The Heir of The Universe
10 Capitulo X
Notas iniciais

POV Cora
Mano. Fodeu muito para nós. Cara, outra profecia? Não podia ser para outros campistas inexperientes? Que saco. Pra melhorar, a nossa oráculo (Rachel) foi sequestrada. Aparentemente, ninguém a viu. Uma campista que fica nos estábulos disse que a viu conversando com o tal de Ângelo. Nunca fui com a cara desse garoto mesmo.
Os filhos de Ares estavam animados com uma outra possível guerra, se vangloriando dos feitos que fizeram nas outras anteriores e afiando espadas. Os filhos de Afrodite não se importaram muito. Claro, eles só se importam consigo mesmos. O resto do pessoal, em especial os novatos, estavam aterrorizados com a possibilidade de morrerem. Bom, pessoal, no final todos morrem, qual a diferença?
Estava fazendo a ronda na qual fui paga, de passar na frente do Mário Verde com comida, quando vi Mi tentando se concentrar nos estudos. Aparentemente, outra missão suicida não estava nos planos dela. Provavelmente nos de ninguém. Samuel foi para as colinas. Não vi Isa na hora do jantar, devia estar no chalé sozinha, fazendo algo com que não me importo…
Parece que todos estão tristes com a morte de Isabella. Devem ter morrido uns cinquenta semideuses naquela batalha e eles só estão se importando com ela! Essa profecia… De que a vida de alguém vai ficar por um fio, acabou trazendo o sentimento de saudades à tona. Bom, eu que não vou morrer. Vaso ruim não quebra, não é mesmo?
Podem me chamar de idiota, arrogante, sem coração (é, talvez eu não tenha um, porque não consigo me sentir mal pela morte de Isabella) mas ver meus amigos se lamentando por uma morte que aconteceu há três anos, me dá uma puta de uma raiva. Eles deixam a aparecer que nunca vão tocar a vida para frente! Duas dicas para vocês:
Vocês vão morrer. Todos nós estamos fadados a um só destino. Podemos ser diferentes em terra, cor, cultura, país e costumes. Mas no final todos morrem.
Se alguém morrer (amigo, familiar, conhecido) toquem suas vidas. Eu sei que é triste, eu perdi minha mãe, acho até compreensível você ficar de luto por um tempo, mas gente. Três anos? Acho que isso é um exagero. Sim, a pessoa vai deixar saudades, e você vai carregar isso pra sempre com você, mas ficar se lamentando quase todo dia não tem cabimento.
Bem, já era umas 18 horas. Estava na hora de me arrumar para o jantar. Entrei em uma sombra mais próxima e me transportei para a porta do chalé. Quando entrei, estava tudo incrivelmente normal. Ninguém parecia apreensivo (por isso eu amo meus irmãos). Thaís estava se arrumando no espelho. Nico estava dormindo. Os João’s fazendo competição de quem comia mais romãs. Sentei-me no sofá, ao lado de Nico. As tochas tremulavam. Fiquei em silêncio por um instante.
– Pessoal? – Digo. Ninguém me escuta. – Gente. – Digo, um pouco mais alto. Thaís apenas me olhou de relance. – PESSOAL! – Nico acorda num sobressalto, puxa a espada e fica olhando para os lados, procurando inimigos que não existiam. Thaís borrou o rímel, fazendo uma linha curva logo acima da sobrancelha. Os dois Joãos se engasgam e cospem as sementes de volta no prato. Não pude deixar de rir. – Bem, não sei se vocês sabem, ou se importam, mas existe uma nova profecia. – Eles voltaram ao que estavam fazendo, mas prestando atenção ao que eu estava dizendo, de mau humor. Não me ouviram de primeira porque não quiseram, oras. – Não vou recitá-la porque não me dei o trabalho de decorá-la. Vamos sair em viagem daqui alguns dias então… Tentarei trazer presentes e lembrancinhas para vocês dessa vez, o.k.?
Eles simplesmente me encararam, como se eu tivesse acabado de dizer algo ofensivo. Certo, hoje eles não estão de bom humor. Me levantei do sofá, não olhando para eles, e fui no banheiro tomar uma ducha.
Quando estava quase acabando, fiquei pensando no meu sonho da semana passada. Isa presa por correntes e machucada. Nunca a tinha visto chorar, e não acredito que meu cérebro foi capaz de criar essa imagem. Será que é ela que vai morrer? Maldição. Por que sempre tem um que morre em missões? Fiquei apoiando a cabeça na parede, até baterem na porta. Era Thaís, gritando:
– CORALINE! Saí logo daí! Já são sete e meia! Você ta aí já faz uma hora e meia!
Desliguei o chuveiro, sequei o cabelo e me troquei. Minha camisa do Acampamento que eu tinha customizado, trocando o preto e laranja por preto e branco, respectivamente, minha jaqueta do Avenged Sevenfold, uma calça jeans rasgada, um coturno marrom e um colar de caveira que papai me dera de presente.
Quando saí, vi todos prontos. Caminhamos em silêncio, lado a lado. Se fizéssemos isso na cidade, provavelmente pareceríamos uma gangue de badboys ou de motoqueiros. O clima estava tenso no pavilhão. Muitos ainda não tinham se tocado de que tinha uma nova profecia, nem que sairíamos em viagem. Mas o fato de Rachel ter sido sequestrada sem deixar rastros, deixou muitos em dúvida sobre a verdadeira segurança do Acampamento.
