Viajar, tem coisa melhor do que isso? É tão bom você sair da sua "ilha" e ir a outra totalmente desconhecida. Com o passar do tempo você consegue se conectar com aquele lugar mesmo após sair dele e sempre carregará a herança cultural do local consigo. No meu caso eu não carreguei somente esse tipo de herança, e sim também a herança do piano que foi mostrada a mim por uma das pessoas mais interessantes que já conheci.

Então após sete horas exaustivas de voo com uma mulher que não parava de falar dos filhos ao meu lado e uma comida horrível, eu finalmente pousei em solo canadense. Tirei meu casaco térmico e coloquei-o, o clima da Inglaterra é bastante frio porém se comparado com o daqui não é nada, afinal estamos no extremo norte da América. Então depois que fiz o Check-out fui já em direção ao endereço do garoto mesmo sem ter previamente comunicado pois essa era uma característica que me destacava dos outros jornalistas, eu agia de surpresa.

Cheguei em 15 minutos de táxi no local e tive que pagar uma taxa absurda, mas tudo bem, nada poderia estragar meu dia, nada nem ninguém. Fico alguns segundos contemplando a fachada de sua habitação, era uma pequena cabana toda de madeira pintada na cor cinza, então bati na porta e enquanto fazia isso consgui sentir os destaques no chão o que já era de se esperar já que meu entrevistado era cego.

— Quem é? — Ele grita com uma voz extramente grossa e digamos um tanto sexy.

— Boa tarde( Já eram 2 da tarde aqui) senhor Bieber. Aqui é Selena Gomez, repórter, gostaria de saber se você tem alguns minutos para fazermos uma breve entrevista.

— Nossa, faz alguns anos que não sou entrevistado mas vamos lá! — Ele disse e no mesmo instante abriu a porta

Fiquei maravilhada, pessoalmente ele era muito mais bonito, aquele cabelo longo e loiro cobrindo seus coitados olhos, aquela pequena boca, aquele rosto simétrico e aquele nariz fino. Tudo me encantava, essa entrevista certamente seria satisfatória ( Eu e minha tara por meninos loiros )

— Boa Tarde ! — Falou dando um belo sorriso — entre aqui vamos para a sala onde podemos começar a tal entrevista.

Ele andava com bastante normalidade pelo ambiente o que era de fato impressionante. Sentamos em seu sofá vermelho, eu peguei meu Ipad e demos início à entrevista.

— Bom Senhor Bieber...

— Justin, me chame apenas de justin. — Ele me cortou enquanto "olhava" para o teto.

— Certo Justin... Bom, eu não tinha nada programado para lhe entrevistar porém ao observar um de seus vídeos eu senti uma conexão no mesmo instante. Você pode me dizer como toca com tanta naturalidade mesmo com o seu, digamos, problema?

— Bom Selena, não é? Já ouviu alguém falar que quando você ama uma coisa nenhum obstáculo vai impedir você de alcançá-la? Pois bem, é justamente assim que eu me sinto. Quando comecei a tocar piano aos 10 anos, eu ja era cego, e então ficava tocando as teclas e ouvindo os sons. com o tempo fui memorizando todos os tipos de som, depois passei a memorizar diferentes músicas e hoje nem memorizar mais eu faço, eu apenas sinto minha alma e meus dedos trabalham.

— Realmente interessante. Você quer dizer então que seus olhos são o seu coração?

— Felizmente não. Pois o coração faz parte do corpo e logo quando eu morresse ele continuaria lá e não iria ao outro plano juntamente comigo.

— Você enxerga com ...

— Com a alma — ele completou minha conclusão — A alma não morre, não importa o que eu estava passando ela continuará comigo para todo o sempre, continuará me ajudando! Porém como fica esteticamente falando, mais bonito, vamos dizer que enxergo com o coração. — Rimos juntos quando ele disse isso.

Ficamos então lá conversando sobre suas conquistas, que mesmo sendo poucas não deixavam de sere importantes, entre outros assunto. Uma entrevista que deveria ter durado 15 minutos durou mais de uma hora, porém realmente foi divertido. Depois da nossa conversa ele foi me mostrar a sua "alma" na prática. Praticamente dormi com aquele magnífico som, todas as melodias, todas as notas, tudo estava no seu devido lugar.

Quando eu já estava me preparando pra sair ele me puxou e disse:

— Espera! Você é nova aqui certo? Que tal eu mostrar a cidade a você ? Seria bastante divertido.

— Bom eu nem sei o que fazer aqui então seria uma ótima ideia

Nos dirigimos à porta porém ao pisarmos no chão, não conseguimos sentir os destaques. A rua toda, provavelmente a cidade, estava congestionada de neve. Nunca vi uma quantidade tão grande, nem quando fui à Patagônia Argentina vi tamanha quantidade de neve no chão.

— Bom acho que pelo o que podemos ver, nosso passeio foi por neve a baixo!

tentei me conectar a internet para ver se a "nevasca" estava acontecendo em toda a cidade porém não consegui pegar conexão. Alguns minutos depois as luzes se apagaram e então ficamos no escuro. A situação estava realmente feia.

Minha presença na casa do Justin duraria mais do que eu imaginava...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.