The Horror of Our Love

9 Last dance, first kiss


Notas iniciais
Oi, pessoal. Mais um capítulo! Peço desculpas pela demora. Motivos diversos como doença na família, falta de tempo e dificuldade para conciliar as outras histórias me atrasaram, mas, enfim, estamos aqui! o/ Capa do capítulo: imagens do doujinshi do grande fanartista Pangurbann! ♥ E, admito... Escrevi tudo ouvindo Art Popular e Exaltasamba! Até criei um AMV para esse casalzim transudo delícia. Link nas notas finais. Boa leitura!

As duas réplicas de Naraku não esperaram pela resposta da sacerdotisa Kikyou. Sem aviso prévio, o clone que estava de pé se abaixou rapidamente para onde ela estava e a beijou, ao passo que o que esteve junto dela recomeçou a estimular suas partes íntimas com os dedos. A moça estremeceu, ainda muito aturdida com aquilo.

— Ei... P-pare... — suplicou ela, assim que o primeiro Naraku deixou seus lábios. — Eu n-não disse que tinha concordado, Naraku, isso já é demais...

Os dois hanyous apenas deram uma breve risada e abocanharam simultaneamente os mamilos da jovem, que deu um salto entre suspiros de prazer e nervosismo. Sugavam, lambiam e mordiam-nos com sutileza, olhando o tempo todo para a sacerdotisa que gemia, assombrada com o fogo que queimava impiedoso em seu baixo ventre. Ela não resistiu e levou a mão à vulva para se masturbar, mas foi impedida.

— Solte-me...

— Não — responderam os dois. Um deles desferiu uma trilha de beijos e afagos pelo abdômen de Kikyou, até chegar à virilha e começou, enfim, a satisfazer a jovem, estocando-lhe a abertura vaginal com a língua; o outro permaneceu acariciando seus seios com a boca e as mãos. Ela gritou, sem se conter mais, fechando os olhos ao experimentar todo aquele prazer duplo. Naraku retirou a língua de dentro do canal e se dedicou a deslizar os lábios pelo clitóris da moça, introduzindo um dedo nela e girando-o devagar.

A jovem gemia alto, suplicante, sem mais suportar os estímulos contínuos em seus pontos erógenos. O orgasmo veio rápido, junto de um agudo brado de satisfação. Ela tombou a cabeça na grama, respirando pesadamente, quando, ao abrir os olhos, se viu com apenas um hanyou, que a encarava cheio de contentamento, apesar da expressão cansada na face suada.

— N-Naraku...

— Isso foi apenas um teste, meu doce anjo... Acha mesmo que eu iria fazer isso com você aqui, a céu aberto, sem um mínimo de conforto? Como eu poderia dar o prazer devido à mulher que amo sobre esses pedregulhos?

— M-mas... Você não chegou lá comigo...

— Humm. Queria me ver gozando?

— Ora... Claro, eu... Eu me importo com você...

Os tentáculos do aracnídeo os envolveram subitamente. Kikyou arregalou os olhos; Naraku apenas lhe beijou candidamente a testa. A pele de babuíno, como que por encanto, envolveu o casal.

— Teremos todo o tempo do mundo para gozarmos juntos, minha querida. Agora... Você vai comigo para a Cidade dos Samurais¹.

— Hein?! Mas por quê?!

Uma nuvem de miasma os circundou enquanto o hanyou usava seus poderes para voar com Kikyou. Apesar de fraco ainda, Naraku conseguia se mover a uma velocidade espantosa. A moça ainda perguntou mais uma vez, agarrada a ele:

— Por que está me levando para a Cidade dos Samurais?

— Aguarde e verá — sorriu ele, grudado à sacerdotisa com a maior das satisfações estampada na face.

***

Inuyasha, como um autêntico cão de caça, vigiava o pesado sono de Kagome, deitada e coberta na casa da sacerdotisa Kaede. A madrugada ia alta, mas ele sequer cogitava a ideia de dormir. Ficaria acordado o tempo que fosse preciso, para velar pela mocinha.

O hanyou cão apertava a bainha de Tessaiga, sem conseguir desgrudar os olhos da colegial, sentindo um peso gigantesco no coração. Era tudo culpa dele; se ele fosse mais presente na vida daquela garota que, mesmo possuída, admitia amá-lo, nada daquilo teria acontecido. Nos olhares de Sango e Kaede, as mesmas acusações. Apenas o monge fora um pouco mais compreensivo e notara o quanto Inuyasha sofria. Mais cedo, ele saíra com Sango para cortar lenha; discreto como sempre, tocou o ombro do híbrido, murmurando:

— Kagome-sama sofreu muito.

— ...

— Cuide bem dela, Inuyasha. Nós não podemos ajudá-la a curar as dores do coração... Mas você pode.

O hanyou ergueu olhos doridos de amargura para o amigo, que realmente se compadecia dele. Miroku sabia o quanto Inuyasha era inseguro; deveria encorajá-lo, não acusá-lo. E, isso, o monge era incapaz de fazer, pois compreendia bem a vulnerabilidade do coração totalmente humano que pulsava no interior do seu companheiro híbrido.

— P-posso mesmo? — sussurrou ele, acabado. — Depois de tudo isso... Foi por minha culpa, Miroku... Ela...

— Você a ama e agora sabe disso — afirmou Miroku, saindo. — É o que importa. Se andou errando com ela, passe a acertar. Você sabe o caminho.

Então eles ficaram a sós por alguns minutos. Cauteloso, Inuyasha se pôs de joelhos diante de sua querida, cujo cheiro se misturava ao de Naraku, como uma acusação constante que recrudescia a culpa do hanyou cão. Aquilo doía, mas precisava ser superado.

