The Game of Life
10 Жизнь в постоянных решениях # Living in constant decisions
Notas iniciais
#DIMITRI#
Sete anos antes...
Finalmente em casa, entro batendo a porta e já me dirigindo a cozinha onde ouso minha mãe que deve estar fazendo o nosso almoço.
—Mama? Digo antes de vê-la.
—Oi meu filho, estou aqui. Vejo minha mãe se levantar depois de colocar algo dentro do forno.
—Como foi o treino? Ela pergunta já se aproximando da pia.
—Foi puxado, o treinador está fazendo alguns testes no time para ver a melhor estratégia, eu como capitão sempre levo mais broncas. Digo me sentando e pegando o pão preto de dentro da cesta que está em cima da mesa.
—Eu sei que deve estar sendo difícil, mas você vai saber tirar isso de letra, sei que você é um bom jogador e você lutou muito para desistir agora. Afinal tem um jogo chegando e quero meu filho com uma taça de campeão na mão quando chegar na final. Ela termina de falar e já se aproxima de mim para dá um beijo no rosto e um abraço.
—Obrigada Mama e cadê minhas irmãs?
—Sônia ainda não chegou, Karol saiu e Vika está no quarto. Ela diz já se virando para terminar de lavar a louça.
—Vou tomar uma ducha e depois eu desço para o almoço. Digo e me levanto para subir as escadas indo para o meu quarto.
Depois do almoço com todos a mesa, digo a dona Olena que vou na casa dos meus amigos. Chego na casa de Ivan e o chamo, o mesmo não demora e pede para que eu entre. Após jogar um pouco de videogame com ele e seu irmão Oliver, meu telefone toca e vejo que é a Natasha.
—Oi Natasha. Digo já me levantando do sofá indo em direção a janela.
—Oi amor! Onde você está? Não quer vim me ajudar nos estudos? Ela diz com uma voz melosa demais pro meu gosto.
Conheci a Natasha no final do ano passado durante uma festa numa fraternidade onde um dos meus amigos e eu fomos com minha irmã que estudava nessa faculdade. Ela me chamou a atenção pelos seus lindos olhos azuis e se vestia muito bem. Tinha um lindo vestido e seus cabelos pretos estavam soltos.
Quando minha irmã Sônia me apresentou a ela, a mesma logo abriu um sorriso. Viu que além de ser capitão do time de Hóquei eu era solteiro e popular, coisa que mulher adora. Ela tem 3 anos a mais que eu. Mas como sou alto, ninguém diz que ela é a mais velha. Ela tem se esforçado desde então para me manter como seu namorado, mas sendo o "DIMITRI O POPULAR" ela sempre tem concorrência. E hoje tem uma festa que pretendo ir sem ela.
—Nath não posso ir, tenho que me reunir com o time e temos alguns novatos, então a responsabilidade sempre é maior pra mim e ainda vou ver minhas anotações estou no último ano, tenho que manter minhas notas para ter uma boa vaga na faculdade. Digo já pegando o bilhete que ganhei na sala.
Dimitri, vai ter festa na irmandade da faculdade hoje e nossa turma está querendo ir,
Te vejo na festa hoje?
beijos LEILA
—Tudo bem, e que horas vai terminar?
—Não sei! Amanhã nos veremos, Tchau.
—Tchau.
Volto para o sofá e Ivan já me pergunta:
—Tudo certo para hoje?
—Claro!
As 19 horas saio de casa indo para o local da festa que não fica muito longe da minha escola. Quando eu chego já vejo os meninos do time e me aproximo.
—Oi pessoal! Digo já verificando ao redor da piscina. — Aqui está melhor do que a última festa que fomos.
—Verdade Dimitri! Diz o Ivan.
—E cadê a Natasha? Pergunta o Jesse.
—Sei lá, deve esta em casa, ultimamente ela está muito no meu pé. Vou dá um chega pra lá nela. Falo já me irritando.
