The Destination is Written
2 02. Fear Before Me
Notas iniciais
Fear Before Me
Berk, — 07:34
Narrador.
Em uma certa distância, para ser mais exato, ao sul da aldeia. O monte do corvo não aparentava ser tão grande. No entanto, conforme você vai se aproximando do local, sua visão mudava, notava-se que estava se enganando. Esse fato era uma grande lição de moral para as crianças, — e adultos, — da aldeia. "O rosto enganador deve esconder tudo que à" .
Os dois jovens que caminhavam por perto, puderam perceber o real significado do ditado que sempre ouviam. Séria fascinante, se esse fosse o verdadeiro objetivo. O medo e a ansiedade estavam os acompanhando, e o Fúria da noite não saia da mente do moreno. — Para ele seria uma grande oportunidade de provar ser alguém útil, e não um peso morto, como muitos costumam dizer. Já para sua amiga, era um suicídio. Não fazia nenhuma questão de provar nada para ninguém, e não se importava com os comentários da aldeia, ou até mesmo viver nas sombras de sua irmã mais velha, Astrid.
— Já estamos andando à horas, por Thor Soluço! Você tem mesmo certeza de que ele caiu perto do monte? — Aquiles questionou novamente, já exausta da caminhada. A barra de seu vestido azul estava toda suja e manchado de lama, e seus pés estavam doloridos. Murmurou baixinho e se apoiou em uma pedra que tinha por perto.
— Por que você não usa alguma calça? — Soluço perguntou, se encostando na pedra junto com a amiga.
— Ah...Não sei responder ao certo... — Aquiles comentou, e seguidamente suspirou. — Acho que, é por conta que meu pai gostava de me ver de vestido...Sempre dizia que lembrava uma princesa. — Ela riu.
— Sente falta dele, né? — Falou nervoso e tímido. Desviou o olhar, era um assunto delicado que não gostava de comentar.
— Pra ser sincera sim, mas eu sempre tive um certo magrela para me ajudar. — Sorriu para o moreno, que começou a prestar a atenção no rosto de Aquiles, o mesmo retribuiu com um belo sorriso.
— Que bom que esse magrela aqui, sempre ajudou essa bochechuda — Beliscou uma das bochechas da garota. Ambos riram descontraídos.
Posteriormente, perceberam a repentina agitação dos pássaros ao redor. Presumiram que o dragão estava por perto. Soluço seguiu em frente com passos rápidos, deixando Aquiles para trás.
— Lá vamos nós... — A mais nova suspira, e prossegue acompanhando o moreno.
[...]
O caminho os levou até uma enorme rocha, maior que ambos, onde ficaram cientes que tinham que se esconder e ficar em total silêncio. Para terem tempo de tomarem coragem para dar alguma espiada. — Soluço olhou para Aquiles, notando sua tensão. Sabia que ela não seria a primeira a tomar uma atitude, então, tomou coragem e saiu da parte posterior da rocha e olhou de canto. E sim! Lá estava o dragão. Amarrado entre as cordas fortes e abatido no chão. Os olhos do garoto brilharam, e em um pulo ele já estava ao lado do Fúria da noite. Não acreditando no que seus olhos viam.
— O-olha só...Eu consegui. — Ele se aproximava incrédulo. — Ah! Eu consegui! Aquiles isso vai limpar a minha barra!
Aquiles olhou ainda com receio, tendo a visão do dragão que estava no chão. A menina não estava tão confiante como Soluço, e continuava atrás da grande rocha.
— Soluço! Sai daí idiota, vamos chamar alguém! Pode ser perigoso.— Alertou entre sussurros. Mas foi completamente ignorada.
— He! Eu derrubei essa fera poderosa! — Soluço se gabava animado, a euforia tomou conta de sí. E no mesmo instante em que foi apoiar seus pés sobre o dragão. O animal deu um murmuro alto e tenebroso, assustando ambos.
Aquiles em um solavanco, voltou a se esconder detrás da rocha. Enquanto Soluço deu passos rápidos para trás.
