Nós perguntamos para o garçom que nos indicou a direção contrária do bar, daqui eu já conseguia ver duas loiras? Espera ai, será que eu to vendo coisa a mais?
- Dave, aquela loira lá... Tem duas ou é impressão minha.
- Na verdade Eve tem três. – eu o encarei séria.
- Você sabe que as suas piadas são horríveis, não sabe?
- Ah, qual é Eve! – ele me cutucou na cintura – você sabe o quão engraçado eu posso ser.
Eu repeti o que ele tinha dito antes pra mim.
- Esse é um lado seu que eu não quero conhecer. – eu ri.
- Tem muitos lados meus que você não conhece Eve. – ele murmurou bem baixinho, mas sabia que eu podia ouvir.
Antes de começar qualquer outra briguinha como aquela lá de cima, eu mudei rapidamente o assunto. Eu já tinha percebido que ele tinha tendência a provocar quando estava sobre a influência do álcool.
- Faz tanto tempo que eu não vou há uma festa mesmo. – eu falei enquanto passávamos pela parte cheia do bar. – A ultima que eu fui foi há trabalho.
- Vocês matam nephilins e outras coisas assim em festas também? – ele pareceu espantado.
- Claro, eles estão sempre disfarçados. – eu me virei e o fitei – Imperceptíveis como nós.
- Eu pensei que... – eu o interrompi.

Pensou que eles viviam em caixões? Fossos? Claro que não David, eles estão há solta tentando se misturar com os humanos. Hora se alimentando, hora matando apenas por prazer. Alhos e cruzes não combatem um vampiro, Lobisomens não são como os latinos gostosos que você vê nos filmes, um transmorfo pode te enganar e se transformar na pessoa que você mais quer no momento e usá-la para matar. Fora os Raveners que são como pitt bulls só que um pouco pior. Ah, sem falar no nephilins que quando você vê, parecem ser semi-deuses, te seduzem quebram seu escudo em pedaços assim como seu pescoço se você bobear por um segundo, ou melhor, vê o seu pior pesadelo aquilo que até inconsciente você teme e usam contra você até você implorar a morte e ele então a conceder. Hollywood nunca foi fiel à realidade, você mais do que ninguém devia saber isso.

Eu soltei e logo me arrependi quando vi sua expressão, com um misto de raiva, vergonha e dor.

- Ok Eve, é que eu não sou um super hunter. Eu tenho sorte de ainda estar vivo afinal.
Eu olhei bem em seus olhos e ignorei as pessoas que empurravam a gente tentando passar.

Seus olhos azuis estavam ainda mais escuros, a dor ainda refletida neles.

Droga, eu me sentia tonta sob esse olhar... Na verdade ainda achava mais provável que seja por causa da tal absolut.

Eu não sabia o que fazer e um silêncio incomodo pairou sob nós.

Seus olhos agora me mostravam dor e afeto, enquanto um sorriso fantasma surgia em seus lábios.

Essa era a minha forma estúpida de falar que gostava dele, colocando ele na real, tentando proteger e alertar. Esse sempre foi o meu jeito, eu prefiro guardar meus sentimentos pra mim e agora eles eram uma mistura de dor e sofrimento mascarado por um frágil torpor que rompia toda vez que eu pensava em coisas assim.

