The Flavor Of Life
7 Toya e Kureno - revelações - início
Notas iniciais
- Gostou de vir aqui?
Ainda deitado Toya virou-se para Keitaro. Depois daquela chuva o céu se abriu um pouco deixando a mostra um sol fraco e desbotado.
- Gostei muito.
Os dois ficaram mais algum tempo deitados na areai.
- Acho melhor você se vestir, se você pegar uma gripe sua mãe me mata – riu alto.
- É mesmo – concordou – mas ainda estou molhado.
- Vou ver se acho alguma coisa pra nos secar no carro.
Foi o melhor sábado de suas vidas.
~
Segunda feira, sete horas da manhã. Toya acordou cedo e foi para o colégio sem nem tomar o café. Queria ser o primeiro a chegar. Bem na frente do portão de entrada sentiu uma mão em seu ombro.
- Toya! – era uma voz bem conhecida.
- Kureno, que susto – sorriu o outro.
Virou-se e cumprimentou o amigo.
- O que está fazendo aqui essa hora? Perguntou Toya amigável – Achei que fossemos nos encontrar hoje no almoço. Aconteceu tanta coisa esse final de semana. Estou doido pra te contar...
- Eu sei Toya – sorriu o outro.
Kureno não era tão alto quanto Toya, tinha cabelos repicados, não tão escuros. Usava óculos finos, o que o deixava com ares de intelectual sexy. Vestia uma calça escura com uma blusa social.
- ... Seus olhos estão até brilhando – continuou – mas acho que vamos ter que deixar isso pra depois.
- Por quê??
- Essa sua brincadeira vai lhe custar caro – disse preocupado – pra você e para o garoto...
- O que quer dizer com isso?
~
- Aya! Espera!
A garota olhou pra trás.
- Ah... Kei. Eu queria mesmo falar com você. Queria me desculpar por ante ontem...
- Aconteceu alguma coisa grave sábado?
- Não... Não foi nada. Eu só estava meio nervosa e...
Keitaro raciocinou por um instante.
- O problema é o... Gabriel?
- O que?! – assustou-se.
- Bem... Você queria fazer biscoitos pra alguém, achei fosse pra um garoto, que estivesse gostando de al...
- O que ele te deu? – perguntou de repente.
- Anh... Um tsuru...
- É que vocês estavam tão... Próximos naquela tarde. Estavam tão... Sorridentes. Pareciam amigos de infância, sabe?
- Ele ficou feliz porque ainda não tinha falado com muitas pessoas na escola. E...
- Eu fiz os biscoitos pra ele... – Aya parecia manter uma conversa consigo mesma.
Keitaro entendeu que a garota estava gostando mesmo de Gabriel.
- Então... Que tal você dá-los a ele? – sorriu – tenho certeza de que ele vai gostar.
- Você... Acha? Mas vocês...
- Somos amigos. Nada mais.
...
- Kei... – a garota abraçou o amigo fortemente – obrigada Kei! Eu... Eu... Me desculpe!
- Não chora, ta? Não gosto de te ver triste
Os dois riram.
As aulas passavam bem devagar nessa manhã. Especialmente naquela manhã. Keitaro alegrou-se com o sorriso que Aya exibia. Ela estava feliz. E ele feliz pela amiga. Mas algo estava... Diferente... Sabe quando você acha que algo vai acontecer, mas não sabe o que é? Keitaro teve um mau pressentimento. O sino tocou. Era hora de trocar de sala já que a matéria no segundo horário é diferente.
Keitaro se despediu de Aya, que teria aula de biologia, e seguiu para a de Física. Estava uma confusão bem grande no corredor, e todos esbarravam e todos. Mas com tantas pessoas, alunos e professores, para se esbarrar ali, naquele corredor, Keitaro se encontrou logo com o pior de todos. Ouviu uma voz lhe chamar. Que falta de sorte.
- Que bom que encontrei você aqui Keitaro. Eu queria mesmo falar com você.
Era Kitano.
Homem alto, pele macilenta e cabelos muito curtos. Dava medo.
- Vamos.
- Anh... Sr. Kitano... Eu tenho aula de física agora e...
- Como você estará comigo sua falta é justificável. Agora me siga.
Sem poder discutir Keitaro seguiu o diretor até sua sala, a última e mais afastada do corredor. Onde a bagunça era menor, mesmo com alguns alunos ainda fora de sala.
- Entre – estendeu a mão grande apontando uma cadeira – pode se sentar.
- Anh... – arriscou Keitaro sem saber o que dizer – Obrigado.
Kitano sentou-se na cadeira ao lado e não na poltrona atrás da mesa de madeira, que com certeza era dele.