Corações batendo mais rápido que um raio disparado do céu.
Berk, — 07:46
Ponto de Vista, Soluço.
Peguei uma faca do meu bolso detrás com minhas mãos tremulas. Me aproximando lentamente, com receio. O Fúria da noite abriu um de seus olhos com rapidez, me assustando. Ergui a faca prestes a mata-lo. Mas eu hesitei. — Tinha algo em seu olhar que me paralisava, não sabia ao certo o que realmente era e o que eu estava sentindo naqueles segundos. Mas eu tinha apenas, certeza de uma coisa.
— Não posso fazer isso... — Utilizei minha faca para cortar aquelas cordas, a adrenalina vinha subindo pelo meu corpo a cada corta rompida. Arrepiado e desajeitado, seguia cortando as cortas uma por uma. Quando estava na última corda, meu me toquei, que não tinha pensado nas consequências.
— Soluço, não! — Aquiles gritou, tomando a atenção do menino.
Senti um forte impacto empurrando meu peito, e me jogando direto no chão. Suas patas enormes estavam sobre mim, dificultando minha respiração. Seu rosto estava tão próximo do meu, que me dava calafrios. Meu rosto começou a suar frio. — Isso em segundos. — Quando o Fúria da noite abre sua boca, eu fecho meus olhos com força, me preparando para aquentar o que vier. E só consigo escutar um forte e alto, apavorante rugido invadindo meus tímpanos. Depois sinto aquele peso que tinha sobre mim, parar. Era tudo o que eu lembrava, após isso, me senti fraco e não me recordo de mais nada...
[...]
Berk, — 07:50
Ponto de Vista, Aquiles.
— Não! — Gritei rouca, e corri em direção do Soluço. Me abaixei e coloquei minhas mãos tremulas sobre seu pescoço para ver sua respiração. — N-não me deixa não... Eu não posso perder mais ninguém! Acorda idiota! — Disse entre lágrimas, enquanto o balançava. — Soluço...? — Coloquei novamente minha mão sobre seu pescoço, e finalmente pude sentir sua respiração.
Me empurrei para trás, apoiando minhas duas mãos sobre meu coração para manter a calma. Minha respiração foi voltando aos poucos e minhas pernas estavam menos bambas. O desespero, o susto estava passando.
— Você é um teimoso sem noção! — Exclamei para o moreno desacordado.
Posteriormente, um rugido vindo de longe soou em meus ouvidos. Olhei para o lugar de onde vinha. Era a mesma direção que o dragão tinha seguido.
— Vamos embora! — Me levantei às pressas e puxei Soluço segurando em seus dois braços, seguidamente o coloco sobre minhas costas, apoiando suas mãos envolta do meu pescoço, e segurando firme suas pernas.
[...]
Berk, — 09:36
Narrador.
Pouco à pouco, Soluço foi despertando e murmurando por conta do corpo dolorido. Demorou um pouco para raciocinar todo o atentando anterior. Até finalmente se levantar, e notar que estava em seu quarto. Franziu o cenho com dúvida.
— Acordou finalmente. — Aquiles atravessou a porta do meu quarto vindo em minha direção.
— Como eu vim parar aqui? — Ele questionou um pouco desnorteado. — Você não chamou meu pai, não é? — perguntou novamente um pouco tenso.
— Claro que não. — Bati meu dedo médio em sua testa, após apoiar em meu polegar. Escutando um "Aí" em seguida, eu continuo. — Não sou bocó. E outra, você é mais leve do que eu pensava. — Eu ri.
— Engraçada você... — Disse irônico. — E o...Dragão?
— ...Soluço esquece isso por favor, olha o que aconteceu. — Tentei avisar. Mas conhecendo ele, e conhecendo suia teimosia, ele vai me ignorar completamente.
E foi o que aconteceu.
— Ele não me machucou, teve piedade. Eu ajudei ele e ele não me matou. — Diz ao se levantar da cama. — De acordo com meu pai, eu teria morrido na certa. Só que não aconteceu.