Eu pensava que seria como nos livros e filmes que a dor é disfarçada com um torpor interminável que a minava, mas não era assim na vida real, na minha vida real eu sentia a dor de perto me assolando toda hora.
Toda hora que eu me permitia pensar nele ou em nós, eu sentia vontade de gritar e reivindicar dos céus a parte boa que fora tirada de mim. A dor era como pólvora uma vez riscada a faísca ela se alastrava por todo o meu corpo. Meus joelhos tremeram e eu sentia como se fosse desmaiar a qualquer hora, minhas mãos tremiam como se eu estivesse tendo uma convulsão. E quando me dei por conta eu estava sentada, com alguém tentando empurrar água goela abaixo. Eu odiava ter isso, eu odiava ser fraca assim. Eu odiava não conseguir superar nada. E o fato que eu mais odiava era esse vazio dentro de mim, como aquela senhora pode falar tão convicta? Ela não sabe de nada! Nada! Eu o amava e mais que isso, ele era o meu parceiro. O meu melhor amigo. Como substituir tudo isso em apenas um mês e algumas semanas? É impossível, mesmo que ela seja uma mensageira, eu não consigo ver o porquê de tudo isso. Eu ainda não consegui descobrir o segredo que rondava a minha vida, eu era um enorme ponto de interrogação. Eu podia até estar bonita, mas por dentro eu estava destruída, um prédio em ruínas condenado pelo tempo e sofrimento. Quem gostaria de n-namorar comigo agora? – eu gaguejei mentalmente – Ninguém. Nunca. Eu precisava parar de pensar nisso, eu precisava beber e dançar até minhas pernas doerem. Era isso que eu faria hoje. Esquecer da dor pelo menos uma noite. Eu prometi pra mim mesma. Eu abri meus olhos – e quando é que eu tinha fechado mesmo? – E vi o rosto de David perto demais do meu, suas mãos me chacoalhando em uma tentativa inerte de me acordar. - AH Eve! – ele bufou – Como você me dá um susto assim? - Fala e fala, mas tem medo de me perder hun. – eu sorri ignorando a pontada em meu coração. - Agora pronta pra me explicar o que foi isso? - Uma tontura só, é normal Dave... – eu belisquei sua bochecha – Vamos dançar, por favor? Eu fiz a melhor cara de pedinte que eu consegui e seus olhos azuis que pareciam congelados de raiva e medo derreteram aos poucos e um sorriso iluminou seu rosto. - Eu não to engolindo essa história de enjôo, mas se você quer ir... - WEE! – eu comemorei abraçando ele e fui ao bar. A dor ainda estava presente em mim, eu esperava que um pouco mais de absolut e água tônica me fizessem ficar mais solta. Eu não queria mais pensar em nada. - Hey – ele pegou meu braço – aonde você vai? - Pegar um drink. - Mais um Eve? – ele me puxou em sua direção – Você não acha que já bebeu demais? - Ah dave, você ta parecendo a minha vó! – eu puxei meu braço – Prometo que é só mais um! - Olha lá Eve – ele me soltou. - Ah que foi garanhão – eu sorri – não ta afim de curtir também? Ele corou e eu fui em direção ao bar. - Duas doses de absolut com água tônica e limão, por favor. - Seu cartão senhorita? - Cartão? - É, o que abre a porta do quarto... Todo seu consumo é passado no cartão e você paga na saída. - Ah, sim eu sei... É que... — outro cara me interrompeu. - Passa na minha Brad – ele entregou o cartão para o barman – E pede mais um do que a senhorita aqui pediu. - Ah, hãn, obrigado. – eu falei sem jeito – mas eu ia pegar... - Relaxa, por minha conta hoje – ele sorriu – Qual o seu nome senhorita? - Eve. - Belo nome Eve – ele fitou da cabeça aos pés – O meu nome é Jack. - Hm, prazer em conhecê-lo – eu estendi minha mão – Jack. Ele pegou minha mão e levou em seus lábios. - O prazer é todo meu. Eu o fitei, ele tinha a pele acobreada, os cabelos negros e seus olhos eram escuros como uma noite sem estrelas. Eu abaixei meu olhar, ele estava com uma pólo preta a calça jeans também preta e botas. Espera aí, quem usa botas em pleno verão na Califórnia? Deus, bem que se diz que gosto não se discute. POV David Eu sei que aquilo não foi uma simples tontura... Mas o que eu posso fazer? Se quando ela me olha assim eu fico desarmado. É tão estranho, estranho gostar de alguém que não seja a Kathy, eu sempre gostava das meninas que provavelmente nunca dariam bola para mim, a única que me correspondeu foi a Kathy.
