The Fear
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Olhei para a ruína da casa onde estava o corpo do líder. Já que agora estava sozinha, não seria ruim pegar alguns utensílios que não teriam mais função para o cadáver agonizante dele.
Voltei para dentro da casa novamente, andando cautelosamente, afinal eu ainda não havia encontrado o ser que me observara no começo da manhã, e nunca se sabia onde ele poderia estar.
Observei as paredes descascadas e o teto imundo com seus caminhos de teias de aranha, até chegar a sala novamente. Não havia mais nenhum corpo ali. Aproximei-me em pânico do local onde ele estava a poucas horas, tocando as paredes vermelhas como se ele pudesse ter ficado invísivel de repente, mas realmente não havia nada ali.
Cogitei o pensamento de ter imaginado tudo, que nunca houvera nenhum corpo ali, e uma pequena esperança de que talvez Mikael estivesse vivo faíscou em meu peito, porém aquilo não era possível e eu sabia disso.
Olhei para onde o corpo estivera e notei pequenas embalagens de alimentos jogadas ali, todas fechadas. Agachei-me e peguei os pacotes, sacoalhando-os para perceber que realmente havia comida ali.
Foi então que percebi o que havia acontecido. Ciel havia chegado no local antes de mim, com sua rapidez fora do comum ele já devia ter revistado o líder e pego o que era de útil em sua situação, ele deixara a comida porque... Bem, bolachas e salgadinhos não eram algo que um híbrido gostaria de comer. Ele devia ter se alimentado e depois jogado os restos do líder em algum canto. Só de imaginar que Ciel havia se alimentado da carne de um cara que vivia me dando ordens antigamente me dava enjôo.
Saí da casa abrindo um primeiro pacote de salgadinhos, sentindo o cheiro característico do alimento que havia tempo que eu não comia. Devorei-o ali mesmo, guardando as outras embalagens nos bolsos de minha jaqueta surrada. Como uma mochila fazia falta... Assim como água.
Não fora uma boa ideia comer aquele alimento de gosto forte sem uma garrafa de água a mão. Agora a sede apertava minha boca e arranhava minha garganta, e eu não tinha a mínima ideia de onde acharia algo para beber por ali.
Comecei a andar ao longo da rua, o som de meus passos solitários chegando aos meus ouvidos de modo depressivo. Percebi que era a primeira vez que estava completamente sozinha naquele apocalipse, antes eu sempre estivera em meio a um grande grupo, com alguma casa para nos dar proteção, porém agora, graças à um híbrido fodido, eu estava desolada como aquele bairro no qual andava.
Comecei a entrar nas residências de portas arrancadas que me convidavam pela rua, não encontrando muitas coisas nestas, apenas algumas lanternas, poucas que ainda funcionavam fracamente, alimentos vencidos a muito tempo e uma quantidade absurda de pálidos esqueletos depositados nos cômodos, seus crânios de órbitas negras observando-me enquanto vasculhava o aposento, parecendo inverjar-me por ainda estar viva.
Em nenhum lugar eu encontrava água. Todas as torneiras estavam mais secas que minha garganta, e as garrafas amassadas jogadas pela casa não tinham o mínimo do líquido que foram feitas para guardar.
Saí de uma das últimas casas que haviam na rua em que eu andava e percebi a escuridão alastrando-se pela calçada. Olhei para o céu, percebendo que o sol se escondia no horizonte, cansando-se de observar minha agonia e dando lugar a lua para rir de minha morte.
Mais uma noite começaria, e agora eu não tinha um híbrido para me por para correr se fosse necessário.
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