva da jovem com ele, até que ela se impulsionasse um pouco para cima e para baixo, permitindo-o entrar em seu corpo. Um tanto dolorosa a penetração, já que ela não estava acostumada com aquilo.

O hanyou era sagaz e notou que Kikyou não estava se sentindo muito confortável. Deu a ela o tempo necessário para que se adaptasse à sensação recente. Porém, ainda não era o bastante, já que a jovem às vezes o mordia durante o beijo, por causa da dor. A água dispersou parte de seu muco, dificultando a fluidez da penetração. Ela tentava disfarçar, mas era impossível; nessa hora, o moreno tocou de leve em sua cintura, pedindo para que ela parasse.

— Não está bom? — perguntou a sacerdotisa, receosa.

— Não, não está. Você está sentindo dor, isso me enerva.

— Mas...

— Kikyou, se não estiver totalmente confortável para você, recuso-me a continuar. Quero encher a sua mente de boas lembranças comigo — afirmou Naraku, mordendo de leve o queixo de Kikyou, cujo coração sôfrego palpitava. — Quero encher você de prazer, não de dor.

Céus, aquele demônio a estava perturbando totalmente. Sabia que ele poderia matá-la facilmente ali, a qualquer minuto, porém aquele cuidado, aquelas inúmeras demonstrações de bem-querer... A cabeça da moça estava de fato confusa.

Sem mais nada dizer, Naraku ergueu-se da tina, sustentando o peso da sacerdotisa ainda conectada a ele com as mãos. Ela agarrou-se a ele, com medo de cair. Achando graça e até se comovendo um pouco frente aquelas súbitas demonstrações de confiança, o hanyou a segurou com mais firmeza e a carregou consigo, parando à porta do banheiro para perguntar:

— Para onde quer ir, doce miko?

— Para onde tiver mais luz. Eu... Amo a luz — murmurou ela, a cabeça recostada ao ombro dele.

Ele sabia onde ir — um dos quartos era totalmente iluminado pela luz solar àquela hora.

Chegando ao quarto, Naraku cerrou a porta e se sentou, ainda dentro da jovem que estava em seu colo. Delicadamente, Kikyou começou a se mover contra ele, que a interrompeu.

— Espere...

— O que foi?

— Suba uma pedra de cada vez para chegar ao topo da montanha, Kikyou — murmurou ele, sendo cuidadoso ao erguê-la de cima de seu colo e colocá-la sentada à sua frente. A moça o olhou, sem entender.

— Naraku, do que está falando?

O hanyou começou a distribuir beijos pelo rosto dela, detendo-se enfim em seus lábios e lambendo-os, lascivamente.

— Você não está pronta ainda.

— Estou, sim... — tentou argumentar ela, mas Naraku levou o polegar até sua boca e o umedeceu com a saliva da jovem. — Eu quero você...

— Te darei o que quer, mas apenas quando estiver pronta.

— Não entendo... A-AH!

O polegar úmido do hanyou deslizava por sua aréola e mamilo, que reagiram intensamente, se eriçando ao toque. Agora Naraku levou o outro polegar à boca de Kikyou e o imbuiu de saliva, repetindo o gesto no outro mamilo e olhando sugestivamente para a jovem, que gemia e corava.

— É disso que eu estou falando... — e ele fez com que Kikyou se deitasse no futon, voltando a beijá-la com furor e desejo, sem parar as outras carícias. O sol invadia boa parte do quarto; era possível a ela ver todas as expressões faciais do hanyou, seus cabelos que gotejavam nela, sua pele úmida.

— Ohh... I-isso é... Tão bom... — ofegou ela, entre os beijos.

— Você acha bom, não é? — volveu ele, aproveitando para se abaixar um pouco mais e agora colocando seus lábios entre os seios da sacerdotisa, que gemeu em antecipação àquele afago maravilhoso que sentiria. — Para mim, ainda não é suficiente, Kikyou.

Naraku deu vários selinhos naquela região, onde era possível a ele ouvir nitidamente os batimentos cardíacos da moça. Alguns pensamentos ruins ameaçaram tomar-lhe a mente naquele instante, como a culpa por ter assassinado Kikyou há meio século. Contudo, ele continuava decidido a não pensar em nada e apenas desfrutar daquele delicioso momento com ela, que com certeza iria deixá-lo e ir correndo atrás do hanyou cão que ele tanto detestava.

