The Dying Ladies

2 A mesa divertida


Notas iniciais
Agora a história vai sair um pouquinho da série e partir para outro rumo.

Os risos ali não estavam mais, somente sussurros. Não é como se os segredos nunca existissem por lá, mas eram compartilhados apenas com Alison. A rainha Alison, a sensação Alison, a assassinada Alison. Olhares de preocupação por todo o refeitório e checadas medonhas nos aparelhos celulares se tornavam rotina para as moças. Porém havia algo entre elas que as deixavam fortes. Retomar a amizade após um longo ano de distância se tornava a cada dia mais agradável. E cada uma tinha seu medo e seu segredo, ainda não se sentiam a vontade para contar, mas talvez o tempo curasse qualquer que fosse o desconforto que as cercavam.

– Acho que estou cansada de falar sobre –A – Hanna disse após terminar sua terceira colherada no purê de batatas encaroçado.

– Acho que estamos todas cansadas, mas nós temos de descobrir quem é –A ou nossas vidas estão acabadas. – Spencer se exaltou um pouco e fez um menino da mesa ao lado encará-la por dois segundos, logo dando os ombros e voltando para seu prato.

– Você poderia ter falado um pouco mais alto, ninguém ouviu no México. – implicou Hanna.

– Desculpe, eu só estou realmente cansada e quero acabar logo com isso.

– Antes que –A acabe com isso. – Aria completou.

– Por que? Você acha que –A tem algo a ver com a morte da Ali? – questionou Spencer com toda sua sagacidade Hastings.

– É a única coisa que posso pensar.

– Eu não me sinto bem falando da morte dela tão friamente. – Emily então disse tão baixinho que Hanna que estava mais distante quase não ouviu.

– Infelizmente temos que ser frias para conseguir esclarecer os fatos.

– Não Spencer, nós não temos! – exclamou Hanna percebendo que havia algo realmente desesperador nos olhos de Emily.

– Desculpe. Acho que hoje eu não dou uma dentro. – calou-se então comendo o último pedaço de carne.

A mesa divertida então não parecia mais tão divertida sem a Alison. E todas elas, mesmo em segredo, questionavam-se se um dia poderiam desfrutar novamente daquela amizade, ou até mesmo de uma amizade maior. Afinal, Aria adoraria compartilhar sobre o fato de ter visto seu pai se agarrando com uma aluna, mal sabia ela que não precisaria esconder por muito tempo.

***

Lar doce lar! Como é bom chegar em casa após um longo dia de estudos e saber que sua linda família estará lá cheia de sorrisos para você. Ou simplesmente sua mãe terrivelmente amargurada por ter sido engana por seu marido e, principalmente, por sua filha.

As roupas de Byron não estavam mais no armário e seu chinelo que estava sempre jogado à sala havia desaparecido junto com o pai. Os olhos vermelhos flamejantes de Ella demonstravam a dor e a raiva. O ódio, o desprazer de ter parido uma filha tão abundantemente ingrata, mentirosa, venenosa. Ela passou um ano escondendo dela aquele sórdido segredinho e uma carta assinada por –A arrancou a venda de seus olhos e a fez enxergar que sua família era uma farsa.

– O que houve mãe? – desesperadamente Aria sentou-se ao seu lado.

– Nunca, jamais me chame de mãe novamente! – gritou afundando-se em lágrimas. – Se você ainda está aqui é porque não posso te mandar embora.

– O que houve?!

– Não preciso falar nada. – então a entregou a carta de –A.

“Acho que você deveria prestar mais atenção em seu marido já que quando ele diz estar trabalhando está na verdade te traindo. O nome dela é Meredith e Aria é grande amiga dela, com certeza ela deve saber –A”

A maldita –A.

– Mãe, me desculpe. – suplicou com os olhos arregalados – Eu não sabia o que fazer.

– Você deveria ter me contado!

– Isso iria destruir nossa família!

– Ela já está destruída! – Ella pausou olhando para ex-filha com um olhar de completo nojo – Considere-se uma simples hóspede. Agora minha família é o Mike.

Mortificada, Aria subiu as escadas sentindo os joelhos falharem. Sua garganta se fechava e suas lágrimas caíam como rios. Hóspede em sua própria casa, desabitada de si mesma. Abriu a porta do quarto e ouviu o barulhinho do telefone. Seu corpo gelou sabendo exatamente do que se tratava, reformulando, de quem se tratava. Número Bloqueado.

