The Fire Inside
12 Consumed
Notas iniciais
Pequena recordação: depois de tanto ser magoado por Elena e sua confusão de sentimentos, Damon deixou-a sozinha, suplicando na chuva, e passou a agir de forma indiferente. No dia anterior, havia simplesmente a ignorado no estacionamento da escola. Horas mais tarde, por puro ciúme, Elena atacou a garota que vira entrando no carro dele, e a teria matado se não fosse a intervenção oportuna de Stefan. Preocupado, achando que o ataque se dera em função das bolsas de sangue terem acabado, ele partiu em uma viagem para buscar mais. Após uma longa noite, Elena decidiu que não desistiria de Damon, que iria fazer com que ele a perdoasse. No entanto, ao sair de casa apressadamente, deu de cara com ele, parado em frente à porta. O que é que Damon poderia querer ali depois de ignorá-la por tantos dias?
Paralisada, Elena mergulhou naquela imensidão azul que, há dias, vinha acompanhando-a em seus devaneios. Aquele encontro súbito parecia ter lhe tirado todas as forças, pois não se sentia capaz de mover um único músculo, e aquela inesperada proximidade lhe roubara o fôlego.
As feições perfeitamente esculpidas, a apenas alguns centímetros de distância de Elena, mantinham-se calmas e sem expressão. Mais do que nunca, provavelmente pelos dias sem observá-lo tão de perto, a beleza dele deixou-a sem palavras. Naqueles centésimos de segundos em que ela o encarou, Elena teve certeza de que era a mais bela e perfeita criatura que já habitara aquele planeta.
Damon ergueu uma de suas sobrancelhas, como se a questionando pelo silêncio, e Elena balançou a cabeça, abandonando o estado de choque que havia tomado conta dela. Com muito esforço, ela conseguiu fazer com que a sua voz voltasse.
– O-o que você está fazendo aqui? – ela disse rouca, de forma um tanto entrecortada. Elena pigarreou, tentando limpar a garganta repentinamente seca.
– Prometi a Stefan que viria dar uma checada em você. –sua voz possuía aquele tom aveludado do qual Elena lembrava muito bem, mas estava desprovida de qualquer outra emoção que não fosse um leve tédio.
– Mas você poderia simplesmente mentir para ele. – ela respondeu ainda sem fôlego pela visita inesperada e tentando manter a calma, enquanto, interiormente, sentia uma crescente ansiedade. Ela precisava que houvesse algum motivo secreto, precisava saber se ele também sentia a sua falta, mas tinha medo de encarar aquela indiferença gélida novamente. Ela não sabia se conseguiria aguentá-la mais uma vez.
– Meu irmãozinho pode ser extremamente persuasivo e irritante, como você sabe muito bem. – ele abriu seu clássico sorriso torto que, no entanto, não chegou aos seus olhos, os quais se mantinham impassíveis. – Aliás, Elena, onde está a sua educação? – Damon questionou com uma fingida expressão de decepção. Entretanto, quando ele desviou dela para entrar na casa, Elena agarrou-lhe o braço com uma força que, por um milésimo de segundo, deixou o rosto de Damon tomado pela surpresa.
– Damon... Você precisa me escutar. – o olhar que ela lançou a ele era suplicante. — Eu sei que eu lhe magoei tantas e tantas vezes e que você tem todo o direito de ficar bravo comigo, mas eu preciso que você entenda uma coisa. – o tom de voz de Elena beirava o desespero, e ela pôde notar a curiosidade tomando conta do olhar de Damon. Naquele instante, ela soube que havia ganhado a sua atenção, e então continuou, com toda a sinceridade do mundo. – Eu nunca me senti tão sozinha e desemparada como nesses últimos dias, nem mesmo quando Stefan partiu com Klaus. Nada parecia mais suficiente, ninguém parecia preencher aquele vazio. Eu percebi, da pior maneira, que não posso viver sem você, Damon! Eu deixei de ser a mesma pessoa no momento em que você me deixou falando sozinha, na chuva. Isso porque falta um pedaço de mim, um pedaço que ninguém mais é capaz de preencher! — enquanto falava, ainda tomada pelo desespero, Elena não percebeu que lágrimas haviam se formado pelo seu rosto e agora escorriam livremente por ele, nem que apertava cada vez mais seus dedos ao redor do braço de Damon. — E eu quero reparar todo o mal que eu já lhe causei, porque você não o merece. Mas eu preciso que você me deixe fazer isso, eu preciso que você pare de me evitar. – quando terminou de falar, prendeu a respiração. Ela entregara seu coração nas mãos de Damon, e agora ele poderia fazer o que bem entendesse com ele. Temia que ele saísse mais despedaçado do que da última vez.