—Tá certo cara, calma ai! Diz o Jesse com as mãos levantadas.
—Ela deve está carente já que ela vive para o mundo dos patins. Depois que ganhou a bolsa para fazer a patinação e começar a competir ela só faz isso. Diz o Ivan.
—Eu entendo, mas está demais e outra, eu não vim aqui pra falar dela. Digo me virando para dentro da casa.
—Vou entrar, quem vem?
Todos me seguem e começamos a nos divertir de verdade. Depois de algumas cervejas e dá uns amasso na tal da Leila em um canto no corredor. Decido voltar para casa. Quando eu chego já passa da meia noite, minha avó me vê na cozinha bebendo água e já começa a reclamar.
—Dimitri, o que você está fazendo da sua vida? Quer se tornar igual a seu pai? Fala minha Babushka Yeva.
—Por que diz isso babushka? Ele nem para ser o homem de dentro de uma casa e assumir os filhos ele quis ser, preferiu a bebida do que uma família. Falo já irritado com a insinuação que minha vó impôs.
—Digo no sentido das suas bebedeiras, você só tem 17 anos, um jovem que ainda vai fazer faculdade e além de tudo tem a responsabilidade de cuidar de um time para assim conseguir uma bolsa em uma boa universidade. Seu pai é um bêbado, mas ele lutou para ter algo na vida antes de se entregar a bebida.
—Lutou? Em que ele lutou? Para ficar mais bêbado a cada dia? Sei que fiz errado em chegar tarde, mas não me compare com ele! Digo e vou em direção a porta.
—Só pense no que está fazendo, você tem um futuro brilhante pela frente, não o jogue fora, em breve você encontrará alguém que irá lhe fazer ver a vida de outra forma, ela será sua perdição ou sua salvação isso dependerá apenas do seu coração.
Ela fala e se vira indo em direção a pia para encher o seu samovar, onde costuma fazer os seus chás.
Fico lhe olhando tentando entender o que ela quis dizer com isso. Minha avó tinha fama de prever novos eventos que venham a acontecer com pessoas próximas a ela, como a conheço e ela não vai me explicar e muito menos dizer mais alguma coisa, bebo água e subo para o meu quarto.
No dia seguinte levanto cedo com dor de cabeça, já de mal humor por ter sido comparado com meu pai e lembrando de tudo que ouvi de minha avó. Tomo uma ducha rápida, me visto e desço indo para a cozinha onde encontro minha mãe terminando de colocar o café da manhã na mesa.
—Bom dia Mama! Termino de falar já me sentando e pegando a tigela para me servir de Kasha, um mingau de aveia que para mim o de dona Olena é o melhor.
—Você chegou tarde de novo? Ela pergunta já me entregando a cesta com os pães preto que tanto gosto.
—Cheguei Mama, mas não se preocupe. Ela me olha e depois se vira para terminar de preparar o resto das coisas.
Termino rápido, pego minhas coisas e saio, indo para a escola. Quando eu chego eu já vejo a Natasha vindo em minha direção.
—Oi Dimitri, quando ia me falar sobre a festa de ontem? Ela fala irritada e falando alto.
—Ia falar hoje, mas já que você descobriu... Me economizou tempo. Digo já saindo em direção a entrada da escola.
—E porque não me chamou? Ela puxa meu braço me fazendo vira e encara-la.
—Por que decidimos na última hora e deixa de fazer drama, eu fui e você não e eu tenho que entrar, se já parou com o seu show, estou saindo. Você não tem que ir para a faculdade? Me viro e vou direto para minha sala sem me dar ao trabalho de ver o que ela fez.
Depois das aulas, vou para o centro de patinação e vejo que estão todos inclusive os novatos.
—Dimitri, está atrasado! Diz o treinador Hans.
—Desculpe senhor! Digo já colocando os equipamentos de proteção e o uniforme deixando só o capacete no banco.
—Dimitri, hoje você vai explicar táticas de roubar o disco, DEFESA X ATAQUE.
