The Hand Of Sorrow

7 Capítulo 7 - Um encontro estranho


Notas iniciais
Sorry pelo atraso, fim de ano é assim mesmo, mas logo vou poder voltar a postar normalmente.

- Seu irmão?

Eu passava os olhos de Kira para o homem atrás da mesa, e realmente, os dois eram muito parecidos para ser coincidência. Os mesmo cabelos vermelhos, os mesmo olhos verdes profundos... e a mesma cara de reprovação. O homem ainda olhava para mim com muito mais raiva que qualquer um ali, mas não fez nenhum movimento quando abaixei as lâminas, afastando os braços, e dei um pequeno salto para parar de pé na frente da mesa. Na verdade ninguém se mexeu, os olhos pregados em mim. Eu não tinha a menor idéia do que fazer, e era horrível ser o centro de tanta... atenção.

- Kira... — o homem desviou os olhos para trás de mim. — O que é isso?

Isso?!

- Ele. — corrigiu Kira,e notei que o olhar de reprovação não era pra mim, e sim pra ele. — O nome dele é Genesis.

- Isso tem nome? — retrucou ele, inclinando a cabeça na minha direção.

- Sim, isso tem nome!

O homem simplesmente se virou para me encarar, com o que parecia indiferença, mas ainda podia ver um brilho em seus olhos. Ah, apesar de toda aquela frieza, ele estava intimidado... Entendi porque ele agia assim, se eu ficasse com raiva, faria algo idiota ou até abaixasse a guarda. E isso quase funcionou. Cruzei os braços e o encarei com a mesma a mesma frieza que ele mantinha. Ele não tinha idéia de com quem estava lidando!

- E o que ele é? — de novo desviando os olhos para Kira.

- O mais desenvolvido armamento biológico que existe.

Eu não tinha certeza de que isso era verdade, mas era o que parecia, pelo menos pra mim. Ele virou rápido para mim trincando o maxilar tenso, quase sem piscar. Os dois guardas quase correram de costas para as paredes, agarrando os rifles, mas isso não iria ajudar em nada. Não resisti a dar um sorriso sarcástico. Eles me olhavam com o mesmo olhar das pessoas da sala, e dos homens na rua, com medo, muito medo. Senti algo que nunca senti antes, a sensação de vitória, porque ninguém ali era capaz de me deter. Eu senti poder.

- Kira... — dessa vez ele não desviou os olhos de mim. — Onde você achou isso... ele?

O silêncio caiu, e tive que me virar para ela. Tinha um olhar duro, e esse sim era dirigido para mim. O que eu estava fazendo? Aquelas eram pessoas senão boas, pelo menos inocentes, e eu as assustava só porque me sentia bem com isso! Tinha alguma coisa terrivelmente errada comigo, essas emoções estranhas ficavam cada vez mais confusas, e eu estava perdendo o controle sobre isso. Respirei fundo e voltei a olhar para o homem na mesa.

- Foi um acidente... quando nos conhecemos... — meu deus, como eu ia explicar tudo aquilo?!

- Ele me ajudou. — ele ficou mais calmo, mas ainda me encarava com certa raiva. — Ryusaki, eu...

- Kira, depois discutimos isso. — seus olhos lampejaram. — Eu quero saber de onde veio, como e porque está aqui.

Silêncio. O homem, que pelo visto devia ser chamar Ryusaki, não precisava olhar para mim para que eu soubesse que eu tinha que responder. Acho que ele tinha o direito de saber o que tinha acontecido, pelo fato de eu ter trazido Kira, quase tê-lo matado e bancado um psicopata sem nenhum motivo aparente. Foi difícil começar, mas tentei explicar o mais claro que podia sobre o que eu era. Contei tudo o que havia acontecido, mesmo sem me preocupar com as reações das pessoas ali, exceto da voz que eu ouvi quando estava naquele laboratório. Mesmo que eu não fosse normal, ou humano, ouvir vozes definitivamente não era algo bom. Demorou quase uma hora, mas quando terminei, todos estavam exatamente com antes, talvez até pior.

Ryusaki fechou os punhos e abaixou os olhos, respirando pesadamente. Ficou tanto tempo assim, que já estava me perguntando se ele estava passando mal, mas nesse momento ele falou alguma coisa em um tom tão baixo que nem mesmo eu consegui ouvir. Com certa insegurança, um dos guardas se curvou um pouco em sua direção.

- Senhor, o que diss... — antes que o guarda terminasse, ele levantou os olhos fulminantes para mim de novo.

- Suma da minha frente, aberração!

Aquele grito foi a única coisa que me atingiu de verdade. Simplesmente não conseguia me mexer, enquanro aquela frase ecoava, martelando aquela palavra, aberração, na minha cabeça. Uma parte pequena de mim queria ficar com raiva e atacá-lo, matá-lo, pelo que tinha dito. Mas eu sabia que ele estava certo, e fiz a única coisa que era certa.

Dei-lhe as costas e saí batendo a porta. Apoiei as costas na parede fria, com as mãos no rosto, mas isso não ajudava em nada. Pensei em sair dali e nunca mais voltar, mas provavelmente isso só iria piorar minha situação. Logo começaram os gritos, os de acusação de Ryusaki, e os de fúria de Kira. Eles estavam brigando por minha causa.

Realmente, fui feito para causar desgraças.