The Heart Never Lies
6 Trabalho parte I / Estou encrencada.
Notas iniciais
Na manhã seguinte eu só não acordei atrasada porque o Ryan me chamou. Grades bostas, faltava 10 min. Eu me arrumei o mais rápido possível, só pra conseguir sair do quarto com ele. Qual é, isso nunca aconteceu.
Hoje nós iríamos começar a fazer o trabalho, marquei na biblioteca, um lugar onde há várias pessoas juntas é melhor. Vai que acontece algo sério? Uma desgraça? Vamos prevenir galera. Enquanto eu estava em mais uma aula chata de matemática fazendo os deveres que o professor passava -sim, eu faço isso- Dylan tagarelava ao meu lado algo sobre um acampamento que vai ter no início da semana que vem. Parece que vamos estudar a mata. Me diz pra que finalidade isso? Estudar mato? Isso é coisa de professor maluco, tenho certeza. Até que vai ser bacana, assim eu saio um pouco dessa prisão chamada escola.
O resto da manhã foi o mesmo de sempre. Comemos, conversamos, rimos e é. Depois seguimos para o resto das aulas e acabou. Morri depois disso. Só que não. Ryan pediu para mim encontrar com ele na biblioteca e é exatamente para lá que estou indo agora. Ao chegar vejo que a biblioteca parece mais uma sala de cinema ou algo assim. É gente se pegando em tudo que é canto, cada mesa tem um casal se comendo. Que pouca vergonha! Procurei por Ryan no meio daquele monte de tarados e o encontrei em uma mesa mais afastada, de cabeça baixa. Eu aposto que está dormindo.
– Ryan? — O cutuquei. O mesmo levantou a cabeça e me encarou com uma careta. Qual é, eu sei que sou feia, mas não precisa disso querido.
– Pensei que não iria vir. Eu já estava desistindo – Calma a periquita moço.
– Mas pra quê essa pressa toda? Eu ein. — Puxei uma cadeira ao seu lado e me sentei
– Vamos começar. Eu preciso fazer esse trabalho, sempre fui péssimo em química, preciso de nota. — Ele riu sem humor.
– Então você deu sorte. A matéria não é tão difícil assim, fácil de aprender. — Puxei os livros e peguei as folhas para começar tudo.
– O que você acha de fazer tudo e eu dormir aqui? — Deu um sorriso sacana. Ergui a sobrancelha.
– Claro, dorme aí querido. Depois eu te acordo, tá? — Olá ironia. — Só que não. Você vai ajudar, nem que seja para achar as páginas no livro – fechei a cara.
– O.k – Ele se jogou nos livros.
Comecei a explicar a matéria pra ele e ao mesmo tempo ia fazendo o trabalho. Eu tava pra levantar pegar essa cadeira e dá com ela na cara desse guri. Eu explico uma, duas, três e assim vai e essa mula não entende nada. Ok, eu vou ficar calma. Paciência Eliza.
– Ryan, você entendeu mesmo isso aqui? Eu não vou explicar de novo pra você – O encarei.
– Entendi John. Eu não sou burro também poxa, tu pega pesado comigo – Ele fez bico. Mas que gay!
– Que coisa gay cara – Ri da cara dele
– É a convivência com você! — Deu de ombros. Ai, machucou. Tô de mal
– Eu não sou gay – Dei o dedo médio pra ele.
– Mas age como um as vezes – Ele riu. Ri junto
– Eu sei. É pra descontrair sabe? Seja feliz cara – Dei de ombros
– Você tem irmãs? — E ai? Eu falo o que? Já sei... John vai virar a Eliza agora. Ai gatinha.
– Tenho. Uma mais velha.... porque?
– Então é por isso. Acho que você convive demais com a sua irmã, tá afetando em você agora – Ele gargalhou. Mas que cretino! Dei um soco em seu braço
– O que vai afetar daqui a pouco é o soco que eu vou dar nessa sua fuça – O fuzilei com os olhos
– Eita. Agora virou macho – Ele se endireitou na cadeira e voltou e prestar atenção no trabalho. Sorri e voltei a explicar.
Depois de mais alguns minutos preparando o trabalho eu já não aguentava mais olhar para aqueles livros e ouvir os resmungos do Ryan. Eu posso socar ele? Posso.