Os lábios dele enfim se prenderam ao seio esquerdo de Kikyou, que gemeu alto, levando a cabeça para trás. Assim Naraku resolveu torturá-la com carinhos leves, sutis e despretensiosos no bico do seio palpitante; enfim, se encararam e a sacerdotisa se contorceu toda ao vislumbrar aqueles olhos vermelhos devorando-a, exprimindo desejo visceral e puro enquanto rodeava seu mamilo com a língua. Sem pressa, o moreno chupava os delicados seios da moça alternadamente, sem deixar de encará-la. Ele mesmo tinha que se conter bastante para não se lançar sobre ela e possui-la como um animal no cio.

Subitamente, então, o hanyou endireita o corpo e fica de joelhos diante de Kikyou. Ele sorri; os olhos dela agora estão enormes e a face, totalmente vermelha, ao ver que Naraku estava deslizando a mão pelo próprio sexo, que vertia fluido pré-seminal incessantemente. Devagar, ele puxa o prepúcio e expõe a glande rosada, aproveitando para brincar com o polegar sobre sua fenda uretral. A sacerdotisa se arrepiou, sentindo o clitóris pulsar de desejo; ela o queria, muito, e ao mesmo tempo se indagava como o hanyou tinha aquele poder de deixá-la tão enlouquecida e sem pudor. Só de imaginar o grosso pênis a invadindo como no dia anterior, a jovem mordia os próprios lábios. Naraku ria, vendo-a daquele jeito.

— Como está vermelha, querida. Em que está pensando? — inquiriu ele, cheio de malícia.

— P-por favor... Eu quero, quero você...

— Eu já sou seu, Kikyou.

— Me faça sua, por favor — implorou ela, desesperada de desejo, os olhos embotados fixos na discreta masturbação que ele se infligia. — Eu te quero dentro do meu corpo... Bem fundo, bem forte...

Ele rosnou ao escutar aquela súplica. Aquilo era o céu para Naraku.

— Fique tranquila... Vou fazê-la minha, doce Kikyou. Vou empurrar meu mastro para dentro de sua bela flor, que está louca para engoli-lo por inteiro.

Dois dedos de Naraku foram até a vulva da moça e a tocaram de leve, brincando com seu clitóris e toda a extensão de seus pequenos lábios; ela gritou de prazer, quando viu o hanyou levar os dedos cheios de seu muco até a boca e chupá-los.

— Deliciosa. Como eu imaginei. Sabe, Kikyou... Você é gostosa demais — comentou ele, voz arrastada e imperativa, enlouquecendo a pobre sacerdotisa. — Vamos, abra as pernas. Abra esta flor para mim. Agora.

Trêmula, a moça levou as mãos ao sexo e o abriu um pouco, expondo-se totalmente para o hanyou. Ele olhou a delicada estrutura da vulva de Kikyou e sorriu. Iria levá-la ao topo da montanha. Sem aviso, suspendeu as duas pernas da jovem e as colocou sobre seus ombros. Viu que a moça tentou sustentar o peso das pernas sozinha.

— Descanse as pernas sobre meus ombros — disse ele, gentil. — Não se preocupe, não estão pesadas.

Assim que notou Kikyou relaxando, Naraku não perdeu mais tempo e mordeu de leve a parte interna do joelho direito dela. Ora beijava, ora mordia, ora lambia... E desceu lentamente pela coxa da moça, que agora tremia muito e gemia, desvairada. Apavorada, excitada e nervosa, pois estava imaginando que ele iria fazer algo inimaginável consigo.

Então o hanyou chegou à virilha da jovem, observando com atenção o sexo sensível e lambuzado. Naraku não sabia ao certo o que deveria fazer, mas sabia que conseguiria agradar à sua querida sacerdotisa. As lambidas começaram delicadas e sutis nas virilhas e pelo monte-de-vênus; Kikyou choramingou. Ele deu uma olhada para o rosto da moça e riu de novo antes de anunciar:

— Pois bem, Kikyou. Eu, Naraku, vou levá-la ao topo da montanha.