Não que eu não tenha beijado outras garotas, eu o fiz. Mas não por realmente gostar delas, foi apenas por beijar e nada mais.
E então eu me tornei um hunter, perdi minha família, parei minha faculdade de medicina adiantada e perdi também minha namorada.
É como se você fosse dormir e acordasse em um mundo totalmente diferente, um dia você é David Rice o nerd adiantado na faculdade de medicina. E no outro você é o David Rice o hunter em uma batalha milenar entre o bem e o mal.
O quão ruim isso pode ser?
Eu me senti perdido e quando um dos meus bens mais preciosos foi arrancado de mim, eu me vi obrigado a terminar meu namoro, por que eu sabia que como minha família ela acabaria morta.
Eu preferia vendo ela viva e sem mim, do que ficar pensando e tentando prever o inevitável. Então eu fui pra maldita academia pra aprender a ser um lutador excepcional, ganhar facas de ouro que custa mais do que eu ganhei em todo o meu tempo de trabalho no mc donalds, e tarãn matar demônios.
Eu passei uma semana naquele lugar tentando não odiar cada minuto, tentando aceitar tudo isso, quando eu recebo um chamado e quando eu chego aos anciões vejo uma das coisas mais lindas e assustadoras da minha vida.
Linda, por que eu vira Eve pela primeira vez e não pude deixar de imaginar isso... Eu lembro que ela estava com uma camiseta preta colada, uma calça jeans preta e também colada e botas de combate, seus cabelos estavam com uma trança não muito bem feita e sua franja caia em sua testa.
Ela parecia uma versão mais jovem da Lara Croft e sem os atrativos lábios da Angelina Jolie. E assustadora, por que os velhos anciões que pareciam sempre calmos e serenos estavam apavorados, e Caius estava suspenso no ar e ela com sua mão levantada como se tivesse mantendo ele lá. Sua expressão era mortífera, como uma leoa pronta para dar o bote em quem quer que seja. Então meu parceiro fez a burrice de tentar atirar nela e ela fez a arma voar da mão dele, simples assim. Eu então fui sentindo uma forte atração por ela, cada vez maior e pensamentos pareciam surgir em minha mente, como se tivesse alguém falando comigo. Pegue e aponte para a cabeça, é só um pente... Eu só conseguia sentir a atração por ela, cada vez mais forte, e eu o fiz sem pensar duas vezes, peguei e apontei pra minha cabeça. E quando dou por mim vejo que era a arma. Só que a atração não diminuiu quando ela parou com tudo e desmaiou. Então eu a carreguei para a enfermaria, e depois de cuidar dela tive a noticia que seria babá dela. Eu tentei me opor, mas no fim acabei aceitando pensando que seria a coisa mais chata da minha vida, e não foi. Nós nos demos muito bem, compartilhamos o nosso sofrimento e em um mês ela parece me conhecer a anos... E tem sido assim, amigos, nada mais que isso. O problema é que eu sempre gosto das garotas erradas, problemáticas. E por que dessa vez ia ser diferente? Eu ainda me sentia atraído por ela e isso só crescia. E eu sabia que ela não correspondia, ela nem teve tempo de se conformar com a morte do seu parceiro que ela amava, eu podia ser paciente, eu poderia esperar toda essa dor passar e assim também tentar remediar a minha. O problema é que ela era tipo, impossível. Como uma garota pode ser assim? E eu não falo da evidente beleza física, mas também o seu jeito, ela era durona e doce ao mesmo tempo, um mistério.