—Sim senhor! Digo já me levantando para ir a pista.
—Novatos comigo! Grito já indo para o centro da pista.
Depois de duas horas de treino, o treinador Hans faz algumas alterações no time e diz que por hoje chega.
—Meninos, vocês foram muito bem mas para quem quer ganhar campeonato, só força nos treinos não adianta. Quero concentração, garra e atitude quando forem chamados para entrar na pista. Novatos vocês também têm que ter isso em mente. "Tá no meu time? Deem o sangue". Ouviram?
—Sim Senhor! Todos dizem em uníssono.
Quando o treinador termina de falar saio da pista já querendo tirar os patins. Quando me sento vejo o Chris, o novato se aproximar;
—Dimitri, posso falar com você?
— Diga lá cara.
— Você acha que tenho chances de entrar no jogo de domingo?
—Chris vai depender do treinador, mas você está se saindo bem, não se preocupe que sua hora vai chegar. Digo e me levanto indo em direção a saída, mas o Chris, o Ralf, Jesse e o Ivan veem ao meu encontro para falar sobre o treino e o jogo que se aproxima. Depois de muita conversa, vejo um rapaz de aproximar de Chris.
—E aí galera, como foi o treino hoje? Pergunta ele.
—Time, esse é meu irmão Eddie
— Foi bom o treino mano! Fala o Chris.
Ficamos ali conversando sobre o treino e então percebo que o Eddie não tira os olhos da pista.
— O que foi cara? Eu pergunto.
— Só estou olhando minha irmã; ele responde e só então vejo que o Chris também não estava mais prestando a atenção na conversa e sim vendo a pista.
— Quem é aquela belezinha que está deixando os irmãos aí babando? Diz o Jesse se aproximando mais, já que estava falando com o treinador alguns minutos antes.
—Jesse, se você tem amor a vida nunca mais a chame assim, pois da próxima vez arranco seus olhos com o taco.
—Calma aí novato, foi só um comentário, não sabia que ela tinha dono. Ele diz levantando as mãos.
—Seu idiota ela é minha irmãzinha e só tem dez anos. Eu nem termino de ouvir o que ele fala pois já me viro para olhar a pista, Jesse tem razão ela é bem bonita, mais ainda sim é uma criança e entendo a raiva do Chris com o comentário maldoso.
—Ei Jesse, você agora deu pra ser papa anjo? Outro dia você fez o mesmo comentário de Viktoria. Quando ouso o nome da minha irmã sendo posto na conversa olho pro Ralf que na mesma hora se cala e depois pro Jesse.
—Como é? Você olhou para minha irmã de dez anos? O que você tem na cabeça? Elas são duas crianças, você é algum pervertido ou doente? Digo sem me conter e já partindo pra cima dele com tudo, dou um soco, mas não pega nele, pois já estou sendo empurrado pelo treinador. Ele nos puxa de lado e começa a falar que não quer brigas no time. Quando me viro ouso o grito de Chris, vejo ele olhando para a pista e quando vejo o Eddie em movimento observo que sua irmã caiu e não se levantou.
—Ela deve ter se machucado, pois não se mexe! Digo um pouco alto o que faz o Chris correr para a pista.
Depois de um tempo o Chris volta falando que ela estava bem e que ia ficar com eles. Termino a conversa com o time e vou para a casa.
A semana passou rápido. Depois que os novatos chegaram só teve um dia que não tivemos treino pois o centro de patinação estava em manutenção. Natasha ficou a semana toda me enchendo o saco por causa da festa que eu fui, mais foi só eu dar uma amasso daqueles nela que ela esqueceu tudo. Como além dos treinos diários eu tenho trabalhos a fazer e as provas estão chegando, eu simplesmente evito ela o máximo que posso. Quero terminar os estudos e ganhar a bolsa para faculdade em administração e quem sabe abri minha própria empresa no ramo dos esportes. Saio do meu devaneio ouvindo minha mãe me chamar. Hoje cheguei cedo afim de adiantar alguns trabalhos extras e poder assim, só pensar no jogo de domingo. Esse jogo eu preciso ganhar para não ouvi gracinhas daquele Zé ninguém do Natan. Só porque ele me venceu uma vez acha que essa façanha se repetirá, "VAI SONHANDO"!