E ele tocou o pequenino órgão erétil da moça com a língua, rodeando-o sem pressa e sentindo o próprio pênis latejar de prazer ao ouvir Kikyou, praticamente, gritando seu nome.

Ele iria levá-la ao topo, quantas vezes ela desejasse, pois o prazer dela era o combustível para seu próprio prazer. Lambeu mais rápido; ela gritou mais alto. Era impressionante, para ele: quanto mais excitava Kikyou, mais ele mesmo ficava em chamas de tesão, arrepiado. Retesou a língua, num ato de instinto, e resolveu introduzir sua ponta no pequeno canal vaginal da sacerdotisa, inúmeras vezes. O resultado não poderia ser melhor: um puxão em seus cabelos e o ecoar da voz lúbrica da jovem, que jamais se imaginava sentindo tamanho deleite. Ela agora se erguia como podia sobre o cotovelo e enfiava a mão pela franja de Naraku, prendendo-a para o alto e revelando o rosto suado e vermelho do homem. Disposto a ensandecer sua parceira, o hanyou voltou a prová-la com a língua, encarando-a diretamente. Afundava o rosto entre as pernas torneadas da jovem, esfregava-o nela e ocasionalmente sugava o minúsculo botão da flor, gemendo enlouquecido.

Não demorou para que Kikyou explodisse em um brado seguido de choro. O orgasmo fora forte a ponto de fazer com que sua vagina se comprimisse e espirrasse um pouco de seus fluidos no rosto de Naraku. Aquilo foi o cúmulo para ele, que finalmente se endireitou e, ajeitando mais uma vez as pernas de Kikyou sobre seus ombros, penetrou-a de uma só vez. Ambos gritaram.

O hanyou tentava se conter nas investidas, mas era impossível. A sacerdotisa chorava e ria, pedia a ele que a invadisse, a enlouquecesse de tesão; ela chegou a assustar Naraku quando, sem pejo algum, anunciou que desejava ser fodida. Mais fundo, mais forte, mais rápido. O saco escrotal acertava a parte inferior dos glúteos de Kikyou, que apertava o tecido do futon nas mãos, devastada, comprimindo fortemente o grosso pênis de Naraku dentro de seu corpo quente.

O inusitado aconteceu, porém: os olhos de Naraku mudaram de cor, ficando castanhos. Seu youki desapareceu como que por encanto e a jovem notou que o autocontrole dele se esvaiu. Estava tão ou até mais humano do que ela. Então era assim que ele se enfraquecia?

Tais fatos, entretanto, pareceram totalmente irrelevantes a Kikyou agora. Tudo o que importava era aquele homem a penetrando com força, gritando o nome dela, rilhando os dentes, lançando a cabeça para trás e chamando-a de termos que oscilavam entre a meiguice e a obscenidade, como “meu doce amor” e “adoro te comer”.

— Hmm... Kikyou... Me engula, me devore... Você não pediu para ser fodida? Está gostando do meu mastro grosso sendo enterrado em você?

— S-seu pervertido... Quero m-mais...

— Eu te amo tanto... Gostosa... – incontido, ele levou a mão à intimidade de sua querida e começou a estimulá-la. Ela gritou:

— NARAKU! AH! ISSO! MEU HOMEM!

A curta e incisiva afirmação que incendiou o hanyou Naraku.

— SIM, SEU HOMEM! SOMENTE SEU! PARA SEMPRE SEU! — urrou ele de volta, entregue àquele desvario do sexo mesclado a uma fagulha de esperança que lhe aqueceu o peito.

O orgasmo assaltou o corpo de Kikyou mais uma vez. Ela arqueou as costas, gemendo, chorando, rindo. Foi aí que finalmente Naraku foi engolido em grandes ondas de prazer, gozando com a mulher que ele amava. Ela soluçava um pouco, agarrando-se aos cachos úmidos do Naraku agora humano, que se deitava ao seu lado, exausto, arfante.

— Eu acho que a machuquei... Você está bem? Ei... – a sacerdotisa o agarrou, beijando-o e chorando ainda.