O seu olhar quando se fixa sobre o meu parece trazer um mistério por trás. Um poder desconhecido e selvagem, até o seu andar é assim, como o de uma felina. Isso era o que mais me atraia nela, essa animosidade e todo esse mistério. Além do que eu sabia que existia uma garota doce e amável por trás daquilo tudo. Quando ela fazia coisas como pegar a minha mão, me abraçar e dizer que tudo vai ficar bem, eu sabia que em algum lugar essa garota doce estava escondida. Eu poderia esperar, eu repeti pra mim mesmo, mas era tão difícil! Ainda mais quando ela fazia coisas como fez hoje, vê-la vestida com algo a mais que aquelas T-shirts horríveis já fora um grande empecilho, mas quando ela se levantou na minha frente aquela hora, dando uma simples viradinha permitindo que eu a olhasse por completo, Deus, eu não tinha palavras. Apenas isso. Sem palavras. Foi como um interruptor que foi ligado em mim, e de repente eu precisava de uma bebida. Involuntariamente eu lembrei do quarto, eu já tinha visto ela de biquíni nas vezes que fomos a praia, mas eu não prestava tanto atenção nisso. Eu não sou um tarado, e com certeza não a secaria todas as horas, não era de meu feitio ser assim. Mas aquela hora no quarto com o roupão foi além de meu controle, ela com seu roupão praticamente aberto me dando uma visão periférica de todo o seu corpo vestindo apenas lingerie preta me deixou... Ensandecido. Eu tive que me controlar pra não beijá-la ali mesmo.
Mas quando ela disse que eu era o irmão que ela nunca teve, eu fiquei com duvidas e se mesmo quando tudo passar ela continuasse a me ver assim? Eu teria que por um fim nessa minha paixão não correspondida, julgar tudo como se fosse desespero por ela ser uma das únicas pessoas de minha vida agora... Mas eu sabia que não era isso. Subitamente saindo de meus devaneios eu olhei na direção do bar, por que será que ela estava demorando tanto? Vi Eve conversando com um sujeito moreno, todo de preto. Será que eu deveria interferir? Bom, eu esperaria mais um pouco, não iria dar bandeira pra ela certo? Enquanto eu ficava esperando ali uma garota ruiva passou por mim, me comendo com os olhos. Tinha algo de diferente nela, seus olhos eram tão azuis mais azuis esbranquiçados quase prata, era uma cor estranha. Sua boca era vermelha se era batom eu não sei, mas era um tom bonito. Ela estava com um vestido preto curto, bem curto mesmo. - Oi – ela sorriu, seus dentes eram tão brancos que chegavam a doer. - Oi – respondi fingindo desinteresse. Ela chegou mais perto e eu em reflexo me afastei, os pelos da minha nuca se eriçaram, eu encostei no balcão atrás de mim. - Ta acompanhado bonitinho? Eu olhei pra Eve, bom ela parecia estar bem por que eu não posso conversar um pouco também? - Só com uma amiga. - Aquela? – ela indicou a Eve com a cabeça. - Sim. - Nossa – ele murmurou chegando mais perto de mim – e mesmo sendo sua amiga ela deixa você sozinho aqui? Eu inspirei, o seu cheiro era enjoativamente doce. - É, ela foi pegar uns drinks. - Ela parece bem entretida com aquele cara lá – ela se aproximou mais um pouco – E você tão sozinho... Eu dobrei a minha perna apoiando-a no balcão e ela se aproximou mais e lambeu seus lábios eroticamente – O que deu nessas garotas? – Na cara de pau ela encaixou meu joelho em suas pernas e passou a mão pelo o meu peito seu nariz quase roçava no meu, ela fez como se fosse me beijar e mordeu minha orelha sussurrando: - Eu posso dar um jeito na solidão se você quiser.
