Capítulo 4 –

– O que você quer aqui? – Ana perguntou. O garoto loiro aparecera no seu quarto sem mais nem menos, alegando precisar conversar com ela.

– Preciso lhe explicar o que aconteceu nessa manhã.

Ana lhe deu as costas, mas John segurou seu braço.

– Tire as mãos de mim. – ela falou, mas o garoto continuou segurando-a.

– Me desculpe, Ana. – a voz dele parecia desesperada. – Eu perdi o controle. Mas é que não aguento ver aquele cara perto de você. Ele esta tentando te roubar de mim, Ana. Vi que você entrou na casa dele junto com aqueles amiguinhos estranhos.

– Amiguinhos que quebraram sua cara, quer dizer.

John não respondeu.

– Ana, eu não posso te perder assim.

– Devia ter pensado nisso antes de atacar Ben na praia, enquanto eu te implorava pra não fazer.

– Já falei. Não estava pensando direito.

– Você não está pensando direito agora, John. Olhe para você.

O garoto estava realmente em estado deplorável. Os olhos vermelhos ameaçavam chorar, os cabelos estavam completamente bagunçados e algo dava ao garoto um ar de completo desespero, até de loucura.

– Eu preciso de outra chance.

Ela o fitou. Os olhos tristes a faziam ter pena. Se ela não o conhecesse melhor, aceitaria-o. Mas era sempre assim. Ele sempre fazia alguma besteira e depois implorava seu perdão.

–E eu preciso que vá embora, John.

–Não posso fazer isso. Vai correndo praquele idiota...

– Não te interessa o que eu farei ou não. Nós não somos mais um casal. Aceite isso.

– Não! – o grito que ele deu fez o sangue dela gelar. O garoto estava completamente fora de controle, e olha que ele já era um pouco instável quando estava em juízo perfeito.

– John... Você precisa apenas me dar um tempo. Não posso decidir isso agora... Preciso pensar – ela tentava contornar o humor do ex namorado. Tinha vontade de enxotá-lo de lá, mas sabia que não estaria sendo nem um pouco sensata. Não com o jovem naquele estado.

– Não tem o que pensar... Nós fomos feitos um para o outro. Você me disse isso uma vez, lembra. Não vai jogar tudo fora por causa de um idiota de merda.

– John, meus pais vão chegar a qualquer momento... Você tem que ir embora.

O loiro a olhou, dessa vez um perigo mortal brilhou nos seus olhos claros.

–Tudo bem. Eu vou. Mas você vai comigo.

Ana gelou de novo. Dessa vez ela tentou se afastar dele, mas seus dedos firmes seguraram seu braço. John começou à puxá-la na direção da porta.

– O que está fazendo? – Perguntou aos gritos. Indignação, raiva e muito, muito medo brotavam de sua voz.

– Preciso fazer você entender uma coisa, Ana. Você é minha. Não dele.

Ela foi arrastada pelas escadas até a saída, quase caindo, depois ele a forçou a entrar no carro. As travas se fecharam e ela se viu num veículo em movimento, sendo arrastada para longe de sua casa.

A sua única sorte era que John não era um grande mestre do crime, muito menos um sequestrador muito prevenido. Não se lembrara de checar o celular em seu bolso.

Enquanto ele dirigia, Ana conseguiu discretamente pegar o aparelho e ligar para a única pessoa que sabia poder ajudá-la...

...

Ben ainda estava sentado à poltrona de sua casa. Sua mãe não gostaria de vê-lo sujo de areia ali, mas a ocupada jornalista não estava ali...

“Semideuses, gregos, deuses...” eram as palavras que ecoavam em sua mente. Não podia ser verdade o que os garotos lhes contaram. Não era possível. Mas o problema era que ele sabia que não estavam mentindo. Sempre desconfiara que havia algo... diferente em relação a ele, mas nunca imaginara ser algo tão absurdo. Sua mãe se apaixonara por um deus!!! Um grego, ainda por cima.

Histórias da mitologia grega sempre lhe fascinaram, mas para ele sempre foram isso: Histórias. Nada mais. Agora estava sendo arrastado para dentro de um delas. E sua mãe nem estava ali para esclarecer as coisas. As únicas pessoas quem estavam dispostas a te explicar algo eram um grupo de jovens de uns 16 a 17 anos quem ele nem conhecia direito.

Quando seu celular tocou, todas as duvidas e pensamentos foram expulsadas de sua mente num susto. Ben respirou fundo e leu o nome no visor: Ana.

A garota era outro assunto que ele não sabia como proceder. Não naquele momento. Namorara com ela uma vez, mas depois terminaram. Aí ela namora com John, quem lhe espanca na praia, e agora... Na verdade não sabia exatamente em que situação estavam...