– Ok. Chega por hoje, terminamos outro dia. Eu não aguento mais olhar esses livros – Joguei longe a caneta
– Amém senhor! — Ryan levantou os braços. Eu ein.
– Não me venha com mais uma de suas cenas gays. Eu posso fazer elas, você não – Botei o dedo na cara dele. Gargalhei da cara que ele fez.
– Tudo bem... — Ele levantou os braços em forma de redenção. Sorri satisfeita.
– O que vamos fazer agora?
– Que tal irmos comer? Já são 17h e eu não comi nada. — Paraíso ai vou eu
– Opa, pra comer é comigo mesmo – Dei o meu melhor sorriso.
– Eu não entendo você. Como como um leão e é tão pequeno – Ryan e eu agora seguimos para o refeitório
– Já te falei que estou em fase de crescimento – Dei de ombros. Ele riu e concordou com a cabeça.
Ao entrarmos no refeitório os poucos seres que estavam ali direcionaram o olhar para nós. Não gosto de ser o centro das atenções, eu sempre penso que estou cagada. Seguimos para a mesa de sempre, porém dessa vez ela estava vazia. Resolvi quebrar o silêncio.
– Como é que faz para sair daqui? Não tem escolhas de passeio dentro dessa escola sabe? — Ryan comia como um leão pensei que a bandeja desceria também.
– Os alunos fogem. Tem um muro na parte de trás do colégio que é “baixo” — Deu de ombros – Já eu tenho permissão para sair as vezes – Desculpa ai playboy
– É o dono da escola? Traz maconha para os carinhas que ficam vigiando? — Ele riu e negou com a cabeça.
– Eu tenho meus contatos – Isso de novo.
– Eu preciso desses seus contatos então, preciso sair disso aqui – Fiz careta – Não, nem precisa. Eu dou um jeito de pular o muro, pode deixar. Se eu não aparecer depois você avisa a todos que eu morri esmagado e que eles podem chorar, eu deixo.
– Depois tu não é gay. Eu te tiro daqui um dia – Ryan olhou para algo atrás de mim. Segui o olhar e dei de cara com as cor de rosa nos encarando. Todas sorriam para nós – Estão te dando mole John – Ele riu.
– Podem me dar mole, duro, do jeito que elas quiserem. Eu não quero isso, obrigada – Me virei pra ele – E teu lance com a Cameron? — Ele fez careta.
– Já falei que eu e ela não temos nada. Ela é aqueles passa tempo
– Já entendi, rodada demais.
– Tipo isso – Ele riu – Aí cara, ficou sabendo do acampamento que vai ter na semana que vem? Já estou até vendo as gatinhas que vai dar lá – Ryan falou sonhador. Como se aqui na escola não existisse mulher.
– Fiquei. Todos são obrigado a ir?
– Sim. É um trabalho maluco ai que não me importa agora – Depois ele me diz que não é burro.
– Que legal. É talvez a única vez que vou conseguir sair da escola e eu vou logo pro meio do mato, não tem passeio melhor – Fiz careta. Ryan sorriu e se levantou.
– Vai ser legal cara. Vou indo, nos vemos mais tarde – acenei com a cabeça e o vi se afastar.
Me joguei na mesa e fechei os olhos. Mas que vontade de tirar o boné, arrancar essas roupas e sair peladona por ai. Tá, eu nunca que faria isso. Mas que da vontade dá. Fiquei mais uns minutos ali jogada na mesa, pensando na vida e em como ela não tem sido muito justa comigo. Eu conheci tanta gente legal aqui, tudo bem, não foram muitos, mas o suficiente para dizer que são meus verdadeiros amigos. Pensar assim me parte o coração. Eu estou traindo cada um deles não dizendo ou mostrando quem realmente sou. Eu espero que um dia -se eles descobrirem- eles possam compreender.
Já no quarto, deitada na cama, resolvi tomar um banho. Levantei e segui para o banheiro, nem me preocupei em pegar roupa nenhuma, com certeza o Ryan não deve aparecer por aqui hoje. Não preciso me preocupar. Após o banho, enquanto estava me secando, ouço barulho de porta se fechando e logo depois...
– Cara, sai logo dai, preciso usar o banheiro – Ryan socava a porta do banheiro com tanta força que pensei que ela desabaria sobre minha pessoa. Espera... Ryan? Aqui dentro? E eu sem roupa alguma aqui? Pronto, eu me lasquei.
Estou definitivamente encrencada.
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