The Fear
34 Capítulo 33
Notas iniciais
– Meu Deus... — ouvi-me sussurrando pelo quarto escuro, o medo impregnando-se em minha voz.
– Temos que sair daqui — Mikael disse avidamente, levantando-se no mesmo momento, o movimento súbito fazendo a luz da lanterna que ele carregava dançar pelas paredes.
– E para onde vamos? — perguntei, levantando também e ficando ao lado de Mikael.
Antes que o garoto tivesse tempo de responder um grito horrorizado ecoou pelo local, o som gutural correndo pelos móveis enegrecidos até chegar aos meus ouvidos, fazendo minha pele arrepiar.
– Não temos muito tempo, precisamos de um local seguro — Mikael sussurrou, sua voz ficando mais distante enquanto ele se aproximava da porta do quarto.
Segui seus passos e passei pela porta, encontrando-me em um corredor longo e vazio. Mikael iluminou todos os locais freneticamente, procurando pelos monstros que já deviam estar se esgueirando pelos cantos da paisagem, porém nenhum par de olhos prateados foi iluminado enquanto estávamos ali, dando a impressão de que nossa presença era a única naquele corredor.
– Vamos, pelo que eu me lembre a saída é nessa direção — o garoto disse, sua silhueta escura caminhando pelo piso liso do local.
Eu não sabia como aquele plano de Mikael poderia nos ajudar, pois mesmo que conseguíssemos sair dali, era bem provável que a noite dominava as ruas com sua escuridão, e nos veríamos em problemas ainda maiores perambulando sozinhos pela cidade infestada de pesadelos.
Comecei a andar apressadamente atrás de Mikael, enquanto este lançava continuamente o feiche da lanterna em todas as direções possíveis, iluminando cantos desertos e paredes sem vida. O som de nossas passadas nervosas marcava o ritmo da cena, acompanhada pelo ruído irregular de nossas respirações. Em alguns momentos um grito agoniado rasgava o silêncio do corredor, lembrando-nos da terrível presença dos pesadelos escuros que torturavam suas vítimas por trás daquelas paredes pálidas.
Durante um dos intervalos entre os gritos que corriam pelo ar, identifiquei um chiado logo atrás de nossos passos, o som baixo me lembrando um sussurro ameaçador que parecia nos seguir.
Olhei para trás, na vã esperança de conseguir ver alguma forma no meio da escuridão que nos cercava, porém meus olhos apenas receberam a imagem enegrecida do corredor que percorríamos, sem sinal de movimento a não ser nossos próprios passos.
– Mikael, ilumine atrás de nós, acho que tem algo nos seguindo — sussurrei para Mikael, segurando a manga de sua camisa para conseguir chamar sua atenção.
Senti o garoto se retesando no mesmo momento, e um segundo depois o feixe de sua luz prateada alcançou os limites do corredor que havíamos percorrido. Ficamos parados e em silêncio por alguns instantes, a luz da lanterna correndo pelas paredes enquanto eu me esforçava para ouvir algo além de nossas respirações entrecortadas.
– Não há nada aqui, Emily, vamos logo embora — Mikael disse, virando-se novamente e voltando a andar apressadamente.
Segui seus passos, porém o som dos sussurros que havia escutado me faziam virar a cada segundo para me certificar de que nenhuma figura assustadora pularia à nossa frente. Os gritos continuavam frequentes, aumentando à medida que nos aproximávamos das salas principais do local. Eu me perguntava qual era a extensão daquele sinuoso corredor, que parecia levar uma eternidade para chegar ao seu fim.
As vozes horrorizadas e as súplicas murmuradas à nossa volta faziam arrepios de terror percorrerem meu corpo constantemente, tanto era o medo que dominava minha mente que eu chegara a várias vezes cogitar a ideia de voltar para o quarto e esperar pacientemente minha morte naquele local.
Porque era isso que iria ocorrer, mesmo eu e Mikael andando esperançosos em direção à alguma saída, nossos passos percorrendo avidamente o piso como pequenos pedidos de ajuda para nossa sobrevivência, o que nos esperava na saída seria a mesma multidão de Nightwalkers que arrancava os gritos por misericórdia que ecoavam pelas paredes que nos observavam.
Ouvi uma risada maldosa arranhar o ar atrás de mim, virei-me naquela direção, recebendo novamente a escuridão costumeira que dominava o corredor a minha volta.
– Emily, vamos logo, não há nada aí — Mikael disse nervosamente, sem conter seus passos enquanto sua voz chegava até mim.
Olhei para trás de novo, perguntando se minha mente poderia estar me pregando peças até mesmo ali. Praguejei por não ter uma lanterna em minhas mãos naquele momento, e tentei conter a súbita vontade de arrancar aquele objeto luminoso das mãos de Mikael para poder realmente tirar as dúvidas que se esgueiravam em meus pensamentos.
Porém Mikael já se distanciava dali enquanto eu estava parada brigando com minha mente, então mesmo que eu quisesse a lanterna eu teria que seguí-lo até que pudesse pegá-la. Comecei a correr atrás do garoto, que conseguira ser incrivelmente rápido naqueles segundos que nos separaram.
Já conseguia alcançá-lo, pronta para tentar convencê-lo a me entregar a lanterna, quando senti algo gélido se prendendo ao meu braço e puxando-me para longe dali.
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