E Inuyasha já havia superado diversas coisas em sua vida centenária; não recuaria agora que tinha alguém para proteger. Sutilmente, ele baixou o rosto, fitando o de Kagome. Não iria beijá-la; o faria apenas se um dia ela o quisesse. No entanto, o híbrido sentiu vontade de afagar a jovem. Pousou, então, os lábios na testa e na ponta do nariz da jovem e voltou a se sentar, sem jamais olhar para outra direção.

Só agora pude descobrir que o que sinto por você sempre foi amor, Kagome.

***

Passaram-se três dias. Kikyou estava desorientada.

A bem da verdade, a sacerdotisa andara desorientada desde que pusera os pés naquela grande propriedade da família Kagewaki e Naraku simplesmente desaparecera, deixando-a sob o cuidado dos vários empregados da bela machiya².

O hanyou a surpreenderia totalmente na madrugada do primeiro dia, quando invadira seu quarto na surdina com seus passos silenciosos. Deitada, porém desperta, Kikyou ficou impressionada ao avistar seu anfitrião com aparência totalmente humana. Ele apenas sorriu enigmaticamente ao ser questionado.

— Vamos, Naraku, me diga a verdade — sussurrou a jovem. — Por que estamos aqui? Essa machiya é sua? Onde você passou o dia?

— As mulheres estão cuidando devidamente de você, minha doce miko? — indagou ele, manhoso, enchendo-a de carícias e buscando beijá-la. A jovem se esquivou do hanyou.

— Não tente me bajular!

— Ora, não me negue seus lábios deliciosos. Estamos sem nos ver desde a madrugada passada...

— É isso que está me incomodando. Por que não posso saber onde esteve?

— Porque não — respondeu Naraku, já rindo da afobação de Kikyou.

— “Porque não” não é resp- — e a sacerdotisa foi interrompida pelo beijo que ele tanto queria dar. O hanyou aproveitou para, agilmente, se deitar sobre ela, mergulhando nos lábios da jovem. O casal se beijou por alguns momentos até se apartarem, sem ar.

— Kikyou... — sussurrou o moreno, encarando-a com um vislumbre de fascínio. Ele tinha algo importante a dizer, mas estava cheio de medo. — Quero lhe dizer uma coisa.

— Pode falar.

— ... — Naraku olhou para o lado, parecendo receoso. Kikyou piscou, achando graça; ela nunca se acostumaria àquele lado ‘humano’ dele, que sempre se mostrava altivo e seguro de si.

O perverso então se deitou ao lado dela, apoiado sobre o cotovelo, sem parar de admirá-la. Suspirou profundamente antes de murmurar:

— Eu quero que... Seja minha.

— Ah... — ela franziu o cenho. — Acho que... Já o sou. Fizemos amor tantas vezes...

A menção ao “fazer amor” levou o hanyou a sorrir bobamente, mas logo ele se recompôs e pousou a mão sobre a bochecha da sacerdotisa.

— Fazer amor vincula e conecta corpos... Seu corpo recebendo o meu é maravilhoso, mas já não tem sido o suficiente para mim. Eu preciso de mais do que isso, Kikyou.

— Mais do que isso?

— Exatamente.

Naraku beijou-a de novo para dissipar um pouco a ansiedade que se lhe pesava no coração. Ele detestava a sensação humana de insegurança. Oras, ele era um poderoso demônio, não um rapazote hesitante de dezesseis anos! A jovem o notou perturbado e segurou-lhe a mão.

— Pode ser mais claro? Você parece estar com medo de alguma coisa. Diga o que o incomoda, não vou julgá-lo.

— Como sempre, perspicaz, minha doce miko — comentou ele, apreciando o calor da mão dela enlaçada à sua. — De fato, estou nervoso.

— Por quê?

— Porque... Porque estou apavorado só de imaginar ouvi-la dizendo um ‘não’ para mim.

— Mas o que é que você quer? Se não disser, não saberei nunca — sorriu ela. — É algo tão pernicioso assim?

— Depende do seu ponto de vista.

— Ora... Naraku, não é melhor que diga de uma vez? Eu estou começando a ficar preocup-

— Estive com o sacerdote deste vilarejo e ele disse que pode celebrar o nosso casamento depois de amanhã — disparou Naraku, falando aos borbotões.

Kikyou parou de falar; seus olhos se arregalaram e sua boca se secou. De imediato, a jovem se pôs sentada, fitando o hanyou que já havia se arrependido de dizer aquilo.

— V-v-voc-

— Eu e esta minha grande boca... — resmungou Naraku, se colocando de pé e caminhando em direção à porta de correr. — Pode voltar a dormir, não vou incomodá-la mais. Eu... Compreendo perfeitamente a sua recusa.

— Não, não! — e a jovem se levantou às pressas, correndo até o araneídeo que não quis se virar para ele. — Naraku, o que... O que você disse mesmo?!

— Esqueça.

— Não quero esquecer! — e ela o obrigou a olhá-la, notando que Naraku estava perturbadíssimo. — Você não... Estava brincando comigo, estava?

— Jamais faria isso. Sabe que sou um livro aberto para você.

— Você me pediu em casamento...

Naraku a encarou profundamente com seus olhos tristes e magoados, tentando se afastar de Kikyou.

— Pedi — murmurou ele.

A moça, segurando o antebraço do hanyou, fitou o nada, seus pensamentos a mil por hora. Ela almejava poder ser uma mulher comum, viver uma vida conjugal feliz ao lado de quem amava, gerar filhos. Naraku havia posto um fim em tudo aquilo, mas eis que agora ele mesmo apresentava uma oportunidade a ela de recomeçar. Realmente, ele era um ser perigoso e traiçoeiro, mas aos olhos de Kikyou ele era totalmente decifrável. A mera presença dela levava-o a se trair, revelando seus sentimentos e emoções mais íntimos.

E ela estaria mentindo se dissesse que seu coração não palpitava pelo seu antigo algoz. Sonhava com os olhares doces, os lábios gentis, o prazer compartilhado, as palavras de amor.