— Onde você quer chegar, magrela? — Questionei.
— E se eles não forem como a gente imaginava? E se tudo o que sabemos sobre dragões estiver errado? — Ele se virou para mim. Esperando a minha resposta.
— E se...Você bateu a cabeça muito forte? — Meu comentário fez ele bufar. Então tentei ser mais compreensiva. — Acha isso possível?
Ele não me respondeu, apenas fez uma cara pensativa. Eu permaneci quieta, esperando ele dizer alguma coisa. Mesmo já sabendo o que ele realmente queria.
— Não, nem pense nisso. — O interrompi e cruzei meus braços zangada.
— Eu não disse nada.
— Mas eu te conheço Soluço, você não vai ir atrás daquele dragão. Da última vez acabou desmaiando. E não é fácil passar despercebida com alguém nas costas. — Disse impaciente.
Soluço ficou quieto, não tinha mais argumentas para debater comigo. No entanto, quando eu achei que conseguir botar um fim naquela conversa. O moreno me lança um sorriso irônico, o que me deixou um pouco preocupada.
— Se lembra do dia em que você quebrou o machado preferido da sua irmã? E o melequento acabou levando a culpa? — Cruzou os braços e eu fiquei em choque.
Ele não faria!
— Você não ousaria! — Disse zangada.
— Ela ficaria tão brava...
— Droga Soluço!
[...]
Berk, — 09:51
Narrador.
Ambos saíram da casa do moreno, prontos para seguirem o mesmo rumo que tomaram naquela manhã. Mas seus planos foram interrompidos por Stoico, o chefe da aldeia, que apareceu em frente aos dois.
— Ora, ora, ora. Eu estava mesmo procurando por vocês. — O mair comentou, fazendo com que ambos os jovens ficassem tensos, temendo que Stoico já desconfiasse de algo. — O treinamento com dragões vai começar de manhã de manhã, e vocês dois estão na turma do Bocão.
Aquiles e Soluço ficaram boquiabertos.
— Espera pai! Sempre nos falaram que nunca vamos matar dragões, então por que disso agora? — Soluço perguntou. Já que nunca esperaram que fossem inscritos para as aulas.
Nunca esperavam que seriam aceitos em alguma turma.
— Não queremos nenhum peso morto aqui em Berk, por isso vocês vão começar amanhã. — O maior disse, e logo entrou em sua residencia. Deixando o casal do lado de fora, completamente surpresos e nervosos.
Aquiles começou a imaginar os dragões que teria de enfrentar naquela arena, sua imaginação era bem fértil, a deixando com pavor e ansiedade. O moreno ao perceber, segurou as mãos de sua amiga, e fixa seu olhar nela.
— Ei, ei, ei se acalma...
— E-eu não vou conseguir, você sabe...Eu... — Ela tentava completar sua frase, mas se atrapalhava por nervoso.
— Olha, pensa nisso como um disfarce. — Soluço comentou e Aquiles franziu o cenho em dúvida. — Não vão desconfiar quando irmos atrás do você sabe o quê.
— Então nos vamos mesmo? Ok... — ela suspirou para manter a calma. — Vamos fazer isso. Se eu ficar no canto não notar minha presença, né?
— Com certeza. — Ele riu.
Enquanto o moreno ria divertido, Aquiles prestava atenção em suas mãos entrelaçadas às dele. As mesmas começaram a suar, e seu rosto ficou levemente rosado sobre sua pele pálida. — Deu um sorriso meigo, apreciando aquele ato enquanto o moreno falava algo, que não prestou muita atenção e nem fazia questão. Apenas sentia seu coração palpitar em um ritmo acelerado.
— Vamos lá.
Soluço soltou sua mão da dela, cortando finalmente o transe que Aquiles se encontrava. O menino começou a seguir em frente, rumo ao local que foram naquela manhã. Enquanto a loira ficou parada olhando o mais velho caminhar, entrando na floresta.
— Por Thor! O que foi isso?
continua.
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