Notas iniciais
Vish, capítulo ficou enormossaouro, sério. x_x~

- Três meses? Dormimos “apenas” três meses e mudamos de forma tão abrupta? – Bradou Nina, completamente pasma.

- Aparentemente sim, vocês chegaram na época dos 100 anos de inverno, Jadis ainda governava Nárnia de forma impiedosa. Bom, pelo menos supomos isso graças ao estado do “carro” que encontramos em um bosque distante. E pelo menos, faz pouco menos de três meses que eu e meus irmãos cuidamos desse país. – Disse uma jovem rainha, ou pelo menos era notável ser uma, graças à coroa em sua cabeça, tão bem colocada sobre seus cabelos negros que estavam presos em uma longa trança, contrastando com um belo vestido verde esmeralda. Sorrindo, ela trouxera um vestido para Nina, enquanto ainda não pudesse arrumar roupas novas apropriadas.

- Mas... Então, por que pareço tão mais velha, como se tivesse dormido um ano ou mais...? Me sinto mais velha, como se o tempo tivesse corrido mais depressa que o normal... Em que mês estamos?

- O tempo aqui em Nárnia corre diferente de outros lugares, não posso dizer com certeza se foram apenas três meses...

- Suzana, digo, Rainha Suzana... Quantos anos você acha que aparento ter?

- Uma idade próxima a minha, talvez? Uns 16 anos...

- Eu tenho 14! Ou pelo menos... Se passaram mesmo 3 meses, até o meu aniversário passou. Já devo ter uns 15 anos...

- Isso é... Muito confuso. – Disse uma outra garota adentrando a porta do quarto, enquanto sorria gentilmente.

- Oh, Lúcia! – Exclamou Suzana. – Este vestido azul deve cair bem com a senhorita Nina, não?

- Sim! Mas eu vim avisá-las que o almoço está pronto, o Sr. Tumnus já está terminando os preparativos para os convidados. Ele está animado por ver outros humanos, segundo ele próprio, nos acham bem “curiosos”. – Riu a rainha mais nova. Enquanto Nina terminava de vestir sua roupa temporária, Suzana procurava uma tesoura nas gavetas. Lúcia retirou-se até que a rainha pronunciou.

- O seu cabelo, se me permite dizer, está um desastre. Acho que Pedro poderia ter-lhe poupado isto. Já que segundo ele, seus cabelos eram bem bonitos. – Nina ficou vermelha devido ao comentário e sorriu, tentando disfarçar. – Ele está até arrependido pelo o que fez.

- Ele não precisa se preocupar, eu não gosto de cabelos lá muito grandes mesmo...

- Mas aposto que você deve ter ficado muito bem com eles enorme. Ondulados nessa cor castanho-caramelo, seria digno de uma princesa.

- Haha, creio que não... – Riu-se Nina, enquanto Suzana tentava aparar-lhe os cabelos, para que ao menos ficassem um pouco comportados, já que agora permaneciam bem curtos.

Um almoço em Nárnia, já era elegante e farto. Quando suas últimas aventuras ofereciam pouca comida, e você passa meses dormindo, todo aquele banquete passa a ser um manjar dos deuses. Espero que você, leitor, não esteja com fome como eu estou agora, então prefiro não descrever as delicias que Nina, Eros e Lee experimentaram naquela mesa, acompanhados pelos quatro reis de Nárnia. Uma conversa animada seguia, todos contavam suas aventuras, acontecimentos e o que pretendiam fazer dali em diante. Convidada por Pedro, Nina teria sido chamada para cavalgar pelas propriedades próximas de Nárnia e quem sabe treinar um pouco, já que ela tem uma arma de porte bem próximo à uma espada normal.