Amor...?

Eu amo, ou amava, Inuyasha... Aliás, não sei mais o que sinto por ele... Porém, com Naraku tudo muda. Ele, mesmo sendo tão ruim, me fez sorrir para a vida, me mostrou o que é a felicidade... Odiando-o ou amando-o, estarei eternamente ligada a esse demônio... Quando optei por amá-lo, passei a sofrer bem menos... Aceitar o amor dele tem sido a minha cura...!

— Eu a-aceito — disse ela num cicio, já chorando. O sobrolho do hanyou se ergueu e ele se sentiu enregelar por dentro.

— Como?!

— Aceito... — e Kikyou o enlaçou fortemente nos braços, soluçante. Naraku estremeceu e fê-la encará-lo; ele estava totalmente pálido.

— K-Kikyou... Você deve ter ficado louca...

— F-fiquei louca, sim. Eu q-quero... Quero viver com você para sempre... Eu te odeio, mas te amo...

Ouvir a sacerdotisa dizer aquilo teve um efeito inesperado no moreno; ele a afastou de si, com uma pequena careta, e resmungou um “volto logo” antes de sair literalmente correndo porta afora, sumindo no corredor escuro. À moça restou sentar-se no futon onde iria dormir, tentando se acalmar, tocando o próprio rosto, suspirando e imaginando as consequências que teria ao se unir a Naraku em matrimônio. Ainda não tinha total segurança sobre seus sentimentos por ele; intuía, contudo, que aquela não era uma paixão de verão.

Era algo mais profundo e denso, que brotava em sua alma após ver que era, sim, capaz de querer perdoar e permitir a ela que o amasse de verdade.

— Kami-sama... — murmurou ela, fungando e enxugando os olhos. — Ele quer se casar comigo...

Naraku voltaria uns dez minutos depois, respirando profundamente, uma coloração estranha na face. Parecendo constrangido, ele se sentou devagar ao lado da sacerdotisa, olhando para ela de soslaio. A jovem estranhou aquela pudicícia do moreno.

— Está tudo bem, querido?

— Oh... Sim, sim, estou — respondeu ele, sem parecer de fato estar bem. — Só um pouco... Desconfortável... Sabe, hoje fui obrigado a comer junto com esses humanos para que eles creiam que sou mesmo o senhor desta propriedade. Agora vejo que não foi uma ideia tão boa.

Kikyou o olhou de forma interrogativa; o hanyou agora estava vermelho como um pimentão.

— Mas qual é o problema? Youkais comem, meio-youkais também. Ou você não se alimenta nunca?

— É que nunca sinto fome, querida, então suporto ficar semanas sem comer. Este organismo composto de youkais é diferente de tudo o que você já viu, isso eu posso garantir — disse ele, num esgar de descontentamento que a jovem não compreendeu.

Fizeram um pequeno silêncio. Kikyou se colocou no campo de visão de Naraku, forçando-o a olhar para ela.

— Naraku... — começou a dizer a jovem. — Você quer mesmo se casar comigo?

— Para que quer falar sobre isso? — retrucou ele, meio aborrecido; era a insegurança lhe assaltando de novo. — Se está com pena de mim, eu recuso. Não preciso ser o objeto da compaixão de ninguém.

— Não é nada disso.... Eu...

— Se não pode me amar, esqueça o que eu disse, foi um erro de minha parte. Você não conseguiria chegar a esse ponto de me querer como marido e...

— Dá para calar essa boca?! — explodiu ela, levando-o a arregalar os olhos. — Até agora você não entendeu, Naraku?! Eu não sou alguém que ama “mais ou menos”. Se aceitei me casar com você, é porque meu coração e minha razão decidiram isso.

— Mas... Mas, Kikyou, e o nosso passado?!

— Eu opto... — uma lágrima desceu pelo rosto da sacerdotisa. — Por deixá-lo lá mesmo, no PASSADO. Não que eu tenha conseguido perdoar o mal que me fez, mas... É o que meu coração pede... E decido recomeçar com você.

O hanyou levou uma mão à boca, enquanto encarava sua querida, ainda bastante chocado. Na realidade, Naraku ainda acreditava que o sentimento que Kikyou alegava ter por ele poderia ser apenas uma paixão inconsequente — todavia, a sacerdotisa o estava deixando surpreso a cada minuto.

— Meu doce amor... — sussurrou o moreno, meio rouco e comovido. — Eu... — ele fez mais uma careta e se levantou com urgência. Trincou os dentes, lamentoso: — Maldita hora para se ter um desarranjo!

Kikyou não sabia se continuava a chorar pelo clima romântico do momento ou se ria pelo sufoco que o atribulado Naraku enfrentava. Afinal, era inacreditável que um demônio poderoso como ele fosse suscetível a diarreias de ordem emocional.

E mais uma vez o araneídeo foi correndo para fora do quarto com as mãos no abdômen, resmungando imprecações e xingamentos a si mesmo.

***

O dia do casamento enfim chegou.

Naraku não conseguia acreditar que estava mesmo vivendo aquilo.

Kikyou, ao seu lado, enfurnada num shiromuku[3] pesadíssimo, tendo a cabeça coberta por um tsunokakushi[4] branco. Contudo, não era a roupa nupcial que o embasbacava e sim aquele olhar doce de aceitação dela para ele, que, para todos os efeitos, era o jovem Hitomi Kagewaki, senhor da machiya — ele inclusive, estava usando o sotaque de Kyoto para parecer ainda mais autêntico.

A cerimônia xintoísta havia chegado ao fim e o sacerdote os despedia após a última prece. Não que Naraku acreditasse nos deuses, mas ele sentia que deveria começar certo com a mulher que preenchia todas as lacunas do seu coração. Afinal, apesar de que ninguém ali sequer imaginasse a verdade sobre ambos, Kikyou era uma sacerdotisa. Ela morrera e renascera carregando sobre si aquela incumbência. O hanyou, então, intuiu que a agradaria se respeitasse suas crenças religiosas — e acertou em cheio. Ele nunca havia visto sua querida tão deslumbrante, tão viva, apesar de ser um espectro.