As feições de Damon continuavam vazias, mas suas íris, antes límpidas, agora pareciam escurecidas, tomadas por uma emoção que Elena não conseguia decifrar. Durante alguns segundos, ela o observou com uma ansiedade crescente. Porém, quando ele falou, seu tom era seco, sem emoção, e as palavras pegaram-na de surpresa.
– Por que você atacou Vanessa? – ela juntou as sobrancelhas numa mistura de confusão com decepção. Ela esperava uma resposta aos seus sentimentos, e só o que recebera fora aquela pergunta cortante. No entanto, ela se agarrou àquelas indecifráveis íris enegrecidas, sua última esperança de que Damon não a trataria com total indiferença.
– Eu... – ela pigarreou, tentando manter sua voz firme apesar da sensação de ter alguma coisa subindo pela sua garganta, prestes a explodir em lágrimas e soluços. — Eu estava com fome, ela apareceu na hora errada e...
– Você está mentindo. – ele interrompeu-a de forma cortante, gélida. Aquela era uma afirmação. Elena engoliu em seco e então resolveu se entregar completamente, mesmo temerosa em relação às consequências daquilo. Fixou seus olhos naquele azul agora turbulento por emoções desconhecidas e, quando abriu a boca, sua voz saiu fraca.
– Eu estava me sentindo completamente rejeitada, sozinha... E ela apareceu no Mystic Grill se gabando sobre as “coisas” que você fazia com ela. – seu tom tornou-se irritado enquanto ela se lembrava das palavras de Vanessa. – E eu quis deixá-la em pedaços, para que nunca mais chegasse perto de vo...
E então, antes que ela terminasse, Damon venceu a distância que os separava e, desesperadamente, grudou seus lábios nos dela, calando-a. Completamente surpresa, ela manteve a boca entreaberta, sem conseguir se mexer. Aproveitando-se daquilo, Damon invadiu os lábios de Elena com a língua, indo em direção à dela. Quando elas se encontraram, foi como se um choque elétrico tivesse percorrido o corpo de Elena, e só então ela foi capaz de se mover.
Rapidamente, afundou seus dedos entre os fios negros, puxando o rosto de Damon ainda mais para perto enquanto suas línguas moviam-se em um ritmo frenético, como se tentassem recuperar todo o tempo que haviam passado separadas. Com uma mão, Damon empurrou a porta de entrada que ainda estava aberta, e, nem um segundo depois de ouvir o baque, Elena sentiu o seu corpo ser pressionado contra a madeira. Em uma mistura desconexa de pensamentos, ela tentava encontrar algum sentido em tudo aquilo, ainda chocada pela atitude repentina dele. No entanto, quando Damon segurou uma de suas coxas, fazendo com que levantasse a perna, e ela pôde sentir cada centímetro daquele corpo perfeito contra o seu, Elena parou de pensar em qualquer coisa, deixando seus instintos tomarem conta.
Ela enfiou uma de suas mãos sob a camisa dele, arranhando suas costas e tentando pressioná-lo ainda mais contra si mesma, como se aquilo fosse possível. Apesar de ambos já estarem ofegantes, nenhum deles ousou afastar os próprios lábios daqueles que há tanto tempo vinham desejando. Suas línguas moviam-se num ritmo próprio, que só elas conheciam, e exploravam cada centímetro uma da outra. Damon espalhou algumas mordidas pelo lábio inferior de Elena, arrancando-lhe gemidos roucos enquanto ela enroscava os dedos naqueles fios negros e puxava-os sem dó.
Foi só quando ficou sem fôlego que Damon afastou os lábios da boca de Elena, deslizando-os pelo rosto dela, desenhando sua mandíbula. Puxando-a pelos cabelos, fez com que inclinasse a cabeça, deixando seu pescoço totalmente à mostra, e beijou-o vorazmente, intercalando com alguns chupões nada discretos. Mordendo o próprio lábio inferior para conter os gemidos, Elena levou seu quadril para frente, pressionando-o ainda mais em Damon, arrancando dele, dessa vez, um gemido rouco por entre os beijos que lhe dava.
