The Hiker
16 Armação dos Búzios
Armação dos Búzios
A lua brilha em seu espectro noturno...
Como uma dama em sua corte real.
Com o palco de milhões de estrelas,
O zênite se torna parcialmente azul escuro,
E não negro, com contornos de branco âmbar.
A brisa é quieta e fria,
Embora transmita vida em cada árvore que faz chacoalhar.
O negrume rodeia toda a extensão desse morro uivante,
Há sons que ressoam na relva, bem distantes.
Que anseiam pelo coração aventureiro de um desbravador.
Onde, alto ou no topo do monte,
Há a visão de beleza ulterior.
Folhas vacilam com o cintilar de cânticos entoados pela noite silente...
A água da praia, ao fim da encosta, quebra em ondas baixas,
E assume parte da areia, magnética ao luar.
Que segue fielmente a dama,
Que agora é destaque único do céu.
E traz, entre seus estonteantes adornos,
Um anel.
Retirado das órbitas de Saturno.
O rugo do frio soturno saúda uma beleza primaveril...
Os segundos transcorrem horas sem incomodar.
Há um súbito aconchego, quase divino...
A natureza torna beleza em fascínio.
Crer é só estar vivo,
Enquanto debilmente recito versos descritivos.
Acho que é isso o fim de tudo vivo.
Respiro ar limpo,
Sinto-me um entre as árvores.
Acalentando meus medos,
Aquecendo meu corpo.
Mesmo diante o frio de um verão incomum,
Bravejo meus melhores desejos ao vento,
Enquanto me encaminho suavemente ao paraíso.
Se eu ainda sou vivo...
Talvez seja graças a isso.
~Gabriel.
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