Cinquenta anos de angústia. Cinquenta anos onde ele converteu sua dor incurável em combustível para o exercício da diabolicidade, da mentira, das armadilhas e dos homicídios que cometera. Entretanto, tudo aquilo era como poeira que cai ao solo ao primeiro sinal de chuva. Kikyou era sua chuva, a chuva que refrigerava a alma maligna que esteve no inferno da rejeição e a resgatava para um local de bênçãos e paz.

Como ele se mostrava totalmente humano, naturalmente suava bastante naquela tarde ensolarada. Os cachos presos no topo da cabeça e o haori preto de seda com o hakama acinzentado deixavam Naraku com a aparência exata do que ele tanto queria mostrar ao populacho: um daimyō jovem e sortudo por estar desposando aquela jovem desconhecida e tão bela.

Kikyou, por sua vez, caminhava devagar; seu coração batia sôfrego no peito. Ao olhar para toda aquela gente a saudando e desejando para o casal felicidades para a nova vida, ela tremia. Ainda era muito difícil para a sacerdotisa assimilar o fato de estar se casando voluntariamente com seu pior inimigo; tudo estava acontecendo rápido demais, mas ela não queria pensar nisso.

Era uma nova vida para ambos, ela tinha certeza. Eles seriam felizes. E, ao olhar para o seu agora marido comovido e vermelho andando ao seu lado, Kikyou sorriu como se tivesse acabado de receber o sopro da vida. Eles não estariam livres de problemas, mas com o amor que sentiam um pelo outro, não tinha como dar errado.

O casal se olhava com ternura e receios. Tanto Naraku quanto Kikyou desejavam ardentemente que aquele plano de viverem a dois como um casal comum produzisse bons resultados.

Ambos estavam fartos de sofrer.

Tanto que ela mal notou que a festa havia acabado e que, agora, seu homem a carregava nos braços, entrando no quarto dele. Naraku ordenava aos servos que deixassem-nos pernoitar sozinhos naquela noite; o castelo estava deserto. Mal adentraram o cômodo, a jovem viu os olhos do marido se tornando vermelhos e a pele dele ficando ligeiramente mais fria. Ambos caíram no futon; devastado de desejo, o araneídeo destruiu as belas roupas de ambos com as unhas, assustando um pouco Kikyou.

— Para que tanto pano?! — resmungou Naraku, despedaçando as vestimentas.

— Ei... Seu maluco, eu iria tirar o quimono, não precis- — e a jovem foi interrompida com um beijo faminto. Enquanto a beijava, Naraku aproveitou para se livrar das tiras de tecido das roupas danificadas.

— Três dias sem te tocar... Três dias louco de vontade de invadir aquele quartinho e te matar de tesão... — gemeu ele, levando uma das mãos ao próprio pênis dilatado e o afagando. Imediatamente os olhos da sacerdotisa foram atraídos para aquele onanismo lento e torturante; ela então o fez se deitar sobre o futon e agarrou-lhe o membro, fazendo uma sucessão de carícias por toda sua extensão. O moreno se retorceu de tesão, gemendo alto. A moça pareceu ficar receosa.

— O... O que foi, minha querida? — indagou ele, percebendo o desconforto dela. — Está com medo de que nos ouçam? Não há ninguém aqui.

— Todos foram embora?

— Sim, mandei todos aqueles humanos para suas casas. Nós dois somos meio indiscretos, não é mesmo?

— Você não sabe ficar quieto quando estamos juntos. Sempre grita ao gozar.

— Ora... Mas você também! — e ele riu, malicioso, ao ver que ela enrubescia. — E eu prefiro que grite mesmo, que mostre ao mundo que aprendi com louvor a arte de te dar prazer... Não se preocupe com nada, meu doce anjo. Agora vire-se para mim, quero ver essa florzinha bem aberta...

Ainda meio sem jeito, Kikyou se colocou de joelhos separados sobre Naraku e, como estava ainda com o membro dele em sua mão, inclinou-se totalmente para colocá-lo em sua boca e sugá-lo, arrancando um brado do moreno. A sacerdotisa acabou rindo, voltando a masturbá-lo.

— Você é tão escandaloso...

— Ohh... Sou?

— Sim, é. Esse grito quase estremece o telh-AAAH!

A moça foi surpreendida pela língua do hanyou em sua vulva. Com as mãos, Naraku separou suas nádegas, expondo o sexo delicadíssimo de Kikyou, e ria com os lábios pressionados contra o clitóris que pulsava pelo prazer de receber tanto as carícias quanto as vibrações do som da voz dele. Com o canto do olho, ele chegou a vê-la contorcendo o pé. Riu de novo e esfregou a língua pelos pequenos lábios da sacerdotisa, que não resistiu e gritou de novo. Querendo se “vingar”, Kikyou recomeçou a lamber e sugar o sexo dele. Assim, ambos ficaram alguns minutos dando prazer um ao outro e deixando escapar suas expressões de tesão, sem se importarem com o volume das mesmas.

Até que passos foram ouvidos no corredor, levando Kikyou a ficar paralisada de constrangimento.

— N-Naraku, tem alguém no... — ela uivou com o dedo do homem sendo introduzido em sua vagina.

— Não... Não há ninguém.

— Ohh... Eu... Eu ouvi... AHH, A MINHA... — gritou a jovem mais uma vez, sentindo que Naraku curvara o dedo e alcançara um local altamente sensível em seu canal contraído. Satisfeitíssimo pela descoberta nova, o hanyou insistiu em acarinhá-la ali, pressionando moderadamente para não machucá-la, e lambendo velozmente o pequenino órgão erétil da sacerdotisa.

