The Headless Gang
1 Prólogo
A música que tocava no rádio era lenta, calma e relaxante. O homem no carro, ouvindo a música, ainda aumentou o volume antes de fazer a próxima curva.
Estava escuro. Eram quase três da manhã, e a estrada estava deserta. Não era incomum o chefe o mandar trabalhar até tarde, com pilhas e mais pilhas de coisas a fazer.
Mas isso estava prestes a acabar.
No começo, ele não havia acreditado. Jamais imaginou que algo como aquilo pudesse existir, e muito menos que cairia tão facilmente em suas mãos. Mas agora ele tinha provas incontestáveis. E quase sentia que tinha a obrigaçãode revelá-las. Ele tinha a chance de acabar com o demônio. E era isso que ia fazer.
Suas mãos se apertaram em volta do volante. Mas, de certa forma, não se sentia nem de longe tão confiante quanto devia. O arquivo já havia sido encaminhado, e ele tinha uma cópia consigo. Tudo estava dando certo, mas, mesmo assim... Ele sentia como se algo fosse dar errado. Tinha, simplesmente, um pressentimento ruim que não conseguia explicar.
Ele já havia presenciado a verdadeira maldade do Diretor, visto com seus próprios olhos. Nunca se achou no direito de julgar alguém, mas, de uma forma ou de outra, aquele cara era o demônio. E o homem no carro ia desmascará-lo.
As palmas de suas mãos suavam, e nem a música conseguia acalmá-lo então. Por quê diabos o escritório tinha que ficar em uma área tão remota?, ele se perguntava. Por quê fui trabalhar lá, afinal? Tudo o que ele queria era chegar em casa. Chegar em casa, e então, uma ligação resolveria tudo. Ele estaria seguro, e o Diretor, na prisão.
O homem no carro estava tão nervoso e absorto em seus pensamentos que só viu o adolescente parado no meio da rua no último segundo. Mas o quê...? Ele tentou virar o volante, mas era tarde demais. O carro bateu no jovem, mas, ao menos para o carro, foi tal como bater em uma pilastra de rocha pura.
O carro, ainda tocando a música relaxante, capotou uma, duas, três vezes. Mas o único pensamento na mente do homem era: estou louco. Devo estar. Preciso estar. Aquele garoto... Ele parecia... Ele...
O rádio ainda funcionava, mas as janelas estavam estouradas, e também o vidro da frente do carro, agora de cabeça para baixo, apontando para a direção de onde o homem vinha. No entanto, os airbags prolongaram a vida do homem tempo o suficiente para que ele olhasse para o lado de fora.
E a última coisa que ele viu, antes do carro explodir, foi a silhueta de seis jovens, um ao lado do outro, todos iluminados pela leve luz do luar. E nenhum deles tinha uma cabeça.
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