Resolveu atender. No inicio não conseguiu ouvir nada, mas depois percebeu uma voz distante. Era Ana falando, mas não com ele. Estava envolvida numa outra conversa.

– Para onde está me levando, John? – O coração de Ben disparou. Estava mesmo acontecendo o que ele imaginava? – Eu quero ir para casa.

– Ainda não. Antes precisamos resolver nossos problemas.

– Você só estar piorando as coisas, me levando à força...

Ben deu um pulo da cadeira. O desgraçado estava levando Ana à algum lugar contra a vontade dela. Repentinamente todos os problemas que ele tinha perderam a importância. Precisava encontrar a amiga. Não a deixaria nas mãos de um lunático ciumento...

– Você vai perceber logo que ainda me ama, Ana. Não pode me trocar por aquele imbecil do Sharp.

– Não estou te trocando por ninguém. Só quero ficar sozinha agora.

Ben percebia que estavam num carro, pois escutava o som do pisca alerta no fundo.

– Não queria hoje mais cedo... Mudou de ideia rápido de... – o garoto parou de falar. – O que é isso?

Ben escutou um ruído, depois algumas batidas. Percebeu que o celular estava sendo tomado da mão de Ana.

– Você ligou pra ele? Pra ele? Escuta aqui, Benjamin. Fique longe do meu caminho.

–Onde está levando ela, John? Eu estou falando serio. Acabo com a sua raça se fizer algum mal à...

A ligação foi cortada. Ben correu na direção da porta. Vestiu uma camiseta e saiu de casa. A dor em seu corpo não o incomodava mais. Iria acabar com a cara de John.

...

Percy e os outros estavam parados ao lado de fora da casa do novo semideus. Desde que ele lhes pediu privacidade, os quatro garotos ficaram lá sentados. Já estava escuro agora. Ele estava sentado ao chão, encostado numa arvore à entrada da casa, Annabeth estava em seu colo, as costas dela apoiada em seu peito. Pipper e Jason descansavam ao lado deles.

– E agora? – falou Jason. – Vamos deixar ele lá dentro para sempre?

– Ele precisa de tempo, Jason. É muita informação para qualquer um.

– Mesmo assim. – falou Percy. – Jason está certo. Não podemos ficar aqui fora a noite toda. E talvez ele nunca aceite a verdade. Acontece com alguns. Devemos levá-lo ao acampamento Meio-Sangue de qualquer forma.

– Está louco, Percy? – Pipper parou de olhar a adaga e se envolveu na conversa. – A mãe dele não chegou ainda. Não podemos simplesmente levá-lo à força. Ele precisa que ela o conte a verdade e nos dê permissão para levá-lo.

–Permissão para levá-lo? – Percy indagou. – Ele está vulnerável aqui, Pipper. Todos nós estamos, na verdade. Semideuses não devem ficar fora do acampamento por muito tempo. Ainda mais num grupo de cinco.

A garota não respondeu. Ela olhou para a casa aonde a luz interna ainda estava acesa. A porta da frente se abriu e Ben saiu de lá as pressas. Terminava de vestir uma camiseta e caminhava como se estivesse pronto para se jogar em cima deles.

– O que aconteceu? – Annabeth perguntou se levantando de seu colo. Percy fez o mesmo.

– Ele pegou Ana. O loiro da praia... Vou quebrar a cara dele.

– O que? – Annabeth se exaltou. – Que garoto desprezível.

– Vamos ajudá-lo. – disse Percy. – Sabe onde eles estão?

Ben parou por um minuto. Olhou sério para os seus olhos verdes.

– Tenho algumas ideias.

Poucos minutos depois todos estavam em movimento. Jason e Pipper se dirigiam até a casa de John, só para garantir, porém Percy pensava ser um esconderijo óbvio demais.

– Por isso que é possível. – dissera Pipper antes de se separarem.

Percy e Annabeth seguiam Ben até uma cabana na praia. Ele dissera que, segundo Ana, havia sido onde ela e John ficaram juntos pela primeira vez. De fato, parecia um lugar apropriado para um ex-namorado descontrolado levar a garota.

– Não vai me mandar ficar longe de encrenca dessa vez? – Percy perguntou a namorada. Ela o olhou e deu um sorriso sugestivo.

– Dessa vez eu quero que se meta em encrenca, Cabeça de Alga.

Ele a abraçou no banco do carro.

– É por isso que eu te amo tanto, Sabidinha.

Ben ia no banco da frente. Não tinha idade para dirigir, mas acho que isso não era o suficiente para impedi-lo. Percy havia até se oferecido para levar o carro, mas o garoto estava nervoso demais para escutá-lo. Além disso, Newport era relativamente tranquila. Não havia muitos movimentos na estrada e aparentemente Ben já estava acostumado a dirigi-lo.

