Notas iniciais
Olá pessoal, tudo bem? Espero que gostem do capítulo! Comentem ;3 -Little Thunder

POV Isa

Conhecer as Caçadoras tem um lado bom. Não via minha irmã há três anos, e nosso primeiro encontro na luta contra Urano havia sido muito corrido. Ficamos em uma sala discutindo táticas de batalha, de modo que ela nem ao menos percebeu que eu era sua irmã.
Agora, podia simplesmente encontrá-la rondando pelo acampamento: conversando, dando ordens, sugestões e claro, servindo a Ártemis. A deusa era gentil conosco, o que de certa forma de surpreendeu, já que Sr. D sempre foi a rosa mais cheirosa do jardim. Meeeentira! Várias vezes ela puxou assunto comigo, e isso rendia alguns minutos de conversa, até o assunto se estagnar ou eu ou ela sermos chamadas.
Ela parecia interessada em nós. Não nós seis, mas sim eu, Mi e Cora. Chegava a me perguntar se ela nos chamaria para fazer parte da Caçada. Esperava que não. Digo, sim mas... Ah. Não gostaria de abandonar tudo de uma só vez. Eu me sentiria culpada dos dois lados: se aceitasse, me sentiria culpada pela minha família e meus amigos, pois isso podia incluir o maravilhoso brinde de nunca mais vê-los. Se não aceitasse, eu estaria dizendo não à uma deusa, e isso não é coisa que se faça.
Isso sem mencionar o fato de que eu ainda sonhava com uma vida normal, sendo ou não possível. Queria comprar uma casa. Aprender a dirigir. Terminar a faculdade. Ter um bom emprego. Viver normalmente. Sem ser perseguida por monstros e ter que sair do conforto da sua casa para ir salvar o mundo. Mas não. Tudo mudara a partir do momento em que encontramos Percy e Nico no internato, séculos atrás.
O tempo passara. E depressa.

