The Heir - Choices

4 • CAPÍTULO QUATRO - ATTACKED •


Notas iniciais
Volteeei! Nem demorei tanto, né? Preparem os corações, pois esse capítulo está tenso! Enjoy ♥

CAPÍTULO QUATRO

EADLYN SCHREAVE

— Como eles conseguem fazer isso? — perguntei, tapando a boca com a mão e tentando controlar as lágrimas que temiam em descer por meu rosto.

— Eles não ligam, Eadlyn. — advertiu meu pai, enquanto olhava as fotografias jogadas sobre a pequena mesa do jatinho particular.

Infelizmente, outro ataque rebele havia acontecido. Dessa vez, em Hondurágua, província onde minha avó Amberly, viveu antes de entrar para a Seleção e ganhar o coração do meu avô Clarkson. Os rebeldes haviam atacado uma escola primária, mataram diversas crianças e professores e por fim, atearam fogo no local. As fotografias sobre a mesa mostravam as vítimas. Quase trinta mortos e mais de uma dúzia de feridos.

Podia sentir o ódio caminhar por minhas veias cada vez que olhava aquelas fotografias. Era o meu país, eram as minhas crianças... Era o futuro da minha nação. Como aqueles monstros puderam retirar dezenas de vidas inocentes?

Fechei os olhos com força quando vi uma fotografia repugnante, onde uma garotinha estava com o corpo em carne viva, provavelmente foi mais uma entre as várias vitimas do fogo.

Senti meu café da manhã revirar-se no meu estômago e a vontade de vomitar me dominou por completo. Ao perceber meu desconforto, meu pai tocou em meu ombro e afagou minha pele, por cima da manga do vestido. Continuei de olhos fechados, sentido lágrimas a rolar por meu rosto e o vômito subir por minha garganta.

— Não precisa ver essas fotos, Eadlyn. — Maxon arrancou a fotografia das minhas mãos e a colocou de volta na mesa, junto com as outras. Apenas assenti, mas continuei de olhos fechados, sentindo a ânsia de vômito cada vez mais forte.

Levantei-me abruptamente da cadeira e corri para o banheiro. Ajoelhei-me no chão e o liquido amargo desceu pela minha garganta. Maxon agarrou meus fios de cabelo e os puxou, tirando as mexas castanhas do meu rosto. Respirei fundo, mas logo voltei a vomitar novamente e só parei quando todo o meu café da manhã estava despejado na privada. Levantei, ainda me sentindo um pouco tonta e meu pai rapidamente segurou meu corpo, impedindo-me de cair.

— Tudo bem, querida? — perguntou, preocupado. Eu apenas assenti e abri os olhos, sentindo-os marejados.

— Preciso de um tempo sozinha, pai. Por favor! — pedi e meu pai me soltou de prontidão. Antes de se retirar, Maxon beijou o topo da minha cabeça e sorriu caridoso.

Fechei a porta do banheiro, abaixei a tampa do vaso e dei descarga.

Respirei fundo e apoiei meus braços na pia de mármore. Joguei um pouco de água no rosto e agradeci mentalmente por não estar usando qualquer tipo de maquiagem além do batom vermelho. Joguei um pouco de água no meu pescoço, sentindo meus músculos relaxarem logo em seguida.

Fitei meu reflexo no espelho e fiz uma careta de reprovação.

Eu estava destruída.

Meus lábios estavam ressacados, meus olhos vermelhos e marejados e a minha pele parecia estranhamente mais pálida que o habitual.

Fechei os olhos com força, tentando conter o ódio que crescia dentro de mim. Ainda não conseguia acreditar na quantidade de vidas perdidas. Eram apenas crianças! O que diabos esses rebeldes têm na cabeça? Quando fossem capturados, eu mesma me certificaria de que todos pagassem por seus crimes.

Saí do banheiro, e caminhei até a minha poltrona. Agarrei na minha bolsa de mão e voltei para o banheiro. Escovei os dentes, passei o batom vermelho novamente e apliquei um pouco de máscara de cílios, tentando amenizar a minha cara inchada.

