The Forest City

52 Capítulo 52 - Mais que amada


Eu encarava a janela aberta com os braços cruzados, impaciente.

Iria “dormia” já fazia cinco dias, pálida e suada, com o olho esquerdo que acertei com uma flecha (não que eu me lembrasse de tê-lo feito) ainda se curando.

– Precisa ir descansar — Yukina apareceu atrás de mim — ficar esperando que ela acorde aí em cima não vai ajudar em nada.

Me virei para olhar a baixinha japonesa e impertinente.

– Como se você não estivesse fazendo o mesmo — resmunguei e voltei a olhar a janela, vendo um sorriso cansado surgir nos lábios de Yukina pelo reflexo do vidro.

O céu estava sem lua e sem estrelas. Era meio assustador ficar sem pontos luminosos prateados sobre mim e ao pensar nisso, um frio passou por minha espinha e eu esfreguei meus braços com o intuito de me aquecer.

A porta se abriu e pude ver — pelo reflexo — Solara entrar com uma bandeija repleta de biscoitos e refrigerante.

Ela depositou sobre o criado-mudo e sentou num puff velho ao meu lado.

– Ela vai acordar em breve — sua voz tilintante soou.

Semicerrei os olhos e encarei minha irmã com raiva.

Raiva de sua mania de ser a sabe-tudo perfeitinha mas nunca — em hipótese alguma — ajudar.

Solara não se incomodou com meu olhar feio. Simplesmente continuou me olhando nos olhos, mantendo-se firme.

Trinquei o maxilar e saí do quarto. Fiz questão de bater a porta com força e sabia o quão infantil estava sendo, mas precisava daquilo.

Dei dois passos raivosos e bufei antes de dar de cara com o peitoral quente de alguém — e quando eu adiciono “quente” à frase, segue-se Daniel.

Ergui a cabeça e encontrei uma pergunta simples, mas intensa e silenciosa em seus olhos. Se estava tudo bem.

Comigo, com a gente, com tudo.

Sorri e o abracei em resposta.

Seu corpo quente contra o meu era algo reconfortante. Mais do que o fato de ter um céu com lua cheia e brilhante, ou repleto de estrelas.

Me completava.

– Vamos dormir, Selene — ele pronunciou em voz alta.

Me soltei do abraço e o encarei surpresa. Ele disse “vamos”?

Sem tempo para pronunciar a pergunta em voz alta, Daniel me puxou em direção ao quarto com cama de casal e fez um sinal autoritário para que eu me deitasse.

Franzi o cenho e fiquei nervosa, mas obedeci.

Logo o colchão atrás de mim afundou e senti um calor me envolver.

– Ouvi dizer que meninas gostam de dormir assim — ele justificou, parecendo um pouco tímido pelo tom de voz.

Daniel tímido?

Tentei girar o pescoço para ver seu rosto, mas ele fez questão de segurar meu queixo de forma que eu olhasse somente para frente. Me abraçou e eu me encolhi para me encaixar melhor ainda no seu aperto. Eu deveria dizer que não consegui dormir devido ao nervosismo de estar dormindo de conchinha com meu namorado pela primeira vez, mas não foi o que aconteceu. Sorte, porque considero isso muito maricas.

Sua respiração no meu cabelo, seus braços quentes me envolvendo, seu coração batendo um pouquinho mais rápido que o normal — as vantagens de ser elfa — e a sensação de conforto e proteção que ele me dava…

– Eu amo você — imaginei tê-lo ouvido dizer.

Prendi a respiração. Como se isso fosse fazer com que ele repetisse o que disse.

Mas não repetiu.

E mesmo que fosse só minha imaginação me pregando peças, eu gostei, gostei muito.

E dormi tão logo que imagino que tenha sido minha melhor noite de sono.