– Sua mãe não usa o carro? – Annabeth havia perguntado.

– As vezes. Mas hoje ela foi trabalhar com o carro da emissora.

– Ah... Repórter importante... – concluiu Percy.

Ben assentira.

Agora já estavam quase no destino. Percy já podia sentir as ondas do mar ficando mais próximas. É claro que qualquer mortal perceberia que a praia estava perto, devido a paisagem, mas para ele era diferente. Sempre conseguia saber à que distancia estava o domínio de seu pai.

Finalmente, Ben parou o carro. Percy podia ver uma pequena casinha de madeira á alguns metros. Entendera que o garoto estacionara ali para não chamar atenção de John. Notou também um outro carro estacionado mais à frente.

–Carro de John? – perguntou ele.

– Sim. – Ben confirmou.

– Certo. Vamos quebrar a cara dele pela segunda vez...

...

Pipper e Jason seguiram até onde Ben instruíra. Chegaram por fim numa casa grande, arrumada e bem iluminada. Ela segurava as mãos de Jason. O garoto estava com uma daquelas expressões serias que fazia, como se tivesse concentrado na possível resolução da fome no mundo.

– Jason? Está tudo bem.

Ele a olhou meio perdido nos próprios pensamentos.

– Quê?

– Parece distraído.

– Só estava pensando nessa garota... Ana. Como aquele cara pode fazer isso com ela? Apavorá-la dessa forma e forçá-la a ir para algum lugar...

Pipper pegou em seu braço.

– Acho que isso significa que se algum dia terminarmos posso ficar tranquila em relação a ser sequestrada por você...

Ele sorriu.

–Está pensando em me deixar, Pipes? Porque vou avisando, não sei se vou manter essa opinião quando o fizer.

Ela também sorriu.

– Claro que não. Não quero nem sonhar como seria ficar sem você. E fique sabendo que, se me deixar algum dia, Jason Grace, também posso te sequestrar...

– Combinado. – falou ele. Jason tocou a campainha da casa. Quase que imediatamente um casal apareceu à porta.

Aparentavam ter uns cinquenta anos, porém os dois eram bem conservados. O homem tinha cabelos grisalhos e óculos quadrados, vestia uma roupa formal como se tivesse acabado de chegar do trabalho. A mulher tinha cabelos loiros curtos e um sorriso gentil estampado no rosto.

– Podemos ajudar em alguma coisa, queridos? – perguntou ela.

– Ah... podemos falar com John? – Pipper perguntou.

Imediatamente o sorriso do casal se transformou em preocupação.

– Ele não está. – disse o homem. – Por que? Ele não está em problemas, não é?

Pipper travou. Não queria ser a responsável por revelar aquele casal qual a loucura que o filho tinha feito.

– Não. – disse ela. – De forma alguma. Só queríamos falar com ele e com a Ana.

– São amigos da Ana também? – a mulher se interessou.

– Bom, acabamos de nos conhecer, mas acho que sim...

– Não são daqui, não é?

– Não. – dessa vez foi Jason quem falou. – Estamos na casa de Ben.

–Sharp? – perguntou o homem. – É um bom garoto. Ele e John costumavam a ser bem amigos, mas depois... Nunca maos os vi juntos.

“Sorte sua”, Pipper pensou em dizer.

– Obrigada, Sr. E Sra...

– Walker – falou o homem. – Quando encontrarem o meu filho avisem que estamos preocupados. Ele pegou o carro sem avisar e agora não atende o celular...

– Pode deixar. – disse Pipper. – Boa noite.

O simpático casal fechou a porta e eles caminharam para longe. Sentia um pouco de pena deles, pois não sabiam o filho encrenqueiro que tinham.

–Aqui ele não está. – falou para Jason.

– É. Mas já esperávamos isso, certo?

Ela assentiu. Esperava que Ana estivesse mesmo no lugar que Percy e Annabeth haviam ido.

– Poderíamos ficar aqui por um tempo, não acha?

Ela olhou para Jason.

– O que quer dizer?

– Sei lá... Férias. – falou ele. – Praia. Acho que merecemos isso um pouco.

Pipper sorriu do jeito que ele falava.

– Seria bom. – concordou. – Apesar de que gosto dos acampamentos...

Jason logo corrigiu o comentário.

– Não me entenda mal, Pips. Também gosto muito dos acampamentos. Ainda mais agora que podemos transitar entre os dois com maior liberdade, sem toda aquela confusão e conflitos... Mas as vezes acho que, mesmo juntos, não temos tempo para nós dois. Primeiro fomos resgatar Hera, depois treinamos, ai viajamos para Roma, Grecia, lutar contra Gaia. Agora estamos procurando semideuses... Não tem vontade de largar tudo por um momento?

