Notas iniciais
Oi gente, desculpem os erros de ortografia e a falta de assentos, nao tive tempo de revisar

ANO: 3067 d.c, aproximadamente 500 anos apos a infecçao

Tudo comessou em uma noite que uma humana, Victoria Van Dale, andava sozinha por uma das ruelas do novo esconderijo, ja que o antigo havia sido descuberto. Tudo havia acontecido tao rapido que ela nem tivera tempo de arrumar suas coisas, so havia conserguido salvar o relogio de seu pai, que estava na sua familia ha gerasoes e,apesar de gasto, valia um bom dinheiro pois era um objeto raro e havia pertencido a epoca pre-epidemia.
Victoria caminhava observando os ratos e baratas que se sobrepunham em cima das paredes cheias e limo quando ouviu um grito estridente vindo de um corredor escuro. Ela saiu correndo.
Correu pensando que tinham sido descobertos de novo, mas ao contrario do que uma pessoa sensata faria, pegou sua faca de prata( o unico material no mundo capaz de ferir/matar os nao mencionaveis) e correu na direção do grito. Eles ja haviam perdido muitos aliados para o outro lado, nao podiam se dar ao luxo de deixa-los ainda mais fortes.
Mas quando chgou la, viu que ninguem mais estava gritando e, se fosse um outro ataque, com certeza ja haveriam pessoas correndo em todas as direçoes. Guardou a faca. “Espero que nao precise dela por um bom tempo” pensou.
Ela não podia estar ali. As regras diziam que , ao por do sol, todos deveriam estar em suas camas, rezando para viver mais um dia. Nem sempre Vitoria obedecia as regras. Nao gostava de rezar. Se acreditava em Deus? Sim. Se O amava? Não. As pessoas lhe diziam que ela tinha a obrigaçao de adora-lo, mas se ele não a amava, porque ela tinha de faze-lo? Claro que não dizia isso em voz alta. “Se Ele fosse tão bom como dizem, não teria fechado os portões do Paraiso e nos condenado ao sofrimento” pensou, amargurada. O sol ja tinha se posto, faltavam poucos minutos antes da escuridão total. Antes deles sairem. Ela ja burlara regras pequenas, mas aquela era uma das mais importantes.
Vitoria chegou a uma porta que dava para uma cessao considerada reestrita. Significava que ela ficava sempre trancada e so o conselho tinha acesso a ela( apesar de terem acabado de chegar a esse esconderijo, o conselho ja havia selecionado as areas reestritas). Mas ela estava entreaberta. Não havia duvida, o grito havia vindo de la.“Não tem importancia” pensou, “Voltarei antes que percebam”.
Ela andou pelo corredor ate ver luz saindo de baixo de uma das portas. Ao contrario da maior parte das pessoas,(qualquer pessoa sensata sairia correndo)colocou o olho na fechadura, e a cena que viu ficaria guardada para sempre em sua memoria:
Havia um homem que ela nunca tinha visto(o que era muito estranho pois todos os humanos do esconderijo se conheciam) sentado em uma cadeira no meio de uma sala pequena e sem janelas. Seus brasos e suas pernas estavam amarrados tao firmemente na cadeira, que com certeza deixaria marcas. “Deve ter sido ele que gritou” ela pensou.
- Diga onde! — gritou alguem do outro lado da sala. Victoria teve certeza que era o homem na cadeira que havia gritado, quendo ouviu ele respondendo:
- Nao
O homem do outro lado da sala ficou visivel.
Victoria se sobressaltou quando viu quem era: Hern , o lider dos humanos.
Era ele que fazia as leis, e que as impunha. Ele era a autoridade maxima.
Ela ja ouvira falar sobre castigos horriveis e historias de pessoas que morreram neles. Todas as historias eram muito diferentes, mas convergiam em um so ponto: Quem impunha os castigos era Golias, o filho de Hern. Nunca era o proprio lider. Ele era conhecido por ser rigoroso porem justo e era contra violencia gratuita. Ao contrario de Golias. Enquanto Hern inspirava justiça e confiansa, seu filho era bruto, traisoeiro e repulsivo.
Se ja foi um choque ver seu lider ali, imagine como ela se sentiu quando ele pegou uma faca, brilhante e afiada (com certeza prata), e fez um talho no rosto do homem que estava amarrado. Victoria piscou os olhos duas vezes, pois achou que estava tendo alucinaçoes. Mas nao estava. Aquele realmente era seu lider, ele havia acabado de rasgar o rosto de outra pessoa e, ao contado com o sangue vermelho escuro(mais escuro que o normal) a faca comessou a derreter. O homem gritou e arfou e sua pele, no lugar que fora atingida, comessou a soutar fumasa. Calmamente, Hern disse:
-Minha paciencia com voce esta acabando e eu … -O walk-talk dele tocou( os nao mencionaveis rastreavam celulares, entao nao eram permitidos), ele atendeu e falou:
- Sim…Sim, eu entendo. Nao, nao diga a ninguem. Estou a caminho.- Ele desligou e disse:
- Tenho que ir, uma adolecente nao esta no dormitorio. Volto logo.
- Demore o quanto precisar- disse o homem na cadeira. Ela sorriu. Hern fez uma careta de irritaçao e andou em diressao a porta. Victoria se agachou na sombra para que ele nao a visse enquanto cursava a porta e seguia em diressao ao corredor escuro.

