The Empress Of Wonderland
7 Espadas
− COMO ASSIM?!?!
− JÁ CHEGA!! EU ESTOU CANSADA DISSO TUDO!! DESSA VIDA PARADA, DE NUNCA VER MEUS PAIS!! Já chegou a hora de eu conhecer o mundo!
− Mas...
− Mano, eu...
Sharon enterrou o rosto no peito do irmão, as lágrimas escorrendo livremente. O som do coração dele batendo acelerado estaria gravado para sempre na memória dela.
− Se tudo der certo, um dia eu vou voltar. Mas, se não... Maninho... Eu quero que você saiba... Que eu... Te amo, OK?
As lágrimas escorreram do rosto dele também.
− Seja feliz, tá, Sharon? Não importa se aqui, se em outro país, se em outra dimensão. Apenas... Seja feliz.
Quando ela olhou em seus olhos azuis, a ficha caiu.
Seu irmão sempre soubera.
− E diga pro Cheshire cuidar bem de você...
Ela apenas acenou com a cabeça, sentindo o coração vibrar no peito.
− Adeus, Sharon... E se lembre de conhecer o mundo, seja este ou outro paralelo...
− Adeus, Akatsuki...
E ela saiu pela porta, sabendo que o seu plano nunca fora necessário. No final, Akatsuki sabia de tudo.
Talvez ela nunca mais o visse.
Mas ela lutaria pelo seu trono com o irmão no coração. Sempre.
− Hey, Sharon... Por que você trouxe sua mochila?
− Eu não sei nada sobre o País das Maravilhas, ou sobre o que restou dele. Mas, acredite, eu vou mudar tudo. Vou botar a casa de cabeça pra baixo!! E você não achou que eu iria fazer isso tudo de mãos vazias, achou?!
Cheshire sorriu. Vivera o bastante para conhecer as outras Alices, e vira elas lutarem.
Mas ele sabia que essa seria capaz de mudar o mundo.
− E então? O que você trouxe? – Disse Cheshire, abrindo a mochila dela e fuçando no fundo.
− EI!! TIRA A PATA!!
− ACHEI UM TESOURO!! – Gritou Cheshire, fugindo com um sutiã em mãos.
− EI, VOLTA AQUI COM ISSO!!
Sutiã recuperado, Sharon se pôs a interrogar Cheshire, buscando saber de tudo um pouco sobre o País das Maravilhas.
Mas, estranhamente, o gato se recusou a dar muitas informações. O que, obviamente, a irritou além do limite.
− Ah, qual é?! Você não tem nenhum mapa, não sabe de nada daqui? Eu vou ter que procurar pela casa de espadas sozinha?!?!
− Se é o que você quer...
Antes que Sharon tivesse tempo de se preparar, Cheshire a puxou pelo braço. E eles estavam num grande salão de pedra negra.
Com uma centena de espadas apontadas para eles.
− É ELE!! MATEM O TRAIDOR.
− Se eu fosse vocês... – Disse Sharon, num sussurro sibilante que ressoou pelo salão inteiro. −... Pensaria duas vezes antes de fazer isso.
− E quem é você?
Sharon encarou o capitão com calma, ciente de que a vida de Cheshire estava em seus lábios afiados.
− Eu sou Alice.
− Eh? Então você é Alice?
Ele usava uma armadura tão brilhante que Sharon se perguntou como poderia ser negra.
− Eh? Então você é Severo, o tal Duque da Casa de Espadas?
Eles se mediram, críticos. Tinham exatamente a mesma altura, e idades aproximadas.
− Eu não esperei a vida toda para conhecer Alice e descobrir que ela é uma garotinha.
− Afinal, a sua vida toda deve consistir numa eternidade... – Ironizou ela, fazendo as bochechas dele corarem. – Eu também não vim até aqui para descobrir que o comandante que vai liderar a minha comitiva não passa de um aborrescente. – Ele corou ainda mais. – A não ser...
Ele piscou.
−... Que ele seja competente na sua função. Me diga, Severo: você será competente na sua função?
− É claro que serei!
− Excelente. Saiba que eu também serei competente na minha. Vou tirar esse País das mãos daquela patricinha nem que seja a última coisa que eu faça.
E saiu do salão, ciente do sorriso de satisfação que o garoto tinha nos lábios. Cheshire a acompanhou, mas não tão feliz. Sabia que os olhares que o acompanhavam não eram nada amistosos.
− WAA!!!!!
− Você deve ter problemas, eu juro.
− Não é nada disso! – Alice sorriu para o travesseiro em formato de naipe. – É que o Severo é tão GATO! Agora eu fiquei curiosa pra conhecer o resto desse País...
Cheshire chiou, de cima do armário.
− Mas, diz aí, o que você trouxe pra cá nessa mochila?
− Hm... Poucas roupas, umas fotos, meu material de trabalho, meu celular, é claro, o livro piloto desse lugar, meus bichinhos de pelúcia preferidos...
− PERAÊ. Material de trabalho?
− Lápis, muito papel, canetas permanentes, fita crepe, meu notebook, e cara, como esse troço pesa...
− Tá, eu acho. Mas você realmente trouxe brinquedos pra uma guerra?!
Sharon mostrou a língua pra ele.
− Posso perguntar uma coisa? – Ele resmungou. – O Chapeleiro tem a mesma função que o Valete, só que para a Alice, não é?
O gatuno engasgou com o próprio pelo, antes de encarar a jovem, mortificado.
− Como você sabe?
Ela tirou dois bichos de pelúcia da mala.
Um gato, roxo e laranja, com olhos azuis.
Um homem de bengala e cartola super decorada, com olhos azuis.
O gato olhou para o Chapeleiro de pelúcia com uma expressão de pura tristeza, antes de lhe dar as costas.
− Ei, Cheshire. – Silêncio – O que acontece quando alguém quebra uma regra?
− Depende de quem seja esse alguém. Por que a pergunta?
− Nada não.
Alice sorriu. Um sorriso capaz de arrepiar a espinha de qualquer um.
− Uma última pergunta, antes de eu ir dormir. Você tem absoluta certeza de que eu sou a Alice que vai salvar essa terra?
Cheshire sorriu. Não importava os métodos, a época, o rosto, Alice seria sempre a mesma. E Cheshire sempre amaria a sua Duquesa. A sua linda, doce, indecisa, suave e maravilhosa Duquesa.
− Sharon, você sempre será a minha Duquesa. A partir do momento que você cuidou de mim, você é a minha Duquesa. E, sim, tenho certeza de que você é a Alice que salvará essa terra.
“Se não, não seria você, certo?”
Sharon sorriu. Um sorriso capaz de fazer até mesmo o coração de uma pedra ser tocado pelo lado doce que apenas os aliados dessa Alice revolucionária poderiam conhecer.
O lado doce e o lado amargo. Qual deles subiria ao trono do País das Maravilhas?
Notas finais
Podem deixar que eu vou continuar. Uma revisaozinha aqui ou ali, e teremos mais país das maravilhar pela frente...
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