Damon ergueu o rosto para ela, os olhos enegrecidos pelo desejo, os cabelos bagunçados e os lábios inchados. Elena nunca o achara tão sexy quanto naquele momento, em que todo seu corpo foi tomado por um único e irresistível desejo: ser completamente dele. E, no mesmo instante, enquanto seu peito subia e descia no mesmo ritmo ofegante que o dele, Elena percebeu que aquele anseio vivia dentro dela há mais tempo do que seria capaz de imaginar. E então Damon pegou-a nos braços, levando-a escada acima tão rapidamente que olhos humanos não teriam sido capazes de enxergá-los.
Menos de um segundo depois, seu corpo estava sendo jogado sobre os lençóis. Enquanto Damon se inclinava sobre ela, Elena arrancou-lhe a camisa com um só puxão, ouvindo os botões se espalharem pelo quarto. Damon encarou-a mordendo o próprio lábio, o olhar tomado pela luxúria e um sorrisinho corrompido no canto da boca. Ele sugou o lábio inferior dela com calma, e, pegando-a desprevenida, arrancou a blusa dela com um único movimento, fazendo-a passar rapidamente pela cabeça e pelos braços de Elena. Voltando a grudar a boca na dela, ele deslizou as mãos até o fecho do sutiã, abrindo-o enquanto esfregava suas línguas com sofreguidão.
Então ele desceu a boca pela pele de Elena, distribuindo beijos pelo caminho até os seios dela. Quando sentiu a língua dele em contato com o seu mamilo, Elena soltou um gemido arrastado, inclinando a cabeça para trás e fechando os olhos. Enquanto chupava lentamente um deles, Damon levou a mão até o outro seio dela, segurando-o entre seus dedos de uma forma um tanto possessiva. Cada centímetro de sua pele em que Damon tocava parecia pegar fogo, e inúmeros choques elétricos percorriam todo o corpo de Elena. Aquelas sensações eram tudo que existia no mundo para ela naquele momento. Nada nem ninguém importavam, desde que ela estivesse naqueles braços com os quais sonhara por tanto tempo.
Com movimentos ágeis, ele se livrou da calça e da calcinha de Elena em menos de um segundo, e, quando seus lábios desceram ainda mais pelo corpo dela, ela abriu os olhos e ergueu o tronco para observá-lo. No entanto, no momento em que a língua de Damon entrou em contato com a parte mais sensível de seu corpo, Elena ofegou, voltando a atirar o tronco contra a cama. Com movimentos precisos de sua língua e de seus lábios, Damon estimulou Elena, enquanto ela gemia ininterruptamente, até que espasmos começaram a tomar conta de seu corpo. Segurando-o com força pelos cabelos, ela ergueu o quadril na direção do rosto dele no momento em que milhares de pequenas explosões pareceram tomar conta do seu ventre, espalhando-se para todo o resto de seu corpo.
Enquanto ela ofegava, de olhos fechados, aproveitando a sensação de dormência que se espalhava até os seus dedinhos do pé, Elena sentiu Damon subindo sobre seu corpo. Quando a respiração rápida dele atingiu o seu rosto, ela abriu os olhos lentamente, um sorriso nos lábios. Ele devolveu um sorriso torto, aproximando sua boca da dela e a beijando sem pressa. Elena, porém, ergueu sua mão até a nuca dele e forçou sua língua entre os lábios de Damon, aprofundando rapidamente o beijo. Ela pode ouvir a risadinha rouca que escapou da garganta dele enquanto retribuía o beijo com igual, ou até maior, intensidade. E então, os dedos de Elena deslizaram pelo abdômen perfeitamente definido até alcançarem o cinto dele, do qual ela se livrou com agilidade.
Com a mesma precisão, Elena abaixou a calça jeans dele, que, tomado pela ansiedade, fez questão de terminar de se livrar dela com os próprios pés. Sem lhe tirar a cueca, Elena acariciou o volume formado sob ela, mordendo o próprio lábio inferior. Os olhos de Damon, que estavam fixos na mão dela, ergueram-se lentamente até encontrar o olhar de Elena. Aquelas águas límpidas haviam sido agora substituídas por um mar turbulento, e suas feições estavam sérias, um tanto contorcidas, de puro desejo.
Elena teve certeza de que nunca desejara tanto alguma coisa em toda a sua vida. Cada toque de Damon em sua pele parecia extremamente certo, como se ela realmente fosse dele, como se tivesse sido feita para ele. Cada suspiro e cada gemido rouco que saía daqueles lábios perfeitos só aumentava aquele anseio que ardia dentro dela: o desejo de ser completamente dele.
