The Guardians

26 Capítulo 2- Lucy


Era uma sexta como todas as outras. O céu estava claro e o sol brilhava fortemente, iluminando todos os cômodos da base. Levantei com um sentimento positivo, como se esse dia fosse ser unicamente especial. Troquei de roupa e me dirigi ao refeitório. Encontrei Sky, ainda em pijamas, saindo da cozinha:

— Bom dia, Sky. — disse com um sorriso.

— Como as pessoas se levantam com tanta disposição? — A ruiva deu um forte bocejo e prosseguiu — Bom dia para você também.

Ela seguiu seu rumo em direção a porta principal, mas se virou uma última vez:

— Nós não tínhamos algum compromisso hoje?

—Como eu pude esquecer? — dei um leve tapa em minha testa — Jason terminou os ajustes nas roupas.

— Bom, desde que ele não transforme todo o chão da base em algodão-doce de novo, acho que não será tão ruim.

— Não seja boba. Ele ainda era inexperiente na época — devolvi.

— Sei. Mas ainda prefiro me precaver. Enfim, obrigada por me lembrar. Te vejo lá em cima depois — e dizendo isso, ela se retirou do refeitório.

Entrei na cozinha e preparei o café e as torradas. Depois de comer e arrumar a bagunça, subi para meu quarto novamente. Escovaria os dentes rapidamente e depois iria encontrar os outros no quarto de estudos de Jason. Chegando no corredor dos dormitórios femininos, me deparei com Jack em frente à minha porta:

— Jack? — perguntei surpresa ao vê-lo.

Nós não nos falávamos há uma semana, mas ele não havia demonstrado nenhum sinal de que viria pedir desculpas pelo bobagem que havia dito aquele dia. Talvez o momento tenha finalmente chegado. Por mais que o que ele tenha dito fora errado, todos merecem uma segunda chance. Especialmente Jack, que é meu amigo há tanto tempo. Caso não saibam, eu fui a segunda guardiã a ser encontrada — logo depois de Cléo — por isso eu e Jack nos conhecemos desde então e sempre fomos amigos próximos. E por mais que eu odeie admitir, sei que ele estava alterado na última semana com a chegada de Will e que acabou dizendo coisas sem pensar. Sei que ele está arrependido e quer que voltemos a nos falar. Mas ao menos que essas palavras saiam da boca dele, receio que terei que manter meu silêncio, por mais que me doa ignorar a um amigo.

— Lucy? Olha, eu vim te pedir desculpas. — ele começou — Hoje de manhã durante o treino com Will, ele me convenceu de que eu deveria parar de sentir remorso e me abrir com você....

Ele levantou os olhos lentamente. Gesto ao qual eu retribui com um olhar de “continue”. O loiro deu um forte suspiro, mas prosseguiu:

— Olha, você tem todo o direito de não querer mais olhar na minha cara. Eu sei que não deveria ter trazido à tona um assunto tão delicado. Quero que saiba que eu não penso nada daquilo de você. Eu só estava muito alterado com a chegada de Will.

— E por que não veio falar comigo antes? – Perguntei.

— Por que eu me sentia um idiota por ter perdido minha melhor amiga. — Ele disse com uma lágrima escapando de seus olhos — Me desculpa, Lu.

As lágrimas começaram a flutuar no ar — cortesia minha — e ele se virou espantado:

— Tinha que demorar uma semana pra você vir falar comigo? — disse com um sorriso.

Ele veio em minha direção a passos rápidos e me envolveu em um forte abraço:

— Senti sua falta.

— Eu também — devolvi o abraço.

Quando finalmente nos soltamos, ouvimos um alto barulho de vidro sendo quebrado. No fundo do corredor, a figura de uma mulher se formou:

— Essa não. Eu vou apertar o alarme.- o loiro disse dirigindo-se ao corredor principal

— Eu vou entrar no quarto e vejo se acho uma máscara. Saio para te dar cobertura quando puder.