Os passos, mais uma vez, se fizeram ouvir do lado de fora do quarto, provocando um arrepio em Kikyou. Ela já não continha mais seus gemidos altos de tesão; aquela sensação de estar sendo observada a deixava nervosa e, ao mesmo tempo, muito suscetível ao prazer. Entretanto, Naraku, que estava diminuindo a intensidade dos toques para que ela não gozasse, afirmou:

— Você estava certa, meu amor... Tem alguém no corredor. Não, não, não — e ele se antecipou à ação óbvia da sacerdotisa de olhar para trás. — Não olhe agora. Aquele indivíduo está nos vendo...

— M-mas, Naraku... Isso é d-demais para mim, eu...

Shhh... Calma. Eu tenho tudo sob controle, lembra?

A porta de correr finalmente foi aberta. Kikyou endireitou o corpo na mesma hora, assustada, e seus olhos quase saltaram das órbitas ao ver um segundo Naraku, despido, com uma expressão teatral de espanto.

—Impressionante, Naraku — disse ele, fitando o casal. — Essa sua esposa é uma mulher muito safada.

Os dois acabaram desfazendo a posição do 69, ela ainda com o coração disparado. Olhou meio aborrecida para o moreno que estivera consigo até então:

— Puxa... Você me assustou.

— Por que, meu anjo? — replicou o primeiro Naraku. — Ficou com vergonha agora que tem dois mastros ao seu dispor?

— ...

— Não deveria, pois nós não ficamos — gracejou o outro. — Ora... Que carinha séria. É assim que você recebe o seu marido?

— ... — a visão do hanyou duplicado ainda confundia a jovem, mas ela não teve muito tempo para pensar no que ela considerava uma habilidade bizarra de Naraku. Logo o Naraku recém-chegado se dirigiu a ela, de joelhos, as mãos no sexo rijo e um olhar sugestivo. Meio atônita ainda, Kikyou se ajoelhou também e se inclinou para provar com os lábios o órgão do hanyou, que afastou a franja dela de sobre seus olhos.

Qual não foi a surpresa e o deleite da sacerdotisa quando, sem aviso, a outra réplica se pôs atrás de si e levou os lábios aos lábios vaginais dela, dando-lhe uma única e potente sugada naquela área sensível. A jovem estava a ponto de explodir; retirou da boca o pênis do clone à sua frente e começou a masturbá-lo, respirando pesadamente, gemendo e por fim gritando quando Naraku a invadiu, estocando-a com vigor e declarando sua imensa alegria naquele coito entre juras de amor e obscenidades.

Mas o Naraku à sua frente tocou-lhe o rosto, chamando sua atenção, exigindo mais toques. Já tonta, a jovem baixou os lábios mais uma vez para seu genital e estimulou a glande rósea, arrancando mais brados de prazer dele. Um urro a mais e ele se derramava em sua boca, fazendo-a se atrapalhar e deixar escorrer o denso sêmen, sem conseguir deglutir aquilo; ao mesmo tempo, o hanyou que a penetrava atingia também o ápice, gozando fartamente no interior de Kikyou. Ofegante, o segundo Naraku a puxou delicadamente para si, rompendo a conexão entre ela e o primeiro.

— Está tudo bem, querida? — perguntou ele, afável.

— Eu... Eu...

— Sim, ela está bem, muitíssimo bem — afirmou o outro, com malícia. Naraku estava adorando aquele teatro inusitado. — E ficará melhor ainda depois que você e eu dermos prazer a essa delícia entre suas pernas. Não é, miko safada?

— Kami-sama, isso tudo é muito... Surreal! — balbuciou Kikyou.

A sacerdotisa não queria admitir que estava derretendo de tesão com os dois Narakus. Eles, porém, riram dela; o segundo se colocou abaixo de si, fazendo-a se inclinar de novo como na posição 69. As lambidas no clitóris vieram rápidas e precisas e ela se contorceu de prazer; porém, Kikyou não imaginaria que a outra réplica de Naraku viesse por trás de si e se pusesse a lamber sua entrada traseira. Apesar de ter se dividido em dois corpos, o hanyou tinha uma única consciência; ele mesmo estava um pouco espantado, pois não imaginava que seria capaz de ter uma ideia pervertida daquelas.

— NARAKU...! AHH! O Q-QUE ESTÁ FAZENDO?!

A resposta foi uma gargalhada dupla. As línguas dos clones a estimulavam devagar e simultaneamente, já que ambos cuidavam de retardar o orgasmo da moça. Ela, enlouquecida, chegou a chorar de agonia, pedindo clemência. Não demorou para que Kikyou, trêmula, fosse engolida por um clímax violento, que a fez se retorcer e tombar sobre o corpo do segundo Naraku e soluçar alto, ao passo que seu sexo pulsava em espasmos, chegando mesmo a espirrar algumas gotas de fluidos no rosto do primeiro Naraku, que gargalhou mais uma vez ao presenciar aquela resposta do delicado corpo feminino.

— OHH! Q-que gostoso... — exclamou ela. — Você vai acabar me matando...

— Bem que eu poderia tê-la matado dessa maneira há cinquenta anos — respondeu o segundo araneídeo, zombeteiro.

— Palhaço... — retrucou Kikyou, respirando com dificuldade.

Cuidadosos, os dois clones desfizeram aquela posição e, fazendo com que Kikyou se deitasse, abraçaram-na e lhe fizeram carícias singelas no rosto e nos cabelos, aguardando até que o dilúvio de emoções da sacerdotisa amainasse.

A jovem acabou dormindo pesadamente por uns vinte minutos; nesse ínterim, quatro mãos resolveram massagear suavemente seu corpo com óleo de madeira de aloés.