Rapidamente ela se livrou da última peça de roupa de Damon, e ele deslizou suas mãos até o quadril de Elena. Lançou-lhe um olhar intenso, cheio de significados, e, bem no fundo daquela profundidade azul, Elena pôde identificar o temor. Ela sabia qual era o motivo daquilo, mas, naquele momento, era o medo mais infundado de todos. Elena encarou-o séria, com toda a intensidade do desejo que estava sentindo, e teve certeza de que ele pôde perceber o que ela já sabia: ela não iria desistir dele.
E então, com um movimento rápido, ele transformou os seus corpos em um só, e Elena deixou um gemido alto escapar de seus lábios, pega de surpresa. Ela foi inteiramente tomada por uma sensação que, inicialmente, não soube explicar. Entretanto, à medida que Damon friccionava continuamente seu quadril contra o dela, fazendo-a ofegar a cada nova investida, Elena entendeu o que significava aquilo que estava sentindo. Ela estava completa pela primeira vez em muito tempo.
Elena cravou suas unhas nos braços de Damon quando o prazer começou a beirar o insuportável. Enquanto se movia contra ela, ele distribuía beijos por seu pescoço, que Elena deixara totalmente à mostra ao inclinar a cabeça para trás. À medida que os gemidos começaram a sair cada vez mais altos dos lábios dela, Damon aumentava a força e a velocidade dos seus movimentos, e também a pressão de seus dedos contra o quadril dela. De olhos fechados, arfando continuamente, Elena sentia como se estivesse prestes a ser partida no meio.
Ela pôde sentir uma das mãos de Damon no seu queixo, e abriu os olhos lentamente para olhá-lo. Aquelas íris azuis estavam tomadas por uma intensidade que Elena compreendia muito bem, pois também a estava sentindo. Sem desviar seu olhar do de Damon, ela começou a se contorcer sob o corpo dele à medida que as explosões voltavam ao seu ventre, espalhando-se por todos os seus membros. Suas unhas afundaram-se na pele do braço de Damon quando o orgasmo finalmente a atingiu, e, segundos depois, um ruído sufocado escapou da garganta dele, que também chegou ao ápice.
O corpo exausto dele caiu sobre o dela, e seu rosto escondeu-se no pescoço de Elena. Ela podia sentir a respiração ofegante dele contra a sua pele e o peito subindo e descendo no mesmo ritmo frenético que o seu. Ela deslizou os dedos pela pele dele até alcançar os seus fios negros, os quais começou a alisar, enquanto sentia seu corpo todo dormente, como se estivesse anestesiado. Ambos permaneceram em silêncio por longos minutos, até que suas respirações voltassem ao normal.
Foi Elena quem encontrou a voz para quebrar o silêncio.
– Posso tentar encontrar um sentido para tudo isso? – ela deu uma risadinha baixa, sentindo-se leve como nunca desde que essa sua nova vida começara.
Damon ergueu o rosto do pescoço dela e apoiou os dois braços ao redor do corpo de Elena, afastando-se apenas o suficiente para poder encará-la direito. Ela não pôde deixar de reparar em como o cabelo bagunçado pós-sexo caía bem nele.
– Você quase matou uma garota por ciúme de mim, Elena. – ele abriu um sorriso torto e convencido para ela, que revirou os olhos, sem conseguir segurar outra risada.
– Então, se você tem apreço pela sua vida, acho bom você nunca mais ser indiferente daquela forma. – Elena tentou soar ameaçadora, mas recebeu um olhar incrédulo dele, que mantinha a sobrancelha erguida. Ela então forçou uma expressão emburrada.
Damon, ostentando agora um sorriso torto, aproximou-se dela e mordeu o seu lábio inferior, puxando-o para si, tentar desfazer o beicinho formado por Elena. Aproveitando a proximidade, ela capturou os lábios dele em um beijo lento, sem pressa, deixando um suspiro escapar por entre ele. Sabia que suas ações teriam incontáveis consequências, mas sentia-se tão bem naquele momento que fazia de tudo para evitar pensar nelas.
Como uma peça pregada pelo destino, o celular de Damon começou a tocar em algum lugar do quarto. Ignorando-o, ele continuou a beijá-la, mas toda alegria que Elena estava sentindo já começara a se esvair: ela sabia muito bem quem estava ligando. Ela se afastou lentamente, arrancando um suspiro dele, que se levantou e andou em direção à sua calça jeans atirada no chão. Mesmo tomada por um súbito desânimo, Elena não pôde deixar de admirar por alguns segundos o homem que andava totalmente nu por seu quarto.
