The Golden Curse
4 Capítulo 4 - Inimigos anónimos
Notas iniciais
Voltando ao presente
Apesar daquilo tudo lhe cheirar muito mal, Cátia decidiu abandonar o armazém para deixar os outros dois a sós. Desde o incidente que abalara o mundo que tinha um pressentimento que a amiga lhe escondia alguma coisa e com o repentino aparecimento daquele homem esse sentimento só se intensificara.
Lá dentro Ana não sabia como personificar a sua raiva. Gritar não lhe adiantaria de nada, na verdade fizesse o que fizesse seria apenas gozada e ridicularizada pelo demónio que a salvara por capricho.
— A tua amiga é esperta não é? Se calhar até já sabe o que fizeste. — Astaroth quebra o silêncio passando logo às provocações.
— O que queres daqui? Pensei que te tivesses esquecido que tinhas feito um contrato.
— Oh, vá lá. Não fiques amuada porque não ajudei a tua humana. Eu disse-te que para a salvar a ela mortais tu e como todos os humanos o teu lado desprezível preferiu salvar-se a si mesmo do que à suposta pessoa que tanto queres proteger.
Por momentos quase cedeu à vontade de saltar para o pescoço do homem. Mas não era só pelas palavras que ele dizia, era também por saber que no fundo ele tinha uma ponta de razão. Ninguém queria morrer, e por muito que quisesse salvar Cátia não adiantava nada trocar a sua vida pela dela. De certeza que a amiga iria perceber.
— Achas que sim? Vai-lhe perguntar então.
— Pára de entrar na minha cabeça demónio nojento!
Astaroth preparava-se para lançar uma nova onda de provocações quando vê a outra rapariga a correr na direção deles:
— BAIXEM-SE!
Uma salva de tiros atinge o armazém. As duas companheiras rastejam até um canto na esperança de se abrigarem.
— O que é que se está a passar? — Pergunta Ana encolhendo-se perante mais uma chuva de tiros.
— E achas que eu sei!? Quando estava lá fora, para te deixar conversar com o teu namorado, vi um drône a sobrevoar esta zona e parece que ele também me viu.
— Namorado?! Alguma vez eu ia namorar com aquilo?
— Não sei. Estamos no fim do mundo, não tens muito por onde escolher.
— Senpai!
— Por falar nisso, onde é que ele está?
Como se ignorasse toda a situação à sua volta, Astaroth encontrava-se no centro do edifício a olhar para o céu vendo o avião de guerra ir e vir enquanto descarregava os canhões sobre eles.
— Oh, oh oh, os humanos inventam brinquedos tão engraçados... Mas tão inúteis. — E com um discreto estalar de dedos escondido num dos bolsos das calças o aparelho explode no céu com um estrondo.
Sem saberem como explicar o que acontecera as duas abandonam o abrigo. Talvez Ana tivesse uma vaga ideia.
Mais uma vez estava na hora de se mudarem. Já não bastava a peste que não sabiam quando se abateria sobre elas, até os humanos que sobreviveram se atacavam uns aos outros. A razão não sabiam mas não era nem a primeira nem a segunda tentativa de as eliminarem.
— É melhor irmos antes que comece a ficar de noite. — Afirma Cátia ao meter uma mala às costas.
— E o carro?
— Não adianta. Tentar encontrar gasolina é um suicídio. Pode ser que encontremos algum pelo caminho.
— Então vamos senpai.
— Não te estás a esquecer de nada?
Ana olha em volta confirmando que tem a sua mochila e respetivos objetos até que a amiga aponta para o homem relaxadamente encostado a um pilar poeirento.
A expressão de desagrado da pequena não passa despercebida.
Depois de mais uma onda de discussão entre os dois, que Cátia ignorou indo na frente, iniciou-se a caminhada. Precisavam de encontrar um lugar onde passar a noite antes que alguém os visse.
Já caminhavam à algumas horas quando decidem fazer uma pausa.
— Está tudo bem senpai? — Pergunta Ana encarando a rapariga.
— Sim, está tudo ótimo. Dói-me os pés.
Um sorriso insinua-se nos lábios de Astaroth. Esta seria uma magnifica oportunidade para provocar a sua "escrava".
— Ana, — A jovem olha-o e ele tira um maço de notas do bolso. — queres apostar comigo?
— Quê? Do que é que estás a falar?
— Eu aposto cinco segundos e tu?
— Cinco segundos?
O sorriso do demónio alarga-se ao mesmo tempo que ela se apercebe do que se trata aquela aposta olhando aterrorizada para trás.
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