XXXXXXXXX

Assim que ele dobrou a esquina, ela entrou na sala. Nao sabia o que ia fazer, mas nao ia deixar ninguem( nem seu lider) machucar outra pessoa, nao importava o motivo.
O homem na cadeira olhou para ela. Primeiro, sua expressao era de medo, depois, quando ela pegou a faca, o medo tornou-se terror e quando ela comessou a cortar as cordas o terror tornou-se uma expressao dificil de ler, que misturava duvida, desconfiansa e incredulidade.
Quando Victoria acabou, ele pulou para fora da cadera e se encostou na parede. Ela foi ate ele, e disse na voz mais calma que conseguiu:
- Nao vou te machucar
Alguma coisa no tom de voz dela deve te-lo feito relaxar, pois sua expressao se suavizou e ele deixou que ela o puxasse para fora da sala.
Victoria o levou a uma das tres infermarias improvisadas, que ela tinha certeza que estaria vazia.
Ela abriu um dos armarios e tirou de la um kit de primeiros socorros com gaze e esparadrapos, e comessou a fazer curativos nos pulsos e tornozelos dele, onde as cordas haviam deixado marcas roxas. A duvida e a icredulidade haviam deixado o rosto dele, e agora so havia a desconfiansa
Enquanto ela trabalhava, um silencio pesado foi se fazendo. Para aliviar a tensao, ela deidiu puxar conversa:
- Entao, qual o seu nome?
-Por que voce me salvou?
-Nao vai me dizer seu nome?
-Responda a minha pergunta!
-Responda voce a minha!
Alguns minutos depois, Victoria acabou o curativo e foi ate a janela, olhar as estrelas. Entao, por algum motivo, ela se lembrou de que quando um esconderijo era descuberto, eles sempre faziam uma contagem de pessoas no novo, e nao entendeu como nao havia sido descuberta. Mas ai ela tambem lembrou da conversa de Hern, no walk-talk:…”uma adolecente nao esta no dormitorio…”. Ela havia sido descuberta. E, se nao voasse para o dormitorio, as consequencias seriam serias.
Victoria andou ate a porta, mas alguma coisa a deteve. Ela se virou e perguntou:
- Voce vai ficar bem?- Ele acentiu e disse:
- Tibe
- O que?
-Voce perguntou meu nome. E Tibe.
- Que raio de nome e esse?
- E o diminutivo de Tiberius.
- Gosto mais do original.
Ele sorriu e perguntou:
- E o seu?
-Meu nome? Victoria.
- Como seus amigos te chamam?
- Nao tenho amigos.
- Ah. Por que voce me salvou?
-Porque ele estava te machucando e … — Quando ela olhou para o lado esquerdo do rosto dele, sua voz morreu. Onde Hern havia feito um corte aparentemente grande e profundo, havia apenas uma marca rosada que tambem estava sumindo.
-Que diabos…
Tiberios percebeu o olhar e disse:
- Voce nao teria me salvado se soubesse o que eu sou. -Mas voce…nos, humanos, temos de nos proteger dos… — Nao. Qualquer outro ser humano me deixaria morrer, de novo. E ate gostaria de assistir.- ele foi ate a janela e deixou a luz da lua iluminar seu rosto.