Todos estavam quietos, até a mesa de Hermes, na medida do possível. Não haveria luau naquela noite, já que ninguém estava no clima, nem ao menos para assar marshmellows. Dei uma olhada de esguelha para a mesa de Apolo, e percebi que Luigi ainda não estava ali. Provavelmente ainda estava amarrado, ou os irmãos lhe deram outro castigo. Todo o jantar ocorreu bem. Olhei para a mesa de Dionísio. Stefan (gato como sempre). Nossos olhares se encontraram, e ambos sorrimos.
Quando todos terminaram, Quíron deu alguns recados, enquanto Sr. D supirava de tédio. Assim que o velho centauro terminou, saímos. Segui Stefan, já que ele foi em uma outra direção, contrária à do resto do chalé. Na noite, podem me chamar de sombra (talvez seja daí que a Isa tenha tirado o apelido de Little Shadow), pois é isso que eu me torno.
O segui silenciosamente, até chegarmos na floresta. Esperei ele avançar mais um pouco, e pulei em suas costas, me jogando em cima dele e tampando seus olhos.
– Adivinha quem é? – Cruzei as pernas em sua cintura. Ele as segurou.
– Hum… Nossa, essa é difícil. Coraline? – Diz ele, num tom de dúvida.
– Acertou. – Sorri. Beijei sua bochecha e deixei que ele me colocasse no chão. Me deu um abraço leve, sem me soltar.
– O que você veio fazer aqui?
– Te seguir. E você, o que você veio fazer aqui? – Disse, me soltando. O fitei, mas seu olhar pro vazio me preocupou.
– Nada demais. O clima ta muito tenso. Resolvi fazer uma caminhada. – Respondeu ele, ainda olhando pra frente. – Ouvi passos vindos do nada. Levantei a perna e puxei uma adaga de ferro estígio que sempre deixo na meia.
– Quem está aí, Stefan? – Digo, apontando a adaga para a garganta dele. Stefan engoliu a seco e ergueu as mãos, na defensiva. – É uma puta?
– Calma, Coraline, calma. Sou eu. – Me viro. Eric. Um antigo inimigo que merecia uma certa “misericórdia”, segundo os campistas. Mas eu tenho um sexto sentido aguçado. Não ia com a cara dele. Imagina comigo: você é o braço direito do vilão. Faz tudo por ele, e antes da batalha, o trai assim, sem mais nem menos, só porque ele morreu e você virou refém? Muito estranho. – Tudo bom?
– Eric… — O fuzilo com o olhar. – Stefan, o que está acontecendo.
– Ahn, nada. — Diz ele, abaixando a minha adaga para longe do pescoço dele. – Somos amigos. E eu queria conversar com ele sobre uns efeitos de ilusão que eu… vou usar na próxima festa. – Eric se aproximou, e os dois fizeram um complexo toque combinado, que mal consegui acompanhar. Ergui a sobrancelha.
– Eric. Eu não vou com a sua cara, e se não se afastar do meu namorado eu te parto em dois. – Sou sincera, fazer o que. – Digo o mesmo pra você Stefan! – Digo, olhando pra ele, mas me volto para o filho de Hécate logo em seguida. – Eu ainda acho que você tem algo a ver com o sequestro da Rachel. E eu vou provar.
O rosto de Eric se tornou sombrio, adquirindo um tom mais macabro quando a lua se escondeu atrás de uma nuvem. O tapa-olho e os cabelos desgrenhados deram um tom ainda mais sinistro.
– Veremos.
Eric fez um sinal para Stefan o acompanhar, e este o fez. Sem conseguir conter minha raiva, mergulhei nas sombras sem nem me mover, e apareci direto dentro do chalé, onde todos dormiam. Fui até o banheiro, escovei meus dentes e me deitei. Esperei o sono chegar, mais sem sucesso. Por fim, peguei o meu colar, e fiquei rodando a caveira entre os dedos, até que adormeci.
Sonhei com Isa novamente. Ainda estava acorrentada, mas estava mais machucada e com hematomas. Os cabelos, cobertos de sujeira e sangue, viraram um tufo de fios, em que demoraria uma hora só para desembaraçar. Os pulsos estavam presos em dois grilhões em uma parede de concreto, na qual era possível ver vários respingos de sangue. Alguns dedos da mão pareciam quebrados, e o tornozelo estava em um ângulo estranho.
– C-Cora… S-Sammy… Mi… Lui… — Balbuciou ela, chorando. Meu coração sofreu um aperto. Uma risada ressoou na escuridão. Lentamente, o cenário foi ganhando um pouco mais de claridade, e percebi que provinha de uma pequena lâmpada no teto. Estávamos em uma espécie de galpão velho e abandonado. Não duvidava nem um pouco de que fosse longe de qualquer lugar em que um mortal ou semideus estivesse.
Jane apareceu no meio da escuridão. Os cabelos ruivos estavam trançados, presos com uma fita verde da mesma cor de seus olhos. Usava calça legging que ressaltava as pernas magras e uma blusa regata preta, juntamente com um all star vermelho. Trazia vários tipos diferentes de facas e adagas amarradas na cintura. Um sorriso, que eu conhecia bem, psicopata dançava em seu rosto. Soltava pequenas gargalhadas.
– Eu já disse, filha de Zeus, que eles não podem te ouvir.
Jane desprendeu o chicote da cintura, preparou-se, e como uma cobra, fez o chicote estalar na bochecha direita de Isa, que gritou em agonia. Com esse grito, acordei de sobressalto, e ainda pude ouvi-lo depois de muito tempo. A dor do ferimento ardia em meu rosto.
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