Ele assentiu e se retirou. Eu entrei em meu quarto rapidamente e tranquei a porta. De todos os dias para a base ser invadida, por que justo hoje que eu não tenho a roupa? Comecei a vasculhar minhas gavetas e meu armário, quando escutei um forte alarme começar a soar por todo o Templo. Ainda ouvi passos rápidos, Elize ou Thea devem ter acabado de virar o corredor e estavam prestes a duelar com Jack.

Eu continuava a buscar freneticamente nas gavetas quando escutei um batido na porta:

— Lucy, rápido.

Reconheci a voz imediatamente e me apressei para abrir a porta:

— Cléo!

A garota estava com uma pulseira roxa no braço e seu traje já vestido:

— O experimento funcionou — ela exclamou me estendendo um par de brincos azuis e prata em forma de gota. — Lance seu poder neles que a roupa aparece magicamente.

Fiz como ela mandou, e em um piscar de olhos, minhas vestes deram lugar ao meu vestido azul, luvas e máscara.

— Uau! — Soltei sem querer.

— Pois é. Mas agora, como eles nos acharam? Temos uma barreira de ocultação na base para impedir que outras pessoas nos vejam — Cléo disse dirigindo-se a porta.

— O único jeito seria caso um feiticeiro detecta-se a fonte da magia… — eu me interrompi no meio da frase. — Essa não!

Cléo abriu a porta e saiu correndo, eu me apressei atrás dela. Se nossos inimigos tivessem convocado um feiticeiro, estávamos em problemas. Graves problemas. Assim que viramos o corredor, nos deparamos com Jack e Will ao fundo, ambos presos em… gelatina?

— Mas o que...? — Cléo perguntou confusa.

Duas garotas, que se encontravam no meio do corredor, se viraram para nos encarar:

— Sério, mais super-heróis coloridos? — Uma menina que se encontrava ao lado de Elize disse.

— Guardiãs da Água e do Ar. – Cléo se apresentou. — E você é....?

— Paloma, minhas cara! A Feiticeira do Sul — ela disse com um sorriso.

— Já que fomos todos apresentados, que tal pularmos para a parte divertida? — Elize disse lançando um raio de eletricidade estática em nossa direção.

Eu e Cléo pulamos uma para cada lado, esquivando-nos. O raio passou direto, acertando a parede ao fundo do corredor. Cléo foi correndo pela parede, desafiando todas as leis da física e pulou em cima de Paloma. Elize se virou para ajudar e eu lancei rajadas de gelo nos pés da garota. O gelo começou a subir pelas suas pernas, congelando-a lentamente.

— Ora, sua… — ela dizia enquanto tentava se livrar do gelo.

Eu me pus a correr na direção dos meninos. Cheguei próximo as escadas e vi os dois me encarando com um olhar de “vai rápido”. Eu, particularmente, estava surpresa com o fato de gelatina ser uma prisão tão boa. Mas me foquei ao máximo para tirar os dois dali. Criei uma estalagmite de gelo a partir do chão, esta furou a substancia gelatinosa e fez um buraco, pelo qual os dois saíram.

— Até que não foi tão ruim... — Will disse se limpando, enquanto Jack lhe dava um olhar reprovador.

— De nada – disse — Temos que ir ajudar Cléo.

Voltei a caminhar pelo corredor, os dois vindo logo atrás de mim. Vi Cléo lançar uma forte rajada de ar contra a feiticeira, forçando-a contra a janela. Esta lutava para se livrar da pressão. Segui correndo, eu poderia congelar a garota e impedir que ela lançasse qualquer outro truque em nós. Juntei minhas mãos e concentrei-me em meu poder. Preparava para lança-lo contra Paloma, quando Elize quebrou a estátua de gelo em que a prendi e atirou seu poder em minha direção. Fui jogada com força contra uma das janelas, está se quebrou e eu comecei a cair… e cair, e cair.

Um sentimento desesperador tomou conta de mim. Pela janela quebrada, Cléo veio voando em minha direção. A garota acelerava o mais rápido que podia. Ela me estendeu a mão com dificuldade, gesto ao qual eu retribui da mesma forma. Nossos dedos estavam a centímetros um do outro, quando uma corda multicolorida saiu do andar em que estávamos e atingiu Cléo, enrolando a garota por completo e fazendo-a sumir diante de meus olhos.