– Hey, irmãozinho. Como anda a sua viagem? – Damon atendeu, de costas para ela, com a voz carregada de ironia e, ao mesmo tempo, tédio. Ela pôde ouvir a voz do outro lado respondendo.
– Ainda não cheguei no Tennessee. Você já foi ver como ela está? – Stefan soava preocupado. Cada centímetro do corpo de Elena que fora tocado por Damon ardeu de culpa, como álcool jogado sobre uma ferida recente. Ela levantou-se rapidamente, juntando suas roupas íntimas e vestindo-as.
– Ainda não. Tenho outras coisas melhores para fazer antes, Stefan. – Damon forçou ainda mais o tédio em sua voz, tentando soar o mais natural possível, enquanto vestia a sua calça jeans.
– Ligue assim que você passar lá, certo? – Stefan pressionou do outro lado da linha, a voz cheia de ansiedade. Damon resmungou uma afirmação e desligou o celular.
Ainda virado de costas, ele vestiu a sua camisa, deixando-a aberta em função da falta de botões, e logo em seguida colocou a jaqueta por cima. Quando se virou para encará-la, Elena, que jogara um casaco qualquer por cima da lingerie, desviou os olhos por alguns instantes, seu peito tomado por uma confusão de sentimentos, na qual a culpa era o mais aparente. Ele abriu lentamente um sorriso irônico, balançando a cabeça. Seus olhos haviam, repentinamente, voltado àquela limpidez gélida dos últimos dias. E então, sem dizer nada, ele tomou a direção da porta do quarto. Antes que ele pudesse alcançá-la, porém, Elena segurou-o firmemente pelo braço, impedindo-o de continuar. Damon parou onde estava sem, contudo, olhar na direção da garota.
– Damon... – ela começou suavemente, com a voz quase sumida. Em sua mente pensamentos desconexos lembravam-na de Stefan, Damon, Katherine... A culpa queimou com mais violência dentro de seu peito.
– Eu já sei o que acontece agora, Elena. – quando Damon falou, finalmente virando para ela, sua voz estava baixa, tomada por uma raiva mal contida que chegava a ser ameaçadora. – Eu vi no seu rosto. Você me diz que isso foi um erro e volta novamente para os braços de Stefan.
– Não, Damon! – ela respondeu rapidamente, enquanto outro sentimento além da culpa fortalecia-se dentro dela: ela não poderia perdê-lo novamente. – Dessa vez é diferente. Eu sei o que é ficar longe de você, e eu não quero que isso aconteça novamente. Eu... – Elena fez uma pausa, tentando encontrar as palavras adequadas para expressar da melhor forma o que estava sentindo desde o momento em que os lábios de Damon haviam entrado em contato com os seus. Ao falar, ela não conseguiu evitar que um sorriso tomasse conta de seu rosto. – Hoje eu me senti completa como não me sentia há muito tempo. Eu preciso de você, Damon. – sua voz estava carregada de intensidade. Ela precisava que ele entendesse aquilo de uma vez por todas.
Damon permaneceu parado por alguns segundos, os olhos gélidos fixos nos dela. À medida que os instantes passaram, porém, aquelas íris incrivelmente azuis suavizaram-se lentamente. E então Damon aproximou-se mais alguns passos, tomando o rosto dela entre suas mãos e encostando a testa na dela. Elena fechou os olhos e suspirou lentamente, sentindo em seguida os lábios dele em contato com os seus novamente. O beijo iniciado por Damon nada tinha de parecido com os anteriores, tomados pela sofreguidão do desejo que sentiam há tanto tempo. Ele era calmo, sem pressa, como se fosse feito para ser guardado na memória com todos os seus detalhes.
Algum tempo depois, Damon interrompeu o beijo, deslizando as mãos até a cintura da garota, envolvendo-a num forte abraço. Ela permaneceu de olhos fechados, deitando sua cabeça no ombro dele e aproveitando cada segundo da sensação de estar entre aqueles braços fortes, que sempre fizeram de tudo para protegê-la.
Quando Damon finalmente se afastou, ela teve vontade de choramingar, de voltar para aqueles braços nos quais ela se sentia capaz de lidar com qualquer coisa. Contudo, só o que fez foi fixar seus olhos naquela imensidão azul das íris de Damon, tentando guardar a profundidade delas em sua memória. Ele deslizou o polegar pela bochecha dela, e depois lhe deu um longo beijo na testa, que trouxe à mente de Elena memórias que ele um dia a fizera esquecer.