Droga, droga, mil vezes droga. Eu estava sozinho, eu sentia falta da Kathy. E parecia que faziam séculos desde a última vez que eu tinha feito “algo” com a minha namorada. Eu queria algo assim, essa garota era linda. Mas e a Eve? Eu sei que ela mesma falou para eu arrumar alguém, mas droga! Eu não consigo! E falando nela... - Han-han, desculpa atrapalhar ai, mas eu to com o teu drink aqui Dave. – ela falou ríspida. A garota se afastou um pouco e me deu um beijo no canto da boca. - Meu quarto é o 705, passa lá mais tarde Dave. Ela fitou Eve da cabeça aos pés e jogou um beijo em minha direção e saiu rebolando. - Mas você Dave! Um minuto que eu saio e já tem uma aqui quase te estuprando. - Ela não tava me estuprando Eve – eu bufei – A gente só tava se conhecendo. Eu sorri, ela parecia com ciúmes? - Nossa eu conheci um cara bem legal chamado Jack, e advinha, eu não estava com as minhas pernas em volta dele. Eu peguei o meu drink das suas mãos e a fitei intensamente. Eu percebi a alguns dias que quando eu fazia isso, os seus olhos pareciam desfocar, e por um momento ela não demonstrava sentimento algum. Isso devia ser uma boa coisa, por que sempre quando isso acontecia, ela concordava com o que eu queria. - Vamos pra tal festa Eve... – eu coloquei uma mecha de cabelos atrás de sua orelha – Vamos dançar? - Ah, o que você não pede que eu não faço! – ela sorriu contragosto – Só por que hoje é o seu aniversário. Ela me abraçou, seu cheiro era tão bom. Era doce mas não tanto, eu alisei seus cabelos macios, essa sensação era tão boa. Tê-la ali com meus braços ao seu redor era a melhor sensação que eu podia ter, parecia certo e cedo demais ela se afastou.
- Ah, e limpa esse batom. – ela falou tocando o canto de minha boca. O seu toque foi mínimo, mas mandou uma corrente elétrica por todo o meu corpo, ela pareceu perceber isso também por que ficou na minha frente com aquela mesma expressão de “perdida”, então depois de alguns segundos ela balançou a cabeça e pegou minha mão. - Ah, vamos logo! Nós andamos um pouco com as mãos dadas, sua mão esquentava a minha e continuava mandando aqueles impulsos elétricos por meu corpo. Isso era completamente estranho, eu a queria, queria um beijo. Meus lábios ardiam e ansiavam pelos seus. Controle-se David. Eu me adverti mentalmente, o álcool dificultava um pouco isso, o desejo pareceu aumentar e eu estava super ciente de sua mão na minha. Nós chegamos à frente da boate. - Nossa. – exclamou uma das loiras – Essa foi a garota que você falou? - Sim irmãzinha – respondeu a outra loira. - Ela é muito bonita mesmo. - Eu te falei – ela sorriu pra mim – e o garoto também. As duas sorriram maliciosamente pra mim. Deus, essas garotas estavam no cio? - Er, podemos entrar? – a Eve falou meio grossa. - Podem sim! – elas abriram espaço – Bebam e comam o que quiser! Tudo por conta do senhor Fratell. Ela me puxou rapidamente e nós entramos. A boate era grande e tava cheia. Eu só conseguia ver jovens dançando loucamente e logo a Eve me puxou. Eu não sabia dançar, nunca fiz questão de aprender... Aliás, eu era um nerd, quase nunca saia para lugares assim, por que eu iria querer aprender? E agora bate aquele arrependimento... Eu peguei sua mão e fui pra um canto que tinha um balcão inutilizado. Me encostei ali. - você não vai dançar? – ela perguntou me puxando e já dançando. - Agora não. - Ah, vem... – ela pegou minha mão – eu adoro essa musica! - Depois Eve... - Argh, tudo bem. Ela se virou e se afastou uns 4 passos e começou a dançar. Ela remexeu seus quadris e eu parecia hipnotizado por seus movimentos.
Ela murmurava a letra da musica em quanto dançava. Cuz just one night couldn\'t be so wrong… I\'m gonna make you lose control.
Porque só uma noite não poderia ser tão errado... eu vou te fazer perder o controle.

