Notas iniciais
Go-go, capítulo!

— Droga! – Nina corria dentre a multidão enquanto puxava Quasímodo. As pessoas estavam tão compactadas naquele lugar que era difícil passar entre todos. A cada passo a garota tinha que mudar de direção, pois via um guarda ou dois. Suas pernas estavam fraquejando de tanto andar e queria evitar que a vissem, pois ainda não havia colocado as roupas habituais de seu mundo. Viu enfim então uma barraca vendendo doces e lembrou-se de sua fome e os poucos pães que não lhe satisfizeram naquela manhã. Tentou então puxar o amigo para lá, pois a área onde estavam as barracas de comida não estavam tão cheias quanto o centro da praça. – Vem cá, Quasí! Vamos a uma-

E assim, devido ao suor, a mão de Quasímodo escorregou, soltando a de Nina. De imediato, ela entrou em pânico e correu para procurá-lo no meio do povo, mas ele já havia sido arrastado e sumiu de vista. Pôs ambas as mãos na cabeça, demonstrando desespero e assim se jogou dentre todos, indo procurar o ruivo. Mas para lhe assustar ainda mais, rapidamente o encontrou: A multidão o havia pegado e o jogava para o alto, como se tivesse sido um dos eleitos a mascara mais feia. Sabia que não iria alcançá-lo, quando no meio de todos alguém havia lhe segurado o ombro. A mão era tão leve, porém colocava uma moral que obrigando a Nina permanecer ali, parada. Olhou para o lado e viu uma luva de couro, seguida por um braço com mangas negras do mesmo material. Respirou fundo e o ser aproximou-se de seu ouvido, sussurrando palavras quase que impossíveis de serem escutadas no meio de tanta cantoria. A voz lhe pareceu um tanto familiar, mas preferiu se manter quieta diante daquele capuz negro que escondia o rosto do suspeito desconhecido.

— Esteja no pátio dos milagres, na meia-noite de hoje. E mude de roupa, trajes de outros mundos costumam chamar muita atenção. – E o capuz negro se afastou. Rapidamente este soltou o ombro da garota de cabelos castanhos e soltou no pescoço desta um colar que parecia muito com um amuleto e em seu meio havia uma cruz e outros desenhos, coisa que Nina avaliou rapidamente. Ela se virou, querendo encarar o ser de frente, mas este já sumira. Sentiu uma aflição com aquilo e sem nem pensar correu para casa, deixando para cuidar de Quasímodo depois. Sua casa ainda estava um tanto longe, então tratou de ir o mais rápido que podia. Avistando-a, abriu a porta com estrondo e correu escada acima quase voando. Quase pulou dentro de seu quarto e abriu a porta do armário: todas as suas roupas eram de pouco mais de um ano atrás. O que era ruim, pois no tempo que passara fora havia crescido consideravelmente para uma menina que era sempre chamada de baixinha pelos outros. Então, para a sua surpresa, havia um embrulho na parte debaixo do móvel. De inicio estranhou e até tinha uma etiqueta escrita “Nina” e assim rasgou a embalagem. Dentro um vestido, um lenço e um par de sapatos. O tom de ambos era puxado pra um roxo claro e pelo tamanho, cabiam perfeitamente no corpo da garota. Nina experimentou e o vestido caiu até um pouco abaixo de seus joelhos, enquanto as sapatilhas eram muito confortáveis. Soltou rapidamente os cabelos que eram presos em duas mechas e correu o lenço pela cabeça, prendendo o mesmo no alto. Correu para ver no espelho como estava e não podia negar: estava começando a se parecer muito com sua mãe. Sorriu e saiu quase voando novamente para a rua, onde o pôr-do-sol já começava a se mostrar presente. Lembrou-se de Quasímodo e acelerou, indo para a praça a toda que podia. Mas para o seu horror, uma visão triste: A praça começava a esvaziar, pessoas gritavam e olhavam para o ruivo que lentamente ia andando de volta para a catedral. Muitos urravam em tom de preconceito para o aleijado, enquanto as roupas dele estavam sujas de alimentos obviamente tacadas pelo povo e rasgadas na altura do caroço nas costas. Subia lentamente e desesperadamente as escadas diante da Igreja, querendo se livrar de toda a vergonha que estava passando. Nina ia voltar a correr na direção deste, mas uma mão segurou seu ombro mais uma vez. Virou-se de susto, mas ao olhar para trás o susto fora ainda maior: Febo, seu irmão acompanhado do cavalo a olhava sorrindo.

