Ela, uma jovem jornalista, seguia para mais um dia de trabalho. Estava atrasada, como sempre, e por isso, mais uma vez, não tomou seu café da manhã. Subiu levemente a calça que caía a cada dia mais.

- Pelo menos há uma vantagem: estou emagrecendo. — sorriu levemente enquanto alisava sua costela a cada dia mais saliente em sua barriga. Foi a cozinha e encheu um copo com água.

Passou no quarto de uma por uma de suas amigas, enquanto as acordava de um jeito diferente para cada preguiçosa: retirou o edredom que encobria o rosto de Kate, fez cócegas nos pés de Sally e, com o copo de água que mantinha em mãos, molhou os dedos e respingou no rosto de Belle, que fez uma pequena careta e abriu os olhos em seguida.

- Bom dia, criatura! Será que apenas eu trabalho nesta casa? Agora levante-se que tenho que trabalhar! — se virou para sair, mas foi detida pela voz sonolenta.

- Grace...

- Diga, Belle...

- Tenho mesmo que ir trabalhar hoje?

- Temos aquela reportagem sobre a poluição, lembra? — Grace sorriu quando Belle soltou um pequeno gemido e encobriu o rosto com o edredom.

Retirou a cabeça de lá e disse esperançosa:

- Quanto tempo até a reportagem?

- Duas horas?

- Duas e meia?

- Tá, Belle, arrumo um jeitinho...

Belle pulou da cama para o pescoço de Grace.

- Te amo!

- Vá se arrumar!

Grace saiu rindo do quarto de Belle e encontrou Sally com a cara emburrada e com seu gato preto, anti-social, em seu colo.

- Quem morreu?

- Meu bom humor...

- Antipática...

Sally fez uma pequena careta e Grace seguiu para a porta, encontrando Kate com sua habitual bandeja de morangos.

- Xom xiabaio.

- Engole primeiro, Kate!

Ela o fez.

- Bom trabalho!

- Obrigada. Para você também. O que será hoje?

- Mais neuróticos e terapias...

- Boa sorte!

- Precisarei!

- Sally, sorria! A vida é bela... você quem estraga ela. Belle! — gritava para a amiga no quarto.

- Que é?

- Te espero no Central Park.

- Okay.

Com um pequeno aceno, Grace se despediu das amigas e desceu as escadas do prédio até a garagem. Ligou o carro e seguiu rumo ao Central Park. Precisava preparar a reportagem e deixar para que ficasse apenas as fotos para Belle tirar e irem rapidamente para o jornal.

Estacionou o carro e andou por entre as árvores. Entre uma e outra parava para fazer alguma anotação. Embora houvessem programas sociais de preservação, havia sempre um lixo ou outro deixado por algum cidadão inconseqüente. De longe, viu quando um homem esmurrou uma das árvores. Já não bastava poluir o parque, tinham que também maltratar as árvores.

Se aproximou.

- Bom dia! — Ele a ignorou, mas ela insistiu. — Bom...dia! — Ele lançou-lhe um olhar gélido e a ignorou novamente. — A árvore não tem culpa dos seus problemas...

- Não te perguntei nada!

- Ainda é mal-educado!

- Sua opinião para mim não vale nada...

- Escuta aqui seu...

O homem se levantou. Não era alto, muito pelo contrário, era quase do seu tamanho. Grace levantou o queixo.

- Desculpe-me. — ele disse ao pegar o casaco e sair andando, deixando Grace boquiaberta.

Grace correu até ele.

- Hey! Hey, você!

Ele virou-se lentamente.

- O que é agora? Já pedi desculpas...

- Eu também devo-lhe desculpas...

- Não precisa... Eu sou um zero a esquerda mesmo... Até!

Sem dizer mais nada ele se retirou rapidamente dali, deixando-a com a cabeça pendendo para o lado, enquanto o olhava penalizada.