The Demigod Search Squad (d.s.s)
3 Já ouviu falar em semideuses?
Capítulo 3 — Já ouviu falar em semideuses?
A casa de Ben era incrivelmente bonita. Assim que Percy colocou os pés na entrada imaginou como teria sido crescer num lugar assim. As janelas claras revelavam uma incrível visão para o mar de seu pai, o pé direito era alto, o que dava num local um contraste entre a antiguidade e modernidade. Algumas fotos de Ben com uma mulher loira enfeitavam a sala.
– Deve ter sido difícil mora num lugar assim. – brincou Percy.
Ben se ajeitou dolorido numa cadeira e deu um sorriso preocupado.
–Então... – começou ele. – O que queriam falar comigo.
Ninguém respondeu. A pressa do jovem impressionou Percy.
– Sua mãe está em casa? – Pipper perguntou.
– Não. – falou ele. – Ela só costuma chegar à noite.
Percy notou que Annabeth examinava a construção da casa com interesse. O espírito de arquiteta da garota estava claro enquanto ela examinava os detalhes da construção.
– Mas enfim... Vocês falaram que estavam à minha procura... – Ben olhava diretamente para Jason.
– Sim. – respondeu o loiro. – Acreditamos que você seja quem procurávamos... – Jason hesitou antes de continuar e olhou para a garota ruiva que observava calada ao lado de Ben. – Qual o seu nome mesmo?
Ela o fitou um pouco atordoada. Era como se ela tivesse esquecido que fazia parte da conversa.
–Ah... Ana. Me chamo Ana.
– Ana... – Jason tentou soar o mais gentil possível. –Será que poderá nos deixar conversar com o seu... Com o Ben à sós?
Ela franziu a testa.
– O que? Desculpem, mas não. Não vou deixar o meu... amigo à sós com pessoas que nem ele conhece direito. Sei que acabaram de ajudá-lo, e deus sabem como estou grata, mas ficarei aqui cuidando dele....
– Ana... – falou Ben. – Está tudo bem. Eu preciso mesmo ter uma conversa com essas pessoas.
– Mas Ben...
– Não se preocupe. – falou Pipper e Percy percebe que, pela doçura de sua voz melódica, ela estava usando charmspeak. – Nós vamos cuidar bem dele. Só precisamos esclarecer algumas coisas e, se ele quiser, ele te conta depois.
A garota ruiva abaixou a guarda e se entregou à sugesta de Pipper. Ela estava ficando realmente boa em influenciar pessoas, mas Percy sabia que ela não gostava muito de fazê-lo. Só usava o charmspeak quando necessário ou em situações como aquela, para acalmar alguém, sabendo que não prejudicaria uma pessoa sequer.
Ana se levantou, ainda um pouco hesitante, olhou para Ben, quem lhe deu um sorriso, e saiu da casa.
– Em fim, sós. – falou Percy envolvendo Annabeth nos braços. Ela tirou os olhos do pé direito da casa e a fitou, os olhos cinzentos pareciam enxergar seu interior. Sem resistir, ele se aproximou de seus lábios e a beijou.
– Como estava dizendo antes... – Jason se interrompeu. – Pipper, acho que você é mais indicada para explicar a situação.
Pipper se ajoelhou ao lado de Jason, olhando Ben de frente.
– Certo... – ela começou sem jeito. Todos sabiam que contar à alguém que ele é um semideus é algo extremamente complicado. Na forma de vida atual, crianças, jovens e adultos são treinados para acreditar que os monstros que Percy e os demais companheiros lutam quase que diariamente são apenas histórias e mitos. É claro que os mortais não poderiam estar mais errados... – Ben, você está familiarizado com a mitologia grega? Ou Romana?
A testa do garoto franziu. Era claro que, de todas as coisas que ele poderia ter pensado sobre o que seria aquela conversa, mitologia grega ou romana não faziam parte dos possíveis temas.
– O que?
– Mitologia. – explicou ela novamente. – Hercules, Medusa, Minotauro, Zeus, Júpter, Afrodite...
– Sim... – respondeu ele sem entender. – E daí?
Pipper olhou para os amigos à procura de ajuda.
– Já ouviu falar em semideuses? – Annabeth perguntou ajudando a filha de Afrodite.
Ben parecia se perguntar se aquilo era algum tipo de piada
– Tipo o Hercules?
– Exatamente. – falou a garota.
– Ele é um pé no saco, por sinal. – disse Jason.
– Ele quem?
– Hercules.
– Do que você ta falando? – Ben se perdia nos comentários.
– Nada. – Annabeth interrompeu lançando um olhar de reprovação para Jason. – Ele não está falando de nada.
– Deixa eu falar logo. – Percy perdeu a paciência. Naquele ritmo o garoto não descobriria a verdade nunca. – É o seguinte. Deuses gregos são reais, eles moram no alto do Empire State, mas os mortais não podem chegar lá. Como nas histórias antigas, eles ainda costumam à se apaixonar por mortais e, as vezes, tem filhos juntos. Esses filhos são chamados de semideuses ou meio sangues. Todos nós somos filhos de um deus grego e temos quase certeza que você também é.
Percy perdeu o fôlego ao terminar e falar.
– Parabéns, Cabeça de Alga. Olha o que você fez... – falou Annabeth. Quando ele olhou, viu que Ben sorria meio sem graça, parecendo também um pouco assustado.
– Eu achei que teríamos uma conversa séria. – falou ele. – Não um trote desses.