- Quero ter uma conversa séria com você garoto, e não vou fazer rodeios, então é bom que me escute com atenção. Está entendendo? Está?
- Sim.
Pigarreou.
- Ok... Suas notas são ótimas e como aluno você é um garoto exemplar. Você já deve saber disso certo? Sim, é claro que sabe... Mas estamos tendo um probleminha aqui, e este é da minha jurisdição, estando preocupado com a imagem do colégio, com os outros alunos e com você também, afinal, seus pais esperam que tudo corra bem durante seu aprendizado. — (é isso que ele chama de ir direto ao assunto?) – Pensando nisso resolvi que deveria dar um jeito numa certa história que ouvi, e na verdade vi com meus próprios olhos...
Keitaro gelou.
“É sobre você e Toya. Quero que me conte exatamente e detalhadamente o que há entre vocês, ha quanto tempo vocês saem e como vocês começaram isso tudo.”
Kitano fez uma pausa esperando uma resposta. Que não veio. Keitaro olhava fixamente para o diretor, como se tudo o que ouviu fosse um sonho. Era surreal,e aquelas perguntas estavam começando a constranger o aluno.
- Você ouviu minha pergunta?
- Ah...
- Vou repetir. Quero saber, agora, o que há entre vocês dois.
Aquele interrogatório começou parecer absurdo.
- As pessoas com quem...
- Continue – disse calmo.
- As pessoas com quem saio... Nãosãodoenteressedosenhor!
- O que disse? – parecia incrédulo, apesar de ter falado bem rápido Kitano conseguiu entender a frase.
O diretor se levantou e ficou claro que sua paciência, já não muito grande, havia se esgotado.
- Acha que eu estou brincando? Acha que isso é um joguinho de perguntas e respostas? Ou que eu estou perdendo o meu tempo aqui a toa? – perguntou ameaçadoramente – Se você não quer saber do que você faz com a sua vida, dane-se. Eu tenho um bando de alunos sem juízo nenhum, um professor pedófilo e um aluno gay. Mas tudo bem – rugiu – Só quero que me responda uma pergunta! Que, aliás... Já sei a resposta. Vamos tentar outra então. O que ele fez quando vocês saíram?
- Não... Não sei aonde que chegar – os olhos brilhando de lágrimas prontas pra pularem do olho.
- NÃO SE FAÇA DE SONSO! VOCÊS TRANSARAM OU NÃO?
- NÃO É DA SUA CONTA! – Keitaro fez menção de levantar, mas Kitano o impediu dando-lhe um tapa no rosto.
- Então você se acha importante na vida dele, ein? – riu debochado – Acha que aquele sujeito te ama? Eu estou tentando te ajudar, mas você prefere aquilo?? Mas você parou pra pensar onde está o namorado de Toya?
Tudo parou. Sim, Toya tinha um namorado.
- Lembrou? É... Toya está nesse exato momento com o namoradinho dele. Quer saber qual é o nome do sujeito??
- Não! – Keitaro virou o rosto, era como se implorasse para que o diretor não falasse.
- é Kureno... E eles devem estar fazendo agora o que Toya fez com você sei lá aonde! Você não foi o único enrabado Keita...
Um estrondo interrompeu a discussão. Alguém conseguiu abrir a porta.
- SAIA DE CIMA DELE! – Gabriel rugiu avançando sobre o diretor. E logo atrás dele, Aya. Horrorizados.
Gabriel deparou-se com a cena mais grotesca que já tinha visto. Kitano estava a centímetros de Keitaro com um olhar próximo a de um louco. O garoto por sua vez estava em choque. Grandes lágrimas escorriam por seu rosto, ainda vermelho com o tapa que levou.
Kitano assustou-se com o aluno recém-chegado e soltou os pulsos de Keitaro.
- O que acha que está fazendo???
Alguém gritou. Mas Keitaro não sabia que era. Só sabia que seus pulsos estavam livres e a porta aberta. Não pensou duas vezes. Correu até ela, deixando Kitano, Gabriel e Aya pra trás. Sentia vergonha, foi humilhado, o tapa de Kitano ainda ardia. E ainda por cima nem sabia o porquê de tudo aquilo... E o pior de tudo... Doía ainda mais pensar em Toya e Kureno... Juntos.
Sem perceber saiu do colégio. Ouviu o porteiro gritar seu nome, mas não olhou. Só quando chegou ao portão desejou profundamente não ter ido ao colégio. Desejou não ter saído da cama. E no fim, desejou não ter nascido.
- Sabe que eu ainda gosto de você, não sabe? – um estranho disse.
Toya estava ali. Abraçado com alguém... Um homem... Kureno.
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