The Heart And Darkness
6 O mesmo ar.
Notas iniciais
- Riku...? – Era a voz trêmula da garota ao abrir a porta lentamente.
- Nina! – Uma voz masculina jovem provinha da maca no centro da sala que era apenas iluminada pela luz da lua, onde a mesma transpassava por uma janela de vidro. A garota adentrou o local e sentiu um arrepio percorrer a coluna ao ouvir o garoto. Empurrou a porta com um imenso cuidado e se fechou no recinto com ele, onde ela se aproximou e sentou na beira da cama dele, enquanto o via se ajeitar na cama e se sentar também. Ela o observou e viu que ainda se mantinha de olhos fechados, porém havia um sorriso estampado no rosto dele. – Você veio me ver! – Disse.
- Eu disse que voltaria... – Ela sentiu o rosto ruborizar e assim cruzou as mãos.
- Que bom. Não sabe como é chato ter que ficar aqui o dia todo sozinho...
- Ninguém vem te ver... Além de mim? – Ela perguntou um tanto horrorizada.
- Bom, se considera a enfermeira rabugenta uma visita “animadora”, aí não estou sozinho. Haha!
- Hm, nem a Rainha? – Perguntou ela intrigada.
- Ah, sim! Ela veio conversar comigo...
- Sobre o que? – E a cada palavra que Riku dizia, Nina sentia uma vontade imensa de descobrir mais sobre ele. Cada coisa pela qual ela já viveu e de onde ele viera. Mas sua maior curiosidade eram seus olhos, que eram sempre mantidos fechados. Alguma coisa nele o mantinha envolto de mistério, o que fazia Nina se sentir atraída.
- Curiosa você, heim? – Constatou Riku em tom de deboche.
- Hum, desculpe, se quiser, não fale, oras! – Disse a garota um tanto ofendida.
- Haha, calma, estou apenas brincando! – Disse ele em um largo sorriso, onde Nina pode ver cada dente branco que reluziam sem ao menos a luz estar presente. A pele pálida dele misturada naquele ambiente escuro parecia se misturar com a blusa branca que vestia. Os cabelos prateados que caiam sobre os olhos e se aproximavam do nariz fino e bem torneado, onde logo abaixo os finos lábios dele ainda se encontravam contorcidos em um sorriso amplo.
- Riku... Quantos anos você tem?
- Bom, eu tenho 15 anos. – Disse sem grande mistério.
- Ah...
- E você? – Disse repentinamente.
- Huh? – Foi a resposta dela ao seu raciocino lento.
- Quantos-anos-você-tem? – Perguntou Riku lentamente.
- Pare de ser sarcástico! – Disse Nina em um tom notavelmente bravo.
- Hm, mas você ainda não me respondeu.
- Eu tenho 14. – Disse a garota terminando sem rodeios a mais.
- Isso tudo? Pelo seu tom de voz infantil, eu podia jurar que tinha uns 9 anos. – O garoto voltava a rir enquanto Nina sacudia os braços demonstrando estar se irritando.
- Ah, pare de brincar com a minha cara! – Disse Nina cruzando os braços e virando o rosto.
- Você... Esta com raiva de mim? – Perguntou Riku mudando o tom de voz para algo mais sério.
- O que? – Disse ela voltando a virar o rosto na direção dele. Mas a situação foi rápida demais e seus olhos não foram sagazes o suficiente para acompanhar. Riku havia se sentado na cama e com impulso das pernas, eles se aproximou mais da garota e assim ele pôs uma mão na face dela.
- Você esta com raiva de mim? – Perguntou mais uma vez.
- Eu... Eu... – Ela gaguejou.
- Está ou não? – Disse em um tom sério e bem próximo ao rosto dela.
- Hã... Veja bem...
- Seu rosto está quente. – Disse repentinamente. – Da pra sentir nitidamente a temperatura em seu rosto se elevar. Está ficando doente?
- Da pra você fazer perguntas com intervalo de tempo?! Estou ficando confusa! – Disse ela sem graça.
- Hah... Me desculpe. — Disse ele se afastando e então retirando a mão vagarosamente do rosto dela. – Eu devo estar sendo um incomodo para você, não? – Disse Riku enquanto passava uma das mãos pelo rosto e levantava a franja sobre os olhos. Por um instante Nina teve a esperança de ver os olhos do garoto, porém rapidamente vira os fios prateados caírem sobre a face mais uma vez. Ela suspirou e se levantou. – Pelo visto sim, mas eu ainda quero agradecer por ter vindo me ver mais uma vez. – Disse o garoto em tom mortiço.
- Ta achando que eu vou embora, é? – Disse ela enquanto andava em direção a um jarro de água sobre uma mesa. Esta pegara um copo de cristal e o encheu até a metade, onde dali, ela começara a dar grandes goladas e então passara a sorver o líquido. – Hm, se você quiser, eu vou, mas se depender de mim...
- Não! – Quase gritou o garoto, o que assustou Nina um pouco. – Não... A sua companhia... Está sendo importante para mim. – Disse de modo direto, porém este abaixou a cabeça e começou a segurar o lençol com força. Nina se aproximou e então sentou mais uma vez na cama.
- Eu não vou a lugar nenhum, eu não vou te deixar sozinho. – Disse a garota em um tom bondoso.
- Como... Pode falar coisas como essas pra um cara que sequer conhece direito?
- Quer que eu não confie em você? – retrucou Nina em tom seco.
- Não é isso... É claro que quero, mas a questão é que nos conhecemos a pouco tempo e... Assim como você, eu sequer pude ver o seu rosto, assim como você não pode ver meus olhos...