— Deuce! — escutei Leo gritar lá em baixo.

Um ramo de árvore surgiu e se enroscou em minha cintura. Ele começou a descer devagar e me deixou delicadamente no chão. Coloquei as mãos sobre meus joelhos, tentando recuperar-me do susto. Deuce chegou por trás preocupado:

— Você está bem?

Apenas fiz que sim com a cabeça, enquanto ouvia raios sendo lançados no segundo andar. Elize e Will estavam provavelmente lutando pelo sobrevivência lá em cima. De dentro do Templo, Jack saiu e veio correndo até nós:

— Cléo e Paloma...? – ele recuperava o ar ofegantemente.

— O que tem elas? — Deuce devolveu.

— Sumiram. Cléo saiu voando para salvar Lucy. Paloma se viu livre e lançou alguma magia na direção de Cléo. Depois se envolveu em outro feitiço e desapareceu. Will começou a lançar raios em Elize na tentativa de prende-la lá em cima e eu vim descobrir o que aconteceu. — Jack respondeu.

Eu e Deuce trocamos um olhar preocupado. Cléo não poderia ter simplesmente desaparecido. Ela tem que estar em algum lugar, mas onde? No mesmo momento em que duvidas rondavam minha cabeça, Leo foi lançado em nossa direção. O garoto rolou três vezes na grama antes de parar com a cara para cima:

— Au!

Deuce e Jack correram para ajudá-lo a levantar:

— Quebrou alguma coisa? — Jack perguntou.

— Aparentemente não — Leo respondeu acariciando as costas — Cara, eles não nos dão um descanso.

— Como nos encontraram é o primeiro que eu gostaria de saber. — Deuce disse.

— Eles recrutaram uma feiticeira – respondi.

— Bem quando eu pensava que não podia piorar… — Leo falou.

Nesse exato momento, vimos Will ser arremessado pelo mesmo buraco na janela pelo qual eu havia caído. Eu lancei rajadas de gelo, criando uma rampa. Ele escorregou por ela e caiu de pé no chão. Will se virou para mim com alivio, mas Elize pulou lá de cima e usou a rampa para descer. Eu a transformei em água o mais rápido que podia, mas ela pulou antes que o escorrega se desfizesse e chegou ao chão sem se machucar. Leo recuperou seu folego rapidamente, e levantou duas pedras do chão:

— Prontos, meus caros companheiros?

— Você tem um plano? — O inglês perguntou esperançoso.

— Claro que sim. Eu chamo de “tentem não morrer”! — E dizendo isso, saiu correndo.

Deuce fez uma cara de decepção, mas avançou juntamente comigo a passos rápidos em direção a Guardiã da Energia. Correndo pelo área externa da base, vi Kevin e Thea lançando raios de luz e sombra um no outro. Sky criava um círculo de fogo ao redor de Dan e este lutava para acerta-la com seu poder. Voltei meu olhar para frente, e vi Will com um relâmpago em suas mãos. Uma ideia me ocorreu de repente, e eu parei de correr:

— Esperem — chamei a atenção dos outros dois.

Os dois pararam e se viraram para mim. Deuce com uma expressão de orgulho:

— Finalmente alguém do time começou a fazer planos?!

— Leo, preciso que me levante em uma rocha. O mais alto que puder. — Pedi.

O garoto apenas concordou e levantou o pedaço de grama em que eu me encontrava. Antes que ele me subisse as alturas, me virei para dar uma última ordem:

— Ao meu sinal, quero que cubra todos do nosso time com um material isolador de eletricidade. E avisem Will para se preparar para lançar uma descarga elétrica.

— Anotado! — Leo deu um sorriso e levantou a pedra.

Eu tentava manter meu equilíbrio enquanto o pedaço de chão era levantado na altura do teto. Chegando lá, parou. Eu me concentrei nas nuvens acima de mim, enquanto pensava “espero que isso funcione”. Reuni todas as forças que tinha e suguei toda a água acumulada nas nuvens. Criei um grande manto d`água acima da minha cabeça e o apontei em direção a área externa da base.

