The Hiker
11 À Escrita
À Escrita
Escrever nem sempre é tão difícil...
Há um gosto passível na boca,
Que encanta os amores como mel.
Como o céu,
As aves ariscam sob um horizonte.
E trovões relampejam em mares distantes.
Enquanto ao sul,
A alma corre e segue ao fluxo da correnteza,
Enquanto ao norte,
Há angústia calma perpetuada em toda aspereza.
Ouve-se um poeta escrevendo com tinta e caneta,
Sobre o som das embarcações, o soar das trombetas.
Que soam secas num ritmo fúnebre.
O capitão dos mares avistou as aves ao longe,
Terra é onde pisas teu pé e levas avareza a Condes.
Monges discorreram aos montes sobre tesouros brilhantes.
Um deles, Gandhi, em sua primazia gigante,
Coroou uma vitória,
Com as aves brancas que alertam sobre terra,
Que voam sob um céu azul,
Que migram para o sul,
Que fogem do norte.
Enquanto um poeta escreve sobre nuvens,
Inerte em sua varanda, jogado à própria sorte.
Às vezes, é simples recitar em linhas frias um poema duro...
Ou colher margaridas em campos que gorjeiam murchos.
Sobre o cinturão do milho, a angústia é pacata.
Um cidadão, de maneira calma,
Masca seu trigo entre as frestas dos dentes que falta.
Nada lhe faz tanta, todavia, quanto à água.
É período de seca, e as folhas morrem aos seus pés.
O poeta, atento e com solas, pisa no árido do campo,
E escreve com uma caneta vermelha num bloco amarelo,
Sobre estações quentes, miséria e fome.
O camponês que mastiga teu trigo
Olha-o com tristeza em nome,
E benze-se em crista pelos prazeres d’home.
Se um poeta escreve sobre a fé de um camponês,
Ele entende, então, porque a fé cura dessa vez.
Escrever é como esquecer-se jogado numa rede...
Eu pego o lápis e rabisco um bloco de notas pequeno.
Não estou com sede, só, talvez, por conhecimento...
Como tirar de um lindo pôr do sol poesia suficiente,
Para preencher tantas estrofes quanto se fazem presente,
Nessa imagem que transluz sinceridade à minha frente.
Hora de bebericar meu café quente...
As ideias que tenho desbotam e sobram vivas em minha mente.
Esqueci, à porta do meu quintal, o resquício de uma semente.
Se é quente e se mente enquanto sente
Que amíngua é sede intermitente,
Camponês serei com minha fé quase latente,
E olharei ao horizonte desse mar azul,
Procurando aquelas velhas aves que migram para o sul.
Escrever nem sempre é tão fácil...
Quando se encontra perdido em meio ao nu.
~Gabriel.
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