Passei o resto da viagem calada, Maxon havia parado de ver as fotos. Ele tinha o olhar fixo em algo ao longe. O maxilar estava cerrado e os olhos quase fechados. Ele aparentava estar com tanta raiva quanto eu. Meu pai ainda era rei e aquelas crianças e professores não deixavam de ser sua responsabilidade. Ele claramente estava se culpando por aquilo. Queria dizer algo, mas as palavras simplesmente travavam em minha garganta.

Trinta minutos depois, nós já estávamos pousando em Hondurágua. Meu pai havia feito muitas obras na Província e o local havia melhorado absurdamente, mas não deixava de ser um dos locais mais pobres de Illéa.

Ao pisar no chão, senti meus pés latejarem.

Péssimo dia para usar saltos de 15 centímetros.

Um homem e uma mulher nos esperavam ao longe, ao lado de um carro. Ambos tinham um semblante triste. A mulher agarrava o braço do homem com força e parecia se controlar para não se derramar em lágrimas.

Meu pai colocou uma mão em minhas costas, instruindo-me a caminhar mais depressa. Acelerei o passo, e logo estávamos frente a frente com o casal.

— Majestade. Alteza — ambos fizeram uma reverência. Meu pai tirou a mão das minhas costas e cumprimentou o homem.

— Eu realmente sinto muito por essa tragédia, Sr. Andrews — Maxon falou calmamente e a mulher à minha frente fungou baixo e abaixou a cabeça, evitando contato visual. — Imagino que conheçam minha filha Eadlyn.

Andrews fez uma breve reverência e eu prontamente o estendi minha mão.

— Peço que me acompanhem até minha residência. Seria bom se conversássemos um pouco, antes do pronunciamento real.

Apenas balancei a cabeça, concordando e meu pai murmurou um sonoro "Claro".

Durante a viagem, acabei descobrindo que Andrews era o prefeito de Hondurágua e a mulher ao seu lado, era sua esposa. A viagem foi silenciosa, a residência não era muito distante.

Logo já estávamos parados em frente a uma casa grande, com alguns guardas vigiando os portões e muros. Entramos na casa e os criados passaram atrás de nós logo em seguida, carregando nossas malas. O ambiente era limpo e bem iluminado devido à luz do sol que entrava pelas janelas de vidro. Havia dois sofás, ambos cor de creme e um tapete felpudo no chão. Alguns vasinhos de plantas eram distribuídos uniformemente pelos cantos, as fotografias da família emolduravam as paredes.

— Descanse um pouco, querida. Teremos um dia cheio amanhã. — Maxon falou, ao parar ao meu lado e tocar carinhosamente em meu ombro. Apenas assenti, antes de abraça-lo e beijar seu rosto. Papai beijou o topo da minha cabeça e lançou-me um sorriso caridoso.

— Anna irá lhe acompanhar até seu quarto, Alteza. — advertiu Andrews, quando percebeu que eu já caminhava até as escadas. A mulher de Andrews, Anna, logo me alcançou e nós subimos a escadaria juntas. Passamos por um longo corredor e paramos ao fim, em frente a uma porta de madeira clara.

— É aqui, Alteza. — falou e rodou a maçaneta. O quarto era acolhedor, e por mais que fosse bem menor que o meu habitual, eu simplesmente não ligava. Eu não poderia pensar em luxo durante um momento como este. Assenti e adentrei o quarto, com Anna logo atrás de mim. Minhas malas já haviam sido depositadas ao lado do armário, provavelmente alguma criada viria organizar minhas roupas mais tarde. Caminhei lentamente até a cama, sentindo meus pés latejarem a cada passo que eu dava. Sentei-me no colchão e rapidamente levei minhas mãos até meus pés, tirando os sapatos altos logo em seguida. Soltei um suspiro de alivio ao sentir a dor se esvair aos poucos. Anna riu baixo e sentou-se ao meu lado. — Eu também não sou fã de saltos.

— Ah, eu odeio essas coisas. Por mim, usaria sapatilhas pelo resto da vida.

Anna riu baixo novamente e eu a acompanhei. Desde que chegamos, era a primeira vez que ela demonstrava estabilidade e alegria.

— Eu também. Infelizmente, Andrews me faz o favor de ter quase dois metros de altura, então, eu tenho que me submeter a esses pequenos assassinos. — ela sorriu, enquanto balançava os pés, evidenciando os sapatos de bico fino e salto agulha.