“Você deveria mesmo ser menos vagabunda e ter se afastado do seu querido professor. Da próxima vez, acredite em mim, vadia! –A”

O temor de perder sua família e a dor de cabeça que de repente chegou se juntava em uma gigantesca agonia de ter alguém perseguindo seus passos, vivendo e revivendo sua vida nos mínimos detalhes. E provavelmente apenas mais três pessoas no mundo inteiro poderiam compreendê-la. Pegou seu aparelho e com sua trêmula mão digitou uma mensagem conjunta para elas:

“Me encontrem na praça. Preciso urgentemente de vocês.”

E depois de pouco mais de quarenta minutos lá estavam todas elas. Com seus rostos petrificados. Sabiam que tinha a ver com –A. Tudo tinha a ver com –A.

– O que –A fez dessa vez? – Hanna não conseguia controlar seus impulsos.

Aria despencou no chão arenoso do parquinho e debulhou-se em lágrimas. Mas não lágrimas como outra qualquer, não eram salgadas. Eram ácidas. Pareciam corroer seus lábios, o céu de sua boca e sua língua. Suas amigas a colocaram de pé e ouviram os gemidos de dor da mocinha por mais de vinte minutos até ela então se sentir livre para falar.

– Hoje nós falamos sobre estarmos cansadas de toda essa situação da –A. Mas o que eu realmente estou cansada é de segredos. Cansei deles. – pausou para conter o choro enquanto sentia Emily sutilmente retirar um fio de cabelo do seu rosto. – Há um ano eu e Alison corríamos para nos esconder da Mona e foi quando eu vi meu pai em um carro com uma de suas alunas. Eu nunca falei pra minha mãe, ele me pressionava a nunca falar. – ela deu outra pausa, pouco envergonhada – Essa tarde, –A contou a verdade.

– Ai meu Deus! – Spencer surpreendeu-se.

– E agora? – Emily perguntou ainda mais surpresa.

– Meu pai foi embora e minha mãe quase me expulsou. Ela disse que nossa família está acabada e que sou hóspede lá agora. – naquele minuto Aria percebeu como aquela situação estava terrivelmente complicada e mais uma vez deixou as lágrimas tomarem conta de si. – Eu não tenho mais mãe!

Silêncio. Durante dez segundos o silêncio fez parecer um milênio. Ninguém tinha nada a dizer até Emily de repente ter.

– Eu gosto de garotas! – mais uma vez aquele silêncio predominou. – Isso mesmo, eu gosto de garotas. Eu beijei Maya na festa do Noel, eu terminei com Ben porque não queria fazer sexo com ele. Eu era apaixonada por Ali e já a beijei por algumas vezes. E sinto que estou completamente apaixonada por Maya nesse momento e não faço a mínima ideia de como falo isso pra minha mãe. –A ameaçou que se eu beijar Maya mais uma vez vai mandar a foto comprometedora minha com ela.

E de repente todas elas tinham algo a falar.

– Eu roubei um óculos. E fui presa por isso. Minha mãe dormiu com o detetive Wilden para conseguir apagar meu histórico e para piorar ainda tenho que ser perseguida por esse crápula por achar que temos algo a ver com a morte da Ali. E é impressionante como ele sempre tem que afirmar e reafirmar que já transou com a minha mãe!

– Eu beijei o Wren, noivo da Melissa. E eu já beijei o Ian quando eles ainda namoravam e só Ali viu. Eu destruí o noivado da Melissa e agora todo mundo na minha família me odeia.

– Acho que nós estamos fodidas. – comentou Hanna.

Tentem compreender, todavia o quarteto riu desse último comentário de baixo calão. Foi quando perceberam que não eram mais a mesa divertida e nunca mais seriam, seriam, porém algo muito melhor, maior do que jamais imaginaram. Elas finalmente compartilharam segredos, sentiram-se a vontade para oficializar aquela amizade repleta de companheirismo e fraternidade. A mesa divertida morreu junto com Alison e até que, puderam notar, foi bem melhor assim. Ainda sentiam falta da rainha Alison, entretanto elas eram mesmo amigas até aquele dia? Parte delas dizia que não e aquilo passou a não importar porque simplesmente elas eram agora a mesa da verdade.

Notas finais
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