Ao despertar, Kikyou sentiu um cheiro agradável; deitado de bruços à sua frente, um único Naraku abria os olhos devagar e a fitava com ternura. Acima da cabeça dos dois, um recipiente vazio; só então Kikyou percebeu que ela e o hanyou estavam lambuzados de óleo. O odor daquela especiaria, somado à visão de seu querido nu e besuntado com aquilo, reacendeu na jovem um tesão grandioso e voraz, que chegou a assustá-la e fazê-la pensar se ele não a estava enfeitiçando para que ficasse tão fogosa. Virando-se no futon para ficar de frente para o moreno, ela indagou:

— Onde está o...

— O outro Naraku? — respondeu ele, trocista. — Foi descansar, você nos deixou exaustos, miko safada.

— Ora...

— É verdade... Dividir-me em dois é bem mais complexo do que o feitiço do kugutsu[5]. É a minha alma que se reparte, não apenas o meu corpo, Kikyou.

A sacerdotisa arqueou uma sobrancelha, aproveitando para afagar o rosto do seu agora marido.

— Mas o que você fez para dividir a própria alma? Isso vai além de todas as magias que conheço.

A fisionomia de Naraku se entenebreceu e ele ficou claramente angustiado. Suspirando, puxou a jovem para um abraço.

— Foi há cinquenta anos — explicou o hanyou. — Acho que não preciso dizer a você a ocasião. Enfim... Desde aquele evento em particular, minha alma se fragmentou. E, a cada vez que mato alguém, ela se divide mais[6]. Como não é nada agradável, faço com que outros seres matem meus inimigos no meu lugar.

— ... — Kikyou sentiu o desconforto do homem e permaneceu quieta. Ele, contudo, continuou a falar; queria que ela soubesse de tudo sobre si.

— Por causa disso é que consigo criar novos youkais a partir do meu próprio corpo. Como vê, eles têm espírito e personalidade próprios e distintos. Kagura, por exemplo, odeia a minha pessoa e odeia ter que ser submissa a mim.

A sacerdotisa agora deslizava os dedos por todo o rosto do demônio.

— Ela é uma típica filha rebelde... — comentou Kikyou, pensativa. Naraku fez um muxoxo.

Filha, não.

— Mas poderia ser. Você a gerou, como gerou Kanna.

— Gerei aquelas youkais com um propósito bem menos humano, e elas o sabem. Falando nisso... — o hanyou se apoiou sobre o cotovelo. — Você quer que eu lhe dê filhos, não quer?

Foi a vez de Kikyou se consternar.

— Não posso ter filhos — replicou ela, num tom neutro. — Sou apenas um espectro, meu corpo é de barro.

— Não é o que parece. Você é toda macia, fofa, olhe que delícia — afirmou Naraku, pinçando o mamilo da moça e ganhando um tapa na mão, que o fez rir de leve. — Eu ouço seu coração bater, sinto o cheiro humano que emana desse corpo lindo. Você até sangrou quando tivemos nossa primeira vez.

— Foi por causa da minha nigimitama[7], que ainda estava presa a este mundo, devido às... Circunstâncias pelas quais morri... Ela ainda continha meus poderes. Somado ao rei[8] de Kagome que esteve momentaneamente comigo e que me despertou, meu corpo renascido pôde reaver o houriki que possuí quando era viva, sem que aquela garota precisasse morrer. Mas, apesar de parecer carne e osso, a origem deste corpo é o barro e a feitiçaria daquela maldita bruxa Urasue. Não quer dizer que eu seja uma mulher de verdade, que possa gerar um filho.

— Oh... Entendo, minha doce miko. E, a bem da verdade... Não sei se a semente do meu corpo é fértil. Provavelmente não é. São mais de mil youkais que compõem este organismo...

O casal se encarou. Era ainda estranho compartilhar aquelas informações particulares, mas nenhum dos dois achava ruim. Agora que eles dividiriam tudo como marido e mulher, não havia motivo para segredos; apesar de que Naraku gostaria muitíssimo de omitir o estado em que ficava, quando perdia os poderes youkais todos os meses.

— Se quiser, Kikyou — murmurou o araneídeo, perdido nos olhos da sacerdotisa — Posso gerar um bebê para você.

— O quê?!

— Sei que não seria a mesma coisa, mas, se você quer, é isso que eu vou fazer. Só que, obviamente, ele não será um humano. Carregará sangue de youkai nas veias... Espero que não se incomode.

Ela se jogou sobre Naraku, comovida.

— Não, eu... Não quero, prefiriria eu mesma gerar uma criança no meu ventre, se tivesse oportunidade... Mas fico muito feliz por você se prontificar a fazer isso por mim, amor, eu não esperava que...

— Chamou-me de “amor”?! — interrompeu-a ele, sobressaltado. Nem ela havia se dado conta disso; Kikyou coçou a nuca, tímida e surpresa consigo mesma.

— ...

— Foi tão natural... Tão espontâneo...!

O homem a agarrou, beijando-a enlouquecido. Os lábios do casal se encontraram pressurosos, urgentes, e Kikyou entendeu o motivo de o hanyou ter aplicado aquele óleo nos corpos de ambos — a fragrância, somada à textura escorregadia que proporcionava à pele do casal, deixava os dois muito mais predispostos ao prazer do sexo. Naraku e suas estratégias...

— Nunca imaginei... — ofegou ela, notando o quanto seu íntimo desejava ter o moreno. — N-nunca imaginei que chegaria a esse ponto... Mas... Eu amo você...

— Kikyou...! Acaso quer abusar de minha humanidade e me fazer chorar?!

As mãos de Naraku alcançaram os bicos dos seios da jovem e os afagaram superficialmente, apenas para provocar Kikyou e deixá-la mais ansiosa por tê-lo consigo.