A neve continuava caindo, mas parecia mais calma agora. Sinceramente, esperava que continuasse assim. Era mais fácil você lidar com floquinhos inofensivos caindo em seu cabelo do que com lufadas de neve sendo sopradas na sua cara. No acampamento inteiro, dificilmente você acharia um lugar que não estivesse com marcas de botas. As árvores mortas da floresta serviam pra várias coisas: os galhos caídos ou mais velhos serviam de lenha, se você achasse um morrinho e arrancasse a casca do jeito certo, ganhava um trenó instantâneo, e por aí vai.
Michele simplesmente não queria falar, de modo ou hipótese alguma, sobre o que havia conversado com Ártemis. Cora já havia perguntando, mas desinteressada, deixou pra lá. Perguntei uma vez, ela não quis contar. Depois, puxei o assunto indiretamente, mas mesmo assim ela não cedeu. Uma terceira vez, e nada. Não tentaria mais, pois se tentasse, já seria um incômodo. Concordei e fiquei na minha.
Para me desligar do clima que estava entre nós duas, voltei a pensar na profecia. Cinco agora restaram; nós. Outrora seis batalharam; nós, mais a Bella na primeira guerra contra Urano. O céu derrotado; tio Estrelinha. Agora alimenta a vingança, agoniado; viva... Inimigos aguardam o inverno; estamos no Norte, e segundo Ártemis, Gabriel tem monstros no covil. Que consigo traz o sangue do inferno; sangue do inferno, filho de Hades, submundo, etc, Gabriel. Por um fio a vida ficará; leve sensação de que alguém vai quase morrer ou vai morrer, graças aos sonhos que todos estamos tendo. Se por um momento a cautela baixar, vou colocar um olho na nuca. Vou pedir emprestado pro Argos. Será que ele me empresta mesmo? União sempre e compaixão sigilosa; espera. Compaixão sigilosa? De onde isso surgiu? Tem casalzinho no meio da gente e eu não to sabendo? Ou o espirito de Delfos só precisava de uma rima pra generosa mesmo? Lua ilumina com bondade generosa; Ártemis, cá estamos. Benção que os deuses irão conceber; benção coletiva, nova modinha.. O universo de vez irá perecer; espero imensamente que o universo seja Urano, e não o universo no sentido literal.
Acordei do devaneio e saí da barraca. Era o nosso segundo dia com as Caçadoras, e já estávamos na metade da tarde. Também era o nosso... Ahn... Algum dia de viagem, desde que saímos do Acampamento Meio-Sangue. Era meio engraçado como as Caçadoras tratavam Samu e Luigi. Algumas delas os evitavam, tinham medo ou nojo. Outras até aturavam um pouco, ou muito, no caso de Thalia, mas evitavam contato, tanto visual quanto físico. Elas levavam o juramento muito a sério.
Acho que tinham receio de que uma fagulha pudesse ameaçar o acordo com Ártemis, e serem obrigadas a enfrentar a fúria da deusa. Não gostaria de ser imortal mas ter medo dos meus próprios amigos por causa do juramento. Ganhou outro ponto negativo, Caçada. Qualquer fosse o motivo, era engraçado. As meninas cochichavam quando eles passavam, e Luigi, só de brincadeira, gritou “BU!” quando passou na frente de um grupinho, gerando alguns gritos delas e tapas. Tentar alguma coisa com elas era a mesma coisa que pedir pra ser batido.
Treinar na floresta era uma boa idéia. Fosse arquearia, pontaria, os próprios poderes de semideus, e até mesmo velocidade e desvios. Fiz uma caminhada meio corrida que não era corrida mas que também não era caminhada por cerca de uma hora. Quando voltei, o sol já estava se pondo, e as garotas começavam a servir a janta. Achei meio cedo, mas não discuti, apenas perguntei o motivo para uma delas, que passava com um prato de molho.
– Vamos ter uma nevasca a noite.
M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O. A nevasca vai voltar, e honestamente, o mero pensamento de que eu teria que enfrentá-la de novo já me dava calafrios. Estávamos cansados. Quando encontramos o acampamento, pensei que pudéssemos finalmente descansar, mas agora tinha o risco de morrermos congelados. Luigi podia invocar um pouco de calor e luminosidade graças ao pai mas eu duvidava que ele conseguiria achar alguma fonte solar por aqui. O céu estava coberto de nuvens e a neve caía a um ritmo mais acelerado agora.
Engraçado. Depois que chegamos, não cheguei a ver novamente os lobos de Ártemis. Mas magicamente eles apareceram no meio do jantar. Um deles se sentou ao meu lado, com olhos pidões, fitando ansioso o frango na minha frente. Arranquei um pedaço, tirei a maior parte da carne e o entreguei. Continuei comendo como se nada tivesse acontecido. A mesa de jantar era longa, de modo que conseguia aconchegar a todos. Tinha a leve impressão de que a mesa tinha crescido só de termos chegado.
Talvez os lobos ficassem em algum lugar específico da floresta, ou talvez nem fossem adestrados, mas só estariam calmos e dóceis por causa da influência da deusa. Irônico. Ser deusa da caça e dos animais deveria ser complicado. Você deveria ser contra a caça, uma vez que os estivesse protegendo, mas isso não faria sentido, já que você também é a favor da caça, liderando até mesmo um grupo de garotas imortais com esse nome.

