Belle encontrava-se no quarto escuro, revelando algumas fotos, enquanto pensava no homem que havia conhecido naquela manhã.

Há muito tempo não se sentia atraída por um homem como se sentiu atraída por Gerard Way. Não sabia se era por ser um homem muito bonito ou por terem se divertido durante o caminho até o Central Park. Só sabia que não conseguia tirá-lo da sua mente. Era estranho pois mal o conhecia...

Teriam um encontro na noite seguinte. O que aconteceria? Por que a convidara? O que teria visto nela? Justamente quando se sentia gordinha e feia... Seriam paranóias da sua cabeça?

- Belle, e as fotos?

Belle olhou para Mara, que a encarava com a indagação presente em seu rosto.

- Ah! Sim... Já estão, saindo Mara... Mais cinco minutos, sim?

Mara assentiu e saiu. Belle, então, decidiu tirar Gerard Way de sua cabeça e retomar seu trabalho.

- Jared! Jared! Espere! — Grace se afastou, ofegante.

- O que houve? — Jared puxou sua cintura, unindo ainda mais seus corpos e mordiscando seu pescoço. — Não gostou?

Grace se livrou dos braços masculinos e foi à sua mesa.

- Se eu não gostei? — Grace pegou uma pasta em cima da mesa e se abanou. — Claro que gostei! Mas aqui não é certo, Jared!

Ele se aproximou, retirou os cabelos de Grace de seu pescoço e começou a mordê-la e perturbá-la com a língua em movimentos sensuais e envolventes. Grace deixou o pescoço pender para o lado, enquanto segurava-o pela nuca.

- Jared...

- Não fala nada, Grace... — ele dizia ao seu ouvido.

- Poderemos ser demitidos...

Jared riu levemente, em seguida, retomou as carícias atordoantes.

- Não seremos... — A virou subitamente para ele. — Você, com certeza, não será. — Assim dizendo, capturou-lhe os lábios em mais um beijo arrebatador. Suas mãos já se encontravam por baixo da blusa dela e procuravam, ansiosamente, pelo fecho do sutiã. Grace, ofegante, desfivelava-lhe o cinto, com os dedos trêmulos, quando ele finalmente conseguiu abrir o fecho do sutiã dela. As mãos dele subiam pela pele macia, juntamente com a blusa, quando batidas na porta e, logo após, Josie abrir a mesma, flagrando o casal que ficou desconcertado.

Sally e Shirley conversavam animadamente em um café próximo ao local do incidente.

- Então... o que faz da vida? — Shirley perguntou, de repente.

- Estudo música. — Sally sorriu, orgulhosa. — E você?

- Trabalho com a mesma. — Sally, que mexia o café, levantou os olhos para Shirley, encantada.

- Você é professora de música?

- Não. Tenho uma banda. Sou a vocal...

- Você tem uma voz calma, suave e envolvente. Suas músicas, certamente, devem ser boas.

- Obrigada! Espero ainda vê-la em algum de nossos shows. Mas... O que estuda, mais precisamente?

- Canto. Eu não sou uma cantora profissional, não acredito que esteja preparada para isso, mas estou me esforçando o máximo. Quero montar a minha banda... Minha tão sonhada \"Innocence for Days\".

- Não é fácil... — Shirley deu uma mordida em um Donut e apontou o mesmo para Sally. — Mas o que conseguimos depois, é recompensador...

- Sei que não será uma tarefa fácil... Estou disposta a tudo pelo meu sonho...

Os olhos de Sally adquiriram um brilho especial enquanto falava, o que não passou despercebido para Shirley, que sorria. Estava encantada pela inocência que aqueles belos olhos verdes de Sally transparecia.

Kate encontrava-se em um restaurante, almoçando. Fora uma longa e emocionante manhã. Não que já não esperasse por isso, mas precisamente, naquela manhã, ela se sentia diferente, esgotada...

Não sabia se era pela consulta de Michael e pelas lembranças pessoais que a mesma lhe trouxe, mas não conseguia parar de pensar em seu paciente. Ela tinha certeza que só se sentiria bem depois que o ajudasse...

- Demorei, amor?

Kate levantou os olhos da salada para Claudio, que a olhava com ternura e preocupação.

- Claudio, você apenas foi ao banheiro... — olhou-o pelo canto dos olhos.

- Mas já senti saudades... — se aproximou de Kate, roubando-lhe um selinho.

- Exagerado. A comida daqui é uma delícia. É tão próximo do consultório, este restaurante, e eu não o conhecia...

- Eu sempre vinha almoçar aqui. Minha faculdade era aqui perto também, então era mais fácil para eu comer aqui do que ir para casa e depois voltar pro trabalho.

- Tem razão. E como anda o trabalho?

- Cansativo... Mas rendável.

- Sim. É uma boa área.

- A sua também é. E como anda o seu trabalho?

- Normal... Os mesmos pacientes. Alguns novos... Mas geralmente englobam os mesmos problemas...

- As pessoas são muito previsíveis... — Claudio colocou a mão sobre a de Kate. — Senti a falta dos seus olhos de avelã, meu bombom de brigadeiro...

Kate sorriu. Era bom ser amada. Fazia-a se sentir especial, única... Como seria se correspondesse?