- Lee, você não acha que esse reizinho Pedro não está gostando da Nina? – Perguntou o ruivo, agora com seus imensos cabelos presos em uma grande trança, enquanto trajava roupas leves, porém elegantes, como uma camisa social e um colete, além da calça marrom com botas de cavalgada. – Ele está tentando arrumar tempo pra ficar sozinho com ela... – O garoto caminhava por um corredor, deparando-se com uma imensa sacada com vista para o mar.

- Você acha? Acredito ser apenas cortesia da parte dele. Mas... – Lee, também com a franja aparada e os cabelos presos em um rabo-de-cavalo, além da roupa confortável e aprumada que lhe deram, fizera uma cara um tanto sugestiva. – E se ele estiver interessado nela? Qual o problema? Está com ciúmes, é?

Lee havia acabado de pisar no calo de Eros.

- O... Óbvio que não, cara! A Nina é... Minha melhor amiga, você sabe muito bem disso. E nós não o conhecemos direito, sabem-se lá as intenções dele?

- Nunca ouviu falar em amor a primeira vista? – Riu Lee.

- Eu acredito! – Nina havia chegado por trás dos dois, de surpresa.

- OE?! – Eros congelou, assustado.

- Nossa, até parece que viu um fantasma! – Caminhando delicadamente, até sentar-se na beirada da sacada em uma bancada branca, Nina sorriu, enquanto ajeitava o longo vestido azul que ia até seus pés. – Eu estava lembrando... De quando fui para o Castelo Disney! – Disse repentinamente, desviando o olhar para o mar que podia avistar daquele canto do castelo. Cruzara os braços de modo um tanto melancólico e apoiou o queixo sobre eles.

- Ah! Nunca vou esquecer esse dia. – Disse Lee, sorrindo.

- Nem eu... – Disse Eros, um tanto vermelho e tentando se entrosar no assunto.

- Já eu... Gostaria de poder dizer o mesmo. – O olhar de Nina era vago, enquanto observava as ondas do mar bater na costa. A areia ficar molhada e então absorver a umidade. – Tem uma coisa que eu gostaria de contar a vocês dois que... Apenas eu e a Queen Minnie sabemos...

“Pouco antes de me encontrarem e me oferecerem para estudar no Castelo Disney, eu vivia em um lugar chamado Traverse Town. O meu mundo havia sido completamente destruído por trevas e por culpa de uma forte pancada na cabeça em meio a tragédia, eu perdi a maior parte das minhas memórias. Fui encontrada machucada e sem saber meu próprio nome, até ser acolhida por uma moça. Ela foi gentil e bondosa, cuidou de mim como se fosse sua irmã mais nova... O seu nome era Aerith. Ela cuidou de mim por um bom tempo, até que pouco a pouco eu recuperei pedacinhos bem pequenos do que eu já fui um dia. Lembrei meu nome, onde morava e quem era o meu pai e até mesmo meu irmão. Aos poucos a morte de minha mãe veio a tona, alguns parentes, amigos... Mas... Não tudo. Apenas o suficiente se... Ao encontrar-los, eu pudesse fingir que ao menos os conhecia. Até aí eu não sabia de mais nada. Eu sentia um vazio dentro de mim, aquela sensação de que sua vida podia ter sido simplesmente uma mentira. Foi quando... A Rainha Minnie chegou em Traverse Town. Eu não era a única criança que havia parado por lá, muitas outras perderam seus mundos e assim receberam a proposta de adquirir conhecimento e aprender a lutar. Acreditando que tinha achado um objetivo de vida, fui pra lá e com a Rainha passei a ser uma das alunas dela. Mas... Conforme as minhas poucas memórias me atordoavam, a falta de amigos naquele lugar... Eu achei que tinha errado nas minhas escolhas e... Resolvi fugir. Tentei escalar os muros, despistar e tentar sair pelos portões principais até...”

- Que você achou a rachadura no muro, escondida dentre as plantas. – Completou Lee.