Eu a olhava sem me importar com nada, e ela apenas dançava e mexia seus quadris sensualmente juntamente com seus cabelos. Seus olhos estavam hora me fitando e hora fechados. I make them good girls go bad…
Eu faço boas garotas se tornarem más...

Ela cantou baixinho, mas sabia que eu poderia ouvir. Meus olhos me traiam, eu não conseguia desviar o olhar dela um segundo se quer, o ambiente e tudo ao meu redor pareceu sumir. Só deixando eu e ela que dançava como se nada mais importasse.
Suas mãos percorriam suas coxas enquanto ela dançava e eu fui obrigada a morder meus lábios. Um calor me invadiu repentinamente e eu sabia que não tinha nada haver com o clima.
Sua mão agora percorria seu cabelo enquanto ela ia descendo e descendo cada vez mais dando algumas viradinhas, eu podia ver o seu vestido marcando todas as suas curvas. Eu estava hipnotizado. Só podia. Por que quanto mais eu tentava ignorar, mas eu a olhava e a desejava. Cuz just one night couldn\'t be so wrong… I\'m gonna make you lose control.
Porque só uma noite não poderia ser tão errado, eu vou te fazer perder o controle.

Ela sussurrou essa parte da musica novamente enquanto vinha em minha direção, seu andar felino me provocando mais ainda. Deus, quanto tempo mais eu vou agüentar? Ela chegou bem perto de mim e sussurrou no meu ouvido. - Vem dançar comigo. Eu não podia, agora não era só por que eu não sabia. É por que era muito perigoso muito perigoso para o meu controle a ver dançando assim a um passo de distância. Ou pior, imaginar ela colada em mim dançando assim. - E-eu – eu tentei falar, minha voz saiu grossa – acho que não Eve... - Bom... Então acho que eu vou ter que arrumar alguém pra dançar comigo. - Eve... – eu a repreendi. - Ah é serio Dave, não vou ficar aqui parada só dançando pra você! Faz assim, pega umas bebidas pra gente! - Mais, eu acho... - Shh – ele tocou os meus lábios em um sinal de silêncio e novamente a eletricidade passou por todo o meu corpo, formigando me deixando super sensível a qualquer toque dela. - Pegue dois drinks Dave, eu te espero aqui – ela riu e piscou. - Ok. – murmurei e a vi sorrir.
Eu sabia que essa combinação não iria dar certo. Bebidas, eu e ela. E eu não queria fazer nada, por que eu sabia que ela se arrependeria depois que o efeito do álcool passasse e eu também de certa forma me arrependeria. Seria como se eu estivesse me aproveitando dela e eu nunca faria isso com garota alguma. Como eu poderia estar gostando da Eve em primeiro lugar. Tinha a Kathy ainda, como eu pudera esquecer ela assim? Isso não era normal. Não pra mim.
Cheguei no balcão. - Quero duas doses de absolut com água tônica e limão. - Pra já. Eu fiquei esperando enquanto o barman preparava as doses, e vi a menina ruiva. Droga. - Aqui está. Peguei os drinks e voltei para o canto que nós estávamos “dançando”. Tomei um grande gole que desceu ardendo por minha garganta, eu nunca fui de tomar essas coisas. Deus, como era horrível. Ela nem esperou e pegou o drink da minha mão. - Calma Eve. Ela tomou um gole como se aquilo fosse água. - Ai D! Isso é tão bom! D? droga, será que essa noite poderia piorar mais um pouco? Somente Kathy me chamava assim. Memórias obscenas invadiram a minha cabeça agora, acho que eu já estava ficando incoerente por causa desse drink horrível. - Me chama de Dave. - O que? – ela meio que berrou devido à nova musica que começara. - Me chama de Dave! - AH, se eu quero dançar com o Dave? – ela inclinou a cabeça para o lado. – claro que eu quero! Ugh, será que ela não ia entender? Fui até ela, peguei o seu pulso e me aproximei de sua orelha quase tocando meus lábios ali. - Me chama de Dave – eu sussurrei. Seus batimentos cardíacos aumentaram consideravelmente. Ela chegou mais perto de mim, eu sentia sua respiração em meu pescoço e me arrepiei inteiro. - Ok Dave, vamos dançar agora? Sem me dar a chance de responder ela começou a se mexer ali mesmo.
Eu não poderia me aproveitar dela assim, e eu sabia que isso tudo era por causa do álcool, que na hora em que me beijasse ela estaria pensando no Matthew, se ela já se sentia culpada todos os dias, imagina se isso acontecesse. Droga, eu tinha que afastá-la antes que fosse tarde demais. Então naquela hora começou a tocar outra musica e ela sussurrava a letra dançando perto de mim.
Well, you\'re a hot mess and I\'m falling for you, and I\'m like, \"Hot damn, let me make you my boo\"
Bem, você é uma linda bagunça e eu estou me apaixonando por você, e eu digo \"Caramba, deixe eu fazer de você a minha namorada\".
Eu tenho que afastá-la agora, eu preciso. Mas as minhas mãos não estavam me obedecendo mais, eu sabia o que eu precisava fazer, mas eu não conseguia.
- Argh Dave, você tem que se mexer pelo menos! – ela colocou suas mãos na minha cintura.
Droga Eve, não faz isso. Por favor. Eu pensei sem conseguir pronunciar nenhum som, de novo eu senti um choque elétrico percorrer o meu corpo minha cintura pareceu esquentar assim como as minhas bochechas. Droga eu deveria estar parecendo um tomate.
Suas mãos começaram a se movimentar, ela estava tentando me fazer dançar, eu cedi ao seu toque e comecei a me movimentar.
- Agora sim Dave – ela riu – cara eu adoro essa música.
Ela começou a se movimentar ao ritmo da musica só que agora com movimentos menos ousados.
Sim, eu tinha que afastar ela agora mesmo.
\'Cause you can shake it, shake it, shake it. Yeah, you know what to do, You\'re a hot mess I\'m lovin\' it, Hell yes!
Porque você pode sacudir, sacudir, sacudir. É, você sabe o que fazer, você é uma linda bagunça eu estou amando, Isso aí!