Ela gostava de ouvi-lo falar daquela forma. Jason não era muito bom em desabafar sentimentos como aquele desde que ela o conheceu, mas agora o namorado estava ficando cada vez mais aberto. Ela sabia que ele confiava nela o tanto que ela confiava nele.

–Contanto que eu esteja com você, férias parecem uma boa ideia.

Pensar no acampamento a fez se perguntar onde estaria o resto da equipe. Enquanto ela, Annabeth, Percy e Jason foram para Newport, atrás de Ben, Frank Hazel e Leo estavam em suas próprias buscas. As vezes os grupos trocavam, mas como Jason estava com Pipper e Percy com Annabeth, raramente eles gostavam de revezar os pares das missões. Não que ela tivesse algum problema em trabalhar ao lado dos outros amigos, mas era que não gostava de ficar muito tempo longe do namorado...

–Será que já encontraram Anna? –Jason perguntou.

– Espero que sim. – Ela falou, os olhos fixos no namorado.

...

Percy e Annabeth seguiram Ben até a porta da cabana. O jovem de 14 anos estava com os punhos cerrados e um expressão perigosa no rosto.

–Estaremos aqui fora. – disse Percy segurando a mão de Annabeth. – Qualquer problema nos chame.

Ben assentiu com a cabeça agradecido e entrou no local.

–Tem certeza que é uma boa ideia deixá-lo ir sozinho? – Annabeth perguntou do lado de fora.

– Essa é a luta dele. Estaremos aqui caso apareça algum problema...

...

Ben entrou na pequena casa de madeira, o vento que soprava do mar fazia a armação do lugar treme. John e Ana estavam logo à sua frente, ela parecia aliviada por vê-lo. O outro garoto estava mais irado do que qualquer outra coisa.

Inicialmente Ben se sentiu alegre em encontrar a garota. Se ela não estivesse ali, não sabia o que iria fazer... Mas a felicidade logo se transformou em raiva. Raiva do garoto que a sequestrara daquela forma ridícula.

– O seu salvador chegou, Ana. Já reparou que ele sempre chega para nos atrapalhar?

– Dessa vez foi longe demais, John.

– Cala a boca, palhaço. Nunca te ensinaram à não se meter numa briga de casais?

– Só que, se estou certo, não são um casal mais, não é?

O rosto de John se fechou em uma raiva perigosa. A tensão ali dentro ameaçava explodir à qualquer momento.

–Dessa vez eu acabo com você, Sharp.

– Eu queria ver você tentar, Walker. Ana, você está bem? – finalmente ele se dirigiu à garota. Ela balançou a cabeça positivamente.

– Eu só quero ir para casa. – falou indo em sua direção. – E tentar esquecer que isso acontece... –John a interrompeu segurando seu braço quando ela chegou ao seu alcance.

– Não resolvemos nosso problema ainda,Ana.

–John, não percebeu? Você é o problema. Vai na minha casa e me arrasta até aqui esperando que a lembrança do nosso primeiro beijo fosse resolver tudo?

–Ana... – começou o loiro.

–Tira as mãos dela. –falou Ben para John, quem ainda segurava o braço da garota.

–O que?!

–Tira a mão dela!

Ben partiu com tudo na direção de John. O punho cerrado fez um rápido movimento acertando a maxilar do garoto desequilibrado. Por sorte, antes de cair, John soltou o braço de Ana. A garota correu na direção de Ben.

–Vá lá para fora. Percy e Annabeth estão te esperando. Eu vou dar um jeito nesse cara. – falou.

– Ben, não. Deixa ele para lá. Vamos sair daqui.

O pedido da garota foi quase impossível de ser cumprido. Ben já estava com tanta raiva do outro que pular em cima dele e dá-lo uma lição era quase que um instinto natural. Mesmo assim ele fez o que ela pediu. Deu as costas à John e a seguiu em direção à porta, porém antes que pudesse ultrapassá-la sentiu uma dor na cabeça e perdeu as forças nas pernas...

Notas finais
Olá pessoal, obrigado pelos comentários. Como estava vendo que muitos utilizam esse recurso, vou lançar a seguinte proposta. Só lanço o proximo capítulo depois que este tiver 6 comentários. Não pesso recomendação pois não são obrigados a gostar, mas se acharem merecido, não me queixarei. kkkkkkk.
Mas serio, comentem, pois preciso saber o que estão achando e o que acham que devo melhorar. Obrigado por lerem a fic e qualquer coisa podem entrar em contato.