- Afinal, quando mantemos nossos olhos fechados, estamos escondendo boa parte de nossas almas, certo? – Ela riu.
- Exatamente... – Disse o garoto esboçando um pequeno sorriso nos finos lábios.
- No devido tempo, eu acho que finalmente poderemos ver um ao outro com nitidez, por assim dizer... E então nos conheceremos de verdade. – Disse Nina, que sorriu.
- Você está sorrindo agora? – Perguntou Riku.
- Huh? – E assim, mais uma vez, o garoto esticou o braço e passou os dedos lentamente pelo rosto da garota. Seguia explorando a orelha, pelas maçãs do rosto, apertou o nariz dela brincando e a ouvia dizer para não fazer isso e por fim os dedos pousaram sobre os lábios dela. Nina se sentiu sem graça e pensava na sorte que tinha do garoto não poder abrir os olhos, ou ele veria como a garota se encontrava envergonhada.
- Não desfaça seu sorriso, quero descobrir como ele é mesmo sem os olhos... – Disse ele, que então esticara o segundo braço e pousara com o polegar no lábio superior dela. Então Nina sorriu e assim Riku sorriu junto. – Eu bem que gostaria de ver seu rosto...
- Não está perdendo grande coisa! – Disse ela que ria e olhava para os cabelos dele que refletiam a luz da lua.
- Por que vocês garotas cismam que não são bonitas? – Disse o garoto intrigado. – Deveriam se valorizar mais, reconhecer a própria beleza.
- Você diz isso por que ainda não me viu. – Nina riu em tom de deboche.
- E você diz isso por que eu ainda não te vi. – Riku então riu e falou em um tom desafiador.
- O dia em que você me ver,vai levar um super susto. – Disse ainda tentando convencê-lo de que não era bonita.
- É... Eu não duvido mesmo que eu vá levar um susto... – Disse ele para si mesmo.
- Caramba! – Disse Nina em um tom elevado de voz.
- O que houve?
- São quase 5 da manhã, eu tenho que ir! – Disse ela se levantando de modo brusco.
- Ah... – Riku suspirou. – Por que você só vem me ver de madrugada?
- Por que o dia todo eu tenho aulas e treinamentos, eu não tenho muito tempo...
- Viu? Eu sou um problema. Você tem suas tarefas a serem cumpridas e ainda veio me ver, um garoto que-
- Sequer conheço direito? Muda de frase, essa já até decorei. – Disse Nina, enquanto saltitava até a porta.
- Há, eu sou tão previsível assim? – Perguntou ele, enquanto movia a cabeça na direção da garota tentando seguir os sons.
- Não, só é muito preocupado. – Ela então segurou a maçaneta de cristal. – Eu realmente não sei muito sobre você, ou o que fez até agora, mas... Por algum motivo estranho sei que posso confiar em você.
- Bom, eu só espero que você não se arrependa por isso.
- Não vou. – Ela sorriu. – Amanhã eu volto para te ver mais uma vez. – Então abriu a porta e a fechou cuidadosamente.
- Estarei aguardando ansioso.
- ACORDA, NINA!
- AH, AH! NÃO FUI EU, EU JURO!
- Do que você está falando? – Era Eros sentado na beirada da cama de Nina.
- Ah, que susto... Achei que era a professora Daisy... – Disse a garota sentando e suspirando aliviada.
- Eu tenho cara de pato, por um acaso? – Perguntou o ruivo em tom sarcástico.
- Não, foi mal... Ando sonhando demais.
- Ela já acordou? – Era Lee na entrada do quarto.
- Sim, e aí, você conseguiu a sala? – Eros o olhou com interesse.
- Consegui, a gente vai pra lá agora, ou só depois do almoço.
- Agora, vai que um de nós vomita e.
- Eca, e do que vocês estão falando? – Nina se sentia confusa diante daquela situação.
- Você vai entender. Vá ao banheiro, se troque e nós estaremos te esperando na sala.
- Ta bem, né... – Disse a garota se levantando e caminhando de modo desengonçado até o guarda-roupa. Nina pegou as roupas de hábito e seguiu até o banheiro, onde tomou um banho e após um tempo descera as escadas e se encontrou com Eros e Lee. – Certo, e agora?
- Pegue isto. – E Eros tacou uma espada. Uma idêntica a qual Nina havia pegado na sala da Rainha e corrido para a floresta. Uma espada com defesa prateada e o longo do cabo na cor dourada e enfeitada com um formato de coroa na ponta. Ela observou e fez um movimento brusco, como se tivesse tentado cortar o ar.
- Isto é uma espada real, certo? – Disse ela.
- Sim, em aparência é idêntica a Key do rei. Porém é apenas uma espada e não uma Keyblade. – Disse Lee, enquanto ele mostrava que em suas mãos havia uma igual.
- Sem mais enrolações, agora temos que ir. – E assim Eros levantou de uma confortável poltrona vermelha e foi seguido por Lee. Os garotos desceram uma ultima escada e enfim chegaram mais uma vez a um corredor de pedra. Nina sequer tinha idéia do que a aguardava, então ela os seguiu até que após um tempo eles alcançaram uma imensa porta.
- Nina, o seu pé já está melhor? – Eros perguntou enquanto procurava algo em seu casaco verde.
- Está quase bom, ainda restaram uns leves vestígios de dor. – Disse ela estranhando a pergunta.
- Bom, então se prepara. – E assim com a ajuda de Lee, eles empurraram a imensa porta de carvalho, revelando um amplo local, porém escuro. – Nina, vamos treinar!
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