Acabei rindo e meus pensamentos rapidamente voaram até Kile.

Ele também era bem alto, e nos poucos momentos que estive sem salto ao seu lado, me senti uma criança. Quando estava de salto, o topo da minha cabeça alcançava um pouco acima do seu peito, mas quando estava usando sapatilhas ou sapatos baixos, era uma verdadeira humilhação.

— Acredite em mim, eu sei bem como é isso.

Aos poucos, Anna pareceu perder a animação, e seu olhar murchou novamente.

— Você está bem? — perguntei, tocando em seu braço. Ela esquivou-se e enxugou uma lágrima solitária que escorria por seu rosto.

— Desculpe. — pediu com a voz embolada, tentando inutilmente conter as lágrimas. — O meu filho... Ele estudava na escola que os rebeldes atacaram. — pude sentir uma dor no lado esquerdo do peito e rapidamente um nó se formou em minha garganta. — Ele... Não resistiu! É difícil, mas... Eu ficarei bem, eu acho.

— Eu sinto muito, Anna. — uma lágrima rolou por meu rosto. Sem esperar por sua reação, a puxei para um abraço. Anna era uma desconhecida, mas ela estava sofrendo e eu sabia que estava precisando de um abraço. Bom, ela não era a única. Eu também precisava de um abraço, mas infelizmente, a pessoa que eu mais gostaria de abraçar nesse momento estava em Angeles, dentro do palácio e provavelmente com o rosto enfiado em um livro de arquitetura.

***

Acordei com uma das criadas. Ela me balançava delicadamente, afirmando que eu deveria levantar e aprontar-me para o funeral. Levantei lentamente, sentindo minha cabeça girar e meus cílios pesarem, fazendo-me fechar os olhos por um segundo. A sensação de uma noite de sono ruim me dominava por inteiro. Eu havia dormido pouco, minha noite se resumiu à lágrimas e pensamentos desconexos. Em um momento, até pensei em telefonar para o palácio, precisava falar com Kile ou ao menos, ouvir sua voz, somente assim eu teria uma boa noite de sono.

Mesmo com nossas diferenças, Kile era meu melhor amigo, e agora, mais do que nunca, eu precisava ouvir suas palavras de apoio.

A criada me ajudou no banho, ao contrário do que pensei, ficar submersa na banheira não me ajudou a relaxar. Coloquei um vestido preto, um pouco acima do joelho e de mangas compridas, calcei um par de saltos também pretos e coloquei alguns acessórios discretos. A criada colocou-me sentada em frente à penteadeira e fez um coque delicado em meu cabelo, deixando alguns fios caírem propositalmente em meu rosto. Coloquei a coroa no topo da cabeça, dispensei a maquiagem, mas a criada me fez passar ao menos uma fina camada de máscara de cílios e um gloss rosa nos lábios.

Saí do quarto e um guarda me escoltou até a sala. Meu pai estava lá, juntamente com Anna e Andrews. Todos estavam de preto, Anna agarrava com força no braço do marido e tentava não desabar em lágrimas. Eu sabia que estava sendo difícil para ela, então apenas lhe lancei um olhar caridoso, acompanhado de um sorriso sincero. Ela sorriu-me de volta, e logo já estávamos partindo até o cemitério de Hondurágua, onde seriam enterradas mais de vinte crianças.

Meu pai e Andrews trocaram poucas palavras durante o caminho. Anna permaneceu em silêncio e eu também. Logo, já havíamos chegado ao cemitério. Fomos escoltados por guardas enquanto saíamos do carro e adentrávamos o local. Os guardas só nos deram espaço quando chegamos em um pequeno palco que havia sido montado somente para o pronunciamento real. Foi apenas quando subi no palco e parei ao lado do meu pai que percebi o quão cheio o cemitério estava. As pessoas carregavam rosas brancas em suas mãos e mantinham o olhar triste. Algumas faixas estavam espalhadas pelo local. Eu sentia minha raiva triplicar a cada segundo. Respirei fundo, exalando todo o oxigênio que meus pulmões conseguiam aguentar e soltei-o logo em seguida.

O prefeito aproximou-se do microfone, mas minha atenção não estava em suas palavras, e sim no rosto dos familiares das vitimas. Um nó se formou em minha garganta e a vontade de chorar se fez presente mais uma vez.

