The Ghost Of You

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Primeira fic Frerard que posto aqui, espero que gostem. :3

Senti o gosto azedo encher minha boca de novo – segunda vez aquele dia –, já sabia o que fazer. Dirigi-me calmamente ao banheiro do funeral novamente, em passos desengonçados. Queria fazer menos barulho possível; minha missão por enquanto era me manter invisível perante todos aqueles inconsolados caindo aos prantos.

Não que comigo fosse diferente, realmente não. Amei-o como minha própria vida e posso provar isso com cada Eu te amo que proferi e cada beijo que o dei e cada sorriso que o arranquei e a cada lágrima que dividimos. Mas de que adianta espalhar nossas lembranças – agora aparentavam tão antigas e magricelas, carentes de uma nova demanda de experiências – se me tratam como culpado?

Talvez eu devesse. A mãe dele me olhava com desprezo, e a parte mais difícil disso é que ele herdara os olhos dela. O pai dele me olhava com ódio, ambos herdavam o mesmo nome, o mesmo sobrenome.

Abri a tampa da privada e deixei que meu corpo tombasse para frente enquanto toda a bile saía de mim, amarga como seu próprio dono.

Não posso falar que fui um santo, não mesmo. Mas nunca, nunca foi minha intenção machucá-lo, seria loucura! Éramos quase um só. Seria machucar a mim mesmo, e naquele tempo, estava tão feliz ao seu lado que me cortar estava fora de cogitação. Todavia nós dois – e mais nossos colegas – éramos delinquentes em busca do maldito prazer temporário. Era bom, era ótimo.

“Agradeço Deus pelo dia em que conheci o Bert” Declarou Frank, risonho da vida. Estendia um dos braços para mim.

“Sem ele eu não teria conhecido você dois” Emendou, acenando a cabeça para mim e a seringa pronta em minhas mãos. Sorri e peguei seu braço descoberto. Envolvi o elástico vermelho logo acima de onde a seringa iria ser inserida. Ele me olhava com ansiedade, sentado com pernas de índio, a outra mão passeando por alguns CDs de rock que eu havia deixado de lado.

“Kurt Cobain,” Continuou, olhando para a capa de um dos CDs da banda Nirvana.

“Caso eu morra de overdose, é com ele que eu vou querer estar, seja lá onde eu for. Cantando alguns trechos com ele, seria perfeito. E então eu cantaria aquela música que você fez para mim” Eu ri inconformado, talvez surpreso. Aposto que Kurt daria zero pela letra vagabunda e melosa como uma adolescente apaixonada. Não o contradisse, sabia que Frank iria insistir no quão bonita ele achava que a música era.

“Hm, veia fujona” Respondi, frustrado. Não a encontrava. Então Frank moveu um pouquinho os braços enquanto fuçava um encarte qualquer.

“Oh, você está aí” Inseri o veneno em sua veia e ele fez uma careta inicial. Mas após algum tempo, seu semblante mudou, e então começamos a rir.

A morte parecia tão distante diante daquele nosso mundo.

E Deus, eu daria tudo só para saber que estávamos tão, mas tão errados. Mas fomos tolos, eu fui tolo. Estava matando-o vagarosamente, em minha pura ignorância de que tudo ia ficar bem. De que tudo se resolveria com o tempo.

E bem, resolveu. Não foi da forma como planejei, mas eu parei com tudo. Inclusive, parei de viver. Não encontrava razões nenhumas para seguir em frente.

Dizem que quando uma pessoa amada morre, você deve fazer algo para honrá-la, para que a morte não seja em vão. O azar de Frank é que eu sou egoísta a ponto de não querer mais permanecer aqui. Porque com sua morte ele levou um pedaço enorme de mim. E a única coisa que me sobrou foi essa carcaça que eu sustento para lá e para cá, preenchida de ódio e tristeza. Eu não sabia mais o significado de vida, eu apenas continuava a respirar como gesto automático, talvez porque seria o certo a fazer. Talvez porque é o certo a fazer.

Mas eu nunca segui regras.

E com o corte na jugular, o banho de sangue me purificou.

E pela primeira vez em muito tempo, eu já poderia escutar Frank cantando.

Notas finais
Aquelas que abomina morte do Frank em fics, mas mata ele. Obrigada quem leu ♥ Reviews? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!