- Exato. Foi então que... – Nina colocou uma mão sobre a testa, forçando as próprias lembranças a aparecerem. – Um homem de cabelos azuis surgiu e me apagou. Não sei o que houve, o que aconteceu depois disso, nada vem à tona. Tudo o que me passa pela cabeça é... Um lugar completamente branco. Corredores brancos, pilastras brancas, portas brancas e... Homens encapuzados com roupas de couro bem negro. Em seguida, eu me lembro de muita dor... Remorso... Uma sala negra até... Que um garoto de cabelos prateados abriu a porta.

- Suas... Memórias são fragmentadas até hoje? Você nunca nos contou nada?! – Eros permanecia em choque ao descobrir que a garota não detinha de muita coisa das próprias lembranças.

- Estou contando agora, não? Eu não sabia quando poderia ser a melhor hora e... Depois de tanta coisa que passamos juntos, achei que agora era apropriado.

- Certo... Mas se você havia sido “capturada”? Como voltou ao Castelo Disney?

- Bom, é aí que está uma das minhas maiores dúvidas. Quando o rapaz, que eu sequer consigo lembrar o rosto direito... Tirou-me da sala branca, lembro também de ter visto uma garota de vestido branco e cabelos bem loiros. Ela me olhava entristecidamente... E então me pediu... Desculpas. Não entendi nada, mas aí eu desmaiei mais uma vez e... Daí eu apenas me lembro de ter acordado no jardim do Castelo Disney, em uma tarde que chovia bastante...

- Foi quando eu e o Lee chegamos e te vimos sendo carregada para a enfermaria!

- Sim! Mais uma vez... Naquele dia, as minhas memórias haviam sido bagunçadas.

- Por quê? Então, praticamente sua vida começou em Traverse Town? – Eros estava indignado, ao saber que a sua frente havia uma garota a qual achava que conhecia bem e agora sabia das mais profundas covas nas memórias desta.

- Bom, chega a ser engraçado, né? Vocês praticamente viveram comigo a minha “vida toda”! São como... Irmãos, anjos da guarda para mim. – Ela sorriu, mais uma vez observando o mar, até que uma criatura a andar por ali chamou sua atenção. Um imenso leão pisava pesadamente na areia, deixando um rastro para trás. Aquela visão enchia os olhos de qualquer um e foi aí que a garota ouviu a seguinte pergunta, desviando sua atenção.

- Pelo o que você luta, Nina? – Lee a encarou. – Você é a que mais batalhou, correu atrás de ser uma usuária da Keyblade. Mas... Não vejo uma boa razão atrás disso tudo.

Lee tinha razão. Por que a garota viajava, corria riscos e estava metida em toda essa confusão? Não conseguia se lembrar de nada e ainda assim, era a que mais buscava por justiça. Por que?

- Eu quero... Me conhecer.... Descobrir quem fui. – “E achar Riku... Estranhamente, de alguma forma... Acredito que ele está envolvido com o meu passado. Mas isto é apenas uma suposição”, ela completou mentalmente.

Eros e Lee sorriram com a resposta e se levantaram. Caminhando e deixando-a para trás, ela correu para segui-los.

- Nina, vamos sair daqui agora! – Disse Eros, enquanto a olhava com determinação.

- Vamos explorar todos os outros mundos que ainda não fomos e então voltar ao castelo Disney. Vamos achar o seu passado!

- Ahn? – Ela não conseguia entender o que era aquilo tudo tão repentinamente.

- “Ahn” nada! Hoje. É hoje... Que a nossa maior aventura de todas começa! Tudo o que passamos não foi nada, é agora que as reais batalhas começam! – Eros agarrou a garota pela mão direita, enquanto Lee a segurava pela mão esquerda. E assim, os três corriam pelos enormes corredores de Cair Parável, planejavam pegar o resto de suas coisas para então procurar o carro. Eles ficaram parados tempo demais, e estava na hora de recuperar o incontável tempo de sono. Assim sendo, separaram-se e foram para os seus respectivos quartos. Estavam com bastante pressa, e não tinham certeza se poderiam então despedir-se dos Reis de Nárnia. Lee e Eros foram para um imenso corredor, bem distantes de onde Nina localizava-se inicialmente. Os tapetes vermelhos nos claros corredores abafavam os sapatos de salto alto da garota, o que era até bom, afinal, ela não estava querendo chamar muita atenção.