— Você vai irá se pronunciar, Eadlyn. — sussurrou meu pai, pegando delicadamente em minha mão.

— O quê?

— Terá que fazer um discurso, dizer algumas palavras que conforte o coração dos familiares das vitimas.

— Essas pessoas não serão confortadas com palavras, pai. Eles perderam um membro da família, a única coisa que confortaria o coração delas agora seria ter a pessoa que perderam de volta.

— Eu sei, querida, mas nós temos que tentar.

Antes que eu pudesse falar algo a mais, Andrews passou o microfone para mim. Não tive tempo para pensar, caminhei lentamente para frente e levei o microfone até os lábios. Olhei para os rostos de todos os presentes ali, enquanto tentava formular um pequeno discurso em minha mente. Respirei fundo, afastei os pensamentos e deixei que meu coração falasse por mim.

— Bom... Eu... — respirei fundo novamente. Queria dizer algo decente que confortasse o coração daquelas pessoas, mas ao mesmo tempo, queria chorar e abraçar todos aqueles que perderam um ente querido. Uma movimentação suspeita se fez presente entre todas aquelas pessoas. Afastei o microfone da boca, os guardas ficaram em posição. Aproximei o microfone dos lábios novamente, mas antes que eu pudesse dizer algo, um barulho alto ecoou pelo local. Ouvi gritos e as pessoas começaram a correr. Mais um barulho, dessa vez, eu pude reconhecê-lo. Parecia um disparo.

Afastei-me, mas era tarde demais. Senti uma dor aguda no meu braço, acompanhada de um forte impacto que fez meu corpo ir ao chão. Um soldado tentou me proteger, mas eu já estava caída no palco. Gritei, sentindo a dor que dominava meu braço se alastrar pelo resto do meu corpo. Levei minha mão até o braço e senti um líquido quente escorrendo pelo local. Olhei para as minhas mãos... Estavam inundadas por sangue, o meu sangue.

Gritei, e no segundo seguinte, uma dose de adrenalina dominou meu corpo. O sangue continuava escorrendo e a dor aumentava cada vez mais. O suor escorria pela minha testa.

Tudo aconteceu em questão de segundos. Os guardas me arrastaram para fora. Pude distinguir o rosto do meu pai entre todos os vultos ao meu redor. Ele tinha lágrimas nos olhos e acariciava minha testa, pedindo-me para ficar acordada.

Mas eu não conseguia.

Meus olhos pesavam e a dor me sufocava.

Meu corpo foi carregado, e lentamente, meus olhos foram se fechando.

Dirigi meus pensamentos para algo bom. Algo que me fazia feliz. Se eu iria morrer, queria morrer pensando em algo bom e não somente na morte.

Kile.

Lembrei-me de cada detalhe de seu rosto. Desde a covinha em seu queixo, até a ruga de preocupação que se formava no meio da sua testa sempre que nós discutíamos. Recordei-me do seu sorriso e de seus belos dentes brancos, pensei em seus olhos azuis e em seus fios dourados. Lembrei-me de como era bom emaranhar meus dedos entre seu cabelo enquanto nos beijávamos.

Lembrei-me de seus toques, sua voz rouca, seus abraços. E por fim, lembrei-me dos seus beijos. Os beijos quentes e intensos, que me faziam suspirar. Recordei-me do modo como ele apertava minha cintura e agarrava minha nuca.

Kile...

Podia sentir minha respiração diminuir a cada segundo e passei a lembrar da primeira noite em que dormi com Kile. Minha cabeça estava apoiada sobre seu peito, e eu podia ouvir as batidas de seu coração perfeitamente.

O som de seus batimentos cardíacos ecoou em minha cabeça, pois os meus próprios batimentos, eu já não podia mais ouvir.

Meus olhos pesaram novamente, mas eu senti que não era o fim.

Os olhos de Kile, a voz de Kile, o sorriso de Kile, os beijos de Kile, os toques de Kile!

Kile, Kile, Kile...

E então meus olhos finalmente se fecharam.

XXX

CONTINUA...

Notas finais
Falei que esse capítulo seria tenso! Hihihi! Espero que tenham gostado,não esqueçam de comentar :-) Nos vemos no próximo capítulo, prometo não demorar muito para atualizar. ♥