— Nina, é você? – Ele perguntou animado. – Haha, pensei que estaria viajando como o nosso pai disse.

— E eu deveria estar e possivelmente irei voltar nos próximos dias. – Disse ela em tom de pressa.

— Poxa, mas que azar. O pai não sabia que você já voltaria e foi do outro lado do país resolver uns problemas sobre as invenções malucas dele e-

— Febo, agora não dá! Conversamos mais tarde! – E ela saiu correndo em disparada para a Notre Dame, deixando o irmão para trás com um rosto impressionado.

— Está vendo, Aquiles? Essa mulherada de hoje em dia é fogo! – E então jogou uma maçã para o alto e o fiel cavalo branco o abocanhou, fazendo a fruta sumir de imediato.

Empurrando a porta da igreja fechando-a com estrondo, Nina correu pelo pequeno corredor escondido dentre tantos pilares e procurou a escadinha em espiral que levaria aos sinos. Corria por que queria ver como estava Quasímodo e estava se culpando pelo ocorrido desastroso. Nunca imaginou que uma escapada rápida pudesse deixar o amigo no estado em que estava. Menos de vinte minutos e tudo desaba assim, de modo tão simples. Estava já entre passando pelos sinos na escadaria, mas vozes conhecidas subiam logo atrás desta. Sem escolha, a garota se jogou em uma pilastra de madeira e em seguida agarrou uma corda, se balançando na mesma até estar longe da escadaria. Em suas costas havia o maior sino de todos, conhecido como o “La Fidel” e sem pensar o empurrou, abrindo uma brecha entre o mesmo e o chão, onde a garota se enfiou e se escondeu dentro do imenso sino.

— Não deixe ninguém subir. – Uma voz imperial disse.

— Mas por que, Mi lorde? – Disse uma segunda voz desconhecida. Escondida dentro do La Fidel era difícil de ouvir, então pressionou o corpo contra o chão e no espaço entre o sino e o piso ela pode ver e ouvir, reconhecendo de imediato como o dono da primeira voz o Lorde Claude Frollo. As roupas negras que arrastavam ao chão e o estranho chapéu eram a sua marca registrada pra reconhecimento a distância. E a companhia do homem estava um simples guarda, enquanto ouvia as suas ordens.

— Não quero ninguém aqui, apenas isso. E ah... Sim, entregue isto a um homem que se encontra em uma pensão a oeste daqui. Seu nome é “Pete”. – E assim entregou na mão do guarda uma espécie de pergaminho e enfim se foi, deixando Frollo sozinho a subir o resto das escadas.

— Pete? Mas que droga! Não vou nem ter tempo de falar com o Quasímodo! – Então quando Frollo sumiu de vista Nina saiu de dentro do sino. Na pressa nem quis descer as escadas do campanário, apenas se segurou na corda que balançava o sino e escorregou por ela. Desengonçada, ela caiu com estrondo no chão, derrubando um castiçal com sete velas, apagando-as na hora e esparramando parafina. Na ampla igreja isso fez um imenso barulho, chamando a atenção do guarda que ainda descia os degraus finais.

— Você, ei, garota! – Ele tentou chamar a atenção de Nina, mas ela se levantou.

— Ops! – E então ela se pôs a correr, deixando o homem pra trás espantado.

— Só pode estar aprontando alguma! – E o guarda sacou a espada, até o padre intervir, atrasando-o.

— Como ousas portar uma arma dentro da casa de Deus?

