The Fallen Fall
12 Fire
Notas iniciais

Era segunda-feira, e eu estava na aula de filosofia com um professor alto, de bom porte físico, olhos azuis, que estava passando revisão do conteúdo do 1°ano, Sócrates e sei lá o que. No caso, eu não prestava atenção, pois minha cabeça estava ocupada com as coisas que aconteceram nas últimas duas semanas, e eu não parava de me perguntar, Onde estava Robbie? Seria Josh me mandando aqueles sinas estranhos que me assustavam, ou apenas um idiota querendo me provocar? Será que Beka sabia de que anjos existiam? O que havia acontecido com ela naquela noite? Quem havia à pegado? Como que minha vida foi ficar desse jeito? Fazia alguns dias que eu não dormia, então era bem visível minhas olheiras escuras sob minha pele pálida.
Assim que o sinal tocou, fui a primeira a sair da sala, não quis saber se havia empurrado alguém, apenas queria sair de lá. Não me sentia bem, e a presença de algumas pessoas me deixava enjoada, a de Eva e do professor substituto, que com aqueles olhos azuis me assustavam.
Corri para o banheiro. Parei em frente a pia e ao espelho, eu estava realmente horrível. Meus olhos estavam fundo e com um tom de marrom para preto em volta, e o azul cintilante que tinha antes, era um cinza vazio. Meu cabelo estava sem brilho e minha pele completamente pálida o que me deixava com aparência de doente. Como deixei tudo chegar a esse ponto? Eu não me reconhecia mais, e a tristeza estava estampada em meu rosto. Robbie havia sumido. Beka por mais que me amasse, estava me ignorando. Meus pais estavam fora da cidade ainda. E Josh... estava morto, eu acho. Lágrimas brotaram nos meus olhos, mas não as deixei cair. Franzi a testa para a minha imagem no espelho.
–Mas que droga Melanie, como você deixou tudo chegar a esse ponto?- falei para mim mesma. Depois de uns 15 minutos no banheiro, resolvi sair. O sinal já havia tocado, mas não fui para a sala de aula. Então resolvi ir para fora do colégio, sentei em uma árvore que estava próxima e fiquei. Peguei meu celular e meu fone de ouvido, e resolvi ouvir música para ver se esquecia um pouco o que estava acontecendo a minha volta, fechei meus olhos e deixei-me relaxar. O vento batia em meus cabelos sem vida, e os deixava todo embaraçado. Mesmo que tenha passado apenas duas semanas, eu sentia falta do toque e do beijo ardente de Robbie, a risada e palhaçadas de Beka, as broncas de meus pai, e a voz e o cheiro de Josh. Senti as lágrimas chegando novamente e desta vez as deixei rolar em meu rosto.
–Tendo um dia difícil?- a voz masculina, um pouco baixa por causa da música que eu escutava, me fez parar de chorar tão rápido como eu havia começado. Levantei a cabeça e me deparei com a sombra que se escondia com o sol atrás, apertei meus olhos para melhorar minha visão. Os olhos azuis, o cabelo negro um pouco comprido mas ajeitado, a boa forma física, e o terno preto com algumas listras me eram familiar.
–Oi professor.
–Sabe que não deveria estar aqui, não é?- ele disse.
–Desculpe, só precisava de um tempo sozinha.- queria dar o mínimo de detalhes possíveis para ele, pois eu nem o conhecia, e não sabia nada sobre sua vida, apenas que seu nome era Charlie Henderson, tinha 35 anos, nenhum filho e solteiro.
–Percebi que não anda bem desde a minha aula uma hora atrás, quer conversar?- ele enfiou as mãos nos bolsos da calça social e se encostou na árvore.
–Não, obrigada. Estou bem.
–Tem certeza?
–Sim.
–Tudo bem, é.... pode ficar aqui mais um pouco, não irei te entregar para a direção, mas me promete que quando bater o sinal para a próxima aula você vai entrar?- ele se abaixou para que seu rosto ficasse na altura do meu.
–Prometo.
–Muito bem, deixarei a senhorita.....
–Melanie.
–Sobrenome?
–Wiegler- eu o encarei franzindo o cenho.
Se levantando, ele concluiu a frase.- Deixarei a senhorita Wiegler sozinha agora, foi um prazer conhece-la.
Não respondi, encarei-o voltando para a escola. Tudo bem, foi estranho, esse professor era estranho. Ele até que foi legal, mas não gostei de seu jeito. Na verdade, eu estava mal demais para gostar de algo ou alguém.
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