– Você sabe onde me encontrar. Eu não vou sair de perto. – Damon abriu um leve sorriso, que fez seus olhos brilharem por um instante, e então se afastou na direção da porta.
Elena ouviu os passos descendo a escada e a porta se fechando em seguida. Com um pesado suspiro, a garota andou na direção do banheiro, parando em frente ao espelho e encarando-se por longos minutos. Um sorriso escapou por entre seus lábios com as memórias que voltaram vívidas à sua mente e que lhe causaram fortes arrepios. Fechou os olhos e permitiu-se recordar das sensações invocadas por cada novo toque de Damon, mordendo o próprio lábio inferior à medida que sentia o seu corpo correspondendo àquelas meras lembranças. Era como se cada centímetro clamasse por aqueles toques novamente. Elena soltou uma risadinha rouca que ecoou pelo banheiro, e se questionou se algum dia a sua pele esqueceria aqueles rastros de fogo deixados por Damon.
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Depois de um longo banho quente, Elena saiu do banheiro sentindo-se extremamente leve. Enrolada na toalha, ela parou em frente à cômoda para escolher uma roupa. Antes que o tivesse feito, porém, seu celular tocou em sua escrivaninha, e ela correu até ele com uma esperança boba. No entanto, ao encarar a foto da pessoa que ligava, toda aquela leveza deu lugar a um peso descomunal que tomou conta de seus ombros.
– Oi! – ela tentou soar o mais natural possível ao atender, apesar de seu estômago embrulhado.
– Não acordei você, certo? – a voz calorosa de Stefan soou pelo aparelho, arrancando da garota um sorriso involuntário. Apesar de todos aqueles sentimentos conflitantes, apesar da culpa que parecia apertar seu peito, ela não podia ficar insensível a todo o carinho que Stefan nutria por ela.
– Não, eu estava saindo do banho já. Onde você está?
– Estou no Tennessee, com o porta malas cheio de presentinhos para você. – ele deu uma risadinha, imitado por Elena. – Mas vou aproveitar a viagem e buscar mais na Geórgia. Acho que chego amanhã à tarde. Você vai ficar bem? – a voz dele ficou subitamente repleta de preocupação.
– Vou, Stefan. Pode ficar tranquilo. Tenho certeza que Caroline, Jeremy, Matt... Enfim, todos vão me fazer companhia e, principalmente, me vigiar. – Elena forçou uma risadinha.
– E Damon, não é? – Stefan completou com naturalidade, e a garota agradeceu mentalmente por ele não poder ver a expressão que se formou no rosto dela. Ao mesmo tempo em que ficou sem jeito, com as bochechas avermelhadas pelas lembranças de como Damon a havia feito companhia, seu rosto também foi tomado pela culpa. Stefan, no entanto, continuava falando. — ...Ele acabou de me ligar, disse que tinha ido dar uma olhada em você. Espero que ele não tenha feito nenhum comentário idiota sobre... – ele hesitou. – Sobre a pequena confusão no Mystic Grills.
– Só o pequeno incidente de eu ter quase matado alguém. Você pode falar, Stefan. Eu já estou bem. Não vai acontecer novamente. – ela falou com a voz firme, tentando demonstrar confiança. A verdade é que as suas emoções estavam tão confusas e tão ardentes ultimamente que ela não conseguia mais ter certeza de nada.
– Que bom, Elena. – a voz dele voltou a ser leve, e ela percebeu que ele estava sorrindo do outro lado. — Qualquer coisa você pode me ligar. Amanhã eu volto. Eu te amo.
– Também te amo. Boa viagem. – ela desligou o celular e então se atirou na cama, ainda enrolada na toalha, os cabelos encharcando seu travesseiro.
Stefan era tão bom para ela. Mas ainda havia Damon e... Ela suspirou, fechando os olhos. Suas narinas foram, então, invadidas por aquele perfume que ela reconheceria em qualquer lugar. Novamente, seu corpo respondeu quase automaticamente às lembranças daqueles toques precisos em sua pele, daqueles olhos inebriantes fixos nos seus. Sorrindo involuntariamente, esforçando-se para deixar as memórias tão convidativas de lado, Elena levantou-se da cama e escolheu uma roupa, livrando-se da toalha e secando seus cabelos.