– Só que não é trote. – disse Pipper. – Percy pode não ter se expressado da melhor maneira possível, mas falou a verdade.
– Certo... – disse Ben com sarcasmo na voz. – Agora me deixaram na dúvida. Ou vocês estão brincando comigo ou são todos doidos.
– Nós podemos provar. – continuou Percy. – Você tem dislexia, não é. Não consegue ler direito...
Ben franziu a testa novamente.
– Como sabe?
– Isso é porque seu cérebro está conectado com o grego antigo.
– Ou romano. – disse Jason.
– Agora não, Grace. – falou Percy. – Foi o nosso oráculo que nos alertou sobre ele, logo, é um grego.
– O oráculo só falou que havia um semideus aqui. Não especificou de qual acampamento seria...
– Parem! – gritou Pipper com charmspeak. Percy imediatamente parou de falar. – Estão confundindo ele ainda mais.
– Na verdade não. – disse Ben. – Só provando que eu estava certo. São todos malucos.
– Ben, – recomeçou Annabeth. – Nunca fez algo que não pudesse explicar? Nunca encontrou algo ou alguém estranho? Sua mãe nunca lhe contou sobre quem era o seu pai?
Ele não respondeu, mas dessa vez não debochou. Sua expressão ficou séria.
– Escuta, cara. – Percy continuou. – Todos aqui sabem como é difícil de acreditar nessas maluquices. Mais ainda viver nessa realidade estranha, mas estamos falando a mais pura verdade. – Percy tirou a caneta bique do bolso. – Aqui. Olha bem para essa espada...
– É uma caneta.
– Não. É uma espada.
– Cara... Isso é uma canet...
Assim que Percy removeu a tampa de contracorrente, a caneta logo adquiriu a forma de uma espada de bronze celestial.
Ben não falou mais. Ficou fitando a arma brilhante que surgira na mão do garoto.
– Poderíamos ficar a noite inteira lhe mostrando provas de que falamos a verdade. – disse Annabeth – Mas algo me diz que você já sabe disso...
...
Ben mal conseguia raciocinar aquela altura. Se perdera na hora que a caneta virara um espada. Sempre desconfiara que havia algo... diferente com ele, mas não daquela forma. No máximo, pensara que era um mutante, como os X-Men, mas filho de um deus grego era demais para sua cabeça assumir. Agora sua mente apenas projetava as imagens do mês passado, quando ele sentira uma enorme dor de cabeça e em seguida todas as janelas da casa se quebraram. Sua mãe inventara para os vizinhos a desculpa de que uma ventania as quebrara, mas ele sabia que tinha sido ele.
– Vai ficar tudo bem. – A mãe lhe dissera.
Se o que aqueles garotos diziam era verdade, entendia agora porque a repórter não se abalara. Sabia que seu filho era também o filho de um deus... Mas qual? Como?
Nunca estivera em tamanho conflito. Enquanto uma parte de sua mente se esforçava para negar aquela loucura, a outra se perguntava: “Como nunca tinha descoberto isso antes?”.
– Me deixem sozinho. – falou por fim. A garota loira que estava na sua frente não se mexeu.
– Ben...
– Eu preciso pensar um pouco. Agradeço muito a ajuda que me deram com John, mas agora vocês tem que sair.
–Nós só queremos ajudar...
– Annabeth, – interrompeu-a o garoto chamado Percy Jackson. – Vamos deixá-lo absorver as novidades um pouco. Todos nós sabemos que é muito para digerir...
Os quatro jovens se levantaram e dirigiram-se até a saída. Ben fez um esforço para acompanhá-los e garantir que a porta seria trancada assim que eles deixassem a casa. Em fim, estava sozinho, mas não se sentia nem um pouco mais tranquilo.
Num timer perfeito, para completar sua solidão, a secretária eletrônica apitou: “Uma nova mensagem”. Ele apertou o botão do aparelho.
“Ben, é a sua mãe. Desculpe não poder falar diretamente com você, filho, mas é que tive uma emergência aqui no trabalho. Uma notícia de ultima hora... Bom, não posso dar muitos detalhes ainda. Vou ficar fora por alguns dias, uma semana no máximo... Talvez duas... no máximo. Desculpe, querido. Sei que precisamos conversar. Assim que chegar nos falamos. Tem dinheiro no cofre. Acredito que saiba como se virar. Saudades, te amo muito.”
Outro apito indicou o final da mensagem. Ótimo. Sua mãe viajara logo quando mais precisava de esclarecimento. Logo quando sua vida estava virando de cabeça para baixo...
...
O sol já estava quase se pondo quando Ana chegou em sua casa. Seus pais estava fora, mas algumas luzes estavam acesas. Algo estranho, pois, mesmo que ricos, seus pais eram economistas. Não eram do tipo de sair e deixar tudo ligado.
Na verdade, pelo o horário, eles nem deveriam ter voltado do trabalho ainda... Talvez tivesse sido a empregada. No radio, uma musica bem familiar tocava:
We've been on the run
Driving in the sun
Looking out for number one
California here we come
Right back where we started from...
Ela subiu as escadas para o seu quarto, que também estava aceso.
Hustlers grab your guns
Your shadow weighs a ton
Driving down the 101
Ao entrar no quarto, percebeu que não estava sozinha.
– Preciso falar com você. – falou o garoto.
– John?
California here we come
Right back where we started from
California
...
Here we come
...
Fale com o autor