— Eu, Naraku, sou capaz de destruir o mundo para te fazer feliz... Faço tudo... TUDO... — afirmou ele, apaixonado, exclamando alto quando a sacerdotisa se deitou sobre si. Contudo, ele ficou bastante surpreso ao ver que Kikyou “subiu” por seu corpo, colocando cada joelho ao lado de sua cabeça; ela expôs a vulva com os dedos e a colocou diante de seu rosto, sem vergonha alguma. Sem se fazer de rogado, o hanyou beijou o sexo da moça, deslizando a língua por cada centímetro daquela estrutura frágil.

Fascinada tanto pelo prazer quanto pela emoção por estar ali, como uma mulher comum que se entrega a um homem por amor, Kikyou arfava, dizia coisas desconexas, instigava Naraku a satisfazê-la enquanto requebrava o quadril sobre o rosto dele. Logo a jovem sentiu que um dedo úmido do araneídeo tocava despretensioso seu esfíncter anal e, sem temer, procurou relaxar para receber a carícia do marido; cuidadosamente o indicador do moreno foi sendo colocado dentro daquele espaço tão contraído, cuja dona suportou bravamente o desconforto inicial do toque ousado. O deleite percorria o corpo de ambos como fagulhas elétricas; o pênis de Naraku doía, inchado e rijo ao extremo, e expelia fluidos em abundância, ao passo que ele se contorcia debaixo da sacerdotisa.

Dois dedos úmidos de óleo entravam e saíam do canal da moça que agarrava os próprios mamilos, fitando os olhos vermelhos do moreno que prosseguia a prová-la com sua boca; excitada como estava, ela não notou um súbito aumento do youki do hanyou. O ápice estava prestes a engolfá-la; ela correu a se endireitar sobre o corpo de Naraku, cuidando de encobrir seu membro com a genitália. Antes que a sacerdotisa se pusesse a quicar sobre o demônio, este a segurou gentilmente pelos quadris, dizendo:

— Calma, minha deusa...

Calma, não senhor. Eu preciso... Solte-me...

— Só queria sugerir outra posição que vá cansá-la menos...

Kikyou suspirou profundamente, agoniada de desejo, enquanto Naraku a fez se deitar de lado, com as costas viradas para ele. O moreno pegou a coxa da moça e sugeriu que Kikyou a mantivesse dobrada e apoiada sobre ele, enquanto aproveitava para bater de leve na vulva molhada da jovem com seu membro. Logo a sacerdotisa entendeu a real intenção de Naraku, quando sentiu que ele penetrava seu ânus sem pressa; a princípio ela se contraiu, por não estar acostumada àquilo, mas era impossível ignorar o clamor de seu corpo por mais prazer. Paciente, o hanyou deixou que ela conduzisse a relação, movendo o quadril de encontro ao dele, enquanto aproveitavam para se beijar e trocar afagos.

— Ai... I-isso dói... — admitiu ela, que segurou a mão de Naraku com força.

— Não se preocupe, vou cuidar para que não doa mais...

Ele a olhou profundamente e, em resposta, beijou-a; seu youki se intensificou mais uma vez e a jovem se surpreendeu quando abriu os olhos e vislumbrou um segundo Naraku saindo das costas do primeiro. Este, mais do que depressa, se postou diante da sacerdotisa, pegando-lhe a mão.

— Voltei, minha querida... Sentiu falta do pau que você chupou mais cedo?

— ...

— Tsc. Que deselegante, Naraku — disse o primeiro, achando graça nos olhos espantados de Kikyou, que definitivamente se sentia estranha no meio de dois homens, apesar de estes serem um só. — Não constranja minha pobre Kikyou. Ela precisa se descontrair para que eu possa lhe comer o rabo.

— Naraku... — reclamou ela. — Que linguajar obsceno...

— Mas você gosta... Gosta que eu enfie tudo nesse cu guloso, não gosta? Da outra vez, meti até a metade, mas hoje vou colocá-lo por inteiro — replicou o segundo clone, pegando em seus dois seios e os estimulando enquanto a beijava. O tesão da sacerdotisa, momentaneamente arrefecido pela “chegada” do segundo Naraku, se acendeu fortemente mais uma vez.

As carícias e a movimentação sutil fizeram com que a moça aos poucos se desinibisse; quando a língua da segunda réplica de Naraku lhe chegou ao umbigo, ela desatou a gemer alto e a se empurrar em direção ao membro do primeiro, que, aos poucos, conseguia penetrá-la por completo. Ensandecida, Kikyou agarrou a cabeça de Naraku e a forçou para baixo; ele riu com gosto antes de desferir beijos e chupadas no clitóris e pequenos lábios da sacerdotisa. Imersa naquele deleite inusitado e poderoso, a jovem gritou quando o clone de trás intensificou um pouco mais as estocadas. Era tudo muito indecente e totalmente contrário aos seus princípios, mas era viciante. O demônio com quem ela obtinha tal prazer havia, sem dúvidas, trazido novas cores para sua vida cinzenta.

— N-Naraku...! — exclamou ela, suada e ofegante. Seu ânus doía quase que imperceptivelmente, ela mal se dava conta disso. — Me f-fode...

— Ah... Kikyou... Sinto-me honrado ao te dar esse prazer... Ver meu mastro fodendo esse cuzinho tão apertado...! Eles se encaixam tão bem... — sussurrou o araneídeo.

— E essa bocetinha parece ter sido feita para me abrigar dentro dela — afirmou o hanyou que estava à sua frente. — Ah... Amor da minha vida... Será que eu posso... Penetrar aqui também?

— COMO?!

Um dedo deslizou devagar para o canal vaginal da moça, cujos olhos se abriram em total espanto.

— Dói? —indagou ele.

— N-n-não, mas...

— Interessante. Significa que você deve aguentar receber mais um desses — disse o moreno, tocando o próprio sexo. Kikyou tentou protestar, mas foi silenciada com um beijo que Naraku lhe deu para tranquilizá-la. — Calma, não vou fazer isso de qualquer jeito. E, caso comece a te machucar, paramos com tudo, pode ser?

