The Destruction
3 Brigas
Notas iniciais
21.01.2039, São Francisco
No dia seguinte, logo que acordei, ás dez horas fui na casa de Sarah. Ela estava sozinha e mesmo assim havia deixado a porta aberta. Entrei e ela estava dormindo no sofá preto, literalmente. A tevê estava ligada na série CSI: Crime Scene Investigation. Me sentei do seu lado e fiquei assistindo á série, mas não demorei muito para me inclinar e mexer em seus cabelos castanhos para acorda-la. Num instante, entrou em choque. Lábios pálidos e a respiração ofegante
– Você quer me matar do coração?! – ela gritou o suficiente para que eu me assustasse também.
– Você acordou muito rápido. Não estava dormindo?
– Não, não estava! – ela gritou novamente
– E como não ouviu eu entrar e me sentar do seu lado? – perguntei
– Sei lá, eu devia estar em transe! – ela parou um pouco – O que veio fazer aqui Amy?
– Não deveria deixar a porta aberta... eu queria saber se você assistiu aos noticiários de ontem.
– Sim, o que tem? – ela perguntou desinteressada
– “O que tem?” Você não viu o que falaram sobre uma tal bactéria, uma doença gravíssima?!
– Vi. Você quer ‘debater’ sobre isso? O quer que eu fale?
– Como assim Sarah?! Você não está nem um pouco preocupada?!
– Não. – ela se sentou e voltou a falar – Se for para morrer que eu morra dentro de casa. Você acha que a gente vai para outro planeta? Amy, acabou, a Terra vai começar a ser inabitável e todos vamos morrer. Um por um...não adianta ficar somente em casa. Uma hora a comida acaba, não temos mais água, nem sinal para assistir tevê! Se não morrermos por uma doença, morreremos por isso.
– Você é doida Sarah, não se pode morrer porque não tem sinal de tevê. O que quero dizer é que você não vai fazer, tipo, um manual de sobrevivência?
_ “Um manual de sobrevivência”? – repetiu – Acho que você é mais louca que eu . Para que um manual de sobrevivência?!
– Sarah você é a pessoa mais tranquila que eu já conheci! É como se fosse o apocalipse! Eu quero sobreviver! Por mais difícil que eu acho que seja... eu não quero ver minha família morrendo... e também não vou ficar largada no sofá de braços cruzados assistindo séries de investigação!
– Tudo bem, mas eu vou.
Me levantei nervosa e caminhei sobre assoalho rústico
– Merda! – gritei logo após sair.
[...]
Oito horas da noite, as ruas completamente isoladas pela população de São Francisco. Eu estava sentada no sofá tentando achar algo bom para assistir. Meus pais já tinham ido dormir, afinal, não tinha completamente nada para se fazer, era tudo monótono demais. David também tinha ido dormir, ou pelo menos eu achava. Ele abriu a porta do nosso quarto na maior delicadeza possível, mesmo assim eu me assustei. Ele se sentou do meu lado e perguntou:
– Amy, eu não entendo, o que está acontecendo? Por que ninguém me explica?
O jeito fofo e responsável de David deixava qualquer um com lágrimas nos olhos
– David, eu sei que está confuso, isso é confuso também para mim. Foi muito de repente. Apenas permaneça com todos nós, vamos ficar todos seguros.
– Todo mundo me fala isso Amy, mas eu não consigo entender. Me explica melhor, por favor...
– David... eu... eu não posso.
– Amy, você está chorando?
Tente enxugar a lágrima que caía sobre meu olho esquerdo
– Eu não posso explicar melhor que isso David... me desculpe.
– Tudo bem então.
Ele se levantou e voltou para o quarto, neste instante eu entrei em desespero. O que eu menos queria era perder o meu irmão, era perder minha família...Tento explicar da melhor forma para ele o porquê de tantas pessoas estarem morrendo sem deixa-lo com medo, mas de qualquer forma, ele sempre está confuso. Qualquer tentativa é em vão. Realmente, tudo foi muito de repente...
22.01.2039, São Francisco
No dia seguinte acordei mais cedo do que no dia em que fui a casa de Katy. Eram nove horas mas mesmo assim ninguém estava acordado em casa, nem mesmo David que todo dia assistia Bob, o Caminhoneiro, ou qualquer outro desenho chato. Pressenti que ele tinha ido dormir chateado por ontem.
Abri as cortinas brancas da sala e depois as janelas. Haviam poucas pessoas nas ruas e nenhum carro estacionado. As pessoas pareciam já estar preocupadas depois do que viram nos noticiários. Afinal, tinham que estar.
Eu estava bem confusa. Não sabia se esperava meus pais acordarem ou se iria sozinha até o comércio mais próximo — se é que havia algum aberto. As horas demoravam passar. Na televisão já não havia uma programação que fosse boa. Eu já cansando de toda aquela demora!
Não é possível que ainda estejam dormindo! Pensei...
Fechei as janelas e as cortinas e resolvi ir até o quarto de David. Quando entrei vi que estava mexendo no computador
– David? Por que não saiu do seu quarto? – perguntei
– Eu acordei primeiro que você, mas não tinha nada passando na tevê. Então voltei para meu quarto – ele respondeu sem tirar os olhos da frente do computador.
– O que está jogando? – perguntei me sentando em sua cama gelada
– Um jogo da memória. Você quer jogar comigo?
Não respondi, apenas fiz que “Sim” com a cabeça. Fui até a cozinha e peguei uma cadeira. Coloquei-a do seu lado e ficamos jogando sem falar nada por mais ou menos dez minutos, quando perguntei:
– Nossos pais estão dormindo?
– Eu, papai e mamãe acordamos juntos. Mas não quiseram sair sem você já que teve a ideia de fazer um manual de sobrevivência. Mas a mamãe está muito estranha Amy, ela vive chorando. Ela não para um minuto sequer. Ela nem comeu nada hoje.
– Ela tem motivos para estar assim David.
– Motivos que eu não entendo quais são. Vocês só falam de “manual de sobrevivência”, não me explicam o que tá acontecendo e nem porque não tá mas passando Bob, o Caminhoneiro! Eu não tenho mais cinco anos Amy!
– Tem razão, mas dois anos a mais não faz muita diferença. David, só entenda que não precisa se preocupar com isso tudo bem? Lembra do que eu disse ontem?
– Lembro... mas sabe Amy... ás vezes não entendo nem porque você faz isso comigo... não está agindo como uma verdadeira irmã.
Ele se levantou da cadeira e foi para sala. Resolvi não falar com ele naquele instante, suas palavras haviam me magoado ...
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