Como a sede já começava a fazer sua garganta arder, ela desceu até a cozinha e pegou uma bolsa de sangue na geladeira. Secou-a em poucos segundos e, não satisfeita, abriu outra. Em seguida, Elena atirou-se no sofá, zapeando os canais da televisão sem paciência. Depois de alguns minutos, sem achar nada que chamasse sua atenção, ela decidiu tentar estudar. Folheou alguns livros, leu algumas páginas desconexas e desistiu rapidamente. Desde que passara pela transformação, toda aquela informação lhe parecia demasiadamente inútil. Ela teria toda uma eternidade para aprender sobre o que lhe interessasse de verdade.
Foi então que seu celular tocou novamente, tirando-a daquele estado de tédio. Ela correu até o andar superior e atendeu a ligação de Caroline. Tranquilizou a amiga, afirmando que estava bem, mas precisou de alguns minutos para que a loira ficasse totalmente convencida. Caroline lhe disse então que estava indo para a reunião da comissão do próximo baile da escola, mas que, mais tarde, passaria para vê-la. Antes de desligar, ainda deu um recado de Jeremy, que ficaria até mais tarde na escola para terminar um trabalho com um colega.
Novamente sem nada a fazer, Elena resolveu ligar para Bonnie, que andava evasiva desde a sua transformação. A amiga, no entanto, não atendeu. Suspirando, Elena atirou-se na cama e encarou o teto. Era como se o mundo estivesse conspirando contra ela, como se estivesse conduzindo-a para onde, internamente, ela estava desejando ir desde que perdera o contato visual com aquelas íris tão intensas.
Sem demora, a garota levantou-se em um pulo e pegou o casaco, vestindo-o enquanto descia apressadamente os degraus. Ela não iria ficar pensando demais, calculando e examinando todos os seus movimentos. Passara por dias muito escuros nos últimos tempos, e resolveu aproveitar a sensação de leveza que tomava conta de seu corpo enquanto ela caminhava apressada até a casa dos Salvatore. Elena estava cansada de pensar em tudo e em todos, estava cansada de sua compaixão infinita que a levava à loucura. O único tipo de insanidade que ela gostaria, naquele momento, era o tipo que tomara conta dela ao estar finalmente nos braços de Damon.
Em poucos minutos ela avistou a casa. Atravessou o jardim e entrou tempestivamente pela porta, não prestando atenção aos ruídos que vinham da sala. Foi só quando o cheiro invadiu as suas narinas, fazendo sua garganta queimar intensamente, que ela percebeu o que estava acontecendo. Elena venceu os últimos metros até a sala, e então pôde ver Damon com o rosto escondido na curva do pescoço de uma garota que estava sentava no colo dele. Ela soltava leves gemidos enquanto Damon sugava o seu sangue, não parecendo nenhum pouco incomodada com aquilo. Depois de alguns segundos, ele levantou o rosto ainda transformado para Elena, as presas visíveis e os lábios tomados por aquele líquido vermelho inebriante, um sorriso torto formando-se lentamente.
– Veio me fazer companhia no almoço? – ele perguntou em um tom divertido, mas um tanto debochado, enquanto seu rosto voltava ao normal. Damon empurrou a garota para o lado, que caiu sentada no sofá com uma cara emburrada.
– Você sabe que eu não posso, Damon. Vou perder o controle novamente. – Elena falou um tanto rouca, fazendo um grande esforço para desviar os olhos do sangue que escorria pelo pescoço da garota enquanto a ardência em sua garganta começava a beirar o insuportável.
– E quem disse isso? – Damon revidou enquanto se levantava e andava na direção dela, agora com uma expressão de tédio na face. – Stefan? — ele revirou aqueles olhos azuis e parou bem em frente à Elena, cuja respiração ficara subitamente mais acelerada pela proximidade. Ele lentamente passou a língua pelos seus próprios lábios, limpando o sangue ali espalhado; Elena ficou praticamente hipnotizada por aquele simples movimento. – Eu posso lhe ensinar como aproveitar essa nova “vida”, Elena. – ele murmurou de forma sedutora, a voz quase um sussurro.
Parecendo em transe, Elena ficou imóvel enquanto Damon aproximava os lábios dos dela, tomando-os num beijo muito lento. De forma extremamente sedutora, Damon esfregou a língua na dela, fazendo com que o gosto inconfundível daquele beijo se misturasse com o do sangue, inundando-a de luxúria. Ela pôde sentir os dedos dele subindo pela lateral de seu corpo, contornando-o por inteiro, até se afundarem entre os longos fios negros. Internamente, Elena sentia como se estivesse prestes a pegar fogo.
Antes que isso acontecesse, porém, ele afastou-se lentamente dela, um sorriso corrompido brincando naqueles lábios agora limpos. Elena passou, inconscientemente, a língua pelo próprio lábio inferior, e a mínima gota de sangue ali presente a fez soltar um gemido abafado de prazer.