Ela cantou enquanto virava de costas pra mim e se desequilibrou, em reflexo eu a puxei pela cintura antes que ela caísse.
Isso foi mais um erro, bem grande.
Minhas mãos pareciam estar pegando fogo. Ela continuou de costas pra mim e minhas mãos continuavam em sua cintura. Ela começou a dançar de novo e eu não consegui tirar minhas mãos de lá, era como um imã, eu sabia que precisava me afastar agora mesmo mais eu não consegui.
Seu corpo estava a centímetros do meu, eu mal respirava, e não me arrisquei a olhar pra baixo agora, eu precisava recobrar algum sentido. Aquilo estava errado, o seu cheiro parecia anestesiar meu sistema e ao mesmo tempo parecia mandar cargas elétricas. Eu a queria.
Uma parte de mim falava, foda-se, aproveite agora e pense nas conseqüências depois.
E a outra argumentava com veemência, isso é errado, muito errado... Pense no que ela acabou de passar com o Matthew, em tudo que ela sofreu e você a usando assim.
E quando essa verdade me invadiu eu a afastei com relutância.
Não podia fazer aquilo, não agora. Se fosse uma simples dança eu não protestaria, mas era a Eve dançando comigo, era a garota que tinha aquele olhar misterioso e felino que me deixava literalmente louco. Eu me importava demais com essa garota pra depois vê-la chorar mais do que eu tenho visto, por dar um passo em falso no efeito da bebida que ela se arrependeria.
Eu podia esperar, eu tinha que esperar.
Eu a empurrei gentilmente e deu um passo para trás, tirando a mão de sua cintura.
Ela se virou e eu sorri quando vi seus lábios retorcidos em uma espécie de beicinho.
- Poxa Dave... – ela se aproximou – eu danço tão mal assim?
- Não, pelo contrário...
- Então vem... Não precisa ter vergonha.
- É sério Eve, eu não to muito bem..
Ela olhou para mim com um olhar desconfiado.
Eu sabia que metade do salão queria estar no meu lugar, mas eu duvido que metade do salão se importe o bastante com ela depois de passar uma noite em sua companhia, só de imaginar o que aconteceria amanhã se ela acordasse do meu lado do jeito que eu tanto queria eu já me afastava mais dela. Eu sabia que demoraria bastante tempo para acontecer algo assim de novo, ou talvez não acontecesse. Mas por que arriscar a amizade e tudo que nós conseguimos nesse mês de convivência por uma noite? Droga!
Uma noite com ela podia ser inesquecível.
- Tudo bem, eu vou fazer você querer dançar. – ela riu – É seu aniversario Dave, você tem 19 anos... Qual é.
- Pois é, quase 20.
Ela riu.
- Ok, lá vou eu arranjar outro parceiro.
- Eve!
- Você não quer...
Maldita hora que eu inventei de vim pra cá, maldita hora que aquela loira convidou a gente.
Eu já tava me controlando demais, que droga, eu queria agarrar ela agora mesmo. Mas eu estava me controlando, e que diabos? Não iria deixar outra cara dançar daquele jeito com ela.
- Dave, to indo...
Ela virou rindo e foi mais pra pista.
E o que eu fiz? Merda, eu fui atrás.
Ela começou a dançar do mesmo jeito sensual de antes e eu tive vontade de bater em cada cara que a comia com os olhos.
Deus, quando eu fiquei assim tão violento?
Logo um loiro foi dançar perto dela, o cara tava com uma camisa verde jeans e tênis.
Ela começou a dançar com ele, ele estava de costas pra mim e os olhos de Eve pararam bem em mim.
Ela estava me provocando, eu sabia disso, saquei o que ela falou com Vou fazer você querer dançar. Apesar de estar dançando com ele seus olhos não me deixaram um minuto e a batida começou a mudar agora para algo mais eletrônico. E a maioria das pessoas ali uivou de empolgação.
Ela queria me provocar? Agora ela que agüente. Eu não ia ficar aqui parado vendo ela dançar com aquela coisa loira.
Eu olhei ao meu redor e a maioria das garotas pareciam me encarar com um sorriso safado nos lábios, droga, eu não me considerava nem bonito! Bem isso não importa agora.
Uma morena pálida se aproximou de mim, seus olhos eram verdes e pareciam estar queimando. Um arrepio intenso me atingiu quando eu olhei em seus olhos, que estranho. Resolvi ignorar isso, ela era linda nada comparado a Eve é claro, mas era bonita.
Ela se aproximou mais de mim, eu a olhei por completo; Ela estava usando um vestido vermelho com um decote bem generoso, o vestido se ajustava em suas coxas deixando-as a mostra. Eu sorri e ela retribuiu. Ia ser ela agora.