Corria pelas escadas da entrada de Notre Dame e ao olhar para o céu já praticamente escuro notou que já seriam mais de vinte e uma horas da noite. Afinal, na Europa muitos países entardecem após as dezoito horas. Isso significava que ela teria pouco tempo de chegar ao cemitério à meia-noite, pois o mesmo era longe e não se lembrava direito o caminho. A última vez que fora lá tinha poucos anos de idade e havia sido no enterro de sua mãe, o que até a deixava um tanto atordoada, quando se lembrou do amuleto estranho que o encapuzado tinha deixado em seu pescoço.

— Não pode ser coincidência... – E o examinou. Em seu centro havia uma imensa cruz, ao lado linhas azuis, e pouco mais acima estaria uma marquinha em cor avermelhada, tudo desenhado cuidadosamente em algo que parecia uma lasca de madeira.. Ela sorriu ao perceber o que era e correu se escondendo atrás de uma estátua. – Isso daqui é o rio ao sul da cidade e essa cruz é a Notre Dame! Se eu seguir pelos caminhos enveredados quase que fora da cidade... É um atalho pro cemitério! – E assim ela se foi, adentrando pelas ruas mal iluminadas de uma frança na época do século XVIII.

Estava deitado lendo um livro em seu quarto decorado em detalhes da antiga china, quando sua avó bateu na porta.

— Lee! Um chá para florescer a alma! – Disse com um sorriso bondoso.

— Obrigado vovó. – Lee fechava o livro e caminhava junto a avó até a uma pequena mesa, onde ambos se ajoelharam e passaram a bebericar o chá quente com cuidado.

— Sabe meu neto, pressinto em você... Um grande futuro. – Ela ria gentilmente.

— Por que... Acha isso, vovó? – Ele perguntou em um tom harmônico, enquanto observava o desenho tão detalhado de flores entalhado nas xícaras iluminadas pela luz de uma singela vela, acompanhado pelo delicioso cheiro de um incenso preso a uma estátua em miniatura de dragão chinês.

— Simples... Eu notei isso... Ao ver um ruivo com roupas estranhas enquanto pousava algo que parecia uma nave encima dos lírios da sua mãe. – A velha senhora ainda mantinha o tom de calma.

— A mamãe vai ficar muito brava e... A SENHORA DISSE NAVE? – E então Lee largou o chá e se dispôs a correr, deixando a avó para trás.

— Haha, as crianças de hoje em dia estão cada vez mais inteligentes. – E assim dera mais um gole do chá de camomila com gotas de limão.

— Aqui! – E assim olhou para trás, vendo uma calma e mal iluminada paris deixada para trás. Seu corpo estava suado e o roxo vestido novo já estava meio sujo pelas peripécias da garota. Nina caminhava desanimada após mais de duas horas de caminhada. Estava ultrapassando finalmente o fim dos tijolos na estrada, tornando a mesma de terra. Ao olhar mais pra frente sentiu o arrepio de ver o portal de entrada para o cemitério e assim congelou: Não gostava de admitir, mas tinha medo de espíritos e fantasmas. Na beira do lugar ela cruzou os dedos, fechou os olhos e deu um passo adentrando o lugar. – Há... HAHA! Não tem nada de errado por aqui e... – Enfim ela não se acostumava de jeito nenhum com mãos que chegavam por trás e se assustou, mais uma vez. – HAAAAAAAAAA! – Então uma segunda mão surgiu, tampando a boca da garota.

— Quieta, ninguém pode saber que estamos aqui. – Pronto, ela tinha certeza de ser o mesmo encapuzado do festival dos tolos. O tom de voz era o mesmo e isso fez com que ela se mantivesse quieta. O ser retirou as mãos de Nina e foi então que percebeu: a única pessoa que a havia segurado a garota por trás para não se debater e gritar havia sido somente...

— Riku? – Ela perguntou com esperança enquanto se virava para poder ver aquele que a tinha segurado.

Notas finais
Uh-lálá, quem seráaaa seráaaaaaa. Aguardem o próximo capítulo, as coisas estão ficando tensas e... Já estamos praticamente na metade da história! (No próximo capítulo já posso até dizer o total de capítulos que serão! :x) Boa noite! o