—Mama! Digo assim que chego na cozinha.
—Dimka, te chamei porque quero saber como anda as coisas no time, nas aulas e a Natasha como está?
—Estamos ansiosos pelo jogo, fiz minhas atividades e Natasha deve está em casa. Termino de falar e vou em direção a geladeira pegar alguma coisa para beber. Não estou afim de conversar sobre Natasha com minha mãe.
—Aconteceu alguma coisa entre vocês filhos? Diz minha mãe me avaliando.
—Não! Só não quero falar dela, acho que esse namoro já deu, só que como estou abarrotado de coisas na cabeça vou deixar esse assunto pra depois. Digo já me encostando na mesa com um litro de suco na mão.
—Tudo bem! Sua avó veio falar comigo e ela está preocupada com você Dimka, ela não quer que você estrague seu futuro.
—Eu sei Mama! E estou dando duro tanto nos estudos quanto nos treinos. Digo me afastando.
—Ela e eu não queremos que, por causa do seu pai ser do jeito que é, você jogue fora tudo o que conseguiu. Ela termina de falar se aproximando de mim.
— Dimka, seu pai antes de se entregar a bebida ele foi um bom homem. Não é porque ele vive por aí, sabe-se lá Deus onde, que nós o julgaremos. Afinal ele me deu quatro filhos. Ela fala me abraçando.
—Eu não o julgo, só não quero ser comparado a ele. Eu luto pela minha família ele não. E não bebo tanto assim para me tornar um alcoólatra.
—Está bem! Ela fala indo em direção ao fogão. —Só se lembre que seu pai também começou bebendo pouco até não conseguir mais parar.
— Eu sei, e não serei igual a ele, vou mostrar que posso ser diferente dele.
—Vou para o meu quarto. Saio sem olhar para minha mãe.
Finalmente o dia do jogo chegou. Nem consegui dormir direito. Tomo meu banho rápido, me visto e pego minha bolsa onde contem meus equipamentos.
—Bom dia! Digo quando chego a cozinha e vejo todos já sentados à mesa.
—Bom dia campeão! Diz minha irmã Sônia.
—Oi Sônia! Falo já me sentando ao seu lado.— Me passe a cesta.
—Você vai se sair bem maninho, aquele time não tem a menor chance. Diz minha irmã Viktoria.
—Eu sei Vika, mas mesmo assim será um jogo difícil. Termino de falar e já coloco um bom pedaço de pão preto dentro da boca.— Está ótimo esse pão mama.
—Ande logo se não vai se atrasar! Diz a Karolina
—Já estou indo! Digo depois de pegar mais um pedaço de pão, uma fruta e enfim minha bolsa que a coloco no ombro.
—Boa sorte Dimka! Minha mãe fala.
—Obrigado Mama, vejo vocês mais tarde!
Chego ao centro de patinação e vou direto para o vestiário, coloco meus equipamentos de proteção e o uniforme saio para me juntar ao restante do time. O treinador começa a falar as estratégicas e os posicionamentos do time na pista. Quando enfim chega o momento de entrar na pista, todos estão focados. O jogo começa pegado, muitas faltas e o placar mesmo a nosso favor ainda não é o bastante para concretizar a vitória. Começo a patinar cada vez mais rápido.
Vejo o Jesse livre na esquerda, lanço o disco para ele e avanço pela direita. O Natan prever a jogada e tenta me bloquear mas sou rápido e esperto, dou um giro e ele acerta a grade de proteção. Jesse continua com o disco que passa para o Ralf, que por sua vez me lança o disco no tempo certo para que eu posso dar uma tacada direto pro gol. Mas é nesse instante que o Natan me dá um empurram forte fazendo com que o disco vá para longe e eu perco a jogada.