-Voce… voce e…- Tiberious acentiu e Victoria viu dor e tristeza em seus olhos quando ela disse:
-Voce e um deles. Voce e um zumbi.

XXXXXXXXX

De repente, Victoria se sentiu perdida. Ela nao sabia se se aproximava ou se corria, se falava ou ficava quieta. Vendo a incerteza dela, Tiberious tentou tranquiliza-la, da mesma forma que ela havia feito com ele na sala de interrogatorio:
- Calma, nao vou te machucar.
-Como eu vou saber se voce esta falando a verdade?
- Voce salvou minha vida. Nos, zumbis, tambem temos honra.
-Voces? Honra?- ela deu uma risada sarcastica- Olha, por mais que eu quisesse ficar aqui discutindo sua honra, e acredite, eu nao quero, eu tenho que ir antes que a monitora do dormitorio me de um castigo pior do que da outra vez, que ela me fez lavar pratos sujos na cozinha por tres meses.
Obviamente, ela estava usando o sarcasmo na voz para disfarsar o terror que comesava a tomar conta de seu corpo e de sua mente.
-Olha, quer saber o que eu acho?
- Nao
-Eu acho que se voce disser que se perdeu e, ao por do sol, se secondeu em um armario de vassouras, ela nao vai poder te culpar.
- Eu tinha dito que nao
- Ei, calma. Eu so estava tentando ajudar. E, alem do mais….
- Voce e surdo por acaso? nao preciso da sua ajuda!
Tiberious ja ia dizer uma frase sarcastica, do tipo ”Ta, entao foda-se voce”, quando viu que ela estava chorando. Relutante, ele a abracou e disse que ia ficar tudo bem. Ela nao retribuiu o abraso, mas nao o repudiou, como ele achou que faria.
Um tempo depois ele a levou a uma pequena sala que havia visto enquanto o levavam a sala de interrogatorio, para descobrirem onde Morava o lider dos zumbis, Zanei. Como acharam que ele jamais sairia “vivo” de la, nem se deram ao trabalho de venda-lo.
A sala era pequena, mas o bastante para uma noite.
Um tempo depois Vitoria dormeceu nos brasos fortes de Tiberius.
Os dois nao sabiam ainda, mais aquele simples abraso, a principio amigavel, resultaria em um amor mais proibido do que o de Romeu e Julieta, e com um fim mais tragico do que o de Othello e Desdêmonia.
XXXXXXXXX
Quando os dois sairam do armario, o dia nao havia raiado ainda, mas os primeiros rios de sol ja eram visiveis no horizonte, quando Vitoria disse:

- Bem, acho que e isso.
Os dois estavam parados na frente da saida Ocidental do esconderijo, que era um grande e pesado portao de ferro:
- E, acho que sim.
Os dois deram um abraco desajeitado, que foi ficando mais forte a medida que eles nao queriam dizer adeus. Tiberios era o unico amigo que Vitoria ja havia tido, e a unica pessoa que realmente se preocupava com ela.
Foi quando os dois ouviram as grandes caixas de som (que ficavam em todas as saidas do esconderijo) funcionando pela primeiro vez em quinhentos anos:
“ Vitoria Van Dale, por ajudar na fuga de um perigoso inimigo, voce esta condenada ao isolamento de todos aqueles que um dia chamou de amigos e familia, esqueca seus nomes, pois nao tem mais o direito de caminhar entre nos, que voce morra renegada por ambos os lados e Deus tenha piedade de sua alma”.
Vitoria sentiu suas pernas bambearem e, se Tiberios nao a tivesse segurado, ela teria caido no chao. Ela nao viu que estava chorando ate ele passar o polegar em seu rosto, de um jeito carinhoso, para enxugar suas lagrimas:
- Calma.- Ele sussurrou em seu ouvido- Vou te levar para a minha casa, que fica fora da cidade.
-Sem zumbis? -Ela perguntou, ainda tentando conter o choro.
- Sem zumbis — ele sorriu e apontou para si mesmo- ou quase….
Ela riu e deixou-se levar para longe da unica realidade que conhecera ate agora, do unico modo de vida que havia tido contato. Ela deixou- se levar triste, mas sem arrependimentos e, a cada minuto, crescia a certeza de ter feito a coisa certa ao salvar Tiberios.

Notas finais
Por favor, postem comentarios com a opiniao de vcs sobre a historia, obg.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.