Delicadamente, colocou a mão na maçaneta. Rodou a mesma, até que empurrou a porta de madeira escurecida. Adentrou o quarto e suspirou, apoiando-se na parede. Iria então procurar as antigas e mesmo que fossem curtas, suas antigas roupas. Nada contra, mas seria um verdadeiro problema andar com um vestido que iria até os pés, como o que estava usando no momento (imagine então lutar). Vasculhava entre os lençóis por onde estivera naquela manhã, mas, por mais atenta que estivesse, não achava sequer seus antigos sapatos. Não sabia mais o que fazer, e então, uma voz quente (sim, quente, não há como descrever a sensação que aquela voz lhe causa) bradou claramente atrás da garota, fazendo-a estremecer e então congelar.

- Procurando por algo, jovem Nina Monfort, das distantes terras da França? – A voz era autoritária e ao mesmo tempo honrosa, digamos assim. A garota virou-se para trás, enquanto por curiosidade, iria olhar aquele que a chamava. Com a luz que entrava pela janela, tivera a visão mais surpreendendo de sua vida, ou pelo menos até aquele momento. Firme no meio de seu quarto, Nina nunca havia reparado na entrada do imenso leão que ali estava, desde que a mesma chegara. Por um pequeno instante, um horror correu todo o seu corpo, como se fosse o mais puro medo, mas ao mesmo tempo, sentia-se invadida por uma aura de alívio, como se o leão disse “posso causar-lhe o mal, porém não o farei”. Ela realmente não sabia se ficava feliz com aquilo ou acuada (ainda mais por um leão gigantesco estar falando), mas controlou-se e o respondeu, olhando em seus enormes orbes dourados.

- Procuro... As minhas antigas roupas, preciso correr! – Ela disse com leve temor. – Estive parada por tempo demais aqui em Nárnia. Tenho... Coisas pra fazer, resolver. Tem gente que precisa de mim...

- Mas acredito que você não poderá viaja com roupas curtas ou muito menos longas desse jeito. – Ele disse suavemente, como se tentasse acalmá-la. O leão, dando dois passos a frente, abriu a boca e dali despejou um ar, como quem boceja. Era possível ver uma estranha ondulação através daquilo, e da forma mais surpreendente, ganhando cores pouco a pouco, peças de panos dobrados repousavam ali, encima da cama. Nina observou aquilo de modo a ficar muito surpresa, até que ele finalizou. – Conheço a sua jornada, e também conheço todos os deveres que precisa realizar. Nina, jovem portadora da keyblade, eu apenas posso lhe consagrar com um conselho: Jamais se entregue as trevas. Você é uma boa pessoa, e como tal, deve agir em nome da justiça. Porém, acima de tudo, nunca se esqueça de ouvir... O próprio coração.

Nina estava congelada. Como o leão poderia saber de tantas coisas e ainda lhe aconselhar? Havia muitas perguntas a serem feitas, mas por um breve instante distraiu-se, olhando os trajes que o leão criara. Peças de roupa, sapatos, luvas... Tudo o que ela normalmente usava. Deveria ser uma ilusão, não? Feliz com um presente inesperado e pronta pra agradecer, a garota virou-se para o leão, mas, no breve instante que o perdeu da atenção... Sumira.

Observava o sol atravessar a janela e então ela entendeu o clima em que Eros e Lee estavam mais cedo. “É hoje! Hoje sim... Irá começar a nossa jornada!”