Seria o momento mais importante da partida. Nosso time ganha por 4 a 2 mas isso não me tira a raiva que estou sentido por ter perdido o lance.
— Parabéns pela vitória time. Diz o treinador.
— Fizemos um bom jogo, mas poderíamos ter nos saído melhores. Muitos de vocês caíram sem nem estarem com o disco, agiram como se estivessem aprendendo a patinar. Quero que pensem no que fizeram no ringue hoje e peguem como exemplo de preparação para os outros jogos. Muitos de vocês querem mundiais, olimpíadas, mas jogando como hoje? Mesmo saindo com a vitória, não tiveram um bom desempenho. Ele continua a falar e todos ficamos só olhando.
Depois eu me afasto, com raiva vou para o mais distante e dou um soco na parede de proteção.
—Droga! Falo e nem percebo a Natasha chegando;
—Parabéns amor! Ela fala tentando se aproximar.
—Natasha nem vem, estou com raiva e não quero papo. Falo irritado;
—O que houve? Vocês ganharam era para você está feliz.
—Se percebeu eu não estou, então sai daqui! Falo me afastando.
Depois que a Natasha saiu eu me sentei e fechei os olhos. Quando finalmente me acalmei vi que o time já tinha saído e eu segui para o vestiário. Tomei um banho, peguei minhas coisas e segui o time a uma lanchonete próximo para comemorar a vitória.
Quando chego em casa minha família me parabeniza pelo meu desempenho e conversamos sobre os momentos durante a partida. Viktoria não gostou quando eu perdi o gol, mas sabe que o time mereceu a vitória. Fico um tempo admirando as mulheres da minha vida. Eu as amo muito e farei de tudo para mantê-las seguras e orgulhosas de mim. Meu pai depois que encontrou o mundo do álcool, minha família teme que eu siga o mesmo caminho por ser jovem, popular e capitão de um time que sempre é convidado a todo tipo de festas. Mas se depender de mim, eu não serei como o Handal, nunca! E nesse momento decido que preciso mudar, subo para o meu quarto e observo as papeladas que preciso preencher e encaminhar para as faculdades, já está mais do que na hora de fazer isso.
Sete anos depois...
Terminei minha faculdade a 1 ano e meio e desde então me dediquei em uma pós-graduação em administração esportiva já que minha meta é assim que sair do time ter meu sonho realizado, meu amigo de infância Ivan Zeklos acabou que também fez a mesma faculdade e acabamos fazendo planos de montar uma sociedade, hoje o treino foi pegado, nesses últimos sete anos ganhamos 4 mundiais e perdemos só um e depois teve uma ano que não nos classificamos. Esse ano estamos com a melhor pontuação, temos um time mais maduro e focado. Natasha não aguentou minha indiferença no nosso relacionamento, principalmente depois que fui para a faculdade e tive acesso a novas garotas, faz 3 anos que terminamos, mais ela ainda tem esperança de reatarmos, em parte é culpa minha pois vire e mexe nos pegamos, Depois dela, achei melhor me dedicar aos estudos e não emplaquei relacionamento nenhum com ninguém. Assim que me afasto de meus pensamentos observo que parte do time ainda se encontra no vestiário.
— Sim, as meninas ainda estão por aqui? Estão fazendo troca de maquiagem?
— Qual é Dimitri, estamos aqui apenas tirando onda do Crhis. Fala Ivan
— E por que isso?
— Você acredita que ele além de jogar ainda faz treino de artes maciais e técnicas de lutas com o pai e os irmãos? Responde Ralf dando um soco no ombro do garoto.
— Fala sério? Começo a rir. — Oh Chris, só acredito vendo.
— Ah é assim? Então vamos comigo, hoje meu pai estava querendo ver mesmo como anda nosso desempenho lutando um contra o outro, e tendo vocês para assistir vai dá mais adrenalina.
— Beleza então, onde é?