Após o jantar, a neve ficara mais forte, de modo que todos foram obrigados a irem para suas barracas dormir mais cedo. Dormir mais cedo nunca funcionava para mim. Sempre tinha pesadelos, e essa vez não foi uma excessão.
Estava no covil de Gabriel. Ele parecia entediado. Pela primeira vez em muito tempo, consegui ver seu rosto com clareza. O cabelo preto continuava com o mesmo penteado e o mesmo tom escuro, mas os olhos inquietos pareciam mais negros, como se tivessem finalmente se fundido a íris. Estava usando uma espécie de uniforme. Uma calça de couro preto sendo segurada pela bainha de couro, donde pendia a espada de ferro estígio que utilizara quando lutara contra mim e Cora. Podia jurar que ela estava no meio das tralhas do sótão da Casa Grande. Estava com uma camisa branca, um casaco de pele preto e uma capa de mesma cor. Estava sentado a uma mesa, brincando com uma caneca.
Vi uma movimentação e outra pessoa apareceu na luminosidade. Era uma garota. “Jane.” Pensei. Era era ruiva, com olhos verdes. Algumas sardas no rosto, mas nada disso me surpreendeu mais do que o tamanho da faca que estava segurando. Era do tamanho do braço dela, basicamente. Estava usando uma calça jeans preta surrada, uma camisa escrita “I LOVE BLOOD”, botas e o cabelo estava preso em um rabo de cavalo.
– Já está na hora? – Perguntou ela, ansiosa, quase dando pulinhos.
– Sim, acho que você já pode ir. – Respondeu ele, sem animação.
Segurando um gritinho, Jane saiu saltitando pela sala. Eric chegou. O mesmo tapa-olho, mesmo cabelo castanho, mesma roupa de sempre. Não sabia se era falta de roupa ou gostara tanto da combinação que sempre comprava a mesma roupa.
– Senhor. – Disse ele.
– Sim, Eric?
– Não acha meio arriscado? – Eric se aproximou da mesa e se sentou a frente de Gabriel. – Sabe como Jane é... Estável. O próprio irmão nos alertara. E bem, não seria conveniente que tivéssemos contratempos, não agora. Sinceramente, não sei como conseguiu fazer ela realmente gostar do senhor. – Ele deu de ombros.
– É só saber o que fazer.
Eric assentiu.
– Mas e depois que Jane voltar?
– Quando Jane voltar e o serviço já estiver pronto, significa que as dracanae já conseguiram o que queríamos. Depois, vamos partir daqui até o Acampamento. O portal está pronto?
– Sim. Falta apenas desenhá-lo, mas está é a parte mais fácil.
Gabriel cerrou os punhos, como se estivesse com raiva ou com dor. Os músculos do braço se tensionaram. A pressão fora tanta que a caneca quebrara ao meio. A pele de Gabriel passou a se tornar azulada, com pontos brancos e galáxias. O cabelo de preto passara a azul escuro. O olho, agora era totalmente azul. Não havia nada que diferenciasse a pupila, da íris ou qualquer outra parte. Um arrepio tomou conta de mim. Urano.
– Excelente. – Ressoou a voz. – O que foi, filho de Hécate? Tu tens medo de mim?
– Não, senhor. – Exclamou Eric, embora vacilante. – Apenas não me acostumei com a grandeza de sua presença.
– Passe a se acostumar, meio-sangue, pois me verá muito ainda.

Acordei arfando e suando. As meninas não haviam acordado. Fiquei surpresa, pois havia me remexido tanto que havia chutado as cobertas quase na cara de Cora. Pedi desculpas mentalmente a ela. Uma mecha do cabelo de Mi havia caído sobre seu rosto e parecia fazer cócegas em seu nariz.
Me levantei, peguei um casaco e luvas, e saí da barraca. A nevasca havia parado. Devia ser por volta de quatro da manhã, a julgar pela posição da lua. As nuvens haviam sumido, de modo que eu pudesse ver a maioria das constelações. Me sentia sendo observada por Urano. O tempo estava louco por aqui.
Precisava de algum lugar pra sentar. Encontrei uma pedra quase toda encoberta pela neve, embaixo de uma árvore. Espanei a neve e me sentei. Esfreguei o rosto com a luva. Um lobo estava passando, farejando alguma coisa. Assobiei, atraindo sua atenção. Ele ergueu as orelhas e rosnou baixinho para mim, sem motivo. Logo em seguida, retornou ao seu caminho. Achei estranho, mas deixei pra lá.
Uma nuvem cobriu a lua momentaneamente, fazendo o cenário ficar mais escuro. Quando ia me levantar para voltar a barraca, algo acertou minha cabeça, me deixando tonta e desnorteada. Caí de quatro na neve, mas rolei para o lado a tempo de ver quem me acertara. Uma garota. A única coisa que distingui foi seu sorriso antes de ser golpeada novamente.
A última sensação que tive foi de ser arrastada pela neve e perder os sentidos.

Notas finais
Fala galera, acompanhem, comentem e favoritem, dependemos da colaboração de vocês :3