Trocava suas roupas com muito entusiasmo, já que eram novas e tomaram forma da maneira mais incrível possível. Por cima de uma blusa azul, a garota trajava um colete branco com detalhes em azul-carmim, além de um short preso à um cinto negro, com bolsos enormes e brancos pendurados. Uma fina meia negra subia por suas pernas e acabam no meio das coxas, além do tênis laranja enorme, finalizando a garota e suas roupas novas.

Pronta para partir, olhou sorrateiramente pelos corredores, enquanto metade de seu corpo ainda residia dentro do quarto, tentando esconder-se usando a porta. Correu sob os tapetes vermelhos, e, com o seu novo tênis, seus passos eram abafados mais ainda. Ao longe, em um corredor, a garota ouviu vozes, o que a preocupou muito. Não que ela estivesse fugindo, mas já não podia mais perder tempo e tendo de se explicar a todos. Encolheu-se perto de uma imensa armadura e esperou, querendo que as pessoas que quer que sejam e estivessem conversando passassem logo. Para a surpresa de Nina, a “dupla” de vozes era uma feminina e a outra masculina. Mas achando que ainda não era a melhor hora para sair de seu esconderijo, pegou pequena parte da conversa dos dois.

-... Mas se você não tivesse demorado tanto, enquanto conversava com seus amigos, teríamos conhecido os outros humanos em pleno almoço! Sabe como é raro crianças virem para Nárnia! – Disse um castor com tom de voz feminino, o que logo mostrava que ela era uma fêmea.

- Eu já entendi, mulher! Mas amanhã talvez possamos almoçar com eles e conhecê-los. Quem sabe na hora do jantar? – Disse o outro castor. E rapidamente eles se afastaram, que para o alívio de Nina, foi quase uma benção. Saindo de trás da armadura, ela voltou a correr, mas fora surpreendida pelo “pequeno” fato de que aquele castelo, Cair Parável, era também absurdamente grande e não chegou a visitar o quarto dos garotos. Teria de ir à base do chute, cruzou os braços e olhou ao redor, enquanto suas feições de dúvida trabalhavam em tentar memorizar o local. Em seguida, correu mais uma vez, enfiando-se em um imenso corredor e por ali acabou sumindo. Passava por vários deles, todos com uma aparência muito igual, o que a deixava muito confusa. Vez por vez, escutava vozes e novamente se escondia atrás de uma armadura qualquer, até passarem e ela voltar a sua busca. Sem mais saber para onde ir, achou uma longa escadaria, dobrando um corredor. Pensou seriamente em subir, até uma mão pousar em seu ombro. Quem quer que seja e que tenha chego no maior silêncio por atrás da garota, quase a fez gritar de susto. Mas para sua sorte, Lee a agarrou, fechando a boca dela, enquanto Eros fazia sinal de silêncio. Depois de se acalmar, soltaram-na e ela ficou meio perplexa: seus dois amigos também estavam com roupas novas, bem diferentes das habituais e parecendo mais velhos, afinal, por mais que tenham sido apenas três meses dormindo, o tempo em Nárnia corre diferente. Lee, com imensos cabelos negros presos em um rabo-de-cavalo, trajava uma camisa preta justa com vários detalhes prateados e um enorme zíper que parava no meio de seu pescoço, além de luvas com um estilo muito parecido. Uma calça larga bege presa a um enorme cinto e tênis negros complementava o novo visual, mostrando que ele estava notoriamente forte, além de virar o mais alto dos três. Já Eros, em uma bermuda que alcançava o meio de suas canelas em uma tonalidade bem escura de verde, usava botas curtas negras e uma camisa branca com mangas verde escuro também. Com os cabelos ruivos aparados, ali estava enfim Eros, mais velho, mais forte e confiante como sempre. Os dois também examinaram Nina, e sorrindo, viram-se prontos para começar uma aventura: a maior de todas elas!

