Acredito que seria um crime não começar com um Era uma vez, mas seria mesmo esse o melhor começo para o meu grande final feliz???

Se pensarmos bem não é muito do meu feitio atender desejos egoístas, a não ser aos meus próprios desejos egoístas.

O espelho muitas vezes ocupa esse espaço na minha vida, como não apreciar os pequenos talentos de Sidney, ou seria melhor chama-lo de Gênio? Pensando bem, nunca entendi como alguém aparentemente sábio como ele, chegou a tal ponto de se tornar prisioneiro, sei que assim posso estar até menosprezando meus talentos ENCANTADORES (odeio essa palavra).

Desculpe, é complicado deixar alguns costumes, mas voltando aos meus pensamentos sobre Sidney, não posso negar que mesmo sem muito instinto de sobrevivência, sua companhia e não posso negar sua ajuda muitas vezes foram valiosíssimas para minhas melhores ideias.

Mas sim, em alguns momentos, posso dizer que eu entendo, de alguma forma aquele sentimento que todos falam Amor, bem ele pode ter sido o motivo da burrice de Sidney em me seguir, ou obedecer. Pobre Sidney.

Mas ainda assim não é sobre ele que quero falar, aliás ele não é importante. EU sou importante, e tudo que se refere a mim. Henry também é claro, mas é complicado quando penso nele, as coisas mudaram um pouco entre nós, aquele pedaço de carne chorão se tornou o centro da minha vida, e eu morreria se fosse para impedir que ele sofresse algum mal.

Espero que esse livro idiota não seja mágico, ou não tente me enganar ou me destruir de alguma forma, nem sei ao certo porque resolvi dar ouvidos aquele grilo imbecil, mas se de fato o que ele disse for verdade, talvez escrever meus pensamentos nessas folhas, possa resolver ou pelo menos me ajudar a clarear as ideias.

Acho que estou enfraquecendo, sinto uma dor dentro do meu peito que não para, já tentei todos os feitiços e magias que conheço, mas nada adiantou. Posso dizer que talvez Henry ajude, quando estou com ele me distraio a dor não é tão forte como agora, no meio da madrugada fria, tendo o silencio como companhia.

Uma vez fiz uma promessa, depois que perdi Daniel, jurei a mim mesmo que o amor nunca mais iria me fazer sofrer, passei boa parte do tempo cumprindo minha promessa, ser a Rainha Má, talvez fosse o jeito mais fácil de conseguir honrar a memória dele.

Pensei que estava conseguindo mas aquela noite na Taverna, talvez fosse um momento de teste, estaria traindo Daniel e o nosso amor se encontrasse minha segunda chance, afinal minha vingança não estaria completa se aquele homem entrasse em minha vida. Não podia deixar que nada atrapalhe. Era a Rainha Má e ninguém tem uma segunda chance.... Nem mesmo eu.

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Aquelas palavras rabiscada num pequeno livro, uma caligrafia firme porém feminina, traços bem definidos e pequenas confissões eram como um tesouro secreto, podia ser comparado com a Adaga do Senhor das Trevas, e aquele que a possuísse teria total domínio sobre sua vida, ou seu coração.

Regina sentia-se frágil com aquele livro em mãos, mas o Grilo estava certo, escrever aquilo a fazia melhor, era como se um amigo estivesse com ela, um confidente, Regina não se sentia a vontade nas sessões com o Grilo, mesmo com o sigilo profissional, Médico – Paciente, sabia que o Grilo era amigo dos Encantados, e mesmo que fosse sincera, não poderia desabafar todo o seu ódio, para o terapeuta.

Henry, por mais doce que fosse agora com ela, não era totalmente seu, Swan estava sempre entre eles, e o garoto ainda era pequeno demais para entender certas coisas.

Robin, era alguém perfeito, como ela não sabia, mas conversar com ele, era simples, e descomplicado, não tinha que fingir ser alguém que não era, não precisava se preocupar com aparências, palavras, interpretações, afinal ele era um ladrão, entendia bem quando de tratava de engano, e com ele, ela podia ser simplesmente Regina. E isso havia sido tirado dela. Como Daniel, como Henry, como Cora.... e seu pai, todos na vida de Regina iam embora, e nem mesmo a Rainha era capaz de impedir, nem todo seu poder era capaz de dar para sí mesma um final feliz como todos ao seu redor.

*****

O dia amanheceu, e Regina logo despertou de uma noite praticamente em claro, sem a rotina de prefeita, um pouco de sua rotina havia dado lugar ao vazio que a atormentava desde o tempo da floresta encantada. Ela sabia que a Operação Secreta com Henry poderia ajudar a preencher aquele tempo, mas as vezes sair da cama era uma tarefa que exigia muito esforço.

Não podia parecer fraca, afinal ela era A Rainha, e não podia se dar ao luxo de ficar na cama chorar.

Então reuniu toda a dignidade que ainda lhe restava, e tornou a levantar, preparar-se para o dia.

Sentada à mesa, saboreando seu chá de maçã, ainda pensava na noite anterior, e em seu diário que estava protegido com magia de sangue sob o assoalho abaixo da cama. Mesmo com Selena tendo descoberto como quebrar sua magia de sangue, Regina havia sido minuciosa dessa vez, apenas uma confissão verdadeira era capaz de revelar aquelas páginas escritas com suas lágrimas.

O toque do telefone, a despertou daqueles pensamentos a fazendo voltar a realidade que ultimamente não era nem um pouco feliz.

– Regina, é a Emma.

– Sei quem é Srtª Swan, a infelicidade de reconhecer sua voz é algo que tive o desprazer de aprender.

– Que bom que acordou humorada, preciso que me encontre na delegacia, aconteceu uma coisa, preciso da sua ajuda.

– Como se a Salvadora, não precisasse ser salva não???

– Rápido.

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Notas finais
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