— Na Body System Academy que fica logo no próximo quarteirão, como deixo meu carro lá vou andando.
— Que nada, vem comigo e aí você me fala mais desse seu treinamento.
Assim que chegamos enfrente a academia, Chris ainda falava que ele e seus irmão treinam desde que tinha 14 anos, que faz 7 anos e que desde o ano passado o pai começou a ensinar eles a manusear armas, achei incrível isso. O Ivan que também estava no carro não parava de fazer perguntas, eu me vi sentindo uma pontada de inveja por ver uma relação tão legal, faz quase 10 anos que não temos notícias de meu pai, e mesmo quando ele estava com nossa família ele não era assim tão paternal.
— É, está na hora de mostrar do que é capaz de fazer cara.
Entramos na academia, ele cumprimenta a recepcionista, avisa que somos amigos do time e que vamos assistir ao treino deles. Assim que chegamos vejo Eddie seu irmão já se aquecendo ao lado de um homem de meia idade corrigindo acredito eu que a postura. Logo Christian se afasta e vai de encontro com os dois e ele avisa que estamos aqui, os três retornam e vem nos cumprimentar.
— Olá galera, quer dizer que vocês vieram ver eu dar uma surra no meu irmão mais velho? Fala um Eddie todo confiante.
— Vai sonhando pirralho, você não dá conta nem da caçula quando se trata de luta.
— Vamos parar os dois, o que os rapazes vão pensar da educação de vocês? Prazer meninos sou Mark o pai destes dois trogloditas.
Todos o cumprimentamos ao mesmo tempo, ele explica um pouco o que ensina aos filhos e logo os manda fazer uma demonstração, logo os dois estão focados na luta, após uns minutos, vejo pela minha visão periférica alguém entrar sem falar ou cumprimentar ninguém, ela se direciona ao saco de areia e começa a deferir vários socos e chutes, ela tem um corpo bem delineado, com curvas perfeitas, está com os cabelos em um rabo de cavalo meio desleixado, percebo que ela tem algo em seu olhar, não dá para ver o que é, talvez raiva, ódio, magoa, dor.
Logo os meninos param de lutar e se focam na garota, vejo que Eddie pula do ringue para ir em direção a ela, mais seu pai o impede e ele vai até a garota. Ele a chama em um tom firme porem mais baixo pois não dava para ouvir o que ele dizia, ela parece não ouvir, continua sua sequencia com mais força e mais rápido, se continuar assim vai acabar se machucando, Mark a segura pelo ombro e grita Rose! Nossa é a irmã deles! Nossa como ela cresceu, e o quanto ela esta bonita, Jesus! o que estou falando? Ela até outro dia era uma criança e tem a mesma idade de minha irmã Vika. Não consigo tirar os olhos dela, depois que Mark a tocou ela começou a gritar, um grito que partiu meu coração, ela tinha um misto de dor e sofrimento, que me deu vontade de correr e pega-la no colo e acalenta-la, percebo que ela me olhou, mais logo desviou o olhar, foi quando seu pai veio até nós.
— Meninos me desculpem, minha filha não está bem.
— Pai o que a Rose tem? Pergunta Eddie querendo ir até a irmã.
— Eu resolvo isso filho, vá com seu irmão para casa e avisa a mãe de vocês que ela esta aqui comigo e depois iremos para casa, deixem ela sozinha, ela logo falará como vocês, e levem seus amigos, agora me deem licença, ela precisa de mim. Assim que ele se afasta, me vejo admirando ela novamente e me perguntando o que tanto a faz sofrer. Nos direcionamos ao estacionamento, pegamos nossos carros e nos despedimos.
No caminho de volta para casa não paro de pensar naquela garota, preciso parar com isso, ela é irmã de um dos caras do time que sabe muito bem como usar os punhos, mesmo com esse lembrete não consegui mudar muito e passei a noite sonhando com ela.
— Essa garota agora não sai mais da minha cabeça, estou perdido!
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