The Hand Of Sorrow
4 Capítulo 4 - Uma Estranha na noite
Vaguei sem rumo por uma hora, mas o tempo parecia se arrastar. A cidade parecia convergir em um ponto em seu centro, e para lá em segui, pois não queria ficar parado, andar me ajudava a esquecer por um momento tudo o que tinha acontecido.
Eu cheguei ao centro da cidade, que era apenas construções antigas que pareciam formar um círculo em volta de um grande prédio cinzento, um grande arranha-céu. Acima de suas portas duplas trancadas, a palavra \"Prefeitura\" estava destacada por letras de metal prateado. Olhei para o grande relógio acima, que era a única coisa antiga ali. Eram três da madrugada. Suspirando, dei as costas ao prédio para seguir outra rua ao lado, quando escutei algo se quebrar. Me virei rápido e vi alguém se esgueirar pelas portas de entrada agora quebradas. Era uma pessoa esguia e baixa, corria com passos grandes e leves, arfando enquanto tentava aumentar a velocidade. Não vi seu rosto, coberto por um capuz preto e voltado para trás. A pessoa também não me viu, e eu estava distraído tentando ver seu rosto.Ela se chocou contra meu peito. É claro que não senti nada, mas ela caiu sentado no asfalto e seu capuz escorregou para o pescoço. Cabelos ruivos se abriram em leque as suas costas e sobre os olhos verdes. Seu rosto era delicado e pálido, mas parecia irritada.- Sai da minha frente, idiota! — esbravejou a garota, agarrando a bolsa que trazia na cintura e se levantando.- Você roubou isso? — perguntei, sem me mexer. Outro som chegou aos meus ouvidos, ritmado e grave.- Isso não é da sua conta! — ela retrucou e tentou passar do meu lado. Deu um passo para o lado e voltei a barrar-lhe o caminho.Mas nenhum de nós conseguiu dizer algo a tempo, pois o som que eu ouvira chegou mais perto, a ponto de ela também escutar. Ergui os olhos. Homens de fardas negras corriam em nossa direção, empunhando pistolas longas em uma das mãos. A garota parecia com medo, então deixei-a passar por mim. Mas ouvi um disparo. Um único projétil, que passou próximo do meu rosto e foi em direção à fugitiva. Me virei a tempo de vê-la cair sobre a perna direita, pela qual filetes da sangue corriam.Alguma coisa borbulhou dentro do meu peito. Raiva. Aqueles homens atiraram em uma pessoa desarmada, que não teve chance de se defender. Voltei a olhar para os homens, que estavam a menos de três metros de mim. Fechei os punhos e sentia lâminas de metal surgirem, exatamente como antes. Os homens não hesitaram, apontaram suas pistolas e dispararam até acabarem suas balas. Todas as balas bateram em minha pele e caíam no chão, inúteis.Fiquei parado no mesmo lugar, enquanto os guardas estancavam sem saber o que fazer. Havia um a minha frente, que fora um dos últimos a parar de correr. Peguei a pistola de suas mãos, que estava apontada para o meu rosto, e quebrei seu cano ao meio. O metal se dobrou como uma folha de papel, e o rosto dele ficou branco.- Deixem-na em paz. — disse em tom baixo.Não precisei repetir. Os homens viraram-se e saíram correndo em choque e com medo. Larguei os pedaços da pistola no chão e fiz com que as lâminas voltassem. A garota me olhava, mas não com medo, e sim com curiosidade. Ela não fez nenhuma objeção quando me aproximei dela.- Você está bem? — era uma pergunta idiota, pois o ferimento da bala era pior do que parecera a distância.- Sim, só... — ela desviou os olhos para baixo e não terminou. Eu tinha que fazer alguma coisa. Se a tivesse deixado passar, talvez ela estivesse bem agora. Abaixei-me e passei um dos braços por baixo dos seus joelhos e outro atrás de seus ombros. Ela só notou o que tinha acontecido quando a levantei do chão.- O que está fazendo? — ela perguntou, espantada.- Você se feriu porque eu não a deixei passar. — respondi. — Deixe-me levá-la a um lugar seguro para compensar.A garota abriu a boca para retrucar, mas parou. Passou então seu braços em torno do meu pescoço para se apoiar e me encarou com aqueles olhos verdes escuro, que pareciam quase negros na noite.- Quem é você?- Pode me chamar de Genesis — disse, começando a andar. Ela era tão leve que andei normalmente. — E você?- Kira. Vire a direita.Segui na direção que ela disse, e entramos em uma ruela pequena e escura como breu.- Dobre de novo e desça até o fim da rua. — Kira disse de novo, olhando o caminho para se certificar. Mas depois voltou-se para o meu rosto. — Você não é humano, não é?Ela não tinha medo algum ao perguntar isso. Eu não sabia nada sobre aquela garota, exceto seu nome, mas ela me pareceu impressionante.- Quero acreditar que tenho algo humano em mim ainda.
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