The Empress Of Wonderland
12 Desenlace
Notas iniciais
− Conseguimos, conseguimos, conseguimos...
Uma verdadeira festança se dava no Palácio de Espadas. Canecas e mais canecas eram enchidas e esvaziadas, enquanto os soldados e cortesãos ficavam cada vez mais bêbados e alegres. Não era por menos. Tratava-se da primeira boa notícia que essa Casa tinha em séculos. E que notícia!! Eles tinham Alice, a jovem milagrosa que seria a próxima Imperatriz do País das Maravilhas!!
Apenas a elite de comando ainda não havia se embebedado. E ela se encontrava numa sala de comando que tinha um aquário de piranhas roxas.
− Não adianta me perguntar. Isso nunca aconteceu em três gerações de Alices.
− Não há nenhuma pista, nenhum palpite, nada?!
− Nada.
Sharon bufou, frustrada. Precisava saber se havia algum meio daquela princesa forçar a ascensão do Valete, mesmo sem o Coelho Branco. Mas Severo não era capaz de lhe dizer isso. Ninguém parecia capaz.
− Aliás... Você deveria pensar no seu caso, também.
− O que quis dizer com isso? Ainda é cedo para eu procurar o Chapeleiro, estou aqui faz muito pouco tempo.
− Eu sei, mas a maior parte da batalha se passa com ele. Cheshire, em tese, deve apenas te preparar para o combate. É o Chapeleiro que luta ao seu lado. O mesmo vale para a casa de Copas, certo?
O Coelho acenou, confirmando. Não falara quase nada desde que todos haviam voltado (uma volta nada gloriosa, enquanto eram perseguidos, mas ninguém precisava saber disso).
− Por isso mesmo, Alice, você deve realmente pensar em procurar o Chapeleiro o quanto antes. Mas você deve estar preparada. Ele se tornou um tanto instável desde que...
−... Eu já sei, Cheshire me contou. Mas eu tenho tanta coisa pra planejar, e esses dois vão me dar um trabalho danado... Não acha melhor esperar mais um pouco?
− Não. – Retrucou Severo. – Se a princesa encontrar uma maneira de forçar o Valete, e ela vai encontrar uma maneira, você já deve ter encontrado o Chapeleiro.
Ele se ergueu, cansado. Parecia mais velho do que realmente era.
− Bem, acho que é só. Vou mandar uma criada preparar um quarto pra você, Coelho.
− Não será necessário.
Severo abriu a boca para perguntar, mas os olhos azuis do Coelho desencorajavam qualquer pergunta. Então ele apenas lhes desejou boa noite e foi se deitar.
Assim que ele saiu da sala, Sharon bateu com a testa na mesa, rosnando baixinho.
− Sharon? Ei, Sharon, você tá bem? – Perguntou Cheshire, cutucando a garota.
− Tô. Acho.
Ela se ergueu, com a testa vermelha. Parecia prestes a desabar, mas conseguiu se arrastar para o seu quarto sem ajuda.
Com um suspiro aliviado, ela arrancou o sapato de salto alto, e já ia tirar o vestido quando sentiu olhos sobre si.
Dois pares de olhos.
− Com licença?!
− Hm? Algum problema? – Perguntou o Coelho, sentado na cama dela ao lado de Cheshire.
− A que devo as secadas dos DOIS?!
− Ah, sim. Coelho, ela não gosta que a gente a veja.
− Mas a princesa não era assim, ela até...
− VAZANDO. OS DOIS.
Talvez fosse o tom de voz assassino ou o tamanho do salto que ela segurava como se fosse uma granada, mas eles correram para se trancar no banheiro, só se atrevendo a sair quando ela já estava de pijama.
− E não sei onde vocês pensam que vão dormir, não acho que os dois caibam em cima do armário.
− Você dorme em cima do armário? – Perguntou o Coelho, ao que Cheshire confirmou, triste. – Pfft, que patético. Eu dormia junto com a princesa. Quando de bom humor, ela...
Ele não conseguiu completar a frase com um travesseiro na boca.
− A sua princesinha tentou te matar, boboca. Agora vai dormir, e não me olha assim, o Severo ia dar um quarto pra você. Mas você recusou e agora vai ter que arrumar um lugar. E se eu acordar com um de vocês perto demais, vão se arrepender.
Quando acordou no dia seguinte, Sharon encontrou ambos deitados na sua cama: o Coelho Branco brincando com o seu cabelo, e Cheshire ronronado de frente pra ela.
− SEUS DESGRAÇADOS FILHOS DA ****!!!!!! – Berrou ela, perseguindo-os até bater o pé na cama.
− Todos os dias são assim? – Perguntou o Coelho Branco, rindo, enquanto Sharon praguejava pulando num pé só.
− São. – Respondeu Cheshire, rindo também. – Acho que você vai achar esse lugar muito mais divertido do que o Castelo de Copas, embora eu deva concordar que aquela princesa parece...
Não conseguindo mais andar por causa do pé, Sharon jogou o salto neles. Mas eles se desviaram, e o salto acabou se fincando na parede, tamanha a força com que fora jogado.
− Idiotas. – Rosnou ela, de mau humor, se levantando.
− O que você está fazendo, Sharon?
A jovem apenas fuzilou-o com o olhar e continuou a tomar chá.
− O que você está fazendo, Alice?
Ela pousou a xícara de chá com um pouco mais de força do que deveria.
− Ah, vai, Sharon, não fica brava com a gente, aquele armário é duro!
− É, só diz pra gente o que você está fazendo.
− Eu estava me perguntando onde o Chapeleiro vive.
− Mas porque não me perguntou? – disse Cheshire. − Eu sei onde ele mora. É o tipo de lugar que a maioria das pessoas evita.
− Mesmo assim, você tem certeza de que quer ir atrás dele? Pelo que eu sei, vocês dois se odeiam. E ele é bem... instável, não é?
− É. – disse o gatuno. – O problema é que, assim como nós, ele também perdeu alguma coisa com o colapso. Ele perdeu a loucura. E ganhou um mau humor danado.
− Não me importo. – Disse Alice. – Severo está certo. O quanto antes eu encontrar o Chapeleiro, melhor.
O Coelho viu a expressão de Cheshire mudar para uma profunda tristeza. Ele bem sabia como o gatuno estava se sentindo.
− Alice, e se algo der errado? E se o Chapeleiro...
− Tudo poderia dar errado ontem, Coelho. E não deu. Não vou falhar.
Para a surpresa de ambos, repentinamente ela pareceu extremamente cansada. Seus olhos verdes pareceram perder o brilho habitual, seus ombros caíram e sua mão fez a xícara tremer no pires.
“Não posso me dar o luxo de falhar.”
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