The Hand Of Sorrow

6 Capítulo 6 - Um lugar inacreditável


- Aqui? – repeti, sem ter certeza de que tinha parado no lugar certo.

Estava parado diante de um prédio velho, do ano de 2000 e pouco, daqueles ainda feitos de tijolos vermelhos. Sua tinta estava tão desbotada e acabada que não sabia dizer como era antes, as janelas estavam fechadas com tábuas pregadas e uma porta quase arrancada das dobradiças.

Não era exatamente o que eu esperava.

- É, aqui. – retorqui Kira, mal humorada pelo meu espanto. – Isso é só fachada, acredite.

- Se você diz...

Eu continuava desconfiado ao empurrar a porta de lado, e entrar na escuridão. Por um segundo não consegui ver nada além de vultos das coisas atiradas ali, mas quando pisquei de novo, tudo estava em tons de verde. Imediatamente localizei uma porta no fim do recinto, que tinha um contorno levemente avermelhado.

- Genesis? – perguntou ela, e abaixei os olhos de novo. – O que aconteceu com seus olhos?

- Tem alguma coisa errada? – eu me sentia perfeitamente normal.

- Eles passaram de preto... para verde. Isso é normal pra você?

Talvez fosse por isso que eu conseguia enxergar na escuridão. Admito que era muito útil, mas me incomodava que fosse tão visível. Dei de ombros, porque não sabia se isso só tinha acontecido por causa do escuro ou sempre fui assim.

Comecei a andar em direção a porta marcada com o contorno, eu não precisava das instruções de Kira para saber que era para lá que nós devíamos ir, afinal, não tinha mais nada importante naquele prédio.

- Hey, espera! – Kira puxou de um bolso um cartão de metal e passou na porta. – Pronto.

Cartão magnético? No laboratório, só pessoas menores os usavam, as mais importantes usavam a identificação de retinas. A porta se abriu, mas eu tive que empurrá-la para passar.

Meu queixo quase caiu.

Aquela porta dava para um corredor de metal polido ligado a vários outros, que levavam à escadas ou para outras portas. Olhei para baixo, e vi pessoas correndo de um lado para o outro, dando ordens ou trabalhando em algo. Esses que trabalhavam estavam separados por salas de teto aberto.

- Como é que vocês...? – ia terminar de perguntar, quando um pelotão de soldados de fardas negras correu abaixo e com pressa.

- Muito trabalho. – disse Kira, satisfeita. – Vamos, temos que chegar no último andar.

Olhei para cima. Havia escadas levando para todos os andares ali, que deduzi serem cerca de vinte ou trinta. Mas eram escadas demais, e mesmo que isso não me canse, levaria muito tempo. Tive uma idéia.

- Segure firme. – falei, enquanto a colocava nas minhas costas sem muita dificuldade. Kira passou os braços em volta do meu pescoço e assentiu. – Não solte por nada.

Ela não respondeu, mas pareceu ter entendido. Subi na pequena cerca de barras do corredor e saltei. Acho que você já deve saber que não tenho as mesmas limitações que os humanos normais.

Subi sete metros no ar, parando ao agarrar outra barra de ferro. Olhei para cima, mas ainda faltava muito. Saltei de novo, segurando em um degrau de escada dessa vez. Dez metros. Saltei do corrimão de outra escada. Treze metros.

De vez em quando eu olhava para baixo, onde alguém olhava para mim saltando como um gato nessas distâncias, sem acreditar. Tinha que me controlar para não rir disso.

Quando minha conta chegou a 21 metros exatos, me segurei no corrimão do corredor e me incei para lá. Último andar, e só levou alguns minutos.

Olhei para Kira, que estava com o rosto enterrado nas minhas costas, as mãos me apertando com tanta força que teriam estrangulado uma pessoa normal. Ela levantou o rosto, que estava pálido, para mim.

- Da próxima vez – ela bufou irritada. – use as escadas!

- Não diga que não se divertiu.

Pela cara dela, presumi que não, então não toquei mais no assunto. Só havia uma porta ali que estava fechada. Fui até ela e girei a maçaneta. Kira não disse nada, parecia mesmo meio mal. Abri a porta e entrei lá.

Eu não devia ter feito isso.

Era uma sala comum, decorada com um tapete vermelho, uma mesa de madeira escura, alguns quadros e várias cadeiras. Dois guardas imediatamente apontaram suas pistolas para mim, enquanto outro ficava rígido atrás da mesa.

Ele era visivelmente o líder.Usava roupas militares, calças camufladas, botas negras e uma camisa branca. Seu cabelo ruivo curto e os olhos verde esmeralda eram iguais aos de Kira.

- Atirem! – ordenou ele, ficando furioso de repente. Deitei Kira no chão logo atrás de mim quando as balas bateram na minha pele e caíram no chão, inúteis. Fechei os punhos e as lâminas saíram novamente, afiadas como sempre.

Os homens pararam de atirar e se afastaram com passos vacilantes até o homem da mesa, que se levantou, ainda furioso. Saltei em sua direção, caindo sobre um dos joelhos sobre sua mesa, que estalou com o impacto. Dobrei ambas as lâminas em forma de X contra sua garganta, de modo que qualquer movimento e ele poderia morrer.

- Genesis, pára com isso! – ouvi Kira falar irritada às minhas costas. – Ele é o meu irmão!