Correndo os três, acharam um canto do corredor que era a brecha para o exterior dos fundos de Cair Parável. O ar puro bateu em ambos, numa suave brisa. O aroma de Nárnia. Sem parar, adentraram a enorme floresta do Ermo do Lampião, deixando tudo para trás. Após acharem que o sumiço repentino no castelo faria com que todos os procurassem por lá, acreditavam estarem seguros. Apressa não lhes permitia dar justificações a todos no momento, precisavam, acima de tudo, recuperar o tempo perdido. Visto isso, pararam de se apressar e entreolharam-se.

- Ok... E como iremos embora? – Nina não fazia a menor idéia de onde estava o carro, além de também não ter a menor idéia de como iriam embora dali através de outros meios.

- Não sei, mas talvez, se refizermos nossos passos e acharmos o Castelo em Ruínas, possamos olhar as redondezas e localizar o carro do pai do Eros. – Lee, como sempre, avaliava a situação e respondia da maneira mais lógica possível.

- Ahhhhh, agora que vocês querem sair do mundo, querem se importar com meu carro, né? Uau! – Eros batia palmas sarcasticamente. – Nossa, como vocês se importam com os problemas alheios!

- Eros...

- Sim?

- Cala a boca! – Nina disse com um tom seco e caminhou por dentre as árvores. Chocado com essa reação repentina da garota, o ruivo ficou estático e a observava de modo como se não tivesse acreditado naquilo. Lee, seguindo a amiga, parou na frente de Eros e dera um tapinha amigável em suas costas.

- Sabe, não fique tão triste. Ao menos ela está sendo mais sincera do que costuma ser conosco. Ela abriu seu coração para nós! – E caminhou, o deixou para trás.

- É, abriu um coração cheio de espinhos... – Disse Eros, enquanto caminhava com passos pesados, mãos nos bolsos, e chutando ou talvez assassinando todas as pedrinhas que podia e atravessavam seu caminho.

Sora...

Um céu,

Um destino.

Acordara no meio da noite. Estava encolhida, bem próxima a uma fogueira. Tinha perdido o sono, e por isso sentou-se. De pernas cruzadas e esfregando o braço, devido ao frio, Nina olhava o fogo crepitar dentre a lenha cortada pela própria keyblade. “Sora.” Ela pensou, lembrando do garoto que conhecera meses atrás, em Twilight Town. Sorriu então, ante a lembrança dele. Surgia em sua mente, como um bom e agradável amigo, apesar de pouco ter falado com ele, menos que um dia, enfim. Observando então, Lee e Eros dormirem também, bem próximos a fogueira, a garota levantou-se, meio desconfortável graças ao frio, mas também estava entediada, e por isso resolveu fazer uma curta caminhada nas redondezas. Iluminando tudo graças ao brilho da lua, a garota reparou uma estranha luz dentre árvores. Uma luz alaranjada e morna, um tanto distante, mas resolvera checar o que era aquilo.

“Um lampião!” – Pensou. “Mas o que isso está fazendo aqui? No meio de uma floresta...” Aproximando-se mais, era notório o gasto devido aos anos em que aquilo se mantinha acesso. Mas, ao ficar junto ao poste de luz por assim dizer, qual não foi a surpresa da garota? Enrolado nas mais grossas tiras de eras, diversas plantas e mato, lá estava o “lata-velha” de Eros, o carro que podia viajar dentre mundos, feito pelo próprio pai do garoto. Sorrindo, a garota correu e começou a “trabalhar”, limpando o mesmo e tirando o maior número possível de plantas e vestígios de tempo. Depois de um tempo, quando o mesmo estivesse razoável, Nina afastou-se e reparou no leve brilho alaranjado que surgia no céu. Era hora de voltar e encontrar seus amigos. Era hora de contar a eles que achara o passaporte para a volta as aventuras deles!

Notas finais
E... o próximo é o último, além de algumas surpresinhas que estou guardando. ç_ç/