“Espero que Leo entenda meu sinal”, eu pensava enquanto liberava aquela imensa quantidade de água em meus amigos lá em baixo. Com as forças que me restavam, fiz uma última rampa de gelo e deslizei para baixo. A água ia a uma velocidade mais rápida que a minha, então tinha que transmitir minha ideia rapidamente. Chegando a uma altura onde ele pudesse me ouvir gritei:

— Se prepara, Will!

O garoto se virou para cima e compreendeu meu sinal. A água caiu em cima de todos que ali estavam, distraindo-os de suas batalhas individuais. Leo fez com que a terra sugasse a todos de nossa equipe para os subterrâneos — com a exceção de Will. O novato concentrou-se ao máximo e invocou um relâmpago, mirando-o na grande poça d`agua que eu havia jogado em nossos inimigos. Uma descarga elétrica foi carregada pela água, fazendo Dan e Thea se contorcerem no chão. Elize também foi afetada, ainda que não tanto quanto os outros, e se debateu por alguns minutos contra a grande carga de eletricidade que invadira seu corpo. Will veio correndo até mim e fez um hi-5:

— Bom trabalho — ele deu um sorriso.

— Não teria conseguido sem você — retribui.

Dito isso, os outros Guardiões começaram a, literalmente, brotar do chão. Sky, Jack, Deuce, Kevin e Leo saíram de baixo da terra e encaravam aos outros três se contorcendo no chão:

— Isso é o que eu chamo de estratégia! — Deuce disse

— Eu sou normalmente a favor do improviso, mas fico feliz com o resultado que tivemos hoje — Leo devolveu.

— Vamos lá bater um papinho com nossos “colegas” — Sky disse avançando na direção dos inimigos. — Façam as honras.

Ela disse a mim, Deuce e Leo. O britânico revolveu Dan com cipós, impossibilitando sua movimentação. Eu congelei Thea, também com o intuito de impedir que ela se mexesse. E Leo afundou as duas mãos de Elize no solo.

— E agora, quem dos três vai querer dar as explicações? — Sky perguntou.

— Por exemplo, como entraram aqui? – Kevin completou o interrogatório da ruiva.

— No caso, eu sou a resposta! — uma voz ecoou.

Um portal multicolorido se abriu atrás da poça d`água. Dele saíram Paloma e Cléo. A Guardiã do ar estava completamente amarrada por uma corda, que apertava-lhe cada vez mais. Mesmo com a distância entre nós, eu podia ver sua dificuldade em respirar — o que era maliciosamente irônico. Paloma estava de pé, triunfante ao seu lado:

— Eu não sei quem você é. Mas vai parar com isso agora — Leo ameaçou enquanto preparava-se para absorver o material do solo.

— Com prazer. Mass, terão que soltar meus amigos primeiro — ela apontou para os outros três Guardiões presos ao chão.

Eu, Deuce e Leo retiramos nossas magias, liberando os inimigos. Paloma os envolveu em uma fumaça de teleporte e eles reapareceram atrás dela.

— Agora solte-a — Leo exigiu.

— Oh querido, eu faria se pudesse, juro! Infelizmente, não cabe a mim. Veras, a magia da corda está diretamente ligada a barreira. — ela apontou para a barreira de ocultação. — Enquanto vocês brincavam de lutinha, eu fiz uma visita ao jovem feiticeiro...

— Jason… — Kevin soltou preocupado.

— Ele mesmo! Acontece que, quem instalou a barreira, garantiu que está só poderia ser desfeita por quem a criou. Desta forma, até que ele desfaça sua magia, a corda seguira apertando sua querida amiga. Só esperemos que ele não tome a decisão certa tarde demais....

A Feiticeira soltou uma cruel risada ao terminar sua explicação. Todos nos olhamos com preocupação, e Deuce foi o primeiro a falar e quebrar o breve silencio:

— Mas se Jason desfizer a barreira, todos da cidade poderão nos ver.....

— E se não, — Sky completou — Cléo morre.