— M-mas isso é demais para mim, Naraku! Não vou suportar!

O Naraku às suas costas beijou-lhe o pescoço.

— Nenhum prazer é demais para a minha esposa.

— Não mesmo. Já te fiz sofrer muito... Agora quero te fazer feliz... — afirmou o da frente, beijando-lhe a boca. Não demorou para que ele iniciasse uma penetração lenta na cavidade úmida da sacerdotisa, que estava assustada com o que ela considerava o cúmulo da perversão.

Entretanto, o corpo de Kikyou não desaprovou a nova sensação e agradeceu quando seus dois canais receberam os dois pênis do marido dividido em dois clones. Por sorte, Naraku se considerava tão inexperiente no sexo que demonstrava um cuidado extremo em cada gesto, o que felicitava muito a sacerdotisa.

Ela passou a respirar pela boca, transpirando em profusão, revirando os olhos, gemendo sem pudor enquanto era penetrada pelo clone de Naraku que estava diante de si. O de trás, contudo, reduziu a força das investidas — a situação excitava o casal ao máximo, mas exigia cautela; caso ele fosse bruto, machucaria muito a jovem. Poucos minutos depois, Kikyou deu um brado, não suportando mais o tesão que estava vivenciando.

— Mais, mais! Naraku... Eu... Não estou mais... Aguentando... OHHH... — ela se contorceu e tremeu entre os dois, seu centro de prazer pulsando com violência em resposta aos sexos que a invadiam.

— P-por favor, suporte só um pouco mais... Ahh... Perfeito... KIKYOU...! — gritou o primeiro Naraku, sendo logo acompanhado pelo segundo. Ambos atingiram o ápice poucos segundos depois do orgasmo da jovem quase desfalecida.

A réplica de Naraku à sua frente lhe deu um último beijo, antes de se erguer e ir para trás do outro, que discretamente o absorveu pela sua cicatriz de aranha. A sacerdotisa ainda respirava com dificuldade; o hanyou fê-la deitar de costas e pousou a mão em seu ventre.

— Eu a machuquei? — perguntou ele, docemente, mas ela já estava dormindo. O hanyou sorriu e intuiu que havia esgotado as forças da sacerdotisa, já que ele mesmo estava exausto pelo esforço.

Naraku afastou a franja úmida de sobre a testa de Kikyou, admirando-a. A jovem ressonava serena; ele ouvia os batimentos cardíacos dela e mordeu o lábio, seus olhos se enchendo de lágrimas de júbilo. Kikyou estava viva, o amava e agora havia se unido a ele em matrimônio. Comovido, o hanyou beijou de leve a bochecha da sacerdotisa. Enfim poderia ter uma vida normal, ao lado da sua adorada. A vida parecia ter lhe trazido a sorte grande.

Contudo...

A Joia de Quatro Almas guardada em seu ombro pareceu reagir à sua emoção e os olhos de Naraku tiveram um estranho lampejo.

A influência do mal se sobrepôs à frágil humanidade do araneídeo, que sorriu de forma sinistra.

Seremos felizes, Kikyou. Seremos felizes. Você vai reaver os fragmentos para mim, a Joia será completa e eu serei um youkai completo. Ela satisfará todos os meus desejos e ninguém poderá me deter; desta maneira, então, eu, Naraku, serei o youkai mais poderoso do mundo...

— Hu, hu, hu, hu, hu...

***

1 — Cidade dos Samurais: expressão referente à cidade de Kyoto, como era chamada no Período Sengoku.

2 — Machiya: tradicional casa de madeira de dois andares. É um dos símbolos da cultura e da história de Kyoto.

3 — Shiromuku: quimono tradicional de casamento.

4 — Tsunokakushi: chapéu branco nupcial, que simboliza a obediência da esposa ao marido.

5 — Kugutsu: marionete.

6 — Peguei aqui a ideia das #horcruxes de #Voldemort, o vilão de Harry Potter. Porém, no caso de Naraku, ele coloca as partes de sua alma nos youkais que gera, não em objetos.

7 — Nigimitama: a quarta parte da alma humana, que permanece no mundo quando a pessoa morre, de acordo com a teologia do xintoísmo. No caso de Kikyou, como ela faleceu num momento de extremo ódio, sua nigimitama em desequilíbrio não pôde seguir adiante — o que justifica ela ter ressuscitado louca de ódio por Inuyasha e ter permanecido viva quando Kagome recuperou de novo sua alma.

8 — Rei: espírito divino, energia que está “acima” de nós. No xintoísmo e na série, cada ser humano possui “Ichirei Shikon”: um espírito e quatro almas.

Notas finais
Vamos aos links: Roupas dos noivos: http://inesquecivelcasamento.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2015/05/KYOTO-Templo-XINTOISTA-primavera-2015-foto-oficial-do-casamento..jpg — Okaasan, de onde você tira essas ideias? — Das obras do Pangurbann! Inclusive dessas delicinhas aqui (não clique se for menor de 18 anos): http://tieba.baidu.com/photo/p?kw=%E5%A5%88%E6%A1%94&fp=1&tid=4957768455#!/pid9913855494eef01f88fb8874e9fe9925bd317d34/pn1 AMV Naraku x Kikyou: https://www.facebook.com/theokaasan/videos/233984220408778/ Inuyasha, espero que dê o valor que Kagome merece... ¬¬ Sobre o momento 'threesome' do casal: o que vocês acharam? #TodasFicaVermelha Eu não manjo dos paranauê do hentai não, só narro o que considero verossímil. E os hentais desse capítulo ficaram bem #DorgasManolo kkkkkkkkk É... O relacionamento deles evoluiu rápido até demais, vocês não acham? Mas será que as dores e mágoas de ambos passaram? Conseguirão eles ser felizes? E a Joia de Quatro Almas, que papel terá no recomeço do casal? Beijos da Mamãe @Okaasan