Damon segurou-a pela mão, puxando-a em direção ao sofá onde a garota ainda mantinha uma expressão emburrada. Ao perceber, porém, que voltaria a ser o centro das atenções, seu humor mudou subitamente. Damon fez com que Elena sentasse ao lado da garota, que levou uma mão até o rosto da morena, sorrindo para ela.
– Diga para ela como você gosta disso, querida... – Damon falou em um tom extremamente sedutor com a garota, que assentiu com a cabeça e se aproximou mais de Elena, afastando os próprios cabelos e lhe oferecendo o lado ainda intacto do pescoço.
– Eu não quero machucá-la, Damon. – Elena murmurou com a voz fraca, já quase sem forças para lutar com a queimação em sua garganta, para segurar as presas que estavam prestes a se formar.
Damon, então, inclinou-se na direção dela, roçando os lábios pelo pescoço de Elena e sussurrando contra seu ouvido de forma sensual, mas firme:
– Confie em mim, Elena.
Ela afastou o rosto para poder encarar aquelas íris azuis que, no momento, estavam escurecidas pelo desejo. É claro que ela confiava nele. Ele era, no final das contas, o seu único porto seguro.
E então, sem esperar nem mais um segundo, sem ouvir os pensamentos repreensivos que sua mente gritava para ela, Elena entregou-se aos seus instintos mais sórdidos. Suas presas perfuraram sem piedade o pescoço da garota, e o sangue jorrou contra os lábios de Elena, que o sugou violenta e desesperadamente. Mal registrou as carícias que Damon fazia entre seus cabelos, enquanto o líquido inebriante escorria por sua garganta e levava-a ao delírio. Os leves gemidos que a garota soltava só instigavam os instintos predatórios de Elena. Só o que lhe importava era o paladar, era aquele gosto férrico e ao mesmo tempo adocicado; todo o resto estava enuviado e confuso.
Quando sentiu uma leve pressão em seu ombro, ignorou-a completamente, cravando ainda mais fundo as presas na carne da garota. A pressão foi progressivamente ficando mais forte, irritando-a levemente. Elena sacudiu o ombro, tentando afastar aquela mão que agora a puxava com força para trás. Ela não conseguiu, no entanto, resistir por muito tempo, pois ele era bem mais forte do que ela. Quando percebeu, seu corpo estava pressionado contra o encosto do sofá, seus dois ombros segurados com persistência por Damon. Naquele instante, a garota caiu desacordada no sofá, mas sua respiração calma e as batidas de seu coração podiam ser claramente ouvidas.
Antes que as presas pudessem sumir e as veias sob seus olhos voltassem ao normal, por muito menos de um segundo, o olhar escurecido de Damon perfurou o de Elena. A respiração de ambos estava acelerada, como se tivessem acabado de percorrer uma longa distância. Ao encará-la naquele rápido instante, Damon achou-a mais sexy do que nunca, envolta por uma aura de selvageria e de luxúria. Ao observar aquele fogo ardente por trás das íris normalmente inocentes e cheias de compaixão, Damon teve, mais profundamente do que nunca, a certeza de que ela era feita especialmente para ele. Elena só precisava de tempo para descobrir o que ele já sabia.
E então, passado aquele centésimo de segundo, seus lábios se chocaram com violência, iniciando um beijo desesperado, como se tivessem ficado separados por uma eternidade. Antes que os dois chegassem ao sofá exatamente em frente ao qual a garota jazia desacordada, várias peças de roupas já estavam espalhadas pelo tapete. Enquanto seus corpos moviam-se desesperadamente um contra o outro e os gemidos abafados iam aumentando de tom, Elena sentiu-se novamente completa. E quando seu ventre foi sendo lentamente tomado por infinitas explosões que a contorciam por inteiro, ela soube o que significava ser consumida por todas aquelas sensações.
Foi então que ela descobriu que ele sempre estivera certo: ela queria, sim, um amor que a consumisse.
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Em algum lugar de Mystic Falls, não muito longe dali, tão embrenhada na floresta que não era possível definir se era dia ou noite, uma voz sussurrava em meio à escuridão.
– Você sabe o que precisa fazer para ter o que você deseja.
– Eu... eu não posso. – uma segunda voz sussurrou de volta. Seu tom era fraco, uma mistura de choramingo e desespero.
– Você sabe que pode, e você vai. Acabe com todos eles.
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