— N-Naraku... O que fez comigo?

— ...

— Ninguém, n-nem mesmo Inuyasha, conseguiu até hoje me f-fazer tão bem, tão amada...

— Kikyou...

— Por que justo VOCÊ? P-por quê?!

Ah, a fragilidade do coração humano.

O moreno piscou inúmeras vezes, um bolo incômodo na garganta.

Agora tudo era dor em Naraku, que olhava para Kikyou cheio de culpa e remorso. Mas, de que adiantava? Ela não o perdoaria. Ela não entregaria o coração a ele. Estavam tão longe um do outro como o céu está longe do inferno.

Ele abraçou a moça, beijando-a como um louco. Não queria pensar em nada, não queria sentir aquele peso esmagador em seu espírito. Mas conter suas emoções naquele momento era impossível. Sem a mínima força para manter a compostura, Naraku apertou o corpo de Kikyou contra o seu. Começou a soluçar, ainda envolvendo a língua da jovem com a sua.

Os dois amantes se beijavam com fúria e quase loucura, cada um imerso em seu próprio sofrimento. Todo o prazer que tiveram juntos agora mostrava o preço cobrado: dor, remorso, culpa e, no caso de Kikyou, a angústia de quem sofre uma injustiça. Os corpos molhados de suor rolavam pelo assoalho. Nesse ínterim, Naraku havia recuperado sua força youkai, mas ainda estava longe de poder segurar o deságue da dor de cinquenta anos de solidão.

Ele cessou o beijo, se afastou da sacerdotisa e chorou mais alto. Deitado de lado, encolheu-se como uma criança e, pela primeira vez na vida, cogitou o suicídio. Morrer seria melhor do que ser torturado pelo peso esmagador da culpa. Não havia poder, força, Joia de Quatro Almas que o livrasse daquela dor.

Entretanto, como que se pudesse ler seus pensamentos, Kikyou o envolveu de novo nos braços e o puxou para o futon, forçando-se a parar de chorar.

Ela era solitária, como ele também era solitário. Algo irracional dizia ao coração de Kikyou que o demônio Naraku precisava dela. E, bem, ela era uma sacerdotisa. Uma mulher abnegada que servia a quem necessitasse de um pouco de paz.

Apesar de tudo, havia um resto de paz nela, a paz que ele não conhecia.

Ele não tem condições de encontrar a paz sozinho”, pensou a jovem, colocando a cabeça cacheada sobre seu colo. Aturdido, Naraku a encarou, os olhos inchados, miserável.

— P-por que um anjo como v-você ainda p-permanece ao lado de um demônio como eu...?

Shhh — fez ela, tocando de leve os lábios trementes do moreno. — Quietinho.

— Mas...

A moça começou a cantarolar, de lábios fechados, uma canção que ela entoava para acalmar sua irmã Kaede, criança ainda, em noites de tempestade.

O temporal de lágrimas do hanyou aracnídeo aos poucos foi cessando. Mais uma vez Kikyou enlaçou os dedos nos de Naraku. A canção embalou os sentidos doridos dele, que olhava insistentemente para os olhos castanhos brilhantes da bela sacerdotisa.

— Linda canção... — murmurou ele, se acalmando com alguma dificuldade. — Cante de novo... Por favor...

— Canto — respondeu Kikyou, acariciando os cabelos revoltos de Naraku.

— Cuida de mim...

A moça se surpreendeu ao se ver dizendo sem pestanejar:

— Cuido...

E assim foi. A sacerdotisa cantou para o demônio até que este não resistisse e adormecesse, placidamente, em seus braços.

***

1 — Insetos venenosos criados por Naraku.

2 — Kabir viveu no século XVI. Não sei se a Sengoku Jidai ocorreu no século XV ou XVI. Caso esteja errado, me corrijam.

Notas finais
A música que Kikyou canta é o OST dela no anime, "Angry Soul". Está nos 3:15 minutos deste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_eqVlxjbUpY Será que Kikyou conseguiria perdoar Naraku? Será que o que ela sente por ele é apenas atração física? E ele... Está se redimindo? Obrigada a quem está acompanhando! o/ Beijos da Mamãe ~Okaasan